Extreme Love

32 Capítulo 32


Notas iniciais
Ciao! Olá meninas, tudo bem com vocês? Espero que sim! E também espero que estejam preparadas para o próximo capítulo! Obrigada pelos comentários que vocês me enviaram no capítulo passado, eu li todos! Irei respondê-los assim que a fic for finalizada, okay? Avisos no final, como sempre! Boa Leitura!

Não foi bem novidade que a Queen Consolidated e a Wayne Enterprises iria se fundir para um projeto que arrecadaria bilhões de dólares, eu apenas lembro de ter encarado a tela do meu notebook lendo o e-mail longo demais que apenas dizia que eu seria a felizarda pessoa que teria que desenterrar algo muito bom que arrecadasse milhões de dólares para ambas as empresas com um orçamento inicial bem baixo em comparação ao que o departamento teve com a ECO-AD. Bem, eu não estava completamente sozinha nessa, mas a maior parte da responsabilidade seria minha.

Quando um dos representantes legais da Queen Consolidated sugeriu que a empresa tivesse um pouco do seu próprio pessoal no campo junto com o pessoal da Wayne Enterprises, eu nem hesitei. Me voluntariei no ato assim como Curtis que estaria á menos de uma hora de distância de Paul. Fomos para Gotham três dias depois da aprovação do conselho e a suíte de luxo no Deluxe se tornou minha casa por quase três meses inteiros. Éramos como espiões disfarçados. Além do departamento de Ciência Aplicadas, ninguém em ambas empresas encarava a pequena fusão como algo bom e rentável.

Estavam sendo além de céticos sobre o assunto por causa da antiga rivalidade.

Eu mudaria isso.

Era por isso que esse pessoalzinho em especial não ficava na parte de inventar e mudar o mundo tecnológico, apenas cuidavam da burocracia e as coisas chatas. A parte da diversão era nossa. Os nerds sabem melhor do que isso e um sempre acolhia o outro.

O laboratório da Wayne Enterprises era muito bem equipado, mas o pessoal que trabalhava lá? Não muito, e eu estava sendo gentil ao falar isso. Tinham lá suas exceções, mas elas não eram a maioria. Realmente a minoria.

A minoria que se resumia á duas pessoas.

Doía na alma ver aquele equipamento ser tocado sem cuidado e adoração merecida.

Algo que Alena Withlock concordava comigo mesmo sendo empregada pelo Wayne.

Quando eu fui apontada como chefe do projeto e pude escolher com quem queria trabalhar, Curtis foi minha primeira escolha. Eu sabia que teria que balancear entre as duas empresas, mas o que fazia um bom espião? Sua capacidade de ser neutro até a hora certa. Alena Withlock quebrou isso na primeira hora em que nos conhecemos e ela se tornou parte da equipe junto com Cooper que adorou a pequena promoção. Por mais que ele adorasse programar e codificar, eu sabia que ele sentia falta de estar dentro de um laboratório. Havia escolhido dois analistas da Queen Consolidated que poderiam trabalhar conosco diretamente de Starling apenas correndo testes e testando as defesas do nosso projeto e Alena apontou mais dois analistas do lado deles.

Boom. Nossa equipe estava formada. Tínhamos a contribuição da ajuda e consultoria do STAR LABS onde Sara e o Dr. Wells nos ajudavam quando necessário, mas eles preferiram não atuarem muito com a fusão entre as duas empresas. Ainda sim, as três empresas de tecnologia mais rentáveis e relevantes no mercado de tecnologia do país estavam trabalhando junto e vocês realmente pensaram que Guerra Infinita foi um crossover ousado?

Por três semanas inteiras eu me dividi entre estar na fossa por um coração partido e queimar cada neurônio meu atrás de uma ideia que juntasse á bateria ECO-AD com o novo sistema de segurança implantado pela Wayne Enterprises recentemente, o projeto JOKER.

Algo que foi fruto do humor negro de Bruce Wayne de acordo com Alena, mas ela não elaborou muito e eu realmente não quis saber. Eu não tinha uma boa impressão sobre o cara.

Já o nosso projeto em conjunto tinha que ser algo versátil, que atraísse o olhar do público, que fosse útil, que fizesse tudo se complementar mas que não dependesse muito de suas outras funções e que tivesse quatro cores diferentes.

Sem pressão alguma.

