Extreme Love

33 Capítulo 33


Notas iniciais
Ciao! Olá meninas, tudo bem com vocês? Espero que sim! E também espero que estejam preparadas para o próximo capítulo! Obrigada pelos comentários que vocês me enviaram no capítulo passado, eu li todos! Irei respondê-los assim que a fic for finalizada, okay? Avisos no final, como sempre! Boa Leitura!

— Muito obrigada, Samantha. — eu disse depois de assinar a quarta e última via do contrato que permitia o registro da patente de Arsenal no nome da Queen Consolidated junto com a Wayne Enterprises. Oficialmente.

— Em quinze minutos o representante da Wayne Enterprises vai vir para a última reunião do dia e isso será tudo por hoje, Sr. Queen. — ela disse ao pegar a pasta de papel recheada de mais papel que eu havia estendido para ela. — Há mais alguma coisa que eu possa fazer por você?

— Não, muito obrigada. Pode ir para casa depois que o Sr. Fox chegar. — eu disse abrindo meu notebook.

Ela agradeceu e saiu pela porta.

Eu digitei meu login e senha e minha caixa de entrada foi a primeira coisa que apareceu na tela. Eu tinha alguns emails dos chefes de departamentos solicitando reuniões e visitas, convites de eventos beneficentes de algumas ongs e instituições que a empresa apoiava, mais reuniões com os responsáveis pelas filiais ao redor do mundo, mais convites para eventos e premiações... Eu tinha a mesma resposta para todos eles. Um grande e redondo "Não".

Eu tinha reuniões bimestrais com todos os chefes de departamento da empresa, qualquer assunto urgente seria lidado, mas satisfazer caprichos de meus funcionários não era bem minha função ou meu forté. Mamãe lidava com a parte de caridade, ela até insistia em fazer isso porque havia ficado entediada demais na segunda semana de sua aposentadoria. Eu sairia em uma turnê de visitas pelas filiais da Queen Consolidated em três meses, logo após o aniversário de Thea em agosto e minha irmã e a equipe de relações públicas da empresa lidavam com quais eventos eu realmente era obrigado á ir e forçar um sorriso para as câmeras.

Respondi um e-mail particular de Walter sobre a premiação do prêmio Apogeu que meu pai havia sido escolhido como primeiro vencedor por ter feito a Queen Consolidated a empresa liderante no ranking de telecomunicações e tecnologia no país e a terceira no mundo. Esses índices caíram após a morte dele, mas mamãe e sua administração conseguiram estabilizar a posição novamente. Thea e eu iremos receber em nome dele por mais que eu achasse que o nome naquele prêmio devesse ser o de mamãe. Esse era o tipo de evento que eu não poderia declinar o convite sem trazer má publicidade para empresa.

Confirmei com Walter que não iria levar acompanhante assim como Thea. Seríamos o par um do outro já que ela e Roy estavam levemente distantes com o mais novo torneio que ele havia entrado. Ela disse muito pouco sobre o assunto, mas sabia que havia ficado chateada com a distância e a longa duração do torneio que era de um mês e meio quase. Roy estava animado e Thea não queria acabar com seu bom humor.

Vai Canadá, eu acho.

— Pode entrar, ele já está esperando... — ouvi Samantha dizer e então digitei minha despedida para Walter um pouco mais rápido e pressionei "Enter" ao mesmo tempo que minha porta voltou a ser aberta.

Sheldon entrou e eu fechei meu notebook com mais força do que o necessário.

— E aí? Lucius não conseguiu vir hoje porque o Sr. Wayne meio que ordenou que ele o ajudasse com algum projeto pessoal dele e blá blá blá. — ele disse entrando e vindo até a frente da minha mesa com um tablet em mãos.

Ele deslizou seu dedo pela tela rapidamente e depois estendeu a máquina para mim com uma expressão entediada. Era o iPad de Felicity, e eu sabia disso por causa da foto de papel de parede que servia de moldura para um arquivo que estava aberto em uma janela pequena. Era uma foto da viagem até Maiorca, a paisagem do quarto de hotel que ficamos. Cliquei no arquivo e maximizei a janela para não ficar encarando a foto por tempo demais.

— O que eu estou lendo? — perguntei finalmente.

— Esse é o termo que nós precisamos que você assine para podermos integrar a bateria da sua empresa com o software da minha empresa sem rolar processo de nenhum lado. — ele disse e se sentou em uma das poltronas.

Encaminhei o arquivo até o meu e-mail e li rapidamente.

— Vou assinar aqui mesmo? — perguntei encarando a linha pontilhada virtual e ele acenou olhando ao redor.

— Você realmente precisa de todo esse espaço por aqui? — perguntou enquanto eu assinava meu nome em cima da tela. — Aquela mesa ali precisa de um espanador, claramente você não costuma usá-la.

Ergui meu olhar para ele e tinha cruzado as mãos na altura da boca e me encarava.

— Uma coisinha bem pequena, você acha que a sua irmã vai se ofender se usarmos o apelido dela como nome da nossa interface? — perguntou e eu dei de ombros.

— Se isso trás um cheque com muitos zeros para ela, Thea não se importa. — eu respondi e Cooper ergueu uma sobrancelha como se já esperasse essa resposta.

— Obrigado pelo seu tempo, Sr. Queen. — ele disse levantando e pegando o tablet das minhas mãos.

Eu não respondi, apenas voltei a abrir meu notebook e digitar meu login e senha.

— Não. Não consigo. — ouvi ele dizer ainda segurando a maçaneta da porta. Ele se virou para mim novamente e começou a passar o tablet de uma mão para a outra.

— O que?

— O que você está fazendo Oliver? — perguntou.

Tentando trabalhar.

— Você entendeu muito bem o que eu quis dizer. Muita gente pode te achar burro, mas eu não acho.

— Me sinto lisonjeado.

— Você tem que ter um certo nível de inteligência para manter Felicity Smoak entretida por quase um ano, mas o que aconteceu com você? O nerd que te explicava as piadas dela te deixou na mão? — perguntou com um sorriso de puro escárnio.

— Se não temos mais negócios a tratar, se retire por favor. — eu pedi e cliquei em um e-mail.

— Felicity se machucou em Gotham, sabia? Ela saiu para comprar um hambúrguer e foi seguida por um paparazzi. Ela bateu o carro e parou no hospital com um grande galo. Tudo isso porquê ele queria saber se ela já tinha superado você...

Ergui meu olhos ao ouvir isso.

— ... Ela não prestou queixa, as fotos foram deletadas e a Gossip Gotham se safou de um processo milionário. — ele finalizou e voltou a se sentar na minha frente.

— Ela me parece muito bem.

— Estar e parecer são coisas muito diferentes. — ele assinalou e voltou a mexer no tablet e depois voltou a estirá-lo para mim.

Era uma foto. De dois copos de café. Um deles tinha uma flor desenhada com creme e calda de chocolate, eu acho. E o outro tinha a famosa pergunta de um milhão de dólares. "Você quer casar comigo?". Me virei para Cooper e ele entregou o tablet para mim.

