Extreme Love
5 Capítulo 5
Notas iniciais

— Nós já sabemos que você é muito flexível com os quadris, Smoak. — exclamou Dianna depois que acabamos de dançar a coreografia de "Cool For The Summer" no Just Dance 2016 de Curtis. Havíamos maratonado todas as edições em um dia só depois de enjoar da edição de 2018.
— O truque é apenas seguir o ritmo... — disse antes de beber um gole de suco.
Curtis estava na cozinha junto com Paul, seu marido, sabe-Deus-fazendo-o-que enquanto eu e Dianna estávamos jogando o jogo no Xbox One deles.
— Hey... Eu queria falar uma coisa com você.
— Manda.
Contei o que aconteceu depois que ela havia ido embora de casa ontem e depois na lanchonete. Ela manteve a expressão neutra, mas foi eu dizer "Oliver Queen", os olhos se iluminaram como luzes de Natal da Times Square e o sorriso conseguia ser maior do que o do Coringa.
— É destino. Ou karma. Qualquer merda que prove que o universo está conspirando para juntar você com o Queen. — disse ela depois que o relato acabou. — Eu gostei desta tal Caitlin, eu e ela poderíamos nos dar bem.
— Não quero nem pensar nisso.
— Pense comigo, ela te ajudou na hora de escapar e eu sinto que você está realmente considerando a botar meu planinho em prática... — cantarolou ela antes de beber um gole de seu suco e em seu olhos brotavam humor.
— Não acredito que irei dizer isso, mas... Sim. — eu disse e ela abriu a boca em um perfeito "O" e estava a ponto de surtar. — Antes que você comece a gritar e tudo mais, quero deixar claro que iremos até onde eu quiser ir e Sara...
— Confie em mim. Ela não irá fazer nada. — disse ela e se colocou na frente do vídeo-game para uma nova partida. Ela escolheu "Jealous" do Nick Jonas e começou a dançar. — Você vai começar a ir para a academia todos os dias agora.
— As férias acabam em menos de duas semanas e você quer que eu gaste meu tempo livre na academia? — perguntei já não gostando desta parte.
— Quer apostar comigo que até o domingo a noite você já foi para a cama com o Queen? — perguntou ela parando de dançar e me encarando com um sorriso maldoso.
Hoje era terça-feira. Conhecendo Dianna como eu conhecia, ela não iria precisar de cinco dias para fazer esta proeza dar certo.
— O que eu ganho com esta aposta?
— Se até domingo você não tiver ido para a cama com o Queen, eu faço qualquer coisa que você quiser por uma semana e não falo mais nada remotamente relacionado á sua vida pessoal, amorosa, sexual... Você entendeu. — negociou e eu estreitei meus olhos. Era tentador demais. — Mas se eu conseguir, além da melhor noite da sua vida, você irá fazer o que eu quiser por uma semana e nunca irá reclamar de meus conselhos.
Bebi o resto do meu suco sem quebrar o contato visual com ela. Droga. Ela não estava brincando. Se eu aceitasse, ela iria usar toda a artilharia possível, mas Oliver era uma incógnita para todas nós. Ele poderia ser meu trunfo no final das contas.
— Feito. — eu disse e estiquei minha mão, ela apertou e depois voltou a sua dança.
— Prepare sua melhor lingerie. — cantarolou e depois riu.
—-
— Oi Felicity, você vai ter aula na sala de sempre com um dos pupilos de Ra's. Ele é bonito e tem olhos azuis. — disse Shado e eu apenas sorri e fui até as escadas com meu estômago embrulhando novamente.
Desta vez eu não poderia fugir de Oliver.
Fui até a sala de sempre no terceiro andar e fiquei observando as outras salas através das paredes de vidro depois de me alongar. Eram tantos estilos de luta. Eu queria aprender todos! Sentei no chão com as pernas cruzadas e me pus a meditar um pouco. Tracy, minha instrutora de yoga, ficaria até orgulhosa.
— Felicity. — chamou aquela voz maldita e eu abri os olhos.
É, era ele mesmo. Oliver Queen. Eu não precisar comentar que ele estava mais bonito do que da última vez que eu havia visto ele, ou seja, ontem, ou precisava comentar?
