Extreme Love

34 Capítulo 34


Notas iniciais
Ciao! Olá meninas! Obrigada pelos comentários do capítulo passado, pelo apoio e paciência! Continuando a maratona de atualizações hoje... 2/3 Boa Leitura!

— O que você tem Felicity? Parece estar esperando alguma coisa... – comentou Moira lendo seu cardápio com um olhar analítico.

— Honestamente? Um ataque de cobras ou qualquer outro animal exótico que a senhora possa conseguir trazer da Amazônia para cá, me atacar por debaixo da mesa ou pular de algum carrinho de queijos... – respondi sinceramente dando uma olhada para o carrinho de queijos que estava perto da nossa mesa. – Não descarto um pouco a opção de um sniper estar do lado de fora, Sra. Queen.

— Seria público demais. Estamos em um lugar cheio de pessoas que seriam testemunhas contra mim. Eu nunca ganharia um caso desse na corte. – ela disse com uma leve torção no canto dos lábios.

— Você compraria o depoimento deles facilmente. – rebati sem hesitar e a torção em seus lábios se transformou em um sorriso pequeno.

— Você já tem em mente o que vai pedir? É por conta da empresa. – ela disse fechando seu menu e chamando o garçom erguendo um dedo.

O garçom se aproximou e eu fiquei mais do que surpresa com tanta polidez e perfeição que exalava dele. O uniforme muito bem alinhado, o cabelo penteado para trás e um sorriso simpático. Ele não parecia ser daqui.

— Buonasera, signoras. – ele cumprimentou com um leve sotaque italiano.

Seria um requisito para trabalhar aqui?

— Boa noite, eu vou querer o nhoque com o molho branco e espinafre. – disse Moira lhe entregando o menu, o garçom assentiu e se virou para mim.

— Eu quero uma lasanha na caçarola média. – respondi e devolvi o menu também.

— Posso suggerie un vino da accompagnare? – perguntou ele.

— Não, eu já tenho um em mente. Eu quero uma garrafa Chateau Lafite 1869, não combina muito bem com as nossas escolhas de hoje, mas é um ótimo vinho. – Moira negou com um sorriso.

O garçom bonitinho assentiu e se retirou sem ao menos anotar nosso pedido em nenhum bloquinho. Acho que eles eram bons assim no trabalho e tinham ótima memória para guardar tantos pedidos.

Olhei ao meu redor e me senti em Roma ou em Veneza. Tudo gritava Itália no salão onde estávamos sentadas. As paredes eram recheadas de pinturas de vinhedos que tomavam quase todo o espaço disponível ali, todas as mesas eram montadas com um arranjo de flores vermelhas, pequenas velas e toalhas de linho branco. Nenhuma mesa tinha mais do que cinco lugares. Os lustres eram grandes e dourados, o teto também era pintado e em cada canto das paredes havia uma escultura de Michelangelo, anjos esculpidos em mármore branco abrindo suas asas para voar. O chão também era de mármore, claro.

Tirando tudo isso, haviam lareiras acesas em pontos estratégicos e onde não tinha todo esse patriotismo italiano, havia cores quentes e flores que também conseguiam me fazer sentir que estava na própria Itália agora mesmo. No pátio ao lado de fora até tinha uma fonte de água que parecia ser uma miniatura da Fontana de Trevi.

Meu estômago protestou e eu decidi beber um pouco da minha água.

Depois que coloquei a taça de volta ao seu lugar, notei o olhar penetrante de Moira.

— Desculpe, mas por que estou aqui exatamente? – perguntei querendo ser transparente e sincera. O meu desconforto estava visível para qualquer um ali e Moira não fazia o tipo ingênua.

Ela sabia o que estava fazendo e estava gostando.

Eu acho.

Fazia muito tempo que eu não via ela.

— Eu quero saber o que aconteceu entre você e Oliver antes de você ir para Gotham como nossa representante durante a fusão com Wayne. – ela disse cruzando as mãos na frente dos lábios e apoiando seus cotovelos na mesa. A falta do seu anel de noivado ali era gritante e por mais que ela usasse uma esmeralda de tamanho significativo como substituto, não era a mesma coisa. – Eu tentei, Felicity. Eu realmente tentei entender o que pode ter acontecido entre vocês dois, mas eu não consegui, então vi até a fonte.

Eu balbuciei algumas vezes ao ver o quão franca ela estava sendo comigo.