— Eu não sei se os seus capangas estavam me vigiando também, ou só ela, mas eu costumava trabalhar em um Jitters no final da avenida. Felicity compra café lá todo dia desde sempre. Em uma dessas manhãs, eu sentei com ela na mesa. Estava me sentindo culpado por ter esfaqueado o namorado dela dentro do ringue e queria me sentir melhor. — ele disse gesticulando para mim. O tablet parecia pesar toneladas em minhas mãos agora. — Mas aí eu vi que ela estava meio... Estranha. Conversei com ela e ela saiu da cafeteria objetiva. Naquela noite, recebi uma mensagem dela pedindo ajuda com isso.

Ele apontou para o tablet.

— Deu o maior trabalhão fazer essa merda, mas foi Felicity que pediu e eu sentia que estava devendo ela. Encontrei com ela no lobby e ela subiu e quando entrou aqui achou uma cena no mínimo bizarra. Você estava propondo para outra mulher que não era a sua namorada, Oliver. — voltei a fechar meu notebook sabendo que ele não iria embora até dizer tudo que tinha para dizer, mas não soltei o tablet. — Cara, quando ela desceu... Nunca vi Felicity tão brava daquele jeito na minha vida e olha que eu tive uma amostra quando ela descobriu que eu tinha beijado uma garota que não era a minha namorada na época.

"Eu fui com ela até o parque e ficamos lá por um bom tempo. Ela só observava as crianças brincando com animais e outros hippies dançando e fazer merdas de hippie, ela não se mexia. Quando começou a chover, ela não se mexeu. Eu a puxei para fora da chuva e fiz ela comer um pouco, mas ela não estava... Presente."

Ele balançou o dedo no ar e eu repeti o movimento na tela. Outra foto. Era uma foto de Felicity no sofá, encolhida no sofá como uma bolha. Ela estava olhando para a televisão, mas não parecia assistir. Seu cabelo e roupa estavam molhados e pelo que eu conseguia ver de seu perfil, seu olhar estava vazio demais.

— Eu mandei essa foto para Sara pedindo ajuda. Eu odeio Dianna Lewis. A mãe de Felicity nunca foi minha mãe número 1 e Sara Lance foi tudo que me restou. — ele esfregou sua boca com uma das mãos. — Sabe o que Sara me disse? "Deixe ela processar primeiro. Tente fazer ela tomar banho."

Ergui uma sobrancelha e Cooper sorriu levemente.

— Eu não dei banho nela, Oliver. Pode tirar o olhar assassino da cara. Felicity não quis ir para o banheiro. Ela não quis fazer nada. Nem comer, nem dormir, nem chorar... Nada. — ele enfatizou. — A aquela altura do campeonato todo mundo estava atrás dela, ligando e mandando mensagens, mas ela parecia não ouvir.

— Qual é o seu ponto?

— Você sabe que ela ficou na minha casa por cinco dias. Depois da primeira noite ela começou a falar de novo, comer e se distrair. No terceiro dia ela decidiu tomar banho e começou a tentar entender o que havia acontecido. Ela, literalmente, distorceu o cenário até que a culpa caísse em cima dela. — ele maneou a cabeça e riu sem um pingo de humor. — Ela passou por toda aquela baboseira e quando eu finalmente convenci ela ir falar com você, você vem e faz merda de novo.

— Como é que é?

— Cara, eu gastei minha cobertura caseira de chocolate belga naquele café! E depois deixei ela comer todos os meus queijos pra não desmaiar no meu sofá! Quando eu, finalmente, enfio um pouco de bom-senso dentro daquela cabeça dura, você vem e arruína tudo! De novo! — exclamou ele com um tom raivoso e eu fiquei levemente confuso.

Isso era sobre chocolate e queijo ou Felicity?

— Ela se arrumou, reuniu toda a coragem que tinha e foi para sua casa. Eu esperei ela no lobby de novo, só por precaução. Depois de uns trinta minutos, ela desceu e eu fiquei com medo de ver isso aí acontecer de novo... — ele apontou para o tablet e mordeu o interior de sua bochecha. — Se tudo desse certo, vocês provavelmente iriam passar a noite juntos, certo? Mas então eu vi ela caminhando para fora com um olhar apagado demais para ser a Felicity.

— Eu...

— Não. Eu arrumei toda a bagunça que você fez e você fodeu tudo de novo! Ela foi para sua casa pedir desculpas e tentar explicar que estava tendo uma crise e precisava do fodido namorado dela para ajudar ela á superar isso. — ele disse apontando para mim e eu senti minha raiva começar a crescer. Apertei o tablet levemente. — E você achou o que? Que ela estava te traindo comigo? Felicity é leal até o túmulo dela e isso nem sempre é bom para ela, mas ela não consegue evitar e você já sabe disso. Então foi o que, Queen?

Ele se levantou.

— Foi o fato dela ter me procurado? Por ter vindo primeiro até mim e não você? — perguntou e cruzou os braços.

— Sim. Não acha meio estranho ela preferir o ex do que o namorado dela?

— Considerando que o namorado dela estava pedindo outra em casamento, não acho nada mais estranho do que isso. — ele disse dando de ombros. — Eu fui a primeira coisa que não lembrava você á ela, por isso ela ficou comigo. Dianna? Ela faria Felicity voltar até lá. Sara? Faria ela beber até cair. Curtis? Eu realmente não sei o que ele faria, mas você estaria envolvido de algum jeito. Eu não fiz nada. Só fiquei de vigia para ela não fazer nada de estúpido.

— Ter ficado naquele apartamento com você foi estúpido suficiente. — eu disse apertando minha mão em um punho.

Eu estava á dois minutos de ir para cima dele e dar mais um olho roxo para Sheldon.

— Eu já saquei tudo, sabia? Você quis fazer diferente com Felicity. Não repetir os mesmos erros que fez com Laurel Lance. Não é mesmo? — ele perguntou e não esperou resposta. — Com Laurel você era indiferente e distante, ela te traiu, então decidiu fazer o oposto com Felicity.

Ele riu de novo.

— Teria dado certo se você tivesse notado que Felicity precisa de um tempo e espaço só pra ela ás vezes, mas ninguém é perfeito. Ela não me contou o que você disse pra ela naquela noite, mas eu sei que o que for que você disse, machucou ela. E machucou muito. — ele acusou com olhos raivosos e eu decidi soltar o tablet na mesa e apoiar minhas mãos em meus joelhos. — Ela tem problemas de abandono por causa do pai, sabia disso? O maior pesadelo dela é terminar como a mãe. Ser dependente de alguém e ser deixada para trás. Eu pensei que você entenderia. Você já foi viciado em alguma coisa e sabe como é difícil depender de algo tão forte, intenso e prazeroso.

— Cuidado, Sheldon.

— Por que? Eu não te devo nada. Você quebrou o coração da mulher mais importante na minha vida e ela ainda te ama. Você tem noção de como isso me enlouquece? Só mostra que você nunca mereceu e nem vai merecer ela. — ele exclamou.

Suas palavras afundaram em meu peito tendo duas reações contrárias.

Eu não sabia mais o que era o que.

Eu não podia me dar o luxo de sentir esperança. Eu não ia.

