Extreme Love
35 Capítulo 35
Notas iniciais

— Então?
— Oliver... — suspirei e vi a decepção encher seus olhos. — Por que agora? Em pleno banheiro feminino?
— Por que não agora? Nossa história começou em um banheiro feminino. Estou me sentindo inspirado hoje. — respondeu e recuou um passo. — Realmente importa? A hora? O lugar?
— Você está se sentindo inspirado hoje o suficiente para me dar um ultimado em pleno banheiro feminino de um restaurante cinco estrelas em horário de almoço! — eu exclamei querendo rir e chorar ao mesmo tempo. O choro estava quase ganhando. — Eu...
— Felicity? Está tudo bem?
Nos viramos e vimos Alena entrar no banheiro com uma expressão preocupada.
— Alena! Sim, estou bem sim.
— Oh. Desculpe, estou interrompendo algo? — perguntou e eu neguei sorrindo tentando apaziguar a tensão que havia se instalado e eu nem havia percebido. Era muito fácil entrar dentro de uma bolha com Oliver. O que banheiros femininos tem de especial, afinal de contas? — Sr. Queen? Esse é o banheiro feminino...
Oliver ofereceu um sorriso apertado e falso para Alena e se retirou sem falar mais nada. Alena e eu esperamos pacientemente ele sair e a porta voltar a se fechar para alguém falar alguma coisa.
— Você está realmente bem? — perguntou Alena novamente se aproximando e pegando uma de minhas mãos.
Seu toque não era tão quente como o de Oliver, mas era reconfortante.
— Se você tivesse me perguntado isso hoje de manhã, eu teria uma resposta, mas agora? — perguntei e dei ombros. — Eu realmente não sei o que fazer.
Alena não disse mais nada, apenas me puxou pelos ombros e me abraçou.
Depois um tempinho nós voltamos para a mesa e todos já conversavam assuntos paralelos, voltei a me sentar em meu lugar e vi que Cooper estava me observando com uma sobrancelha erguida. Não precisava ler mentes para saber que ele estava me perguntando se eu estava bem.
Eu assenti com um sorriso pequeno que o convenceu. Por hora.
O restante do almoço girou em torno dos negócios e algumas piadas impertinentes de Bruce Wayne. Não pedi sobremesa e fui embora mais cedo com Alena e Cooper ao meu lado.
—-
— Por que agora? Do nada? — perguntei e ouvi o suspiro cansado de Curtis do outro lado da linha.
— Eu não sei, mas pedi ajuda para Alena nas apresentações mesmo ela fazendo parte da nossa maior concorrente. Consigo segurar a barra até vocês chegarem aqui, avise para o Cooper que a diretoria quer relatórios detalhados sobre o Departamento de T.I também. Aparentemente, o Sr. Samuels não gostou da substituição tão repentina e frisou a importância de Cooper estar aqui quando Oliver der uma passada lá mais tarde.
— Pregue, meu amigo. — Cooper revirou os olhos do meu lado.
— Aguente aí que estamos chegando em no máximo dez minutos...
— Okay, até daqui a pouco.— ele disse e desligou.
— Só você consegue ser odiado no local de trabalho sem ao menos ter começado oficialmente. — eu disse e Cooper deu ombros enquanto parávamos em um farol vermelho.
— Não é minha culpa se eu sou mais inteligente e melhor do que esse tal de Samuels. — ele disse sendo nenhum pouco egocêntrico. — Mas, de fato, é estranho o chefinho estar visitando os departamentos hoje. Em uma terça-feira? Quem faz isso?
— Oliver, aparentemente. Vale lembrar que ele ainda não sabe da sua contratação, porque você foi contratado pela mãe dele. — eu frisei quando o farol voltou a abrir. — É bom trabalhar com você novamente, mas um conselho para seu primeiro dia? Saiba escolher suas batalhas. Trabalhar para os Queen não é uma volta no parque.
— Ah, jura? Isso porque você nunca ficou na mesma sala que Bruce Wayne por mais de duas horas. — ele disse e digitou algo na tela de seu celular. — Acho que o chefinho já está lá. Alena não está me respondendo.
Assenti e acelerei mais do que o permitido pela lei para chegarmos logo á empresa logo. Tínhamos vários projetos para apresentar para o conselho, mas a maioria dele estava ou inacabado ou na fase de testes ainda. O foco inteiro foi para a produção e programação do Arsenal o que causou um certo desleixo com o restante dos projetos.
Eu não me orgulhava disso, muito menos Curtis, mas agora com Cooper fazendo parte da equipe, teríamos mais mãos capazes para não deixar nada de fora ou muito menos abandonar. Querendo ou não, Curtis e eu comandávamos dois departamentos, tanto Ciências Aplicadas como T.I, dada a competência altíssima de Ted Samuels.