— Eu me aposentei e decidi fazer um roteiro pela Europa com o meu marido. Nós voltamos para a cidade quando Lucius Fox me contou que Bruce Wayne estava pronto para oficializar a fusão. – ela disse e o garçom apareceu com uma cesta de diversos tipos de pãezinhos e a nossa garrafa de vinho. Ele não fez nada com floreio demais, apenas nos serviu e saiu discretamente. – Eu me encontrei com Thea primeiro na Mansão, não trocamos muitas palavras, mas quando mencionei o seu nome e o de Oliver, ela se tornou um tanto ácida.

Oh. Então, ela destilou veneno até com você, Moira?

— Fui visitar Oliver em seguida, mas ele havia viajado até Gotham á convite de Bruce e você também já tinha ido com a nossa equipe para lá. Eu pensei que estava tudo bem entre vocês. – ela continuou e bebeu um pouco do seu vinho. – Até que Oliver voltou e você não estava com ele.

Oliver foi para Gotham? O que?

— Ele aceitou jantar comigo e Walter e eu questionei ele sobre Thea. Ele apenas me disse que vocês haviam decidido terminar o relacionamento e Thea, como sempre, não estava sabendo lidar com isso já que está num relacionamento com o seu primo, certo? – perguntou e eu me limitei a assentir. Era quase isso. – Oliver não me deu detalhe algum, por isso eu esperei.

Alcancei um dos pãezinhos italianos e o mordi.

— E esperei. Nisso o tempo estava passando, foram dois meses até eu o confrontar novamente mas por um motivo diferente, mas ainda sim complementar de uma forma.

Ergui uma sobrancelha.

— Não sei se você já teve tempo de notar, mas o meu filho teve muitas fases e isso o fez a compartimentar boa parte de suas emoções... – ela disse e eu assenti assim que terminei com o pãozinho. – Eu já vi meu filho em todas as lentes possíveis, mas nunca pensei que ficaria desgostosa em vê-lo trabalhar tanto. Ele começou a definhar naquele escritório.

Ela voltou a beber e desta vez eu a acompanhei com a minha própria taça.

— Oliver se tornou um workaholic de primeira. E por mais que a empresa estivesse subindo e subindo nos números das ações, eu estava vendo meu filho afundar cada vez mais.

O que?

— Eu não gostava de você, Felicity. – ela disse e eu apenas sorri. – Acho que isso nunca foi segredo, não é?

— A senhora não era exatamente sutil sobre isso. – respondi e ela sorriu um pouco mais.

Eu culparia o vinho. A taça dela já estava pela metade e o vinho era bem forte.

— Eu não gostava de você, mas não pelos motivos que você pensava. Nunca a considerei boa o suficiente para o meu filho, era exatamente o contrário. Você era mais do que suficiente para ele. Tinha tudo para fazer ele ser feliz, bem sucedido, etc. – ela revelou e eu senti minhas sobrancelhas se erguerem por conta própria quase atingido a margem do meu cabelo. – E você fez tudo isso, mas no momento em que eu vi Oliver gastando todo o seu tempo com trabalho, sem dormir e sem comer direito, eu vi o que eu tinha mais medo acontecer.

— E o que seria isso?

— Você o deixou. E isso o destruiu mais do que todos os anos que ele festejava demais, usava drogas e tinha uma bebedeira atrás da outra. – ela disse e eu quase deixei minha taça cair no chão e se espatifar contra o mármore branco o manchando de rosa. – Porque com aquilo, eu sabia lidar. Agora um coração partido? Nem Laurel conseguiu fazer o que você fez, Srta. Smoak.

— Moira... Eu vou te parar agora mesmo. – eu disse depositando minha taça na mesa novamente.

Cruzei minhas mãos em cima da mesa e endireitei minha postura.

— Eu não terminei o relacionamento. Isso foi uma escolha de Oliver, por isso eu fui para Gotham. Ele deixou claro que não me queria por perto e eu apenas atendi o desejo dele e coloquei uma cidade entre nós. – eu disse e Moira ergueu uma sobrancelha, surpresa. – Nós nunca fomos perfeitos. Tivemos nossos momentos, nossas brigas, mas eu sempre fui honesta com ele e ele comigo. Oliver tem um passado, eu sei disso. Eu também tenho a minha cota de drama, mas quando eu passei por uma crise, ele não soube lidar com isso.

