Notas iniciais
Ciao! MAIS UM CAPÍTULO, LISSY? Sim, mais um capítulo. Depois eu explico o porquê. Boa Leitura!

Eu estava cansada demais, mas me sentia maravilhosa. Antes eu até poderia ter resistido á ideia horrível de Sara no começo, mas agora estava agradecida por ela ter insistido tanto assim. Krav Maga era um ótimo esporte. Era um tipo de luta israelita que era muito usado pelas mulheres de Israel e pelo exército de lá, também.

— Felicity. Irei mandar um dos meu alunos mais seletos para continuar o seu treinamento. Continue assim e logo logo será uma das melhores alunas. Se sinta livre para usar o centro no subsolo. — disse Ra's e eu assenti. — Flua assim como as águas entre as pedras e aprenderá o que precisa aprender..

A aula acabou e ele foi embora depois de soltar esta pequena frase filosófica e me deixar confusa. Olhando suas costas e sua postura dura, até que para um velho, ele estava muito bem conservado. Deveria ter uns quarenta e tantos, no máximo era cinquentão.

Ajuntei minhas coisas e desci até o vestiário feminino, mas não antes de acenar para Shado na recepção. Ela foi muito gentil comigo na avaliação física. E Caitlin também foi. Nossa. Eu nunca fiz duas amigas tão facilmente assim, talvez só Sara que quando nos conhecemos e ela tentou me passar uma cantada.

Entrei no vestiário e encontrei duas meninas que estava usando quimonos brancos e protetores que me lembravam capacetes coloridos. Elas me cumprimentaram e eu fui tomar banho. Fui até o boxe mais isolado possível, eu tinha trauma quando se tratava de vestiários devido aos inúmeros trotes que eu fui alvo no acampamento de verão quando era pequena.

Me lavei na velocidade da luz, dando ao mesmo tratamento ao meu cabelo e saí do boxe olhando para os dois lados antes de ir até o corredor de armários. Eu tinha um armário e ele era no alto! Na escola preparatória e no colégio os meus armários sempre foram embaixo, então isso era muito legal.

Me vesti com a roupa de ginástica limpa que tinha ali com o logo da academia, e coloquei a suja dentro da minha bolsa que ganhei de mamãe. Era chamativa por ser cor de rosa, mas mamãe me deu com tanto entusiasmo que eu não pude dizer não e eu até agradeci quando vi ela tinha um plástico para a roupa suja.

Sequei meu cabelo com a toalha e depois penteei ele. Deixei ele solto para secar mais rápido e com cuidado, tirei minhas lentes e recoloquei meus óculos. Eu gostava de usá-los mais do que as lentes, mas para lutar não rolava.

Saí do vestiário quando estava pronta e quando virei no corredor me trombei com a montanha de múscul... Oliver. Ele parecia distraído e eu já sou distraída por natureza, então... Má combinação.

— Desculpe. — eu disse e não resisti em encarar seu rosto.

Ele era ridiculamente bonito e mais ridiculamente ainda gostoso. Ele parecia uma encarnação perfeita de Adônis, Apolo ou qualquer outro cara que fosse bonito. Muito bonito. Os olhos deles eram tão azuis que pareciam ser um par de néons brilhantes me encarando e não uma pupila normal. Isso sem contar no nariz tortinho e nos lábios finos dele que só completavam o pacote. O corte de cabelo baixo também tinha o seu charme.

— Não... Eu que não estava vendo para onde ia. — ele disse balançando o celular em suas mãos. — Você não ia fazer Defesa Pessoal?

— Ah sim, mas Shado e Ra's me indicaram o Krav Maga para canalizar minha... Força. Isso, minha força, para canalizá-la mais no ataque do que na defesa. — eu disse repetindo o que eles disseram para mim. — Afinal o que teria mais para canalizar?

— Raiva. — disse erguendo uma sobrancelha. Se isso não fosse tão sensual eu iria usar um dos golpes que aprendi hoje nele.