Agradeci mentalmente a roupa que Dianna havia escolhido após pegar Oliver me olhando da cabeça aos pés, depois chacoalhando a própria cabeça levemente. Era um top preto, com um shorts preto também. Era um grande contraste em comparação á minha pele branquela desprovida de vitamina D. Ele não me parecia nenhum um pouco ameaçador ou agressivo agora, parecia apenas... Normal.
— Oi. — eu disse e acenei minimamente me pondo em pé. — Voc...
— Ah, você já está aqui! — disse outro cara entrando na sala.
Eu já havia visto ele na academia algumas vezes, sempre estava com Ra's ou Shado. Deveria ter uns vinte anos. Pele bronzeada, rosto de modelo, olhos azuis e tanquinho bem definido. Oliver se virou para ele e o garoto corou levemente. Será que ele era gay?
— Qual é o seu nome? — perguntei tentando dissipar o clima tenso que estava se instalando entre os dois. Mais por parte de Oliver do que do carinha bonitinho.
— Roy Harper. — respondeu coçando a nuca, parecia envergonhado.
— Eu sou Felicity Smoak. — me apresentei e estiquei a minha mão para ele assim que me aproximei dos dois. Ele apertou e sorriu de modo educado.
— Eu sou o seu trei...
— Tchau Harper. — disse Oliver e assim que o aperto de mão acabou, ele praticamente enxotou Roy da sala. — Você fica com a classe de Judô e eu fico com a novata.
Roy saiu da sala com uma expressão confusa e eu me virei para Oliver.
— Ele era o meu treinador? — perguntei cruzando os braços e encarei os olhos profundamente azuis de Oliver Queen.
— Não.
— Ra's me disse...
— Disse que um aluno dele iria te treinar. Eu sou um aluno dele e da última vez que eu me vi no espelho, tenho olhos azuis. — disse piscando um olho e indo até o quanto da sala onde tinha protetores empilhados. Ele pegou um bem largo que parecia um escudo de borracha forrado com couro e parou na minha frente. — E Caitlin me pediu para te treinar.
Espere.
Ele ouviu Shado dizer isso para mim? Caitlin pediu o que?
Traidora.
— Quero que você treine seus pés, pelo que Ra's me disse, você é ótima com os braços e os quadris. Vamos trabalhar o seu apoio nas pernas e o jogo de pés. — ele disse e eu assenti. — Chuta com força.
Fiquei na posição inicial, me firmei no chão e respirei fundo. Em um movimento rápido girei meu quadril e bati a canela no couro. Oliver absorveu o impacto com facilidade e depois ergueu as sobrancelhas grossas como um sinal de "De novo". Fiz o mesmo processo usando um pouco mais de força e de novo e de novo.
— Pense no rosto do cara que te assaltou e chute com mais força. — ele disse e eu senti minha perna começar a protestar pelo esforço feito.
Fiquei na posição inicial de novo e fechei meus olhos e até ajudou a lembrar do rosto do ladrão. Ele deveria ter uns quinze anos e mesmo assim conseguiu me fazer beijar o asfalto e ainda levou uma das bolsas mais caras da loja da minha mãe. Respirei fundo e direcionei toda a minha força e raiva para as pernas. Era ridículo como um pirralho tinha conseguido me render tão facilmente, mesmo com uma arma. Girei os quadris e bati a canela contra o couro novamente, desta vez fiz Oliver recuar dois passos curtos para absorver o impacto do golpe e sorri internamente com a pequena vitória.
— Bom. Agora vamos á prática. — ele disse e tirou a camisa e eu suspirei bem baixinho.
— Sério?
— Em minha defesa, nos últimos encontros, você era quem estava sem camiseta... — ele disse e se colocou ao meu lado. — Posição inicial.
Fiz como ele mandou e começamos a fazer várias simulações de situações em que eu poderia usar o chute e outros vários chutes que eu esqueci os nomes assim que Oliver falou eles. O rosto... O corpo... Oliver era uma grande distração, então eu focava no tatame e deixava a voz dele me guiar.
— Bom, agora vamos fazer uma de verdade. Tente me derrubar assim que eu avançar. — ele disse cheio de presunção.