— Você vai sentir falta do Jitters?
— Um pouco. Não sei ainda, mas minha antiga gerente vai sentir muito a minha falta. Ninguém sabe fazer um Latte ou Cappuccino como eu. — ele disse sorrindo de lado e eu ri levemente.
Entramos no estacionamento da Queen Consolidated e Cooper usou seu crachá de funcionário pela primeira vez o que fez, Rachel, uma das recepcionistas que tinha uma grande comissão de frente, crescer o olho para cima dele, mas surpreendentemente ele nem deu bola para ela.
Acho que Cooper foi, realmente, fisgado por Alena.
Pegamos o elevador junto com mais duas pessoas que eu nunca vi antes na empresa e fomos diretamente para o laboratório. Estava tudo calmo ainda, a maioria do restante do pessoal só chegava á partir das 11h. Ainda eram 8h da manhã.
Caminhei confiante e organizei meus pensamentos e argumentos para cada de um dos projetos que poderiam ser ameaçados de desligamentos feitos, não por Oliver, mas pelo resto da diretoria. Cooper parou perto da porta e se virou para mim com sobrancelhas erguidas.
— Acho que não temos muito com o que se preocupar no final das contas... — disse ele e mesmo da porta eu conseguia ouvir risadas do lado de dentro do laboratório.
— Eu estou começando a ficar animado com isso, acho melhor eu ir embora e voltar para a parte chata do trabalho...— ouvi Oliver dizer entre risadas.
— Mas nem chegamos na parte do lançamento ainda! Curtis foi buscar o projetor exatamente para isso!— exclamou Alena de volta.
Eu abri a porta e vi Oliver sentado em minha cadeira com os pés em cima da bancada de Curtis, enquanto Alena estava na sua frente com dois dos quadros brancos, que usávamos para fazer cálculos e anotações, com uma régua explicando tópico por tópico dos nossos projetos futuros. Tecnicamente, ela não podia saber de tudo aquilo já que trabalhava para nossa concorrente, mas agora ela sabia.
Quem sabe Moira não rouba ela de Lucius também? Fiz uma prece silenciosa para que isso acontecesse e talvez fosse acontecer, desde que Moira tivesse a motivação certa.
— Okay. Eu sabia que meu pai havia ajudado Jim a conseguir um emprego melhor, mas não sabia que ele era o novo chefe administrativo da NASA. Isso é muito louco. — disse Oliver cruzando os braços com um olhar abobado. — Ele, meu pai e Walter jogavam golfe juntos, mas nunca pensei que ele fosse um nerd. Sem ofensas.
Notei que ele estava sem terno hoje, estava usando uma camisa de botões com jeans.
— Não ofendeu. — disse Alena e ouvi a voz de Curtis cantarolar a mesma coisa de algum ponto do laboratório que eu não conseguia ver onde ele estava.
— Bom, a Queen Consolidated basicamente formou a carreira dele o que faz ele e mais alguns outros nomes importantes estarem na sua folha de pagamento. Para o plano de Felicity dar certo, basta você ter uma palavrinha com ele e ele vai resgatar o satélite que a sua empresa tem lá em cima e substituir pelo novinho em folha que ela desenhou junto com Curtis.
Os desenhos primários de Archer apareceram em forma de holograma na mesa de Curtis e eu vi Oliver tirar os pés dali e se inclinar para frente para observar melhor o que era um dos meus bebês. Não era todo dia que você tinha uma ideia fantástica e começava a desenhar um esboço para um satélite da empresa número um em comunicações e tecnologia atualmente do mercado.
— Não que Jim Briestone seja o mais indicado para o trabalho, eu conseguiria fazer o que ele faz diariamente em meu sono. — acrescentou Curtis saindo de nosso depósito com o nosso lançador/pegador de batata. — Isso é uma simulação do que vai acontecer durante a troca.
Curtis lançou duas batatas no ar e com o pegador puxou uma delas de volta, enquanto a outra caiu no chão.
— Lá em cima temos gravidade zero, então vamos fingir que a batata está flutuando ainda no ar. É apenas um processo, um lançamento e não vai sair tão caro como no do primeiro. — explicou Curtis para Oliver com um sorriso colgate enorme.
— Você quer o meu aval para construir um lançador de batatas gigante? — perguntou Oliver ao pegar a batata que havia caído no chão com uma das sobrancelhas erguidas.
— Sim, basicamente.
— Okay. Pode começar.
Curtis e Alena comemoraram e eu vi Cooper manear a cabeça. Sorri levemente.
— Alguma dica sobre o que a Wayne Enterprises vai fazer no futuro? — perguntou Oliver.