Alena e Cooper queriam fazer um tablet inteligente de primeira, mas por mais que eu amasse tecnologia também acreditava na teoria da revolução das máquinas e vetei a ideia na hora. Curtis queria fazer uma versão mais evoluída do Apple Watch, mas qual é... Palmer Tech já havia feito isso. Mesmo que chegasse a ser melhor que ambos seríamos tachados de plagiadores na hora. Eu queria algo realmente novo ou algo que pudéssemos realmente inventar e lançar uma marca sobre esse algo com a cara das duas empresas e que de quebra arrecadasse números altos e marcasse o nome de todos no projeto.

Ao conhecer Lucius Fox e superar o pequeno surto de fã que eu tive ao ver ele nos esperar no laboratório no primeiro dia, eu vi que ele fazia jus aos rumores com seu nome. Sua mente era brilhante, mas sua verdadeira vocação era ensinar e foi o que ele fez com todos nós ali. Ensinou. Ele sempre fazia perguntas com um tom de voz que nos fazia questionar todo o progresso que tivemos e começar a cogitar outras rotas e saídas possíveis até nos lembrarmos porque havíamos escolhido aquilo e daquele jeito. Ele tinha projetos particulares que trabalhava sozinho ou até mesmo com o próprio Bruce, mas sempre abria limpava sua agenda para nos visitar ou apenas andar ao redor do laboratório soltando piadas de nerds ou alguma citação de Star Wars.

Na verdade, foi em uma dessas, logo na altura de quase três semanas completas em que estava Gotham, que Arsenal surgiu em minha cabeça. Estávamos todos reunidos no laboratório tentando desenhar um esboço de um software que comportasse JOKER e mais alguns amiguinhos que Alena e Cooper estiveram trabalhando juntos antes da fusão das empresas.

— Nós realmente levamos apenas 2 meses e meio para criar e testar isso? Ainda parece surreal. — disse Alena gesticulando para os aparelhos em cima da mesa de conferências. Cada membro teria um para pegar com suas próprias mãos, eu havia insistido. Olhei para Alena que estava usando um vestido social preto lindo que atraía o olhar de Cooper para a bunda dela tantas vezes que eu já havia perdido a conta. Ela estava suando. — Será que foi assim que minha mãe se sentiu quando eu fui pra faculdade?

— Possivelmente. — concordei e ri levemente e depois suspirei internamente.

Depois de dois meses e meio criando, testando, modificando e testando novamente e quase desistindo... Arsenal estava pronto. E tinha quatro cores. Preto, vermelho, verde e cinza. Todas as cores eram em tonalidades escuras e foscas porque de acordo com Curtis, adicionava personalidade á coisa toda.

Sim, era um simples celular.

Era um simples celular que atendia todas as necessidades comuns, seu sistema era o melhor dos dois mundos entre iOS e Android, ele tinha quatro câmeras, biometria, reconhecimento de voz, etc. Ele era lindo e perfeito por fora, mas o verdadeiro ouro estava dentro da máquina. Um ouro que ninguém podia ver. Arsenal possuía uma versão júnior da ECO-AD, o sistema de segurança JOKER e ainda por cima, ele tinha Speedy.

Uma prima distante da Siri só que bem mais descolada e personalizável.

Ela era o nosso ouro e nosso maior diferencial.

Amém Thea Queen por isso.

— Estou nervosa. — disse Alena e eu ri mais uma vez.

Ela perdeu no jokenpo e iria fazer a apresentação do produto com Curtis. Eu odiava falar em público assim como Cooper e que jeito era mais fácil e diplomático de resolver as coisas do que jokenpo? Ela havia perdido e iria apresentar junto com Curtis que era o carisma em pessoa. Ambas empresas estavam muito bem representadas.

— Se vocês dois não os convenceram, os biscoito de Felicity vão. — disse Cooper de boca cheia se apoiando na mesa de reunião.

Ele havia desenterrado seu terno do fundo do armário e penteado o cabelo. Estava bonito e eu também havia perdido o número de vezes que Alena havia encarado ele. Diferente de Cooper, ela era discreta e sabia disfarçar muito bem, mas eu ainda era muito perceptiva do mesmo jeito.

— O que você colocou aqui?

— Farinha, ovos, leite, açúcar... — disse em voz alta caminhando até o janelão onde eu conseguia ver boa parte de Starling City e seus arranhas-céus, éramos o mais alto do estado inteiro, o que já dizia muito.

— Crack também. — adicionou ele de boca cheia e eu sorri.

— Á gosto. — eu rebati e sabia que ele estava sorrindo agora, mesmo de costas.