— Ela não foi até o seu apartamento naquela noite para terminar o relacionamento de vocês dois, ela foi pedir a sua ajuda. Eu posso ir até certo ponto, ela sabia disso e ela sabia que precisava de você naquele momento e não de mim. Você fez o que? Ficou gritando com ela como uma perfeita criança mimada com ciúmes por ela ter vindo até mim primeiro e terminou com ela.

— Eu não...

— Eu não quero ouvir qualquer desculpa que você tem distribuído por aí nos últimos meses, mas saiba que Felicity não esta saltitante e explodindo glíter por onde passa. Ela ainda esta sofrendo, mas não fica se arrastando pelos cantos mais. Ela sofreu e está começando a superar. Se você ama ela e ainda quer ter um futuro com ela, eu sugiro que você se apresse. — ele pegou o tablet. — Quando ela te supera, você não passa a significar nada na vida dela. Falo por experiência.

Eu levantei da cadeira com os punhos formigando.

— Não adianta me olhar assim, sabe que estou certo. Você pode ser melhor do que eu no ringue, Oliver, mas quando falamos de Felicity Smoak, eu sou o melhor aqui. Eu a conheço melhor e a mais tempo. A única diferença entre nós dois é que eu não fugi quando tivemos nossa primeira crise. — ele disse e foi até a porta e a abriu. — E nem tente falar sobre essa conversa com ela, Felicity nunca vai acreditar em você mesmo se eu não aparecer com algum machucado...

— Isso ainda pode acontecer. — eu ofereci.

— Mas não vai. Você prometeu pra ela, lembra?

A porta bateu assim que ele saiu.

—-

— Senhor? A Srta. Lance deixou esse pacote para o senhor na recepção... — disse Anthony me passando o que parecia ser uma caixa de sapato enrolada em um papel de presente dourado e verde.

— Obrigada. Está dispensado, Anthony. — eu disse e fui direto para o meu quarto.

A suíte presidencial no Deluxe tinha sido minha casa nas últimas semanas quando as memórias do apartamento se tornaram insuportáveis. Eu aguentei até o meu limite. O qual eu descobri que não era tão extenso o quanto eu pensava ou dava crédito á mim mesmo.

Sentei na cama desnecessariamente longa e joguei a maleta junto com o pacote de Laurel para o lado. Tirei o paletó e chutei os sapatos para o lado. A gravata, eu quase arranquei do pescoço. Peguei o pacote de volta e arranquei o papel dourado, era de fato uma caixa de sapato, mas assim que a abri, sorri.

"Parabéns pela primeira semana!

XoXo, Laurel Lance."

Só Laurel me enviaria uma garrafa de uísque dentro de uma caixa de sapato rosa pink me congratulando por ter sobrevivido uma semana no escritório vendo Felicity diariamente e não fazendo nenhuma merda. Peguei a garrafa pelo gargalo e caminhei até a varanda. Sentei em uma das cadeiras da mesa de chá que tinha do lado de fora perto da piscina e abri a garrafa.

Me pus a observar os arranhas-céus, mais especificamente o meu arranha-céu. O "Q" azul néon era tudo menos sutil, eu gostava. Bebi um gole do uísque que queimou minha faringe por completo.

— Jesus, Laurel. Isso é horrível. — resmunguei para mim mesmo colocando a garrafa de lado em cima da mesa.

Pesquei meu celular no bolso da calça e vi que tinha algumas mensagens.

"Mamãe: Lucius adorou o protótipo de Felicity e quer continuar trabalhando com ela e conosco. Bom trabalho!"

— Não sou eu que mereço o elogio, mamãe...

Passei para a próxima.

"Thea, Q: Tommy veio no club com Caitlin hoje. Por que não veio junto?"

Suspirei e esfreguei minha testa levemente.

Ninguém do meu desentendimento com Tommy além de Sara e Caitlin.

Não foi o meu melhor momento, mas não foi bem surpresa para ninguém quando aconteceu. E Tommy foi para casa com mais de um ego ferido aquela noite, mas não foi por falta de aviso.

—-

Flash-Back — On

— Tommy. Não estou de bom humor. — eu avisei assim que vi ele entrando no banheiro da boate atrás de mim.

— Ótimo, porque eu também não. — ele rebateu e eu quase acreditei que ele falava sério pelo tom morto de sua voz. Sem brincadeiras, sem provocações, sem malícia.

Lavei meu rosto com água e tirei as luvas acolchoadas das mãos.

— Oliver, você não pode continuar com isso. Você é CEO agora! — ele exclamou.

Arranquei algumas toalhas de papel e sequei o rosto. Depois que joguei tudo no lixo, eu me virei para Tommy apoiando meu quadril na pia e cruzando os braços em cima do peito.

— O que você sugere?

— Uma bebedeira? Algumas seções de terapia? Eu não sei! Eu apenas sei que amanhã você vai estar nas manchetes de novo e isso não vai ajudar em nada sua situação com o conselho da Queen Consolidated... — ele disse e esfregou a própria testa como se procurasse uma solução para o meu problema. — Eu sei que você precisa socar alguma coisa ou alguém ás vezes, mas você não pode se dar o luxo de procurar Slade toda vez que as coisas se complicam ou não saem do jeito que você quer.

— Você acha que eu estou fazendo isso por capricho? — perguntei pausadamente.

— Não, claro que não! Eu sei que você prefere socar quatro estranhos até o nocaute do que ir atrás do Sheldon já que ele aparentemente está trabalhando para você agora. — ele respondeu e se apoiou na porta de uma das cabines do banheiro. — Mas cara, você tem que ver o quão fodido você vai ficar se continuar nesse ritmo. O conselho vai te destituir mesmo sendo acionista majoritário.

— Tommy...

— Não Oliver! Chega! Eu te deixei em paz por causa de todo o drama com Felicity e com a empresa, mas eu não vou ficar assistindo você destruir tudo que demorou tanto tempo para construir. — ele disse balançando a cabeça.

— Eu preciso disso hoje. — eu disse sincero mesmo começando a sentir um formigamento na ponta de meus dedos. — Eu preciso subir lá e derrubar mais um, depois eu vou embora.

— Se você for lá, não vai parar. Se você for lá, não tem como eu te ajudar. Se você for lá, Felicity estava certa em ir embora. — ele disse descruzando os braços. Seus olhos pareciam cansados, mas ainda sim brilhavam com determinação.

Eu quase o perdoei por ter falado aquilo.

Quase.

— Certa? Você acha que ela está certa? — perguntei descruzando os meus braços e apoiando os braços ao lado da cuba da pia.

— Não estou falando que você está certo, mas ela não está errada. Todos precisamos de um tempo e espaço. Caitlin e eu conversamos sobre isso que está acontecendo entre vocês dois e chegamos a conclusão juntos que nenhum dos dois está certo, mas nenhum dos dois está errado porque os dois não estão na mesma página. — ele disse gesticulando levemente. — Em alguma parte, um se perdeu do outro.

— Oh sim, se perdeu e se mudou para a casa do ex e depois fugiu para outra cidade. — eu disse acidamente e Tommy deu ombros e desviou o olhar. Espere aí. Não mesmo. — Vai me dizer que concorda com ela?