— Nada, remotamente, tão legal como isso. — respondeu Alena guardando a régua que estava usando. — Felicity! Cooper! Vocês chegaram!
Ao nos verem ali, eles se aproximaram levemente e Oliver se levantou da minha cadeira ao ver minha sobrancelha erguida em sua direção. Deixei minha bolsa em cima da minha bancada e tirei o blazer que estava usando colocando nas costas da dita cadeira.
— Como foi o tour? — perguntei sorrindo um pouco.
— Como uma aula de física só que desta vez, eu consegui entender tudo que os professores estavam falando. — disse Oliver fazendo Curtis e Alena rirem e corarem respectivamente.
— Você está indo para o andar de T.I em seguida? — perguntei para Oliver quando Cooper e Alena se afastaram e Curtis foi guardar o lançador de batata.
— Sim. Ted Samuels insistiu para que eu reavaliasse o novo chefe do departamento, depois eu irei viajar para Moscou. Problemas com a sede russa. — ele disse enfiando as mãos nos bolsos da calça que usava.
— Problemas com a empresa ou com Isabel Rochev? — perguntei e ele deu de ombros e suspirou.
— Eu, realmente, não sei. Minha mãe iria lidar com esse problema para eu não ter que sair da cidade, mas Walter adoeceu e ela está cuidando dele. — ele disse e eu assenti.
— Ah... Pessoal? Oi?
Nos viramos e vimos Cooper se aproximar de nós dois com o celular em suas mãos.
— Aqui, vamos fazer assim... — ele disse pegando a minha mão e a de Oliver e a entrelaçando como se fossemos bonecas. — Pronto, estão bem de novo. Prevejo um casamento enorme e pomposo, filhos lindos de olhos azuis no futuro de vocês, mas agora eu preciso da ajuda de vocês dois porque estamos sendo hackeados e eu não vou conseguir conter eles sozinhos.
— O que? — exclamei sentindo Oliver apertar minha mão.
Curtis e Alena escorregaram em suas estações provisórias e eu fui para a minha junto com Cooper. Não foi difícil notar que estávamos sob ataque, o que foi difícil de entender foi porque o Departamento de T.I não havia notado isso primeiro que a gente. Não contava Coop ainda como parte do departamento porque ele nem havia batido seu primeiro ponto no cargo novo.
— E é por isso que Ted Samuels é um incompetente que está sendo substituído. — exclamou Curtis enquanto eu seguia o rastro de nosso invasor, enquanto Cooper e ele restauravam nossas defesas e Alena corria o diagnóstico para ver o que foi afetado.
— Uma pergunta. Tudo isso que vocês estão trabalhando já está no nosso sistema? — perguntou Oliver atrás de mim.
— Não. Só colocamos no sistema quando recebemos o aval positivo da diretoria, no caso você. — respondeu Curtis enquanto digitava. — Merda! Merda!
— O que? — perguntou Oliver.
— Quem quer que seja conseguiu a matriz da interface do Joker. — disse Alena e eu quase desmaiei. — Respire Cooper. Respire. Ele usou um vírus auto-destrutivo.
Ousei olhar para Cooper de rabo de olho e vi ele com a familiar expressão assassina que ele só tinha quando entrava no ringue com alguém ou quando o sinal de WI-Fi era ruim o suficiente para ele perder duas partidas ranqueadas seguidas.
— Vai demorar para fazer o inventário completo do que ele pegou, destruiu e deixou para trás. — continuou Alena e eu decidi usar minhas armas grande quando quem quer que fosse tentou me despistar pela terceira vez.
— Ada, você está online? — perguntei em voz alta.
Cinco segundos inteiros se passaram até que eu ouiv um "pop" e sorri.
— Sim, Srta. Smoak. Como posso ajudá-la?— respondeu ela.
— Que porr...
— Felicity?
— Eu preciso que você escanei o prédio inteiro e veja de onde o ataque surgiu. Eu sei que veio de três lugares diferentes. — eu pedi e em computadores que estavam desligados, diagnósticos começaram a ser feitos usando as plantas do prédio da empresa. — Oliver?
— Sim?
— Vai até aquele painel da parede dos quadros vermelhos. — pedi e ouvi seus passos se afastando de trás de mim. — Tire o do meio da parede e coloque a sua palma no leitor.
— Srta. Smoak, meus diagnósticos me dizem que os ataque vieram do quinto andar, décimo sétimo andar e trigésimo andar. O primeiro foi acesso remoto por um celular IP:212048. O segundo foi acesso fixo. IP. 301024. O terceiro foi acesso fixo. IP 1490193.— respondeu Ada e eu vi Cooper assentir e começar a hackear os endereços. — Seja bem-vindo, Sr. Queen.