Eles começaram a conversar sobre os últimos detalhes e eu suspirei levemente. Eu havia me acostumado com o céu nublado de Gotham sendo minha visão diária e agora voltar para Starling City onde fazia Sol todos os dias eram um pouco fora do comum.

Para ser sincera, eu nem sabia o que era o meu comum mais. E isso era patético.

Yay, primavera

— Você está bem? — perguntou Curtis vindo até mim. Ele estava usando um terno também, mas o seu era azul petróleo e bem mais elegante que o de Cooper.

— Sim, apenas nervosa. Nós realmente damos sangue, suor e lágrimas em Arsenal, não quero que seja tudo em vão. — eu disse e Curtis assentiu, concordando.

— Por um momento pensei que estava nervosa em ver Oliver depois de quase três meses longe. — ele disse baixinho e eu sorri triste. — Você planeja em conversar com ele?

— Já tentei isso Curtis. Não deu muito certo. — eu disse e me virei para Cooper e Alena mais uma vez dando fim á uma conversa que eu tenho tido comigo mesmo á mais tempo do que três meses.

Caminhei até o banheiro do corredor e tranquei a porta depois de verificar que as duas cabines estavam vazias. Apoiei minhas mãos na pia de mármore rosa pálido e respirei profundamente duas vezes. Depois disso, encarei meu reflexo no espelho enorme.

Eu estava linda. Eu me sentia linda.

Estava usando uma blusa de cetim de alças branca com um blazer rosa por cima, saia preta e saltos rosa combinando. Parte de mim queria arrancar pelo menos uma reação de Oliver hoje por isso usei minhas armas ao meu favor. Meu cabelo estava completamente loiro novamente já que o tempo úmido de Gotham não ajudou em nada meu pequeno passeio pelo mundo das mechas pink. Eu havia cortado ele na altura dos ombros, mas ainda conseguia prender ele em um rabo de cavalo. A maquiagem estava mínima. Os saltos acentuavam minhas pernas, a saia que tinha uma fenda estrategicamente colocada na frente e no meio que exibia minhas duas pernas conforme eu andava, mas sem revelar demais acentuavam ainda mais. A blusa de cetim e o blazer era apenas algo para dar um ar mais profissional.

Lavei minhas mãos e pressionei a água fria em minha nuca levemente e em minha testa sem me importar com a minha maquiagem por alguns segundos até lembrar dela e tentar arrumar a bagunça que havia feito. Não foi um desastre total.

Depois de recomposta, respirei fundo mais uma vez, endireitei os ombros e voltei a sala de conferências que já estava lotada de pessoas se acomodando em suas cadeiras e conversando entre si.

Ignorei Oliver mesmo ele sendo a primeira pessoa que havia reconhecido.

Puxei a porta transparente e sorri para quem olhou para mim.

Alena, Curtis e Cooper ficaram no final da mesa. O único assento disponível era a direita da cabeceira onde Oliver estava sentado. Todos os outros estavam ocupados e eu culpei Moira Queen por isso. Ela sempre fez questão de sentar perto do filho, logo hoje ela decide ficar entre Adrian Chase e Lucius Fox? Com o mesmo sorriso no rosto, eu caminhei até lá e cumprimentei todos.

Oliver acenou levemente pelo bem das aparências e eu retribuí.

Ele parecia calmo e estava usando um dos seus ternos que eu mais gostava. Era azul escuro que destacava seus olhos com uma gravata preta. Seu cabelo estava bem maior do que da última vez que nos vimos assim como sua barba. Fiquei com vontade de passar a mão por ali, mas me contive. Então agarrei a borda da mesa. Ele estava usando uma das expressões que fazia depois de termos transado em um banheiro e tentava aparentar inocência.

Eu não sabia o que pensar sobre isso. Eu nem queria pensar sobre isso.

A reunião começa e assim que Alena junta coragem para começar, Bruce Wayne entra na sala de reunião e desliza sentado em uma cadeira de rodinhas e fica ao lado de Oliver revira os olhos sem se dar ao trabalho de disfarçar seu desconforto com o outro jovem bilionário, mas dá espaço para ele e fica ainda mais perto de mim. O Sr. Wayne não disse uma palavra, nem um cumprimento sequer, apenas ficou jogando uma bolinha amarela para o alto, enquanto Alena começava a falar.

Eu já havia decorado tudo que Alena estava falando, todos os slides que Curtis explicava. Quando eles acenaram para os celulares que tínhamos em mãos, todas as telas se iluminaram em sincronia, eu consegui ver exatamente o momento em que sabia que eles haviam comprado a ideia. Cooper também.