Desviei meu olhar levemente para os palitinhos de queijo que estavam dentro da cesta de pãezinhos e peguei um e o analisei. Tinha uns bons 30cm e eu conseguia ver onde o queijo havia sido gratinado por mais tempo.

— Não o culpo para ser sincera. Nem eu consegui lidar com aquilo. – eu disse dando de ombros e quebrando o palitinho no meio. – Mas eu voltei e tentei acertar as coisas com ele, não terminou do modo que eu esperava e depois de alguns dias eu fui para Gotham.

— Eu sempre tive uma opinião formada sobre o relacionamento de vocês, e eu me esforcei para construir um relacionamento com você pelo bem de Oliver e fui surpreendida quando começamos a nos dar realmente bem. Eu também me importo com você, Felicity. Não me agrada ver nenhum dos dois do jeito que estão. – ela disse e eu comecei a comer uma das metades do palitinho.

Nosso pedido estava começando a demorar.

— Oliver me disse uma vez em uma de nossas conversas sobre você que nem se você quisesse, ele deixaria você sair da vida dele. – ela disse com um sorriso pequeno, enquanto pegava um palitinho para si mesma da cestinha. – Ele não me devolveu o meu anel, ele não a demitiu da empresa e nem articulou nada contra você... Pelo contrário, acabou destruindo algumas carreiras por sua causa.

— Mas no final quem me mandou embora foi ele. Eu não sei nada sobre o seu anel, mas eu sei que Oliver é maduro suficiente para ver que se ele me demitisse, tanto ele como a empresa perderiam com isso. E eu não estou me auto vangloriando, é apenas um fato. – eu disse e comi a outra metade do palitinho. – Nós somos adultos e estamos agindo de acordo.

O nosso pedido finalmente chegou depois que eu terminei de falar.

—-

— Segure o elevador! – eu gritei correndo pelo lobby da Queen Consolidated com saltos demais para isso. – Obrigada... Oh. Oi.

— Oi.

Oliver ergueu uma sobrancelha para mim e eu apenas sorri levemente e entrei na caixa de metal. Jason estava no fundo da caixa de metal com mais um segurança que eu não conhecia. Por que eles não estavam no elevador privado de Oliver? Hm. Estranho.

— Segure o elevador, por favor! – gritou outra pessoa e eu coloquei o pé na frente da porta. Oliver deu um passo para o lado e eu também. Um cara com uma maleta cheia de papéis e um terno bem amarrotado entrou e estava completamente sem fôlego. – Obrigado.

Assenti e tentei manter uma expressão impassível mesmo sentindo seu bafo de longe.

— Para que andar você vai, princesa? – perguntou apertando o número 12. Ele trabalhava no andar dos macacos barulhentos e loucos. Corretor de ações. Aquela andar era uma bagunça completa.

— Vigésimo primeiro. – respondi e ele apertou o botão para mim.

Sua maleta, de repente, foi parar no chão espalhando seus papéis pelo chão do lobby inteiro. Ele xingou e saiu do elevador para juntar tudo e eu apenas apertei o botão para as portas se fecharem. Ugh. Idiota. Me recusei á olhar na direção de Oliver, algo me dizia que ele estava usando um dos seus sorrisos arrogantes agora, então peguei meu celular e comecei a ler meus e-mails enquanto o elevador subia.

— Eu preciso que você passe no RH ainda hoje, Felicity. – ele disse quando eu abri um e-mail que estava me dando um desconto em um aplicativo de compras online.

— O que? Por que? Você falou que não ia me demitir! – eu disparei e me virei para ele.

— Não vou. É sobre o tempo que você ficou em Gotham. Você e Curtis tem que ir lá junto com Alena e Cooper. Tenho certeza que você consegue reunir todos eles. – ele disse e eu assenti. – Não se preocupe, é sobre a grade de honorários e folgas.

Eu voltei assentir e senti meu corpo ser varrido por uma onda de alívio.

— Depois teremos a visita até as fábricas. O Sr. Ramon insiste que a equipe inteira nos acompanhe junto com o Sr. Fox e o Sr. Wayne. – ele disse e eu voltei assentir como um robô.

O elevador se abriu no décimo segundo andar e a loucura/bagunça que foi anteriormente mencionada recebeu prova concreta. Todos ali estavam gritando e olhavam diversos monitores com gráfico que subiam e caiam em questão de segundos.

— Deus... – sussurrou Jason atrás de nós parecendo horrorizado. – Eu odeio dias de manutenção.