— O que agora? Tem um computador aqui. — respondeu Oliver.
— Coloque Latte-Adda-Jonas-11900. — falei alto suficiente para ele ouvir. — Está vendo a alavanca?
— Sim.
— Não puxe ainda, mas a segure.
— Felicity? Você não...
— Curtis! Essa é a nossa vida! O nosso trabalho! Eu posso e vou se precisar! — cortei ele e continuei digitando.
Quem quer que fosse era muito bom, mas eu era melhor.
Abri um janela e me conectei ao servidor de Ada.
— Ada me desconecte dos outros computadores. — pedi.
— Sim, Srta. Smoak. Desconectando.
— Os ataques vieram através de emails. Temos Ted Samuels, Quinn Donavan e Samantha Clayton. — disse Cooper e eu me surpreendi ao ouvir o último nome da lista.
Samantha era a secretária de Oliver e ela precisava do emprego, por que ajudar em um ataque cibernético? Não. Não era possível que ela estivesse envolvida. Ela era super amiga de Oliver, por que iria querer prejudicá-lo?
— Desconexão completa, Srta. Smoak.
— Cooper siga o rastro que eu deixei. — pedi e vi ele assentindo.
— Pronto.
— Oliver, pode abaixar.
Ouvi o barulho da alavanca e meu computador desligou completamente.
Me recostei na cadeira e tirei meus óculos.
— O que aconteceu? — perguntou Oliver voltando.
— Felicity acabou de fritar quem hackeou a gente. — disse Cooper recostando em sua cadeira também. — Mas nós conseguimos salvar a trilha. Vamos chamar a polícia?
Eu assenti e Cooper pegou o celular do bolso.
— O que acabou de acontecer?
— Alguém hackeou e roubou arquivos confidenciais da Queen Consolidated. Eu consegui fritar a conexão inteira, mas isso incluiu o meu equipamento e Ada. — eu expliquei e esfreguei o rosto. — A única parte boa é que eu fritei o equipamento do outro lado também.
— Ada era uma inteligência artificial? — perguntou Oliver se aproximando e repousando uma das mãos em meu ombro.
Eu assenti ainda com as mãos no rosto.
— Uma que levou muito tempo para ser feita. — eu disse com a voz abafada.
— Ada nos ajudou. — disse Alena depois de um tempo calada. — As contas de acesso fixo foram feitos através de emails de spam, mas o acesso remoto foi feito por um celular.
— De quem pertence o celular? — perguntou Oliver.
— Ted Samuels.
— Eu vou ir demitir o babaca. — disse Cooper e ouvi ele se levantar da cadeira ao meu lado. — E provavelmente a merda do departamento inteiro.
— Como assim?
— Eu sou o novo chefe do departamento. Prazer, chefinho. Você quer me acompanhar para dizer que o babaca que ele fodeu a sua empresa? — perguntou Cooper com aquele tom de voz que irritava os nervos de qualquer um.
— Não. A diversão é toda sua. Deixe bem claro que ele vai ser processado. — disse Oliver e eu apertei sua mão em meu ombro.
Abri meus olhos e coloquei os óculos de volta no rosto.
—-
— Você está bem? — perguntou Oliver ao vir ficar do meu lado assim que o Capitão Lance saiu do laboratório com dois analistas de sistemas da polícia que não sabiam o que estavam fazendo.
Acho que o FBI seria mais eficiente, se Dick pudesse nos ajudar, talvez chegássemos á algum lugar. Fiz uma nota mental para mandar uma mensagem para ele depois e pedir sua ajuda.
— Não. Sabe quanto tempo levei para desenhar e escrever o código da Ada? — perguntei cruzando os braços. — Muito. Muito tempo mesmo.
— Posso te ajudar de alguma forma? — perguntou ele novamente e eu neguei.
— Eu tenho que achar quem fez isso e você tem que assinar algumas demissões. — eu disse tentando fazer graça, mas sem sucesso algum. — Sem falar em toda a papelada que isso vai gerar... Ugh.
— Felicity...
— Estou bem. Sério. — eu disse. — Decepcionada, mas bem.
Oliver assentiu e foi acalmar os nervos de Samantha que também havia sido uma vítima nisso tudo. Aposto que ela nunca mais irá abrir um email qualquer que chegar em sua caixa de entrada. Eu fui em direção ao grupinho de pessoas que eram os meus funcionários que chegaram depois que tudo havia acontecido e a polícia chegado. O Capitão Lance nos aconselhou para não contar tudo o que havia acontecido até termos certeza que Ted Samuels não estava trabalhando com mais alguém.
Ou seja, eu teria que mentir.