Ele deu uma piscadela para mim. Alena também. Ela me deu um polegar positivo discreto. Curtis ainda não, porque estava colocando a nossa ideia para o primeiro comercial de Arsenal.

Sim, nós tínhamos feito o trabalho completo.

Depois Alena entregou o seu aparelho para Bruce que apenas acenou em sua direção.

Eu não gostava dele.

— Okay. Eu me vejo ficando bilhões mais rico com isso. — disse Bruce Wayne deslizando seu dedo pela tela de um Arsenal preto. — Merda, eu pagaria alguns milhões por isso. Você não?

Oliver assentiu sem dar muita atenção ao seu mais novo sócio e continuou fuçando no celular ainda em suas mãos. Toda vez que ele comprava qualquer coisa, tecnológica ou não, ele fuçava tudo até saber e ver o que tinha e o que não tinha. O que agradava e o que não agradava. O que era útil e essencial e o que não era.

Com o orçamento que Bruce e Oliver liberaram, conseguimos fabricar apenas cinco unidades de Arsenal de cada cor. Todos feitos pelas nossas próprias mãos e as de Cisco Ramon que Deus o abençoe imensamente e abençoe ainda mais suas mãozinhas mágica. Eu olhei cada membro do conselho se maravilhar com o celular em suas mãos, até mesmo Moira parecia impressionada. Isso já havia feito meu dia.

— Você fez isso? — perguntou Oliver em voz baixa ao tocar em meu joelho com o próprio.

Eu assenti levemente lutando contra a necessidade de ganhar a aprovação dele nisso.

Oliver não estava olhando em meus olhos, estava encarando a tela do aparelho em suas mãos que por sinal era verde, sua cor preferida. Ele estendeu uma mão em minha direção, mas congelou quando Bruce xingou para si mesmo animado ao seu lado.

— Felicity...

— Cacete! Isso é muito bom!

— Srta. Smoak? Você se superou! — elogiou Moira e eu corei. — Eu sempre fui pessimista em relação á Ciências Aplicadas mas primeiro o sucesso com a ECO-AD e seus dependentes, e agora isso?

— Em ambos os casos, não foi apenas eu. Curtis, Alena, Cooper merecem o crédito tanto quanto eu. — eu respondi e elogios foram jogados através da longa mesa de engravatados.

Percebi que os dois pratos de biscoitos estavam vazios também. Sucesso completo.

—-

— Ahm, por que o seu chuveiro é tão quente? Sinto que a minha pele vai derreter toda vez que entro debaixo da água. — Cooper disse saindo do banheiro vestindo jeans e meias enquanto secava seu cabelo com uma de minhas toalhas de bolinhas.

— Ahm, por que você não vai tomar banho no seu apartamento e reclamar do seu chuveiro ao invés do meu? — perguntei sem parar de digitar o e-mail para Rory, meu assistente do qual eu senti muita saudade.

Eu havia concedido férias para Rory enquanto estava em Gotham. Não férias literais, porque se não o departamento de Recursos Humanos iria querer meu lindo e vermelho sangue, mas férias em algum sentido. Os três meses que fiquei em Gotham trabalhando em Arsenal, Rory havia ficado em casa fazendo seu trabalho no conforto de seu sofá com seu notebook. Trocamos bastante emails e eu ainda tinha uma carga de trabalho á fazer toda semana já que era a chefe de um departamento inteiro e Arsenal não era o único projeto do ano da Queen Consolidated. Tínhamos alguns brinquedos preparados para caridade, para o exército, e é claro, para fazer bastante dinheiro.

Tudo isso precisava do garrancho da minha assinatura para acontecer de verdade.

Poder, huh?

Rory me ajudou muito enquanto estava fora e agora que havia voltado, precisaria daquela ajuda novamente. Ainda mais se Arsenal for aprovado mais rápido do que planejei.

— Hey! Você ficou comigo na minha casa por um tempo! Ingrata! — bradou ele ainda secando seu cabelo e eu revirei os olhos.

— Cinco dias, Sheldon. Cinco dias. — eu disse e anexei alguns documentos ao e-mail antes de apertar "Enter". — Você está aqui á uma semana e meia. Nem foi para casa desde que voltamos de viagem, e nós dois sabemos o porquê.

— Por que eu te amo e quero continuar cultivando nossa amizade resgatada? — perguntou indo até a minha lavanderia e pendurando a toalha molhada.