Oh. Era dia de manutenção dos elevadores? Por isso Oliver estava usando um dos “comuns” ao invés do seu particular? Fazia sentido. Observei o setor do mercado de ações por mais dois segundos inteiros até as portas se fecharem mais uma vez.

— Nos vemos mais tarde, eu acho. – disse Oliver suspirando levemente e descendo no andar do departamento de T.I com Jason e o outro segurança desconhecido.

Eu acenei em resposta e não nego que estava curiosa para saber o que ele estava fazendo ali, mas agora? Eu estava mais do que atrasada para começar o meu próprio dia e Rory iria me matar se nos atrasássemos ainda mais para o tour das fábricas com os mandachuvas e para a reunião com o pessoal do marketing.

—-

— Lucius, por que não temos brinquedos legais assim? – perguntou Bruce Wayne apontando para uma das cinco centrífugas gigantes que os laboratórios/centro de fabricação que a divisão das Ciências Aplicadas da Queen Consolidated tinha.

— Porque você é pão duro, garoto. – respondeu Lucius e o grupo todo riu.

Havíamos ficado ali por quase três horas. Cisco havia nos dado o tour, explicado de modo superficial como seria a fabricação do Arsenal. O primeiro lote já estava sendo fabricado durante a nossa visita e tivemos a oportunidade de ver o primeiro celular deslizar por uma das esteiras pronto para ser embalado e usado. Cisco então decidiu que era um ótimo momento para mostrar que a fabricação da ECO-AD estava fluindo como um fodido rio.

Todos queriam impressionar Oliver, afinal ele era o chefe.

— Acho que é isso pessoal. Nosso tour acaba por aqui, o restante é a parte administrativa que é realmente entediante e pode enlouquecer alguém... – disse Cisco e depois se virou para Oliver com olhos arregalados. – Não que o seu trabalho seja entediante, Sr. Queen. Eu, pessoalmente, acho que você está fazendo maravilhas com a empresa e estamos evoluindo muito!

Depois de dizer isso, ele deu de cara com Moira ao lado de Lucius e voltou a falar.

— Não que a sua administração tem sido errada ou insatisfatória, Sra. Queen. Foi ótimo trabalhar com você também. – ele disse rapidamente e Curtis lutou contra o seu riso ao meu lado.

— Okay. Acho que todos nós devemos ir almoçar antes que o Sr. Ramon solte outro comentário que possa fazer ele ser demitido. – disse Lucius e todos riram, menos Cisco que ainda estava tenso. – Giovanni’s? Eu sei que a garotada ali gosta de culinária italiana pela quantidade absurda de pizza que eles comeram em Gotham.

Ninguém ao meu lado negou, porque era verdade.

— Eu amo comida italiana. – disse Bruce parecendo estranhamente animado.

— Que bom, porque é você que vai pagar. – disse Oliver começando a caminhar até a saída com Moira em seu braço e Lucius até a saída.

Bruce não se importou, apenas fez mais algumas perguntas para Cisco e depois foi em direção á Alena e os dois foram conversando em direção a saída também. Alena parecia tentar explicar para uma criança que o quadrado não entra no lugar do círculo.

— Você está bem? A gente sempre pode ir comer no Subway. – ofereceu Cooper e eu neguei com um pequeno suspiro.

— Estou bem, só vamos acabar com isso logo. Eu ainda tenho um monte de papelada para resolver ainda hoje. – eu disse indo em direção á saída com ao lado dele e de Curtis que ficou quieto.

Fomos separados nos carros, porque Bruce queria conversar com a sua equipe sozinho. O que me deixava no mesmo carro que Moira e Oliver. E sinceramente? Curtis não era um bom escudo humano. Entramos na limusine todos juntos e logo Moira recebeu uma ligação de Walter e Curtis recebeu uma de Paul. Os dois últimos haviam reatado novamente depois de uma briga sobre espaço pessoal e tempo.

— Pelo menos Bruce se comportou desta vez. Cisco não precisou atirar o seu all-star nele. – disse Oliver em voz baixa e eu assenti com um sorriso.

— Ele foi um bom menino, mas aposto que isso foi porque Lucius estava conosco desta vez. – eu respondi em voz baixa também e foi a vez de Oliver assentir com um sorriso.

Ele não falou mais nada durante o trajeto, só quando a palavra era dirigida á ele. Moira puxava conversa com ele sobre Thea e sobre tirar férias em família na Espanha, mas Oliver desconversava e perguntava outra coisa completamente diferente conduzindo a conversa como um mestre.