— Oi gente, eu sei que esse não é o nosso padrão de uma manhã normal de trabalho. — eu disse acenando em direção á todos eles que se viraram para mim. — A polícia está aqui porque a empresa sofreu um ataque cibernético e alguns arquivos foram roubados. O Capitão Lance da polícia de Starling nos orientou á permanecer calmos e deixar a equipe dele fazer o trabalho. Se você não tem nada a temer, não tem nada a esconder. Por favor, ajudem no que for preciso.
Todos assentiram e foram para suas estações de trabalho. Eu era horrível para ler pessoas rápido assim, mas não notei ninguém com desconforto ou com uma linguagem corporal estranha.
— Hey. E aí?
— Hey. Como foi com Sr. Samuels? — perguntei á Cooper assim que ele se aproximou de mim.
— Eu demiti ele, e ele não gostou. — disse e eu ri levemente. — E depois tive que demitir o departamento inteiro de mentirinha.
— Como assim?
— Foi ideia de Oliver, não estão todos demitidos mesmo, apenas acham que sim. A única demissão confirmada é a de Ted mesmo. Querem diminuir o número de possíveis cúmplices. — ele disse dando de ombros levemente e eu assenti, concordando.
— Aqui também, mas ninguém foi demitido. — eu disse e ele deu de ombros.
— Alena e Curtis conseguiram fazer o inventário?
— Não estão nem na metade da metade ainda, mas a única coisa realmente relevante foi a matriz da interface do Joker. — eu disse com pesar e Cooper assentiu apertando os olhos.
— Pegaram meu filho, mataram a sua filha... Que dia maravilhoso. — disse ele jorrando ironia e eu assenti. — Eu preciso de um drink.
E então, ele foi atrás de um.
Dispensei toda a equipe pelo resto do dia depois que a equipe policial inteira foi embora e tranquei o laboratório. Comecei a trabalhar do meu notebook pessoal mesmo e voltei a seguir o rastro que havia deixado para Cooper mais cedo. Eu não teria paz até encontrar quem fez tudo isso.
Comecei pelo o email de Samantha, ela havia clicado em uma promoção de companhia aérea que, supostamente, estava lançando um combo para Orlando por um preço acessível. Não a culpava. Ela tinha marido e um filho pequeno. O anúncio me levou até um número IP diferente da primeira vez, mas que tinha finalidade no mesmo terminal. A mesma coisa com Quinn Donavan que havia clicado em uma newsletter de uma autora de romance-adultos.
— Argh. — disse empurrando minha cadeira para longe da mesa.
Eu havia perdido quase três anos da minha vida escrevendo a matriz de Ada e mais um tentando fazer ela funcionar com Curtis. Eu tinha todo o direito de ficar magoada, irritada e fula da vida. Eu também precisava de um drink. Ou de uma garrafa inteira.
— Lis, encarar a tela do computador não vai te levar a lugar algum. Pelo menos por hoje. Vá para casa e descanse um pouco. — aconselhou Curtis quando ele mesmo havia agitado a bandeira branca e encerrado por hoje.
Olhei pela janela e vi que o Sol já estava se pondo.
— Só vou checar os novos firewalls mais uma vez e vou para casa. Prometo. — eu disse massageando meu pescoço com as duas mãos.
Estava completamente tensa ainda.
Curtis se despediu mais uma vez e foi para casa, já que tinha que pegar o trem mais cedo hoje até Central City para visitar Paul. Eu ainda ficava boba em como ele permaneciam firmes juntos. Mesmo com a distância. Mesmo com as brigas. É algo admirável de se ver. Realmente.
— Okay... Vamos lá. — eu disse para mim mesma voltando a abrir o notebook.
Comecei a rodar testes básicos nas novas defesas que Cooper havia trabalhado a manhã e parte da tarde inteira. Alena havia o ajudado no que conseguiu e até Cisco veio até o nosso socorro depois que a notícia se espalhou. Não achei nenhuma brecha. Então usei algo mais pesado. Nenhuma brecha novamente. Decidi usar as armas grandes e percebi que o sistema resistiu muito bem.
— Já está brilhando no primeiro dia, Coop. — disse com um leve sorriso orgulhoso.
Curiosa para saber até onde os novos firewalls resistiam, usei um antigo vírus suicida, bem parecido com o que usaram contra a empresa hoje e testei. Era, bem, ilegal, mas quem quer que fosse o nosso ofensor, não estava preocupado em seguir a lei, então...
O sistema mais uma vez resistiu.
— Uau. — disse impressionada e me recostei na cadeira.