— Porque você quer entrar na calcinha de Alena Withlock, mas podemos ir com a sua desculpa. Vai me fazer sentir especial e você vai dormir com o resto da consciência que tem tranquila. — eu disse abaixando a tela do meu notebook.

Encontrei o olhar de Cooper que estava me fitando enquanto bebia um copo de água.

— Qual é... Todo mundo sacou que você está afim dela! Todo mundo menos a própria Alena, claro.

Ele continuou bebendo.

— E ela está afim de você também, por sinal. — continuei sorrindo.

Ele continuou bebendo.

— Apenas chame ela para sair. Comer Big Belly. Ela adorou! E quem sabe um passeio no Stanley Park? Aposto que ela vai gostar já que cresceu em Nova York! — eu sugeri e ele me ignorou. — Cooper, eu sei que a água do copo já acabou.

Ele abaixou o copo finalmente.

— Por que não se arriscar? — perguntei e ele ergueu uma sobrancelha para mim.

— Pelo seu histórico, você não é a pessoa mais indicada para pregar sobre isso para mim Lis. — ele disse e eu revirei os olhos.

— Não posso controlar o resultado, mas controlo as tentativas. E se formos comparar, eu ganho de você de lavada. — eu disse. — Apenas pense sobre isso, okay? Vou tomar banho e tentar secar o alagamento que você provavelmente deixou no meu banheiro.

Antes de fechar a porta do banheiro, eu sorri ao ver Cooper encarando seu telefone no balcão. Esses dois eram ridículos juntos, Curtis e Lucius concordavam comigo nisso.

Tirei meus óculos e me despi completamente. Evitando as pequenas poças de água deixadas por Cooper que não respeitava o limite da cortina do banheiro, eu liguei o chuveiro e entrei debaixo do jato quente. Minhas costas e meus braços relaxaram depois de alguns momentos e eu senti toda a tensão acumulada nos últimos meses ir pelo ralo junto com meu suor e sujeira corporal.

Lavei meu cabelo com meu shampoo favorito e usei o sabonete de bebê para me lavar inteira. Fiquei um pouco mais do que necessário debaixo do jato e saí me enrolando em uma toalha fofinha que fazia par com a que Cooper havia usado mais cedo. Eu teria que aquela outra depois que ele fosse embora.
Sequei o desastre hídrico que ele havia deixado e joguei minhas roupas no cesto de roupa suja. Peguei meus óculos em cima da pia e fui para o meu quarto deixando a janela e a porta aberta para o vapor sair e não estragar o papel de parede. De novo. A caminho do quarto vi Cooper na minha minúscula varanda no meio de uma ligação com um sorriso tímido no rosto.

Parece que alguém teria um encontro no horizonte.

Chequei as horas e corri para me arrumar. Havíamos voltado para Starling há nove dias já. A apresentação tomou boa parte da semana, e eu dormi o restante dela para tentar compensar as noites em claro. Ainda estava devendo algumas horas, mas eu tinha que ver Sara hoje. Tínhamos marcado esse jantar há, literalmente, meses atrás e eu não poderia remarcar, se fizesse isso apenas iria perder mais uma amiga.

Me enfiei dentro de um conjunto sóbrio e básico de lingerie, seguido por meu jeans preto favorito. Sara sempre disse que minha bunda ficava linda nele. Coloquei uma blusa de alças azuis de cetim que eu sabia que realçava meus olhos e um par de sapatilhas de panda que eu também amava. Sequei meu cabelo na velocidade da luz, limpei meus óculos e preparei uma pequena bolsa para a noite. Identidade, dinheiro, um batom, minha bombinha e uma camisinha. Encarei a camisinha que estava na minha carteira há um bom tempo e vi que já havia expirado assim como a minha vida amorosa e sexual.

Tentei segurar, mas o suspiro derrotado e frustrado escapou.

Eu não transava a mais de três meses.

A última vez fora com Oliver, óbvio, e tudo começou com uma seção de amassos no sofá extra confortável dele que evoluiu para uma transa memorável no tapete fofinho que eu havia escolhido para sua sala de estar. Eu lembrava vividamente porque passei pelo menos quarenta minutos tentando esconder os pequenos hematomas que Oliver havia deixado em mim com corretivo e pó compacto. Estava calor demais naquele dia para usar uma echarpe ou um lenço, todo mundo notaria que algo está errado e eu realmente não precisava de mais ninguém pregando sobre nepotismo nos corredores da Queen Consolidated.