— Não sei o que o fofoqueiro do Curtis te contou, mas estou fazendo isso para aprender me defender e não descontar raiva de um ex-namorado maldito que deixei em Starling City, okay? — eu disse e bati a mão na testa. Merda de boca grande. — Por favor delete os últimos cinco minutos da sua mente.

— Feito. Foi bom te ver. — ele disse antes de entrar no vestiário.

— Foi ótimo te ver... — eu disse e suspirei.

Quando me virei para a saída, vi Thea Queen e Shado me olhando do balcão da recepção e... Merda. Corei fortemente. Mesmo se eu quisesse não me sentir culpada, o meu corpo sempre me dedurava.

Corri para a saída e me enfiei dentro do meu carro. Era um Mini-Cooper azul. Bem visível, mas não deixava de ser discreto. Bem Felicity. Respirei fundo e girei a chave na ignição tentando afastar cada memória das aulas de direção, das quais eu reprovei três vezes e tive que hackear o sistema para ser aprovada.

— Você consegue. Vem dirigindo muito bem na última semana. — eu disse a mim mesma e coloquei o carro em movimento.

A academia não ficava muito longe da casa de minha mãe, na verdade, eles ficavam á dois quarteirões de distância um do outro, então não gastei muita gasolina. Antes mesmo de eu virar na rua certa, eu sabia que Sara estaria me esperando em casa porque a Ducati vermelha dela conseguia ser avistada á quilômetros de distância.

Oh Deus.

Eu amo ela, mas o que infernos ela está fazendo na casa da minha mãe?!

Estacionei o carro na frente da casa de dois andares amarela e com muita cautela, fui até a porta da frente. Enfiei a chave e girei, antes mesmo de eu passar do pequeno hall de entrada, eu já ouvia risadas vindas da sala. Isso não era bom. Sara e mamãe juntas poderiam ser pior que uma combinação nuclear, e advinha quem sempre se ferrava?

— Mãe? — chamei.

— Na sala de estar. — disse com a voz melódica.

Fui até lá, na apertada sala de estar de mamãe estavam Dianna e Sara.

Tomando chá e comendo biscoitos de chocolate.

— O que é isso? Uma reunião? — perguntei e minhas amigas sorriram para mim.

— Eu estava querendo falar com você sobre uma coisa, mas não quis atrapalhar seu treinamento na academia. — disse Sara depositando sua xícara na mesinha de centro com um sorriso.

Ela era linda. Tinha praticamente a mesma altura que eu, era loira natural e tinha lindos olhos azuis. Poderia dizer que o nosso fenótipo era quase o mesmo, tirando o fato que eu tinjo o meu cabelo e o dela, é natural. E também tinha o fato dela ser bem mais curvilínea do que eu.

— Devo me preocupar? — perguntei e elas riram.

— Você têm estado um lixo desde o término com Cooper. E isso foi á quatro meses atrás! Você decidiu tirar férias e vir para cá. Você pintou o cabelo, comprou roupas que são para o seu corpo e agora, está fazendo academia. — enumerou Dianna em seus dedos e eu assenti.

— O que elas estão tentando dizer é que você seguiu em frente, mas suas outras necessidades precisam seguir em frente também. — disse mamãe antes de tomar um gole de chá de sua xícara com um tom conspiratório.

— Então... Agora nós damos o último passo. — disse Sara com um sorriso assustador.

— Que seria?

— Arrumar um homem para você.

— O que?! — exclamei ao mesmo tempo em que Dianna soltava uma risadinha nervosa. — Eu acho que já deixei bem claro que eu não quero um homem na minha vida tão cedo.

— Olha... Eu posso ser lésbica, mas eu sei muito bem que naquela academia tem muitos homens saradões e lindos! — exclamou Sara e mamãe riu. — Vai me dizer que nenhum chamou sua atenção?

O singelo sorriso de Oliver apareceu na minha mente como se fosse um notificação de celular e eu corei com isso. Dianna ergueu uma sobrancelha para mim e eu corei ainda mais forte.

Eu me entregava tão facilmente que chegava ser patético.