Fazia muito tempo que eu não tentava hackear Cooper, e pelo tempo que nos reconectamos, por assim dizer, eu havia percebido algumas diferenças em seu estilo de codificar. O que era interessante, porque fazia tempo que eu não tinha um desafio á altura e agora tinha dois.
Não deixei essa ideia amadurecer por muito tempo. Simplesmente desliguei tudo e acionei o alarme antes de sair do laboratório com minhas coisas e o notebook na bolsa. Meu celular começou a tocar assim que eu cheguei no hall de elevadores do nosso andar.
— Curtis?
— Lis? Você ainda está na empresa?— perguntou ele e eu conseguia ouvir muitas vozes no fundo da ligação.
— Sim, por que? Esqueceu algo?
— Na verdade sim, pode entregar o rascunho de Archer para Samantha? Fizemos a demonstração do lançamento e coleta que bolamos e Oliver pediu um rascunho de tudo. Esqueci de mandar para Samantha. Ela ainda deve estar aí também...— ele disse e eu ouvi uma voz eletrônica avisar que o trem estava saindo em cinco minutos para Central City.
— Okay. Eu levo sim, apenas envie para o meu email. — eu pedi e ele agradeceu umas cinco vezes até desligar e embarcar.
A notificação chegou rápido e era, realmente, apenas um rascunho do que realmente queríamos fazer. A ideia surgiu do nada na minha cabeça, mas com certeza, se tivermos sucesso, faria a Queen Consolidated ter apenas mais um diferencial em comparação ás concorrentes. Seria completamente sustentável.
Imprimi as doze folhas na sala da copiadora do departamentos de recursos humanos que estava completamente vazio á esse horário e voltei para dentro do elevador. Apertei o último botão do painel e subi até o escritório de Oliver onde Samantha, provavelmente, estaria.
— Felicity!
— Hey... Tudo bem? Parece cansada. — eu disse com um sorriso fraco ao ver a secretária com as costas curvadas e olheiras profundas debaixo dos olhos castanhos.
— Sim. Will está em época de provas, o que significa estudar até tarde com ele e isso está me consumindo até mais do que ele que está sob pressão. — respondeu ela tentando fazer uma piada, e eu apenas sorri maneando a cabeça.
— Eu vim deixar o rascunho que Curtis prometeu para Oliver. — eu disse entregando as folhas para ela que assentiu e colocou tudo dentro de uma pasta e esta pasta dentro de uma caixa de papelão com alças. — O que é tudo isso?
— Bom, o Sr. Queen vai visitar a filial em Moscou para tratar de algumas pendências com o staff de lá e marcar presença em dois eventos beneficentes que a empresa apoia e financia, mas ao que parece Rússia será a nova sede. — ela disse e eu fiquei mais surpresa com isso do que com o ataque que recebemos hoje de manhã.
— Oh.
— Acho que isso será adiado por um tempo já que tivemos todo aquele pepino virtual lá embaixo e algumas demissões foram feitas, mas a viagem continua de pé... — ela disse e juntou mais algumas pastas e colocou dentro da caixa. — Eu nem fiz minhas malas ainda. Merda.
— A viagem para Moscou é hoje? — perguntei e ela assentiu, distraída.
— O Sr. Queen está esperando o Sr. Wayne no helioporto para os dois irem para o aeroporto e depois direto para Moscou. Sem paradas. Eu e o resto do staff iremos amanhã á tarde. — ela disse e suspirou. — Será que eu devo levar uma touca?
— Sim. A Rússia é fria. Fria e bem distante. — eu disse e ela assentiu. — Foi bom te ver, Samantha. Espero que Will se dê bem nas provas.
Caminhei de volta para o elevador.
Assim que as portas se fecharam depois de eu entrar, a minha ficha caiu de verdade.
Se a nova sede fosse na Rússia, isso significava que Oliver iria se mudar?
Eu sabia que ele era fluente em russo e chinês, e que não tinha problemas me se adaptar á novos ares, mas... Bem, e eu?
Encarei o painel de botões e apertei o único botão que era diferenciado. Um pequeno teclado digital se apresentou para mim e essa senha, não foi difícil de decifrar. Oliver mantinha a mesma senha para praticamente tudo que era o aniversário de Thea. A caixa de aço sacolejou um pouco, mais voltou a subir ainda mais.
Peguei meu celular e fiz um esforço para que Oliver ainda estivesse lá em cima á quando eu chegasse. Não teríamos nenhum desencontro de comédia romântica. Nu-uh. Não no meu turno.
Olhei para as minhas mãos e vi que estavam trêmulas e eu senti o suor frio escorrer pela minha têmpora. O elevador rangeu um pouco e parou. As portas se abriram e eu fui brindada com brisa agitada. Conseguia ver o helicóptero da Queen Consolidated estacionado ali e três figuras perto de onde ele estava.