Joguei a camisinha no lixinho que eu tinha do lado da cama e me perguntei se Oliver... Nope. Não. Não posso. Por essa estrada não. Vire o seu barquinho porque aquele navio já partiu e deve ter atracado no meio de vários par de pernas nos últimos meses.

Argh!

Peguei um casaco e meu celular no caminho até a porta. Acenei para Coop que retribuiu e fez o sinal de "Me liga" mesmo ainda no meio de sua ligação. Deus. Ele conseguia ser um melhor amigo tão bom, mas era irritante sua nova postura de irmão mais velho. E estranha também porque eu já havia transado com ele. Urgh. Incesto?

— Eu preciso de terapia... — disse para mim mesma ao descer as escadas já que no meu prédio não tinha elevador.

Outra coisa que Cooper havia reclamado mesmo morando em um prédio bem similar ao meu. Quando eu o confrontei com esse argumento ele disse que usava boa parte do dinheiro dele para investir e comprar metade de uma filial da Tech Village todo final de mês, mas que eu ganhava muito mais e podia até ser vizinha de Oliver se quisesse.

Era verdade, mas ter muito dinheiro sempre me intimidou. Quando a boutique de mamãe deslanchou em sucesso, tudo havia mudado em minha vida. Drasticamente. Eu não havia gostado muito, mas logo me mudei para Boston e não tive que experienciar muito a loucura dela com dinheiro. Quando eu ganhei minha primeira Expo, que era uma espécie de feira de ciências no MIT, além de um troféu ganhei um cheque de cinco mil dólares. Na segunda vez que ganhei, foram dez mil. Eu sabia administrar bem o meu dinheiro, mas se não fosse atingida por uma onda de epifania que raramente vinha me visitar, eu não mexia na minha conta bancária.

Eu tinha um teto. Um chuveiro quente. Comida suficiente. Roupas suficiente. Talvez não tivesse sapatos suficiente, mas meu raciocínio não é nada absurdo e muito menos ilógico.

Consegui um táxi mais rápido do que pensar na possibilidade de chamar um Uber e fui direto para a Verdant. Sara havia escolhido a boate da minha ex-cunhada para celebrarmos meu projeto bem sucedido e a promoção dela.

Assim como eu, Sara era a chefe de seu próprio departamento agora.

Yay, girl power.

Não foi difícil encontrar ela já que a mesma estava me esperando na porta ao lado de um segurança com um vestido azul com decote cavado que iria atrair todos os olhares. Todos, mesmo. Os dois conversavam alegremente, pareciam se conhecer até, enquanto a fila continuava crescendo até a primeira saída do quarteirão.

Sara me viu e acenou animadamente, eu sorri ao sair do carro e fui direto até ela.

Nos abraçamos. Bem forte. Senti falta dela. Senti falta disso.

— Smoak! Parece que não nos vemos á eras! — ela disse e eu ri apertando ela ainda mais. — Eu não sabia que podia sentir tanta falta de uma pessoa assim!

— Ninguém sabe o que tem até perder por alguns meses. — eu disse brincando e ela me segurou pelos ombros com um olhar bem penetrante.

— Você está proibida de ir em outra viagem assim por tanto sem mim. — ela disse e eu assenti. — Agora, você está mais do que liberada para beber!

Jogando um braço por cima dos meus ombros e ignorando os protestos vindo da fila, nós entramos para dentro do pandemônio que estava o atual status da Verdant. O DJ estava a todo vapor, a pista de dança lotada. Alguns grupos se reuniam em mesas ou perto do bar.

Risadas e gritos vinham de todos os lados.

Uau. Isso me trazia memórias.

— Estamos na área VIP! — ela exclamou apontando para uma escadaria e eu a segui indo em direção ao topo dos degraus.

— Por que? — perguntei levemente receosa recebendo a pulseira verde néon que dizia "VIP" e ela riu recebendo a sua também.

— Porque nós podemos, Smoak! — ela rebateu.

A música continuava alta, mas o ambiente pequeno e reservado havia deixado de ser claustrofóbico e esmagador. Sentamos em um par de poltronas de veludo verde menta mais do que confortáveis e Sara pediu nossos drinks.

— Okay. Comece a contar!

— O que? Aqui? Agora? — perguntei olhando ao nosso redor e depois ri.

— Sim! Por que não? Eu prefiro saber de todos os detalhes enquanto estou sóbria! Eu vim para Starling para transar, te ver e trabalhar um pouco. Não necessariamente nessa ordem! — ela disse e recostou em sua poltrona apoiando seu braços na mesma com um sorriso enorme.