Toda a minha conversa que tive com Moira na noite passada estava sendo repassada na minha mente e eu me sentia inquieta. Tanto que quando chegamos no restaurante, todos foram para a mesa e eu fui direto para o banheiro.

Eu deixei minha bolsa e meu blazer em cima da pia e comecei a andar de um lado para o outro ali dentro.

"Meu filho me disse uma vez em uma de nossas conversas sobre o relacionamento de vocês dois, que nem se você quisesse ele deixaria você sair da vida dele, Srta. Smoak."

Por que ela me disse isso? O que isso significava?

Apertei meus dedos na minha testa e tentei raciocinar.

Eu não gostava de como as coisas estavam. Eu odiava, mas odiava como todos conseguiam me pintar como a vilã de tudo. E daí que eu tive uma crise de meia-idade? Me processem! Eu não tenho controle sobre esse tipo de merda, e não me arrependo de nenhuma das escolhas que eu fiz. Se eu me arrependesse, não iria conseguir mudar elas de qualquer jeito e eu não precisava de mais uma frustração na minha coleção.

Merda.

Abri a torneira e lavei minhas mãos. Encarei minha aliança. Ainda brilhava como nova e eu não tive coragem de tirá-la dali. Não era nem por causa de Oliver, era mais por minha causa mesmo. Aquilo havia virado um tipo de âncora para mim e eu não queria tirá-la ainda. Não estava pronta.

— Felicity? Você está bem?

Eu me assustei ao ponto de dar um pulinho. Me virei para a porta e encontrei Oliver ali.

— Sim. Eu já vou. Só estou... Retocando a minha maquiagem. – eu disse e gesticulei para o meu rosto.

— Por quinze minutos? – perguntou ele novamente e fechou a porta atrás de si e recostou ali com os braços cruzados. Foi tudo isso? Eu nem percebi. – Qual é o problema?

Suspirei e maneei a cabeça.

— Nenhum. Eu já vou, vocês podem pedir sem mim. Não estou com muito apetite hoje. – eu respondi e me virei para a pia novamente.

— Não.

– Como assim “Não”? Esse é o banheiro feminino e tem um salão cheio de mulheres lá fora. – eu ameacei levemente e Oliver apenas deu de ombros.

— Não.

Enquanto procurava meu batom dentro da bolsa, tive uma sensação de dejá-vú. Eu e Oliver tivemos uma conversa bem parecia com essa. Também estávamos em um banheiro feminino que ele não deveria entrar. A única diferença agora é que estávamos em um dos restaurantes mais caros do país e o risco de contrair alguma doença era bem menor do que o do banheiro da boate em Central City.

Pesquei meu batom de dentro da bolsa e o destampei, retoquei os cantinhos dos lábios com cuidado. Era um rosa bem pigmentado e parar tirar qualquer borrão seria uma dor na bunda. Oliver continua me observando da porta, mas não falou mais nada.

— Felicity?

— Sim? – perguntei ao guardar o batom e vestir meu blazer novamente.

— Por que ainda usa a aliança? – perguntou e eu parei o que estava fazendo e me virei para ele confusa. Que tipo de pergunta era essa. – Eu só estou curioso.

— Por que ainda usa a sua? – rebati acenando para o seu próprio dedo anelar, enquanto ajeitava o colarinho do blazer. – Eu não sei, honestamente e eu não sei se quero descobrir.

— Por que?

— Porque eu não quero ter essa conversa de novo com você, Oliver. – disse suspirando levemente. – Porque eu não quero que você jogue na minha cara novamente que eu fui uma péssima namorada, que eu nunca confiei em você e que sempre vou preferir Cooper no final das contas. Já tivemos essa conversa e eu não quero repetir a dose.

Ele ergueu uma sobrancelha e assentiu ao desviar seu olhar para a parede.

— O que? Sem comentários á adicionar desta vez?

— Não. Você parece pronta para derrubar qualquer argumento que eu tenha. – ele respondeu dando de ombros.

— Eu jantei com a sua mãe ontem, sabia? Ela apareceu no meu apartamento e me trouxe aqui. – eu disse girando meu indicador ao nosso redor. – Se eu soubesse que a lasanha viria com um interrogatório, eu não teria vindo, porque ela passou a maior parte da noite me dizendo o quanto eu consegui te destruir mais do que Laurel ou as drogas, ou as farras, ou qualquer outra coisa que tenha acontecido de ruim com você.