— Não sou cega. Sei que tem saradões lindos por lá, mas eu acho que vou esperar mais um pouco antes de voltar para o "mercado". — eu disse fazendo aspas com os dedos e Sara deixou seus ombros caírem como sinal de derrota. — Por favor, não façam mais esse encontros bizarros para discutir sobre a minha vida amorosa e sexual.

Fui para o segundo andar e assim que passei pela porta do meu quarto, caí na cama e quis socar alguma coisa. Olhei para o lado e vi parte do meu reflexo no espelho de corpo inteiro. Eu ainda estava me acostumando com o novo visual. Antes eu era morena com um longo cabelo, só tirava minhas lentes de contato á força e preto era a minha cor.

Por um breve instante, eu senti vontade de chorar. Não! Era a única coisa que tinha feito nos últimos quatro meses por um cara que não merecia tanto desperdício de proteína.

— Hey... Posso entrar? — perguntou Dianna no batente da porta.

Eu olhei para ela e assenti. Ela deitou ao meu lado e apoiou sua cabeça em uma das mãos. Eu era rodeada por mulheres bonitas. Sara, Shado, Caitlin, Dianna... Até mesmo minha mãe que com mais de quarenta anos ainda estava em forma e tinha muitos paqueras.

Dianna era ruiva, tingida, mas era ruiva. Os cabelos dela era de um vermelho cereja e tinha olhos castanhos. Seu corpo era pequeno, assim como seu nariz arrebitado.

— Você vai gritar com a Sara? Porque foi minha ideia vir falar com a sua mãe... — confessou e eu ri.

— Não, eu só não gosto de coisas deste tipo. Parece um complô de pessoas querendo controlar a minha vida. — eu desabafei e ela assentiu. — Sei que vai fazer quase seis meses desde o término com Cooper, mas eu não estou pronta para os homens ainda.

— Eu te entendo, eu e Sara só queremos te ajudar com o grande e assustador primeiro passo. — disse ela arregalando os olhos levemente. — Eu vi como você reagiu perto do Queen.

— Ele é enorme e assustador. — argumentei e ela riu.

— Lindo, gostoso e convenientemente rico. — argumentou e eu revirei os olhos. — E não adianta negar que não houve atração ali. Você começa a falar super rápido toda vez que ele está sem camiseta, com os abs de fora.

— Como sabe dis...? Sara. — eu afirmei e ela assentiu. — Não nego que Oliver é bonito e gostoso, mas devo ressaltar que este é o mesmo cara que namorou a Laurel? As histórias não são boas.

— Você precisa da ficha criminal de alguém para foder?! — perguntou ela erguendo uma sobrancelha bem feita. — Vamos fazer assim. Você vai ter uma noite de sexo com o pequeno Queen e depois decide se está ou não pronta para os homens.

— Aonde quer chegar com tudo isso? E por que Oliver Queen? Eu gostei do Tommy também. — disse em minha defesa ao me lembrar do sorriso sapeca do moreno de olhos azuis.

— Tommy está te jogando para cima de Oliver, só você que não percebeu! Aquele papo de férias em família, boas notas na faculdade, responsável e saudável para cima de você, achou que era o que? — perguntou ela sentando de pernas cruzadas na minha frente.

— Sara armou isso também?

— Não sei, mas considerando que ela vem trocado mensagens com o Merlyn estes dias... Eu não duvido. Você sabe que comigo nós vamos até onde você quiser, e ainda que mal poderá ser feito? — disse ela digitando algo em no celular.

— Aquele fenômeno de merda que começa com a letra "A". — eu disse e ela riu de novo, desta vez, eu também. — Não vejo necessidade em tudo isso.

— Sara e Tommy estão tramando contra você e Oliver. Parece que o nosso Gostosão está precisando "relaxar" desesperadamente antes que mande outra pessoa do ringue para a UTI. Uau... Gostoso e perigoso. — disse Dianna me mostrando uma conversa de Tommy e Sara.

— Ameaçador. — adicionei depois de ler parte da conversa.

Oh! Oliver era tão anti-social quanto eu.