Sara estava brilhando. Literalmente brilhando. Ela parecia tão feliz. Eu tinha certeza que a minha volta a cidade não era o motivo principal, mas apenas um dos motivos pelos quais ela estava assim. Não iria pressionar hoje, mas quem sabe amanhã? Nós duas estaremos com uma ressaca horrível de qualquer jeito.

— Okay. Eu viajei para Gotham e nos primeiros dias odiei o lugar. Chove o tempo inteiro! É nublado demais! O Sol nunca aparece e eu aposto que a sensação térmica só aumenta por causa do número ridículo de fábricas ainda ativas naquela área. As pessoas confundem vapor com calor. — eu disse e Sara riu. — A empresa pagou a minha hospedagem e a de Curtis em uma suíte no Deluxe...

— Oh, que chique. — ela disse e uma garçonete trouxe nossas bebidas.

Uma azul e outra vermelha. As duas vinham com um morango e um blueberry espetados. Eram versões alternativas de um Cosmo ou Martíni? Nunca fui uma fã de mixologia, mas confesso que fiquei curiosa agora.

Sara pegou o drink vermelho e eu fiquei com o azul.

— Ao seu sucesso, Smoak! — Sara disse e nós brindamos.

— Chique? Sim. Mas depois das primeiras semanas, ele passou a ser apenas uma cama para eu dormir. Passei a maior parte do tempo no laboratório da Wayne Enterprises com Curtis, Alena e Cooper. — eu disse e beberiquei um pouco do meu drink colorido.

Surpreendentemente, não tinha álcool algum. Era bem cítrico e de cor engraçada, mas zero álcool. Tomei um gole maior e anotei isso como mais um fato estranho, dei uma boa olhada em Sara que estava brincando com seu morango espetado com um ar tranquilo.

Todas as nossas noites de garota tinham álcool envolvido, era quase uma lei dela.

O que infernos está acontecendo aqui?

— Eu ainda estou tentando entender como isso aconteceu. Essa amizade entre você e Cooper. Não sou tão inteligente como você, Lis, mas eu sou inteligente dentro do meu próprio parâmetro e ainda não achei nexo nessa parte... — ela disse e colocou seu drink de volta na mesa já pela metade.

— Eu também não entendi no começo, mas sempre que eu precisei... Ele esteve lá. Ainda não o perdoei completamente pela traição, mas entrei em paz com o fato que aquilo é parte do meu passado. Tudo que quero de Cooper agora é amizade e ele quer a mesma coisa. — eu disse e dei de ombros. — Somos péssimos namorados um para o outro, mas somos os melhores amigos do mundo.

— Sério?

Sara ergueu uma sobrancelha para mim e eu revirei os olhos para ela.

— Eu não transei com ele, Lance! Eu sou uma boa amiga e sou fiel! Para provar que eu sou uma ótima amiga, eu consegui que ele chamasse uma garota para sair hoje antes de vir para cá. — me vangloriei um pouquinho e depois ri.

Sara bateu três palmas espaçadas com um sorriso largo em seu rosto.

— É tão fácil com ele, Sara. Eu posso ser eu mesma, ele simplesmente me entende de um jeito estranho, mas nada assustador demais. Ele sabe quando eu preciso pensar ou ficar sozinha. Quando eu preciso de um ombro pra chorar ou comida de conforto. Ele sabe a hora certa de me chamar atenção quando estou sendo uma vadia com os outros ou ele... É estranho, mas é um estranho bom. — ri e voltei a beber.

— Pareceu mais uma declaração de amor...

— Se estou apaixonada por ter meu melhor amigo de todos os tempos de volta? Merda, pode ter certeza que sim! E vou ficar ainda mais quando ele levar Alena para transar no apartamento dele e lembrar que ele tem a própria casa... — eu disse abaixando minha taça. — Ele alaga meu banheiro toda vez que toma banho!

Sara riu e a primeira rodada acabou. Eu pedi a segunda.

— Você conversou com Dianna? — perguntou e eu neguei levemente.

Sabia que esse tópico chegaria em algum momento da noite. Eu sabia todos os tópicos que Sara iria querer mencionar, mas ela estava sendo gentil o suficiente e deixando Oliver por último. Eu amava isso nela também. Sara sabia ser sutil. Na maior parte do tempo, claro.