— O que?

— Oh sim, eu fui pintada de vilã porque você é o único que sofre com o que aconteceu entre nós, não é? – perguntei e ri sem humor algum. – Olha, eu sinto muito mesmo por tudo que você passou. Toda aquela merda. Ninguém deve passar por isso sozinho, mas isso foi você e não eu.

Ele ficou quieto e agora que eu havia começado eu ia terminar.

— Você tem um hard drive cheio de histórias tristes e dramas que você já superou. Eu não. O maior drama da minha vida foi quando Cooper me traiu! As minhas histórias tristes começaram depois que eu conheci você, e eu não estou te culpando por isso, mas eu tenho todos os motivos do mundo para ter uma crise e precisar de espaço. Eu não preciso dizer quais são eles, porque você estava lá do meu lado quando cada um deles foi acontecendo. – eu disse e esfreguei minhas têmporas. – Me desculpe por não ter estrutura de ferro que todos ao meu redor parecem ter, eu nunca precisei de uma até agora!

— Felicity...

— Não. Eu passei os últimos três meses me culpando e me crucificando pelo nosso relacionamento ter terminado do jeito que terminou, mas aí eu percebi que naquela noite no seu apartamento... Você não estava nem disposto á ouvir o que eu tinha para dizer até o fim. Você só esperou eu chegar até a parte em que eu estava Cooper para terminar tudo. – eu acusei e Oliver deu dois passos em minha direção. – Estou errada?

— Sim.

— Me ilumine então. O que aconteceu naquela noite?

— Eu estava bravo naquela noite porque eu tinha tido um dia infernal na empresa, Thea e eu havíamos brigado por causa de você e eu queria liberar a minha tensão na academia, mas não podia porque paparazzis ainda me seguem aonde quer que eu vou. – ele disse e deu mais dois passos até mim. – Aí você chegou exigindo explicações.

Eu abri a boca para argumentar, mas ele continuou.

— Eu sei que o que você viu foi complicado, mas eu estava magoado e do mesmo jeito que você não quis me ouvir até o final no escritório, eu não queria te ouvir até o final no apartamento, mas o que mais me magoou foi que você me excluiu completamente, Felicity! – ele exclamou. – Por um tempo eu fiquei com ciúmes de Cooper sim, mas você também ficaria se eu me trancasse em um apartamento com Laurel por cinco dias sem atender uma ligação sequer ou responder uma fodida mensagem.

Ele respirou fundo e fechou os olhos.

Pela primeira vez eu conseguia ver o quão cansado ele realmente estava.

— Eu não pedi para ninguém escolher lados ou te acusar de nada. Os últimos meses foram difíceis para você, eu sei disso. Eu não sou burro ou idiota o suficiente para ignorar os sentimentos você estava acumulando dentro de si, mas eu nunca disse nada porque pensei que quando chegasse a hora você viria até mim. Sempre foi assim com nós dois, mesmo quando o outro não queria. – ele disse e eu cruzei os braços em um ato de defesa. – Eu ainda uso esse anel porque ainda eu te amo e o meu coração ainda bate por você. Se eu tirar isso, significa que realmente acabou.

— Oliver...

— Eu devo tirar, Felicity?

Notas finais
Aviso: O fim está bem próximo! Algum comentário para mim? Comentem! Indiquem! Recomendem! Favoritem! https://fanfiction.com.br/historia/736715/Dangerous_Love/ https://fanfiction.com.br/historia/740660/The_Perfect_Mommy/ (Atualizada!) Grupo do Facebook_ https://www.facebook.com/groups/1015217841832543/?ref=bookmarks (Respondam as perguntas e avisos quando solicitarem autorização para entrar no grupo!) L.W PS: Vamos bater #960 comentários? Ou mais uma recomendação? Leitores fantasminhas saiam do além e venham conversar comigo, prometo que não mordo! PS²: Venham conversar comigo no Twitter meninas, achei várias de vocês por lá! Meu nome por lá é @juju100_! Vamos conversar sobre Arrow, fanfics... Qualquer coisa! Estou começando a postar pequenos trechos e spoilers sobre minhas fics lá também, viu? ♥ PS³: Estou pensando em formar um grupo no WhatsApp, o que acham? Quem quiser entrar me mande seu número por mensagem privada!