— Eu não sei, mas algo me diz que você poderia ter feito mais... — ele disse pausadamente e em voz baixa e cautelosa.

— Como assim?

— Oliver, você nunca hesitou em relação á Felicity. Toda vez que ela se metia em problema ou precisava de alguém, você corria até ela. — ele disse dando ombros novamente. — Ela ficou alguns dias com Sheldon, e daí? Não é o certo, mas ela não te traiu. Ela voltou para conversar, não voltou?

— Ela voltou para terminar o nosso relacionamento. — eu corrigi.

— E desde quando você aceita um "Não"? Especialmente vindo dela? — perguntou com um sorriso pequeno. — Eu observo vocês desde o começo, Ollie. Você não foi atrás dela naquela noite porque estava magoado e eu entendo isso, mas e nos dias seguintes? Você poderia ter ido até lá e conversado com ela, mas você decidiu esperar e manteve alguém vigiando a casa do Sheldon. Foi o ego ferido que impediu?

— Ela, claramente, queria espaço!

— Felicity nunca te deixou por mais que você se empenhasse em afastar ela, até mesmo expulsá-la em alguns casos. Ela aceitou você e toda a sua merda na vida dela, por quê você não pode fazer o mesmo? Ela está passando por uma fase difícil que você e eu já passamos e demos sorte de termos um o outro. Merdas acontecem, mas o importante não é o que acontece e sim como você reage. — ele disse com um tom mais ameno agora. — Você não foi atrás dela, o que deu espaço para ela criar dúvidas e várias teorias do que poderia estar acontecendo naquele escritório entre você e Laurel. Eu não a culpo.

— Então você me culpa? — perguntei e depois ri irônico levemente.

— Por que não foi atrás dela, Ollie? Por que você realmente queria dar espaço á ela ou por que seu ego foi ferido pelo fato de ser Cooper Sheldon? Aposto que se fosse Curtis ou até mesmo Ronnie, você não se incomodaria tanto... — ele disse e eu voltei a rir novamente.

— Isso é realmente impressionante vindo de você...

— Eu já estive no lugar de Felicity, mas não foi um suposto pedido de casamento e sim um beijo. Foi a mulher que eu amo sendo beijada pelo cara que ela passou os últimos três apaixonada. Eu tive um motivo para desconfiar. — ele se defendeu e eu me virei para a pia novamente e comecei a calçar minhas luvas novamente. — Cait foi atrás de mim depois, não foi?

— É diferente.

— Como? Por que eu só preciso trocar uma situação e os nomes. — ele rebateu e eu flexionei meus dedos dentro da luva e fechei a faixa de velcro ao redor do pulso.

— Tommy, chega. Eu não quero mais falar sobre isso. Eu só quero ir lá fora e lutar mais uma vez. — eu disse calçando a outra luva e fechando a faixa de velcro de modo apertado.

— Que pena. Eu não vou deixar. — ele disse e eu suspirei.

Eu vou ter que bater no meu melhor amigo hoje?

Flash-Back Off

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Eu bati no meu melhor amigo naquele dia. Algo que era reservado apenas para o tatame ou para dentro do ringue e de modo seguro e amigável.

Eu fui para cima dele ali, mas Tommy estava pronto. Conseguiu me derrubar pela primeira vez e dar três socos decentes em mim que me deram um hematoma azul na bochecha direita.

Voltei a pegar o uísque ruim em cima da mesa e ignorei a mensagem de Thea.

Quando ficou tão complicado?

Ah é. Foi horas depois de Anthony me dizer que Felicity estava no apartamento de Cooper Sheldon sem atender o celular ou responder minhas mensagens. Ou de qualquer pessoa. Ela simplesmente decidiu expulsar todos da vida dela naquela semana, exceto por Sheldon.

Tomei mais um gole e a ardência se tornou mais suportável, o gosto continuou ruim.

Esfreguei meu rosto e suspirei. Me sentia cansado. Havia mergulhado no trabalho e na empresa nos últimos meses para me ocupar, mas até isso não era mais uma opção para mim. Eu não tinha mais trabalho para fazer. Nada além de ler relatórios que eu não entendia nem metade do que diziam. Estava cansado e entediado. Isso nunca era bom.

— Eu cheguei no fundo do poço. — disse pra mim mesmo e ri levemente. — De novo.

Fechei a garrafa com sua tampa novamente e suspirei. Estava na hora de sair do poço de auto-piedade que eu havia ficado nos últimos três meses. Era a hora de reagir e começar a seguir em frente, mesmo se eu não quisesse.

Tirei o restante de minhas roupas e fui para debaixo do jato quente de água. Me apoie na parede na minha frente e senti a água desatando os nós de tensão debaixo da minha pele e entre meus músculos. Era uma sensação ótima. Me lavei inteiro duas vezes em seguida. E fiquei mais um pouco debaixo do chuveiro, apenas aproveitando.

Quando as pontas dos meus dedos ficaram enrugadas, eu decidi sair.

Me enrolei em uma toalha com as iniciais do hotel bordado em dourado e fui até o closet. Vesti uma calça jeans sóbria e a primeira camiseta que achei. Calcei minhas meias e sapatos. Sequei o cabelo e joguei a roupa suja junto com a toalha no cesto que a equipe do hotel daria um jeito para mim.

Caminhei até a cozinha da suíte e não tinha nada para comer. O serviço de quarto iria demorar um pouco á essa hora da noite, então vesti minha jaqueta que estava ao redor de uma das cadeiras da mesa de jantar e peguei as chaves da Ducati que estava no estacionamento ainda. Anthony iria me olhar feio amanhã, mas hoje eu não estava ligando muito.

Entrei no elevador e desci até o subsolo ouvindo uma música de ambiente que parecia ser clássica. Eu sabia que tinha piano e violino na melodia, mas isso a fazia ser considerada música clássica automaticamente?

Fiquei debatendo isso mentalmente até chegar ao lado da minha moto.

Montei nela e coloquei o capacete.

Cantei pneu para fora dali sem hesitar.

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— De quem foi a ideia de abrir essa boate mesmo? — perguntou Thea assim que fechei a porta de seu escritório abafando a música que vinha da pista de dança.

Verdant estava lotada e com uma fila longa demais para eu usar "quilométrica" como adjetivo. Isso deveria ser bom para os negócios, e se era bom para os negócios, minha irmã não tinha que estar com a cara horrível que estava e com o mau-humor pior ainda.

— Ahm, eu acho que foi você mesmo. — eu disse e tirei minha jaqueta e sentei no sofá de couro perto da mesa dela. — O que está fazendo?

— Brigando com um fornecedor que toda vez que me vê aumenta os preços das garrafas de champagne que eu compro dele, fazendo uma lista dos funcionários que eu vou precisar contratar para a próxima noite temática e ignorando meu namorado idiota. — ela disse enumerando em seus dedos, enquanto escrevia alguma coisa em sua agenda.

— Roy? O que ele fez agora? — perguntei deitando no sofá e cruzando meus braços atrás da cabeça e me colocando a observar minha irmãzinha desempenhando seu papel de mulher de negócios e sendo uma garotinha com raiva de garotos ao mesmo tempo.