Reconheci Oliver usando as mesmas roupas de hoje de manhã. Anthony sempre de terno e mais um homem usando terno, talvez fosse algum segurança novo. Eu realmente não sabia e não me importava.
Anthony foi o primeiro a me ver como sempre, o cara tinha super sentidos.
Acenei levemente e ele correspondeu e depois disse algo para Oliver que o fez virar e ver também. Ele disse alguma coisa para os dois e caminhou até mim em passos rápidos.
— Você está bem? — perguntou ao chegar perto de mim.
— Você está indo embora? — disparei e ele pareceu surpreso em ver que eu sabia disso. — Para Rússia?
— Quem te contou isso?
— Não importa, porque é verdade. Não é? — perguntei e torci os dedos uns nos outros.
— Aparentemente os problemas com a filial lá vão além de Isabel Rochev. — ele disse e deu ombros. — Eu não gosto de frio, mas também não gosto de ser CEO. Não tenho muita escolha aqui.
— Por que não manda Derek cuidar disso? Não é meio que o trabalho dele?
— Porque ele está no hospital agora mesmo se tornando pai pela terceira vez, seria cruel demais mandar ele para Rússia. — Oliver respondeu levemente e cruzou os braços. — Mas você não respondeu minha pergunta.
— Estou bem, ainda chateada com o que aconteceu pela manhã, mas bem. — eu respondi e também cruzei os braços com o frio.
A ventania estava começando a aumentar.
— Podemos terminar aquela conversa do banheiro? Fomos interrompidos e você merece uma resposta. — perguntei e sua postura mudou para defensiva.
— Podemos conversar?
— O que? Agora? — perguntou ele olhando ao redor de nós.
— Sim, agora! Se eu não fizer isso agora, eu não vou ter essa coragem de novo e você está indo pra o outro lado do mundo, então tem que ser agora. — eu disse e quase bati o pé para dar a enfase necessária.
— Felicity, estamos, literalmente, no teto. — ele apontou e eu quis chorar.
— Eu sei, Oliver! Eu tenho medo de altura, isso já está evidente para mim. Então?
Soltei meus braços e ele assentiu.
— Okay. Você sabe o que aconteceu com os meus pais. — eu disse e ele assentiu. — Eu achava que se algum dia eu entrasse em um relacionamento, se eu me apaixonasse tanto, eu iria acabar como a minha mãe. Eu tenho certeza que o amor da vida dela foi o meu pai e ele a deixou. Eu sei que muitos fatores envolveram isso, mas no final eles se separaram e ela ficou oca. Não estou dizendo isso pelo bem do mundo do romance, mas porque é a verdade. Durante um ano inteiro ela teve depressão, e eu tive que assumir o papel de adulto. Eu, uma criança, estava dando banho e comida para minha mãe.
Engoli seco e minhas mãos começaram a tremer.
— Por muito tempo, esse foi o meu maior medo. Me apaixonar e depender tanto de alguém e ser deixada para trás. Acabar como ela. — eu disse e dei de ombros. — Hoje, ela está ótima. Tem o próprio negócio, amigas e até mesmo um ou dois casos de vez em quando, mas ela sabe que aquela parte que era ele, se foi para sempre. Eu tenho certeza que de algum jeito ela sabia que ele seguiu com a vida dele, casou e teve outros filhos por isso ela não quis que eu tivesse contato com ele. Ela estava com medo de me perder também.
Ele assentiu como também compreendesse minha mãe. Eu só consegui a chegar nessa conclusão depois de muitas seções de terapia.
— Quando eu te vi pela primeira vez fazendo exercícios na engenhoca, eu não pensei: Uau, esse é o cara que vai me arruinar para todos os outros. Eu pensei: Uau, que gostoso. — eu disse e Oliver corou um pouco. — Mas naquele dia em que você foi atrás de mim depois que eu briguei com a minha mãe, eu sabia que você era especial. Quem em sã consciência decide abrigar a garota que conheceu apenas uma semana antes porque ela brigou com a mãe dela?
— Aparentemente, eu. — ele respondeu sorrindo um pouco e eu também sorri, mas meus olhos estavam pinicando.
— Eu sei exatamente o momento em que eu me apaixonei por você, Oliver. Foi naquele dia em que você lutou contra Cooper pela primeira vez e nós tivemos um momento no vestiário. Eu soube ali mesmo que amava você, e eu quase disse, mas você ficou me expulsando o tempo inteiro. — eu disse revirando os olhos e ele suspirou levemente.
— Não foi um dos meus melhores momentos. — ele disse e pigarreou.