Primeiro defeito? Egocêntrico. Eu assenti levemente e fiquei de costas, me preparei rapidamente e ouvi seus passos atrás de mim, ele colocou a mão no meu ombro e torci ela e direcionei um chute em suas costelas que foi parado por sua mão. Ele apertava levemente minha panturrilha.
— Previsível. — disse ele e soltou minha perna, dei um pulinho e rodeei seus quadris com a perna livre e nós dois caímos assim que eu girei. Eu estava em cima dele e segurava seu braço á ponto de deslocar seu ombro se eu quisesse. — Jogo sujo.
— E meu agressor irá jogar limpo? — repliquei como uma criança á rolar ao seu lado.
Continuamos com as simulações, eu não o derrubei mais. Foi apenas a primeira vez, o resto das vezes, ele impediu qualquer ataque surpresa. Ele ficou realmente concentrado e seu olhar clínico fez um arrepio super congelante subir por minha espinha. Oliver não comentou nada quando eu envolvia alguns golpes de Boxe no jogo, graças á meu pai, eu sabia alguns para sobreviver o jardim de infância.
— Você é realmente boa. — disse no final da aula enquanto eu bebia água. — Mas sempre podemos melhorar.
— Obrigada. Vou fazer musculação, você vai ser meu instrutor também ou devo procurar Roy? — perguntei quando vi ele encarando o relógio digital que tinha no corredor.
— Você vai ficar muito dolorida se fizer musculação. Então, eu sugiro que você vá descansar. — ele disse e saiu da sala sem uma despedida decente e nada.
Segundo defeito? Arrogante. Fui diretamente para a musculação e encontrei uma outra instrutora morena, Helena, ela era muito simpática e me ajudou em todos os meus exercícios. Perguntei para ela sobre Roy e Oliver e ela me contou que Roy tinha Oliver como seu modelo de inspiração desde... Sempre.
Fiquei surpresa quando ela disse que Roy sempre quis lutar contra Oliver e ele não era gay.
— Hey. Algumas meninas da academia vão se encontrar em uma boate hoje a noite. Está afim? — perguntou ela com um sorriso e eu encarei seus olhos azuis.
Por que todo mundo ao meu redor tinha olhos azuis?
— Culpe a minha mãe. — ela disse e eu bati a mão na minha testa e ela riu.
— Desculpe.
— É em um clube recheado de homens lindos e saradões, por mais que nós temos uns aqui, os de lá são bem mais sexys. — ela disse e encostou seu celular no meu, seu contato foi adicionado rapidamente através de um aplicativo que eu conhecia mais muito bem. Eu que criei ele. Bem a patente era da Queen Consolidated, mas dá pra entender. — Me ligue se quiser ir e a gente se encontra.
Eu assenti e ela foi até outro aluno que parecia ter dificuldade com a esteira. Desci e fui até o vestiário e tomei um banho super-rápido e me vesti novamente com o moleton da academia. Era quentinho. Juntei minhas coisas e quando fui sair do vestiário trombei em uma pessoa.
Oliver não... Oliver não... Oliver não...
— Meu nome não é Oliver, então fique tranquila. — disse a pessoa que eu atingi. Abri meus olhos e encarei o homem na minha frente. Olhos castanhos! Amém. Ele era bonitinho. E tinha um cabelo todo arrepiado bagunçado e algumas tatuagens coloridas. — Sou Werner.
— Felicity. Prazer. — eu disse e apertamos as mãos. — Você também luta aqui?
— Irei lutar, mas não malho nesta academia. E você? — explicou e sorriu galante.
— Eu luto aqui. — disse e vi Helena e Shado encarando nós dois. — Ahm, eu vou indo então...
— Espero que venha me ver lutar... Eu sou Conde Vertigo. — disse e apontou para um cartaz na parede. Eram dois lutadores de costas, uma era Werner, obviamente e o outro... Ah não.
— Você vai lutar contr...
— Zytle. Ra's está pronto para você. — disse uma senhora gordinha aparecendo na porta da sala de administração da academia. Ela tinha um sorriso zombeteiro. — Meu garoto vai chutar a sua bunda. Novamente.
Werner apenas riu e foi até lá com um beijo de despedida. Sorri com o jeito dele andar e depois fui até a saída, percebi que Oliver e Roy e qualquer outra pessoa na recepção estava me encarando. Acenei para os meninos e fui embora.