— Aparentemente ele teve uma pausa de dois no torneio dele e veio para Starling City. Jantou com as primas deles e o velhote e só veio me ver hoje de manhã quando estava fazendo o inventário. — ela disse e eu percebi que sua escrita se tornou agressiva conforme ela ia contando.

— E qual é o problema? Você estava tendo uma noite com mamãe, o que ele deveria fazer? Pintar as unhas de vocês duas? — perguntei sorrindo levemente e Thea levantou o dedo médio para mim. — Ele veio hoje e você expulsou ele, não foi?

Thea assentiu e depois revirou os olhos.

— Ás vezes me esqueço que você só tem 19 anos, Speedy. — eu disse rindo levemente. — Onde ele está agora?

— Na casa da sua ex. Ela estava no jantar com ele. — Thea respondeu e juntou papéis em cima da mesa de modo bem ruidoso. — Eu realmente não acredito nisso. Nós conversamos sobre vocês dois, sabia? E ele disse que ela estava certa!

Fiquei em silêncio.

Thea grunhiu e guardou seus papéis em uma pasta amarela.

— Sabia que ela esteve aqui? Com Sara. Elas vieram em uma das noites e um cara agarrou Felicity e ela deu a maior surra nele. — ela disse levantando e indo até o seu arquivo para guardar a pasta.

— Que cara?

— Jackson Adams. Um investidor meu. Nós temos zero tolerância nesse quesito, e eu tenho seguranças prontos para agir se alguma garota se sente intimidada ou incomodada por algum idiota. Imagine a minha surpresa de ouvir que Felicity foi assediada por um dos meus investidores? — ela fechou a gaveta do arquivo com força demais. — Não pude fazer nada além de colocar ele para fora e impedir que ela me processasse.

— Thea. Por que você está com tanta raiva assim? Me parece ser bem mais do que apenas o fato de Roy não ter contado que viria a cidade. — eu disse e cruzei os braços em cima do peito agora e ela começou a andar pra lá e pra cá.

— O que me deixa com raiva é que ela está vivendo a vida dela, e você não! Ela sai para jantares em família e para ir festas com os amigos e você não! — ela exclamou apontando para mim. — Ollie, você se trancou dentro do escritório! A empresa nunca esteve tão bem por causa disso, mas não está vendo que o custo está alto demais? Nem para academia você vai mais!

— Eu não vou para academia porquê tenho minha própria academia agora. — assinalei e ela bufou.

— Você não vai mais jantar em casa e nem sai com seus amigos. Nunca mais vi você e Tommy juntos desde mês passado...

— Mamãe e Walter estavam viajando até dois dias atrás, e você tem um negócio para tocar, Speedy. — eu disse e me levantei do sofá. — Tommy tem a própria empresa dele e Cait agora para se preocupar.

— Você está ficando sozinho demais. Eu não gosto disso. — ela disse e eu alcancei uma de suas mãos.

— Eu estou seguindo em frente e não estou me sentindo sozinho. Eu tenho você e agora estou em bons termos com Laurel. — eu disse dando de ombros e Thea revirou os olhos. — Não se preocupe tanto, Speedy. Esse é o meu trabalho.

— Ha ha ha.

Ela apertou minha mão e suspirou.

— Eu estava com saudades dela, sabia? Até ver ela na pista de dança, aí eu quis arrancar cada fio louro da cabeça dela. — ela disse e eu sorri.

— Por favor não faça isso. Aí sim teremos que responder á um processo legal...

Thea socou meu ombros e riu antes de eu puxá-la para um abraço.

Jackson Adams, huh?

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Na manhã seguinte eu acordei me sentindo um pouco mais leve depois de passar um tempo junto de Thea. Eu sabia que nós dois precisávamos disso de vez em quando. E eu não saí da Verdant antes de prometer que voltaria ainda essa semana para jantar em casa com ela, mamãe e Walter.

— Olá, Samantha. Pode, por favor, fechar minha conta no Deluxe e levar minhas coisas de volta para o meu apartamento? — perguntei assim que cheguei da minha hora de almoço com os representantes chineses. A yakisoba estava deliciosa, a reunião chata demais, mas eu tentei me concentrar apenas na comida.

— É claro, Sr. Queen. Mais alguma coisa? — perguntou ela já começando a digitar em seu notebook.

— Quando o Sr. Wayne e o Sr. Fox chegarem, pode trazer café para nós? — pedi e ela assentiu com um pequeno sorriso. — Obrigado.

Entrei dentro da minha sala e tirei o paletó assim que a porta se fechou atrás de mim. Coloquei ele ao redor da minha cadeira e sentei na mesma. Girei até estar de frente para as janelas e respirei fundo e inspirei levemente. Eu não tinha mais o que fazer, literalmente. Todo o trabalho burocrático estava pronto, as reuniões mais importantes já aconteceram, e eu estava sem o que fazer.

Eu poderia até ir embora mais cedo que não iria ter nada se acumulando em cima da minha mesa. Talvez devesse começar a atender os pedidos dos chefes de departamento e suas reuniões para me ocupar com algo.

— Oliver?

Girei minha cadeira mais uma vez ao ouvir a voz de mamãe. E encontrei ela na porta com Lucius Fox e Bruce Wayne que estava digitando algo em seu celular com determinação.

Me levantei e fui até eles, cumprimentando cada um e depois fomos até o par de sofás de couro que eu tinha ali. Um olhar para mesa de reuniões que eu nunca usava me fez querer concordar com Sheldon pela segunda vez essa semana, eu não precisava daquela porcaria.

— Fiquei muito impressionada com Arsenal. Nossa equipe se superou com o trabalho conjunto. — disse mamãe assim que Samantha terminou de servir o café para eles, eu declinei.

— Falando com uma pessoa que viu o projeto sendo construído desde o seu princípio, eu me divido entre estar orgulhoso e impressionado. Sabia que os garotos eram capazes e que tinham as ferramentas certas. O desempenho da Srta. Smoak foi assombroso. — disse Lucius depois de tomar um pouco de seu café.

— Como assim? Ela tem cara de ser uma daquelas estudantes de Brown sabe-tudo. — disse Bruce deixando seu celular de lado e pegando sua xícara de café.

— MIT. — eu o corrigi e todos olharam para mim. — A Srta. Smoak é formada em sistema de segurança e estudo da tecnologia. Ela é chefe de Ciências Aplicadas.

— Sabe-tudo do MIT, então. — reformulou Bruce. — Eu não lembrava de garotas tão bonitas como Felicity Smoak no MIT quando estudei em Harvard.

— Você nunca frequentou uma aula sequer em Harvard, Bruce. — lembrou Lucius e os dois riram levemente de alguma piada particular.

— Mas eu confesso que se aquele celular saiu da mente da Srta. Smoak, eu estou pronto para apostar todas as minhas fichas nela. — continuou Bruce e colocou sua xícara já vazia de volta na bandeja. — Ela e Alena Withlock deixaram o meu bebê ainda mais impressionante e isso é algo que não acontece facilmente.

— Oh sim, as programações que as meninas usaram são quase futurísticas e eu sou suspeito á falar sobre o meu orgulho ainda mais nas condições que elas estavam. — disse Lucius e mamãe olhou de esguelha para mim, mas eu disfarcei me inclinando e pegando minha xícara de café intocada.