— Assumindo que você aceitou o meu pequeno planinho. Nosso primeiro passo é fazer Oliver notar em você e não na sua língua grande, pelas roupas que você usou para ir para a academia, eu diria que você já está fazendo esta parte muito bem sozinha. — disse ela sugestivamente ao mexer na minha bolsa de ginástica.

— Eu me senti nua com aquele top, mas era o único que eu tinha para usar!

— Vai me dizer que nenhum cara te encarou? — eu pensei sobre esta pergunta, alguns caras me checaram, mas nenhum me encarou ou se aproximou. Nenhum com olhos azuis, sorriso sensual e gominhos tentadores. — Ou eles te encararam e nenhum chamou a sua atenção? Felicity você sabe que eu não julgo ninguém...

Eu ri da última observação e ela também. Dianna era bissexual. Gostava tanto de homens quanto de mulheres. Ela trabalhava no STAR Labs junto com Curtis e fazia pós-graduação junto com Sara. E agora estava se pegando com a última.

— Okay, como Oliver está a maior parte do tempo na academia podemos usar isso a seu favor. Você pode começar á ir mais vezes lá e se encontrar acidentalmente com ele. — disse Dianna levemente e eu neguei. — Qual é... Nós não podemos ir todo domingo assistir Game Of Thrones na casa de Tommy!

— Dianna, precisamos ir... Dr. Wells está nos chamando, tem algo errado com o nosso satélite. — disse Sara entrando no quarto antes que eu pudesse responder alguma coisa.

Pela primeira vez, eu fui eternamente grata por Sara ser tão invasiva.

— Continuamos depois. — disse Dianna me dando um beijo estalado na testa e saindo da cama.

Sara acenou e as duas foram embora.

Eu me sentia uma quarentona cheia de rugas e na menopausa do jeito que elas me descreviam. Eu já tinha mudado tanto! Mudei meu cabelo, meu estilo, minha rotina e até a minha dieta! Eu tinha emagrecido? Sim, mas só Deus sabe como eu sentia falta de comer pizza e chocolate!

O plano de Dianna era louco como o de Sara, porém menos radical. Dianna tinha a sutileza e paciência á seu favor, a Lance não. Eu tenho certeza que Sara queria que eu vivesse os dias como se fossem os últimos, assim como ela fazia. Mas não era o meu estilo fazer isso. Sei que ela me ama e só quer o meu bem, mas mancomunar com Tommy para fazer Oliver e eu termos uma noite de sexo casual era demais!

Eu até me sentia como se fosse uma marionete e Sara e qualquer outra pessoa que opinavam sobre a minha vida pessoal, puxavam meus cordões. Eu superei Cooper, porém ganhei outro trauma. Eu era contra compromissos agora e terrivelmente alérgica á aquela palavra com "A".

Eu não queria mudar o meu jeito para um noite de sexo com um cara que eu, com certeza, reveria novamente algum dia. Eu trabalhava na empresa da família do cara em questão. Tinha muitos amigos em comum com o cara em questão. Por um momento divaguei como eu não havia me encontrado com Oliver antes.

— Querida... Eu pesquisei um pouco na internet e vi a foto do tal Oliver Jonas Queen, vinte e quatro anos, signo de escorpião que combina com você que é de câncer e tirando algumas polêmicas, ele não despertou o meu radar de Mãezilla. — disse mamãe no batente da porta segurando seu tablet. — Sara me contou sobre ele ser seu homem da hora.

— Você pesquisou sobre ele no Google? — perguntei descrente á beira de um ataque de riso.

— Você não? Sei que você tem outros métodos, mas sempre podemos confiar na velha e boa Vogue. — disse e balançou o tablet com um sorriso e eu ri. Ela se aproximou e sentou ao meu lado na cama.

— Você acha que eu sou careta por não querer ir para baladas e ter sexo casual com estranhos? — perguntei e ela exibiu seus dentes perfeitos e brancos em um sorriso.