Fui para loja de mamãe salvá-la de um sistema maligno e a loja estava pegando fogo quando eu cheguei lá. Várias mulheres estavam várias roupas nas mãos juntamente com o dinheiro e formava a fila na frente do caixa até a porta de entrada da loja. Que bagunça. Corri para o caixa e vi mamãe fazendo as contas na moda antiga usando uma calculadora.
— Ah querida.... Me ajude com seus poderes de gênia. — disse quando olhou ao redor. Donna Smoak surtava por qualquer motivo e quando ela tinha um, era mais catastrófico do que quando ela não tinha.
Me agachei e com ajuda de uma lixa de unha, abri a lateral da CPU. Estava tudo em ordem tirando que os cabos da caixa de som estavam ligados no lugar errado. Eu só arrumei eles e reiniciei o sistema. Estava novinho em folha.
— Martha! Estamos de volta! — gritou mamãe ao passar as compras das mulheres na velocidade da luz.
A ajudante dela, Martha, apareceu do estoque com várias caixas de sapato e foi atender o resto das clientes que estavam esperando. Eu, definitivamente, pertencia ao mundo virtual. Interação com outros seres humanos não era o meu forte. As clientes saíram da loja com várias sacolas e eu fiquei apenas recolocando cabides em suas araras para fazer alguma coisa.
Meu celular vibrou no meu bolso e eu vi que era uma mensagem de Dianna.
"Dianna, L: Como foi hoje? Estou te ligando."
Dito e feito, a foto de Dianna apareceu na tela e eu aceitei a ligação.
— Oi! Me conta tudo!— disse com a voz animada e eu ri de seu entusiasmo.
— Ahm, eu tive aula com Oliver e recebi um convite para ir em uma boate. — contei e pendurei mais cabides enquanto Martha recolhia as caixas de sapatos ao redor da loja.
— Mas já? Ele foi rápido! Não disse que a roupa iria ajudar?!— exclamou ela e eu poderia ouvir seus pulinhos do outro lado da linha.
— O convite não foi de Oliver e sim de Helena, minha instrutora. Nas palavras delas, um lugar cheio de cara bonitos, sexys e saradões... — eu disse e Dianna riu.
— Está pensando em ir? Porque eu já tenho a roupa perfeita para você. E Curtis pode nos ajudar com a maquiagem...— suspirei.
Estava começando a me arrepender de ter aceitado sua aposta.
— Sim, mas não vou sozinha. — eu disse e sorri com a ideia que brotou em minha mente. — Você pode vir comigo e levar Sara junto para ela ver que eu tenho uma vida social.
Dianna riu, não, ela gargalhou depois do que eu disse e demorou uns bons quinze minutos para se acalmar. E quando se acalmou, começou a rir de novo e eu desliguei na cara dela. Digitei uma mensagem para Helena dizendo que ia querer ir e ela poderia marcar um ponto de encontro, sua resposta foi quase imediata.
"Helena, B: Me encontre na academia ás 21:00pm. E nós vamos juntas."
— Ah! Finalmente... — exclamou mamãe ao se deixar cair em uma das poltronas com um ar cansado. Olhei para ela depois que Martha se juntou ao seu lado. — Dirigir um lugar com menos de 60 metros quadrados não deveria ser tão difícil.
— Mas você lucrou muito hoje! — argumentou Martha ainda sem fôlego.
— Foi por causa das peças Dior e os perfumes Chanel. Estavam enterrados no estoque e eu apenas coloquei eles nas vitrines. — contra-argumentou mamãe e as duas começaram a discutir sobre isso enquanto eu olhava nas vitrines algo que me agradasse. Eu sempre podia furtar um vestido ou dois da loja.
— Mãe? Cadê aquele vestido preto com aquelas transparências? — perguntei olhando cabide por cabide de uma arara na parede.
— O com costura? — perguntou de volta e eu levantei o polegar. — Está no estoque.
Fui até o estoque que era apenas um antigo escritório abarrotado de coisas, mas assim que bati os olhos no lugar, eu encontrei o vestido rápido. Peguei ele e o observei. Era bem bonito e não tão curto ou decotado. Era Felicity Smoak. Fui até o pequeno lavabo que tinha ali e provei ele. Ele era um tamanho menor do que o meu, mas não ficou tão apertado assim.