— Como assim? Houve algum acidente?

— Nada que o tempo não cure. — respondeu Lucius e eu senti o olhar dele em cima de mim. — Ou que possa render algum processo para nós.

— Então Oliver, um passarinho me contou que você comprou a franquia imobiliária de Frank Adams. Está tentando expandir? — perguntou Bruce e eu dei de ombros.

— Nunca se sabe quando você vai precisar de um corretor...

Ele assentiu, mas me observava como se soubesse que tinha mais alguma coisa por trás da história. E tinha, mas ele não precisava saber que eu comprei uma franquia de mais de 50 imobiliárias ao redor do país porque o filho idiota do dono tentou agarrar minha ex-namorada na boate da minha irmã e saiu impune por isso. Bom, agora eu era o investidor de Thea e ela junto com outra 6 mulheres abriram um processo contra o filho idiota que levaria todo o dinheiro que o pai dele havia ganhado com a venda do seu negócio.

— Estava pensando em comprar um apartamento na Espanha para minha irmã de aniversário. Ela está desesperadamente precisando de férias. — eu disse e mamãe riu e assentiu concordando comigo. — Frank Adams apresentava um índice de aprovação excelente, então eu quis ele.

— Apenas o melhor para Queen Consolidated e a família Queen, eu vejo. — disse Lucius Fox erguendo sua xícara como se brindasse e mamãe fez o mesmo.

—-

— Você vai me demitir?

Ergui minha cabeça e encontrei a cabeça Felicity parada na minha porta.

Larguei a lista de sugestões dos funcionários da recepção e ergui uma sobrancelha ao me levantar da minha cadeira.

Ela entrou com o corpo inteiro agora. Estava de saia, novamente, com uma blusa que deixava seus braços para fora e saltos altos.

— Por que eu faria isso? — perguntei e coloquei minhas mãos dentro dos bolsos das calças. Felicity estava usando aquela saia, de novo. Ela não põe essa merda para lavar? — O que aconteceu?

— Bom... — ela disse e cruzou as mãos na frente do corpo de modo nervoso. — Você está familiarizado com as regras sobre a visitação dos nossos laboratórios feitas por mim?

— Não tocar em nada. Não mexer em nada. — eu disse e ela assentiu.

— Eu tenho consciência de quem nem todo mundo sabe sobre essas regras e que ao entrar no laboratório pode ser muito legal ver tanta coisa nova e que ninguém sabe nada ainda, eu tive a mesma exata reação, mas isso não fez com que eu mexesse em coisas que estavam além do meu conheciment....

— Felicity. — a interrompi e ela prendeu a respiração. — Quem mexeu nas suas coisas?

— Bruce Wayne. Ele passou no laboratório e perguntou se poderíamos fazer um Arsenal customizado para ele. — ela disse o nome do meu sócio com um tom azedo que quase me fez rir. — Ele então decidiu mexer em alguns protótipos que ainda estão em fase de teste e precisam de um traje de segurança apropriado ao serem utilizados e eu... Eu...

— Você fez o que? — perguntei começando a ficar receoso agora. Ela fez uma pequena careta e olhou para o teto como se tentasse achar as palavras certas que não a colocariam em encrenca. Eu já tinha visto esta cara antes. — Fe-li-ci-ty.

— Ok. Eu joguei meu sapato nele antes que ele tocasse no equipamento. E como o equipamento e toda a pesquisa pertencem a Queen Consolidated e ele é o representante de até então a nossa maior concorrente não parece ser tão mal, certo? Tirando a parte da pequena agressão, certo? — ela perguntou torcendo as mãos.

Olhei para os pés delas e vi saltos bem altos e bem finos que poderiam ser considerados como arma branca e depois voltei o meu olhar para o seu rosto.

Estes sapatos?

— O que? Não! Eu joguei uma pantufa que eu mantenho no laboratório quando os saltos começam a machucar os meus pés. Eu não considero bem as pantufas como sapatos, são como meias bem fofinhas que tem uma sola protetora, então não são bem sapatos e eu nem acertei ele! Eu tenho uma mira horrível, você sabe disso. Eu assustei ele e ele caiu no chão que nem fruta podre. — ela disse e gesticulou com a mão algo caindo. — E você também sabe que o pessoal dele vai querer me contratar se você me demitir, certo? E eu realmente vou ter que aceitar porque as Indústrias Kord tem um programa horrível e eu tenho meio que uma rixa com Ray Palmer, então Palmer Tech é um lugar proibido para mim também e por mais que eu odeie Bruce e não tenha tido uma experiência muito agradável em Gotham, eu iria. Mesmo com a chuva 24h que já me causou mais de um tombo quando estive lá nos últimos meses, então por favor não me demita e eu vou parar de falar em 3...2...1.

Encarei ela e ela colocou uma de suas mãos perto dos lábios como se isso fosse a impedir de falar mais alguma coisa para mim. Independente do que havia acontecido entre nós, quando Felicity ficava nervosa, ela tendia a balbuciar muito e o fato dela estar aqui a deixava nervosa. Talvez fosse a situação com Wayne ou o fato de estar sozinha comigo depois de tanto tempo, eu não me importava. Era algo adorável que Felicity havia perdido quando começamos o nosso relacionamento.

— Oliver? Essa sou eu notando você encarando. — ela disse ainda com a mão sob os lábios.

— Estou tentando entender como você, sendo a mulher mais inteligente que eu conheço, fosse achar que vale menos do que Bruce Wayne? É claro que eu não vou demitir você. Ele invadiu sua jurisdição, então por mais que eu não posso aprovar o seu pequeno ataque, posso compadecer com o seu instinto de proteger a empresa. — eu disse e ela assentiu e inclinou a cabeça para o lado como se considerasse minhas palavras. — Por mais que você não estivesse realmente visando o bem da empresa.

— ... Okay?

— Eu lido com Bruce Wayne, mas tenho certeza que você já conseguiu assustá-lo suficiente para ele estar de volta em Gotham agora. — eu disse e ela deu de ombros com um fantasma de sorriso no rosto.

Ela não estava nenhum pouco culpada.

Smoak...

— Já que já está aqui, por que Curtis quer tanto que eu desça lá embaixo?

Ela franziu as sobrancelhas.

— Não, eu não sei. — ela respondeu hesitante. Eu assenti e Samantha escolheu esse como o melhor momento para entrar no escritório com ninguém mais, ninguém menos do que mamãe.

Merda.

—-

Eu estacionei no Big Belly Burguer mais perto, eram apenas dois quarteirões de distância do apartamento. Precisava de comida de conforto depois do dia que tive. Eu até poderia ter vindo a pé se quisesse, mas fazia tempo que não pilotava. Quando ia desmontar da moto, uma dupla saiu pela porta do restaurante. Curtis e Felicity. Eles estavam conversando com sorrisos leves no rosto e seguravam casquinhas de sorvetes.

Ela estava linda. Como sempre.