— No dia em que eu tive a minha crise, eu estava me sentindo muito perdida mesmo estando no lugar certo. Eu tinha um namorado maravilhoso, o emprego dos sonhos e amigos fiéis á mim. Eu não estava entendendo de onde aquela confusão estava saindo até que vi que era de dentro de mim. Cooper me ajudou a ver isso. Ele me disse que eu nunca tive dois pesos e duas medidas, eu sempre soube o que queria. — eu contei e apertei minhas mãos em punhos para cessar a tremedeira. — E depois que eu saí do salão com meu cabelo rosa...
Ri levemente e ele também.
— Você ficou linda com ele. — ele disse olhando para as pontas que estavam loiras novamente em meus ombros.
— Assim que eu saí do cabeleireiro, eu decidi que estava na hora de dar o próximo passo. E Cooper iria me ajudar com isso, então eu mandei uma mensagem pedindo sua ajuda com o pedido de casamento mais clichê que eu consegui pensar. — eu admiti e lembrei do desenho nos cafés. Cooper até havia admitido que havia praticado horrores na madrugada anterior para que saísse do jeito que eu queria. — E eu fui até a empresa com a confiança que nós não acabaríamos como os meus pais, porque éramos diferentes deles.
Olhei para a vista que tínhamos por alguns segundos e depois suspirei.
— Mas aí eu vi você com o anel da sua mãe, aparentemente, pedindo Laurel em casamento. Eu me senti como se tudo aquilo que vivemos no último ano havia se tornado algo tão insignificante que eu nem receberia o lembrete que nosso relacionamento havia acabado. — disse tentando fazer graça, mas Oliver não riu e muito menos eu. — Eu fiquei com raiva e fugi. Não queria explicações, porque pensei que tudo aquilo que eu vi já era suficiente. Eu fui até o parque e o meu maior medo se tornou realidade. Eu havia me tornado a minha mãe.
— Felicity...
— Me deixe terminar, por favor.
Ele assentiu, mas vi em seus olhos que ele queria falar algo.
— Naquele momento, uma parte de mim se foi. A melhor parte de mim. Você. Eu perdi você. Nos dias seguintes eu não queria falar com ninguém, não queria ver ninguém. Acho que até assustei Cooper á pensar que eu iria me matar. — eu disse e cocei uma sobrancelha levemente envergonhada. — Comecei a criar hipóteses na minha cabeça para que aquele cenário que eu havia visto não fosse o que realmente era. Você escolhendo outra. Cheguei a brigar com Cooper por causa disso. Todos os dias ele perguntava se eu queria alguma coisa e até acho que ele cogitou em ligar para você em algum momento.
Algo nos olhos de Oliver me diziam que ele tinha uma ideia, uma margem real de como eu fui afetada. Acho que foi porque ele também foi afetado de alguma forma naquele período.
— Eu decidi ir até você e colocar os pingos nos "i"s. Seríamos melhores que meus pais que decidiram partir em caminhos separados sem ao menos uma conversa civilizada, mas no final das contas... Não fomos tão diferentes assim. — eu disse e dei meus ombros caírem. — Quando fui para Gotham, eu consegui me curar um pouco. Bem, o suficiente para ver você e não começar a chorar na frente de todo mundo.
Ri sem graça e depois revirei os olhos.
— Quando eu voltei e te vi pela primeira vez depois de meses, meu coração continuou acelerando e perdendo a batida ao mesmo tempo, mas eu ainda sentia um pouco daquela dor. Eu percebi que você continuava me olhando de tempos em tempos durante as reuniões, que você encarava minhas pernas...
— Em minha defesa, aquela saia não dava espaço para imaginação. — ele me cortou querendo fazer graça e eu sorri.
— E que você ainda usava a sua aliança. — eu disse e apontei para o anel em seu dedo. — Queria te perguntar o porquê, mas você foi mais rápido do que eu e me colocou contra a parede naquele banheiro feminino.
— Desculpe.
— Não se desculpe, porque depois que você foi embora eu percebi que o meu maior medo na vida era perder você e não virar minha mãe como eu havia pensado. Eu já tinha perdido esperanças, mas você veio atrás de mim. — eu disse e olhei para a minha própria aliança. — Oliver, eu te amo...
E ele me beijou.
E eu senti como se pudesse respirar depois de dias me afogando. Era um fôlego muito bem vindo para os meus pulmões. Senti suas mãos emoldurarem meu rosto e meu corpo agiu por própria memória muscular. Fechei meus braços ao redor de sua cintura.
Nos separamos levemente quando o ar foi, irremediavelmente, necessário.
— Casa comigo?
— Pensei que nunca iria pedir. — ele respondeu e eu sorri.
— Qual é o banheiro mais perto? — perguntei e fui levada de volta para o elevador.
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