— Não, e por mais que eu ache seu jeito de ser maravilhoso e único, tenho que dar razão para suas amigas em um coisa. — ela disse e bateu o polegar de leve em meu nariz. — Você precisa viver mais, e não ficar escondida atrás de um notebook para o resto da vida. Vá viajar, conhecer o mundo e novas pessoas... Não se isole.

Refleti sobre suas palavras e isso vindo de Donna Smoak era quase um conselho valioso. Não. Era um conselho valioso. Mesmo minha mãe sendo ligada em moda, maquiagem, fofocas e reality shows, ela me conhecia bem. Mesmo ela não tendo praticamente nada em comum comigo, ela sabia que eu estava me fechando. Era quase assustador o quão fácil ela conseguia ver isso. Ela e Sara, o segundo caso era uma visão parcial e distorcida, mas ainda sim.

— Como eu sei que você está dieta, vou resistir a minha tentação de comer tailandesa hoje a noite... Pense no que eu disse querida e depois vá comer o seu almoço que está na geladeira. — disse ela se levantando. — Martha não vai conseguir cuidar da loja sozinha hoje e eu irei ajudá-la.

Eu assenti e me aconcheguei ainda mais na minha cama. Ouvi ela andar até o seu quarto e depois descer as escadas com seus saltos e depois gritar um "Tchau", e a porta bater.

Sozinha. Eu ficava bem sozinha, mas não gostava de me sentir sozinha.

Peguei meu celular e vi que tinha uma mensagem de Curtis.

"Curtis, H: Não se feche nesta tentadora conchinha que está o seu redor. Você sabe que é capaz de qualquer coisa."

Ótimo. Dianna já atualizou ele sobre tudo e ele vestiu a roupa de guru pessoal.

Eu me sentia solitária. Como uma adolescente deprimida depois de seu par de formatura me deixar na pista de dança para ir transar com uma das líderes de torcida no armário do zelador... Ah. Isso realmente aconteceu comigo. Droga. Eu queria voltar para os meus tempos de glória no MIT.

Eu era considerada uma deusa dentro daquele complexo. Eu estava com a minha própria espécie lá, não me sentia solitária e muito menos como uma marionete. A melhor parte do MIT? Não tinha nenhum Cooper Sheldon na minha vida naquele tempo.

Me arrastei até a cozinha e encarei o que era para ser meu almoço. Comida de coelho. Dois tipos de salada no mesmo prato com queijo branco light e filés finos de carne magra. Delícia. Devolvi o prato á geladeira e peguei uma nota de vinte dólares na bolsa. Precisava de um café. Acho que iria aplacar o enjoo que estava se instalando no meu estômago.

Amarrei meu cabelo em um rabo de cavalo e tranquei a porta assim que saí de casa. Tinha uma lanchonete não muito longe, mamãe sempre me levava para tomar café lá quando era um pouco mais nova. Eu ainda lembrava o caminho.

O bairro em que mamãe morava era muito... Família. Casas com gramados longos e cercas branquinhas. Alguns cachorros e crianças. Parecia que eu estava perdida na propaganda de uma ração canina ou qualquer coisa que precise de uma família americana para vender. Também tinha aquelas velhotas fofoqueiras, é claro. Nada é tão perfeito assim no mundo.

Andei pela avenida e depois atravessei a rua. Lanchonete dos Allen. Este era o lugar. Pelo pouco que me lembrava, o lugar não havia mudado muita coisa não. Só a placa de néon com o logo da lanchonete.

Empurrei a porta da frente e a campainha soou. Não estava vazia, porém não muito cheio. Escolhi uma mesa isolada e me sentei lá. Olhei o menu de cafés e logo a garçonete apareceu no meu lado.

— Felicity?!

Olhei para cima assim que ouvi meu nome e vi Caitlin Snow me encarando enquanto vestia um uniforme vermelho e segurava um bloquinho de comandas.

— Quase não te reconheci com os óculos... — disse sentando na minha frente com um sorriso gentil. Eu gostei de Caitlin Snow no momento em que conheci ela. Ela me ajudou com a avaliação física á quatro dias atrás e se tornou uma amiga. — Então, o que faz aqui? Como foi a aula hoje?