Eles caminharam até o Mini-Cooper dela que estava estacionado no lado oposto de onde eu estava e saíram do estacionamento rapidamente. Balancei a cabeça levemente e estacionei a moto. Desmontei e acionei o alarme decidindo levar o capacete comigo desta vez.

Uau. Vi ela duas vezes hoje, deve ser meu dia de sorte.

Empurrei a porta de entrada e caminhei até a fila do caixa. Duas pessoas na minha frente. Olhei ao redor e vi que tinha algumas mesas ocupadas, mas não eram a maioria. O casal terminou seu pedido e eu fiz o meu. A atendente me olhou por dois segundos á mais do que o necessário e pareceu me reconhecer. Eu apenas sorri educado e paguei minha conta pedindo que embalasse a comida para viagem.

Os paparazzis chegariam na metade do hambúrguer se eu comesse ficar aqui, sem dúvida. Sentei em uma das mesas perto do balcão de retirada e esperei meu nome ser chamado.

Olhei para a porta de saída e senti minha mente divagar até Felicity. Pela enésima vez. Não era idiota para tentar me convencer que eu não pensava nela, porque eu pensava. E muito. O problema era exatamente esse. Eu não parava de pensar nela e vê-la todos os dias se provou um pouco mais fácil do que apenas imaginar como eu havia feito nas últimas semanas.

Felicity não ajudava em nada usando aquela saia de novo. Ela havia usado no primeiro dia de volta quando apresentou seu novo projeto e usou ela hoje de novo. Eu não era cego, e sabia muito bem como aquela peça acentuava suas curvas. Ela havia cortado o cabelo e desistido das mechas rosas também, eu havia gostado da cor nela, mas Felicity conseguia ficar linda de qualquer jeito sem esforço algum. Seus óculos haviam sido substituídos por novos também, o que eram vermelhos antes eram azuis e roxo agora.

Esfreguei meus olhos novamente e suspirei baixinho. A atendente ainda estava me encarando e agora tinha companhia de uma colega. Eu realmente não entendia o porquê de toda essa atenção. Eu não era um ator ou cantor para receber tudo isso, não era ninguém de importante realmente.

Coloquei o capacete em cima da mesa e tracei o entalhe de duas iniciais dentro de um coração na mesa. "D&Q". Isso eu tinha orgulho em afirmar que não havia feito com Felicity. Era brega demais. Até para nós dois na época.

E assim meus pensamentos voltaram para ela novamente. Era tão fácil. Quase automático. Eu sempre cogitava ela em todas as decisões que eu fazia me perguntando se ela iria gostar ou aprovar. Algumas vezes isso acontecia antes que eu conseguisse me parar.

Na apresentação Felicity parecia contida, porém não negava sorrisos á ninguém que passasse por ela. Nem mesmo a mim. Ela havia deixado Curtis e a representante da Wayne Enterprises, Alena Withlock, apresentar Arsenal para o conselho e havia passado a reunião apenas observando os membros do conselho ao redor da mesa de reunião.

Eu fiquei mais do que impressionado com o que ela havia conseguido fazer com um simples modelo de celular. Sabia que ela não era a única merecedora de crédito, mas quanto mais mexia em Arsenal mais achava pequenos toques que tinha Felicity escrito sob eles em vermelho néon gritante. Não fui o único a me impressionar, até mamãe ficou impressionada e isso era um pouco raro de acontecer.

Meu pedido foi chamado finalmente e eu levantei da mesa com meu capacete em mãos. Peguei o pequeno saco pardo com o logo do BBB e fugi para a saída de modo discreto e o mais rápido que pude.

Vesti o capacete e guardei o hambúrguer no compartimento do banco da moto.

Fui até a Praça Campbell e estacionei no meio fio. Tirei o hambúrguer do compartimento da moto e comi ali mesmo observando a pequena fonte jorrar água. Não tinha muitas pessoas ao redor, a maioria preferia ir caminhar dentro do Stanley Park do que ficar sentado aqui, mas eu gostava. Era mais tranquilo.
Mordi o hambúrguer e quase gemi. Estava mais gostoso do que o normal ou eu estava com mais fome do que o normal. Mais uma mordida. Olhei para o começo da avenida onde o trânsito havia começado a se formar e tracei uma rota mais rápida até a Verdant.

Era sexta-feira á noite. Talvez Thea estivesse se sentindo mais solitária que eu? Talvez ela tenha se resolvido com Roy antes de partir para o Canadá novamente?

Terminei o hambúrguer em mais quatro mordidas e quando ia me virar para a pequena porção de fritas, a caixinha se desequilibrou do banco e caíu do banco da moto e foi parar no chão.

— Merda. — xinguei e me abaixei para pegar.

A maior parte havia ficado dentro da caixa, mas algumas haviam escapado e se espalhado no chão. Me agachei e peguei cada um delas. Voltei a colocar a caixa em cima do banco e enrolei as que haviam caído no chão junto com a embalagem do hambúrguer e joguei tudo fora na lixeira mais próxima.

Essa ação me fez parar na posição em que estava.

Observei minha mão ainda segurando uma das batatas.

A aliança ainda brilhava como nova no meu dedo anelar direito. Eu não sabia porquê ainda usava, mas sabia que a sensação de não tê-la ali era pior. Sem ela eu me sentia exposto, nu. Sem ela ali só tornaria tudo real demais. Sem ela, Felicity realmente teria ido embora. Bufei para mim mesmo e levantei do chão.

Comecei a comer as batatas e não deixei o fato de Felicity ainda usar a dela também me afetar mais. Eu não sabia porquê ela não havia tirado a dela, mas sendo sincero nem eu e não estava em posição de julgar isso. Talvez ela tivesse acostumado com a sensação do anel do dedo e nem tinha percebido que ainda usava.

Sheldon disse que ela esteve em um acidente de carro por causa de um paparazzi atrás de fofoca para vender revistas. Por causa de mim. Não fiquei sabendo diso, porque assim que ela foi para Gotham, eu dispensei Anthony de continuar acompanhando o que ela estava fazendo.

O gosto das batatas em minha boca amargaram e agora superaram o uísque ruim de Laurel. Cuspi tudo na lixeira. Joguei o restante na mesma também. Me arrependi de não ter comprado alguma coisa para beber junto com o sanduíche, o gosto demoraria para sair da minha boca agora.

Também tinha Laurel e sua missão impossível de me fazer ir pedir desculpas para Tommy e recuperar um dos poucos amigos que eu tinha. Ela havia sido uma companhia bem-vinda nas últimas semanas. Nós, basicamente, falávamos apenas sobre trabalho. Ela nunca mencionou Felicity para mim, mas apostava que assim que conseguisse realizar a proeza entre mim e Tommy, Felicity seria o próximo objetivo. Ela tinha boas intenções e era uma boa amiga, á pesar de ser um pé no saco ás vezes.

Era assim que Felicity se sentia com Cooper?

As palavras dele estavam queimando na parte de trás do meu cérebro. Era onde guardamos nossa memória, certo? Eu realmente não me importava, mas não negava que elas havia tido um efeito em mim. A foto de Felicity encolhida no sofá era o que mais me assustava. Eu realmente achei que ela estava bem naqueles dias? Que ela estava ocupada demais com Cooper para atender uma ligação minha ou responder uma mensagem?