— Uau! Você está linda! — disse mamãe e Martha ao mesmo tempo boquiabertas e eu corei. Bem forte.
— O caimento ficou perfeito! — disse Martha ao ajeitar uma das alças no meu ombro de forma apropriada. O decote ia de ombro á ombro e dava um charminho, mamãe ainda me olhava com boquiaberta e surpresa.
— Eu vou em uma boate e estava querendo uma roupa nova... — eu disse.
— E um sapato! — gritou Martha e saiu a caça.
— Acessórios! — gritou mamãe saindo de seu estupor e se juntou ao furacão Martha e elas voltaram com um par de saltos altos e um colar discreto de cristais. — Agora se você arrumar o cabelo liso e uma maquiagem leve...
— Sim. Ficará perfeita. — concordou Martha com as observações de mamãe. Acho que no final não irei precisar de Curtis ou Dianna quando se tinha Martha e Mama Smoak na parada.
Meu celular começou a tocar e eu me separei das meninas e fui atender.
Era a recepção da academia.
— Alô?
— Oi Felicity! Só queria avisar que você esqueceu seus óculos no vestiário. — disse a voz de Shado e só então eu percebi que ainda estava com as lentes de contato. Ah meu Deus! - Eu guardei eles aqui na recepção.
— Muito obrigada! Irei buscá-los assim que eu terminar aqui... — disse olhando para a dupla implacável na minha frente fazendo inúmeras combinações e apontando para mim .
— Okay.
Desliguei e troquei de roupa e fugi dali antes que virasse um manequim vivo e fui caminhando até a academia. No estacionamento eu vi uma Ducati bem parecida com a de Sara na cor preta e fiquei namorando ela por um tempinho. Eu sempre quis ter uma moto, mas como a gravidade e eu não éramos boas amigas e meu senso de profundidade era horrível... O carro era mais seguro.
Shado acenou assim que me viu e já esticou os óculos para mim no balcão.
— Eu não acredito que esqueci... — eu disse e limpei as lentes com a camiseta.
— Acontece com os melhores. — disse Shado com um sorriso.
— Eu não disse para você ir descansar? — perguntou Oliver me assustando.
— Não vim aqui para treinar, sensei. — disse com ironia ao me virar e ele ergueu uma sobrancelha para mim. Ele estava com as mesmas roupas que usou mais cedo, mas parecia mais rabugento. — E mesmo se estivesse, não estou vestida para isso.
— Oliver, uma aluna está com o braço enfaixado e não poderá vir na turma da tarde. — disse Shado e ele se limitou a assentir. Se ele era bilionário por que infernos trabalhava na academia como professor? Ou era sensei mesmo? — Ra's deixou o recado dizendo que era para você começar a treinar amanhã de manhã com ele pela manhã e Felicity fica com Roy.
— Não preciso de uma babá. Consigo fazer os dois. — disse ele se virando para Shado que pareceu surpresa com sua atitude. E eu? Eu não estava entendendo nada porque Oliver estava sem camiseta. De novo.
— Mas você não vai lutar contra o Conde? — perguntei saindo de meu transe e ele se virou para mim. Lembrei de Werner e corei forte. — E se você levar um soco e morrer? Eu não quero ser a culpada de um traumatismo craniano! Muito mais seu, se bem que do jeito que você é, duvido que vá perder, mas...
— Respire. — disse ele com um leve sorriso.
— Você vai lutar com ele? — perguntei contanto até dez na minha cabeça para não dizer nada inapropriado.
— Sim.
— Então eu treino com o Roy. Você consegue se preparar mais, não acha? — indaguei usando um tom meigo e divertido. Agora contando até vinte.
Percebi que Shado estava quase caindo na gargalhada. Oh Deus... O que tem de tão engraçado?
— Uhum. — disse com os lábios franzidos em uma linha reta. — Fique com o Harper então.
Novamente, sem se despedir ou dizer nada... Ele foi embora.
Shado começou a rir e eu, novamente, não entendi nada.
O que há de errado em eu treinar com Roy?
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