— Eu fiz a aula com Ra's e Nicholas, foi muito bom. Eu me senti ótima, mas agora preciso de um café. — eu disse e ela assentiu com um sorriso. Estralei meu pescoço e deixei a mão por lá para massageá-lo.

— Sei que não nos conhecemos muito bem, mas você está com uma cara péssima de cansada. — ela disse e depois corou levemente.

Eu ri.

— Acredite quando eu falo que você não foi a primeira a me dizer isso hoje. Na verdade foi a única que disse isso de uma forma mais direta. — eu disse e ela riu baixinho.

— Você está precisando de café mesmo. Já volto. — ela disse e foi buscar o café. Não demorou muito e ela já estava de volta com uma caneca fumegante. — Quer conversar? Dizem que pessoas de fora tem uma visão mais ampla...

— Uma das minhas melhores amigas está me jogando para cima de um cara. — eu contei após um gole.

— Ele é feio, idiota ou você não curte caras? — perguntou ela se recostando no banco com os braços cruzados.

— Eu curto caras. Ele é muito bonito, saradão e pelo pouco que conheço ele... Ele é legal, educado e reservado. — eu disse e ela maneou a cabeça. — Eu terminei com o meu ex há um bom tempo atrás, mas não me sinto pronta para encarar outro relacionamento, mesmo que seja sexo casual. Não consigo administrar isso e Sara, Dianna e minha mãe não conseguem entender.

— Okay... Eu estou apaixonada pelo mesmo cara desde meus dez anos, ele é apaixonado pela minha melhor amiga e você não sabe o que eu daria para sair deste estúpido e cliché triângulo amoroso. — ela disse e eu sorri. — Acho que você deveria impor sua vontade com mais firmeza para todos ao seu redor e quando realmente estiver pronta, vá atrás do Bonito Saradão.

— Este é o caso, nós sempre nos encontramos eventualmente. E ele sempre está sem camisa. — eu disse e bebi metade da xícara. Caitlin riu e eu também. Olhei ao redor e o som da campainha atraiu minha atenção. — Não disse? Ele acabou de entrar com a irmã dele.

Caitlin se virou discretamente e depois me encarou surpresa.

OLIVER QUEEN? — gritou em sussurros e eu arregalei os olhos.

— Ah meu Deus! Você conhece ele? — perguntei sussurrando também e ela assentiu com os olhos bem arregalados. — Que vergonha...

Ela olhou para Oliver que estava sentado com a irmã em uma mesa mais afastada e os dois estavam risonhos. Depois, um Tommy sorridente chegou e se juntou á eles. Okay. Eu preciso ir embora. Já vi ele demais por hoje!

— Eu posso te ajudar! — disse Caitlin e eu revirei os olhos internamente por ter pensado em voz alta. De novo. — Tente se esconder até eu voltar, meu turno acaba em quinze minutos.

Assenti e ela disparou para longe enquanto eu abri a o menu na frente. Espiava de vez em quando á mesa deles e eles pareciam estar conversando sobre algo bem engraçado porque não paravam de rir! Meu celular vibrou no meu bolso e eu vi que era uma nova mensagem de Curtis.

"Curtis. H: Hey! Meu Just Dance 2018 acabou de chegar. Preciso da minha parceira urgentemente."

Não estou no clima de jogar Just Dance agora, amigo. Por que infernos estou me sentindo tão culpada por estar na mesma lanchonete em que Oliver Queen? Eu não fiz absolutamente nada de errado! Em um momento rápido, saí da minha mesa e caminhei até o banheiro sem chamar atenção de ninguém. Okay. Vômito agora ou depois? Não! Sem vômito! Meu estômago está embrulhado e eu estava ficando com calor.

Tirei o moleton da academia e amaldiçoei a blusa que estava usando. Era uma regata do Star Wars. Posso parecer mais nerd do que isso? Ah, claro que posso. Os óculos no meu rosto são a prova disso. Soltei meu cabelo do rabo de cavalo e penteei os cachos formados com os dedos. Arrumei os óculos que escorregavam em meu nariz. O calor só aumentava e minha barriga estava de fora por causa do caimento da calça! Ah meu Deus, eu completamente me recuso a acreditar que estava hiper-ventilando como uma adolescente que na puberdade!