Deus.

Esfreguei meu rosto e montei na Ducati colocando o capacete.

—-

— Eu sabia que você iria acabar fazendo a coisa certa... — disse Sara no batente da porta do apartamento de Felicity. Ela estava sorrindo abertamente e com as mãos na cintura. — Mas alguém foi mais rápido que você.

— Cadê ela? — perguntei meio desconfortável com o capacete na minhas mãos.

— Sua mãe acabou de passar aqui e arrastar ela para um jantar á dois em um restaurante caro suficiente para deixar Felicity desconfortável, onde eu prevejo que ela vai ameaçar de modo passivo-agressivo a minha amiga e jogar a culpa do instinto maternal. Eu já vi o filme. — disse Sara me dando passagem para entrar.

— Minha mãe? — perguntei no mínimo surpreso com a notícia.

— Sim, sim. Ela tinha aquele mesmo olhar que usou com Laurel quando veio em casa uma vez, acusando minha irmã que ela tinha te jogado em um poço de bebida, drogas e escândalos. — Sara maneou sua mão como se não fosse nada demais e eu deixei meu capacete na mesa de jantar de Felicity. Ela se deixou cair no sofá e eu apenas caminhei até a janela. Eu conseguia ver a rua inteira dali. — Mas e aí? O que te fez vir aqui?

— Cooper. Ele pagou uma visitinha no meu escritório essa semana e deixou bem claro o quão idiota eu tenho sido. — eu admiti sincero e Sara gargalhou. — Ele também me contou que você sabia de tudo o que estava acontecendo...

— Sim, eu sabia.

— E?

— E o que?

— Por que não fez alguma coisa? — perguntei cruzando os braços e apoiando meu corpo na parede.

— Oliver, eu vou dizer isso com amor... Você e Felicity são completamente fodidos mentalmente e emocionalmente. — ela afirmou sorrindo um pouco. — Você teria me ouvido se eu tivesse ido até você e mandasse você arrumar a bagunça?

— Não.

— Exatamente. — ela piscou e eu me permiti sorrir um pouco. — Deixei essa parte com Dianna e Tommy que não iam conseguir se segurar e apenas esperei para agir com Laurel.

— Laurel?

— Alguém tinha que cuidar de você, enquanto eu cuidava de Felicity. Já que você e Tommy insistem em ficar brigados como crianças... Ela foi a melhor opção. — ela deu de ombros.

— O-O que?

— É bem simples, Ollie. Você e Felicity são bem parecidos. Vocês usam o seu emocional para decidir tudo na vida de vocês e quando vocês se magoam querem fugir e ignorar o porquê de tanta dor. Ela foi para Gotham e você se tornou o empresário do ano. — ela apontou. — Não percebeu que nesses três meses que vocês ficaram separados, o fato de seguir em frente com outra pessoa nem chegou a passar pela sua cabeça?

Fiquei em silêncio.

— Você sabe que ela é a mulher da sua vida. A futura esposa e mãe dos seus filhos. A coisa toda que vem com o amor, sabe? — ela perguntou e assentiu. — A raiz do problema começa aí, porque Felicity não sabia disso. Ela tinha pavor de casamento até achar o anel no seu closet, nunca pensou em ter filhos até você chegar...

— Não estou acompanhando. Desculpe. — eu interrompi ela e ela suspirou baixinho.

— Felicity não teve um suporte emocional quando estava crescendo e o único casal que teve como referência foram seus pais. O casamento falido e o até então abandono do pai fizeram um número nela. Por isso é tão independente assim e quando ela percebeu que estava começando a depender de você, o que acha que isso fez? — perguntou erguendo uma sobrancelha. — Ela entrou em pânico e teve uma crise existencial ou de identidade, eu nunca sei qual é o certo...

Ela olhou para o teto e eu para a janela.

— Aí ela decidiu jogar tudo para o alto e te pedir em casamento. Sabemos como isso terminou. No final, Felicity precisava de um porto seguro livre da sua influência na vida dela, por isso escolheu Cooper. Admito que até eu fiquei preocupada com a reaproximação deles no começo, mas agora eu consigo ver que não passa de amizade. Felicity até arranjou um encontro para o Cooper. — ela contou e depois riu levemente. — Por mais que me doa dizer isso, Cooper é o Tommy dela, Ollie.

Assenti levemente.

— Ela mudou nas últimas semanas. Parece mais resiliente, se é que isso é possível. — voltou a falar depois um tempo em silêncio.

Olhei para a janela mais uma vez e depois para a ponta dos meus sapatos.

— Não falo isso para você se sentir mal, Ollie. Eu sei que você sofreu também e ela é tão culpada quanto você. — Sara disse ao se levantar do sofá e vir até o meu lado.

— Eu poderia ter ido atrás dela.

— Sim, poderia. Assim como ela poderia ter tentado de novo. É uma via de mão dupla, Ollie. — ela assinalou. — Eu sou daquelas que acredita que tudo acontece por uma razão. Você está aqui agora, não está?

Assenti.

— Por mais que eu aprove a sua iniciativa, não tenho certeza se Felicity vai ficar feliz em ver mais um Queen hoje. Sua irmã foi uma vadia com ela, agora sua mãe está sendo... A sua mãe. — ela disse com um olhar significativo e eu ri levemente. — Você e eu vamos ir tomar um drink juntos e depois você vai para a sua casa pensar muito bem no que vai falar para ela amanhã e depois vai por em prática.

— Simples assim? — perguntei vendo ela vestir uma jaqueta de Felicity e pegando o próprio capacete e chaves da moto dela.

— Simples assim. Eu deixo essa mania de complicar tudo com vocês dois, só Deus sabe como vocês gostam de fazer isso. — ela disse me arrastando até a porta.

— O que quis dizer com Thea sendo uma vadia?

Sara apenas riu e abriu a porta para mim.

Notas finais
Moira está com Felicity que serviu como impedimento para um reencontro dos dois. Oliver quer voltar, será que Felicity quer o mesmo ou será que até nisso ela mudou? Saberemos mais no próximo capítulo! Espero que tenham gostado, eu senti falta de escrever pelo ponto de vista de Oliver e até tinha me esquecido como eu gosto de escrever na visão dele! Alguma teoria para mim? Algum conselho ou sugestão? Me digam nos comentários! Comentem! Indiquem! Recomendem! Favoritem! https://fanfiction.com.br/historia/736715/Dangerous_Love/ https://fanfiction.com.br/historia/740660/The_Perfect_Mommy/ Grupo do Facebook_ https://www.facebook.com/groups/1015217841832543/?ref=bookmarks (Respondam as perguntas e avisos quando solicitarem autorização para entrar no grupo!) L.W PS: Vamos bater #940 comentários? Ou mais uma recomendação? Leitores fantasminhas saiam do além e venham conversar comigo, prometo que não mordo! PS²: Venham conversar comigo no Twitter meninas, achei várias de vocês por lá! Meu nome por lá é @juju100_! Vamos conversar sobre Arrow, fanfics... Qualquer coisa! Estou começando a postar pequenos trechos e spoilers sobre minhas fics lá também, viu? ♥