— Hey! Onde estav... Uau! — disse Caitlin entrando sem o uniforme vermelho e sim com uma roupa de ginástica discreta e depois me encarando. — Você está bem quente.

— Eu não sei porquê estou me sentindo assim! — eu disse e mostrei minhas mãos trêmulas e ela riu. Tirou algo de seu bolso e me entregou. Era um gloss rosa.

— Passe.

Fiz o que ela mandou e apliquei uma quantidade mínima nos lábios.

— Você não está com medo, está ansiosa. — disse Caitlin me pegando pelos ombros e sorrindo. — Eu diria que está mais que pronta para o mundo dos homens. Apenas vista a sua capa de confiança e desfile até a porta de saída... Depois nós saímos correndo.

Eu quis rir de seu plano, sinceramente eu quis, mas não consegui.

— Eu não gosto de capas. — eu disse e ouvi a voz de Oliver repetindo a mesma frase em minha mente.

— Use a confiança que eu sei que você tem e coloque sua melhor bitch face! — replicou ela ignorando meu último comentário. — Eu estou indo com você, lembra?

Ela não deixou eu pensar e nem responder e me puxou para fora do banheiro feminino com o braço entrelaçado ao meu.

— Ria discretamente. — disse ela e começou a rir.

Eu me foquei no rosto de Caitlin e comecei a rir também. Ela estava balbuciando como se estivesse contando um segredo e eu ria, uma garota que estava atrás do balcão nos olhos curiosa. Há este ponto, eu estava consciente que os clientes da mesa proibida já haviam me visto. Eu estava á cinco passos da porta.

— Caitlin! — chamou uma voz e eu tomei um susto. Me virei levemente para onde a voz vinha e me deparei com um cara alto de cabelo preto, olhos azuis e o rosto de Yoda, mais verde do que nunca.

— Barry! O que foi? — perguntou Caitlin sorrindo nervosa.

— Ahm, você esqueceu sua bolsa... — disse ele e entregou para ela uma sacola esportiva que era igual á minha, apenas na cor vermelha. — Oi, eu sou Barry Allen.

— Felicity... Smoak. — eu disse pausadamente e depois encaramos as camisas um do outro e eu ri discretamente, assim como ele.

— Tommy está vindo... — cochichou Caitlin.

— Prazer Barry.

— É. Foi um prazer Barry. — repetiu Caitlin.

— Tchau! — eu disse e depois saímos pela porta.

Corri o mais rápido que pude, quando parei olhei para trás e ainda consegui ver a lanchonete no final da rua. Caitlin apoiou suas mãos em seus joelhos assim como eu e quando trocamos um olhar, começamos a rir.

— Okay. Você está mais do que pronta para o mundo dos homens. Só temos que ajeitar para que as fugas sejam no timing correto. — disse Caitlin sem fôlego e eu ri.

Talvez eu estivesse mesmo.

Só talvez.

Notas finais
E aí gostaram? Será que conseguimos bater #100 comentários? Gente, dois avisos. 1° - A fic vai ser dividida em ambas visões. Felicity e Oliver. Para nós acompanharmos o que os dois pensam e sentem. 2° - Eu postei dois capítulos com um intervalo de poucas horas, porque não vou conseguir atualizar mais esta semana que vai entrar. Tenho um programa intensivo para os estudos do ENEM e mais três vestibulares de faculdades particulares... Tem que estudar muito e eu não vou ter tempo para postar mais capítulos. Esta loucura toda vai passar depois do dia 07/03, depois do ENEM. "Ah, Lissy, você só vai postar depois do dia 7?". Não, eu vou postar antes sim, mas serão no máximo dois capítulos de "Extreme Love" e "The Perfect Nanny". Tenham paciência e torçam por mim! Outra fic _ https://fanfiction.com.br/historia/709830/The_Perfect_Nanny/ (Atualizada!) L.W