— Eu já liguei, já mandei mensagens, e-mails e cartas físicas com flores e ursinhos de pelúcia. Curtis já tentou falar com ela. Nada. Nadinha. Eu fiz minha parte e não vou me sentir mal por isso. — disse em voz baixa, mas com um tom firme que havia adquirido toda vez que alguém questionava alguma decisão minha na empresa pelo simples fato de eu ser mulher. E o bônus do cabelo loiro não ajudava a quebrar os esteriótipos.

— Ela me cortou também. Quando vocês brigaram ela apareceu no meu apartamento chorando e me contou a versão dela do que aconteceu. Disse que Cooper estava te manipulando outra vez e que você não enxergava isso. — Sara revirou os olhos. — Eu ouvi tudo e ofereci um drink para ela que foi mal-interpretado. Ela, basicamente, havia ido até minha casa para eu dizer que ela estava certa e para que nós transássemos depois.

— Ouch.

Foi a única reação que eu conseguia expressar já que meu drink havia acabado para eu cuspir ou engasgar de choque como nos filmes e séries. Sara maneou a cabeça como se tivesse esperado esse tipo de reação.

— Ela foi embora bem desapontada naquela noite e nunca mais falou comigo ou me olhou na cara no trabalho. Não posso dizer que sinto falta agora que estamos em departamentos diferentes, Dianna era um pouco grudenta demais e nós duas nunca fomos exclusivas. — Sara pontuou e nossas bebidas chegaram agora pela mão de um garçom latino bonitinho que saiu piscando para nós duas. — Pode me contar o que realmente aconteceu?

Respirei fundo e bebi um gole grande depois de comer o blueberry espetado.

—-

Flash-Back — On

— Você está fugindo Felicity!

— Não estou! Estou viajando a trabalho. — eu corrigi enquanto continuava a dobrar as roupas e colocar dentro da mala.

Dianna começou a andar de um lado para o outro. Ela tinha vindo direto para o meu apartamento quando eu voltei para casa e comecei a retornar as ligações de todo mundo. Ela já estava irritada e ainda persistia no fiasco que tive com Oliver que fora á 37 horas atrás.

— Fugindo.

Trabalhando. Pode parecer um pouco estranho para você, mas eu consigo separar as coisas. Oliver pode ser meu ex-namorada, mas também é o meu chefe. O conselho me escolheu para ir, e eu vou! O que tem demais nisso? — perguntei indo até o banheiro para pegar alguns itens para levar como shampoo e desodorante.

— Felicity, você está fugindo! Você e Cooper terminaram, você fez o que? Fugiu para Central City. Você e Oliver terminam e você faz o que? Foge para Gotham! — ela disse e eu agarrei as portinhas do gabinete na pia tentando resistir a tentação de jogar um dos sabonetes em barra na cabeça de Dianna para ela parar de falar um pouco.

— Lewis, esse é o meu trabalho de que estamos falando. Meu ganha pão. Estou vivendo, literalmente, o ápice da minha carreira agora. Não vou jogar fora essa chance. — disse começando a montar uma necessaire com os meus artigos de higiene pessoal. — E Gotham não vai ser de todo ruim, eu vou conseguir respirar um pouco longe da loucura de novo. Ter espaço e um tempinho para mim...

— Oh sim. Os últimos seis dias que você, simplesmente, sumiu não foram suficientes, certo? — alfinetou ela e eu suspirei levemente. Eu merecia essa, mas meus argumentos eram melhores que os dela no momento. Ela só estava irritada de ter sido deixada de fora desta vez. — Felicity, você não tem consideração nenhuma com os seus amigos.

— Por favor repita essa frase novamente. — eu disse me levantando do chão e deixando a necessaire de lado.

— Você me ouviu. Você não tem consideração alguma com os seus amigos. Eu e Curtis nos descabelamos atrás de você. Quase envolvemos a polícia! E aonde você estava? No apartamento de Cooper Sheldon! — ela soltou uma risada forçada. — Eu achei que você teria mais consideração comigo já que eu te ajudei com Oliver, com seus pais...

— Eu mandei emails para Curtis avisando que eu estava viva e precisava de um tempo! Todos sabiam que eu estava bem e precisava de espaço! E eu nunca pedi ajuda com Oliver! Nós apostamos algo ridículo e você sabe disso. E eu também nunca pedi ajuda com meu pai, você se voluntariou! — eu rebati e ela cruzou os braços. — E olha onde nós estamos agora. Continuo solteira e continuo tendo apenas um pai.

— Agora é minha culpa que você não conseguiu manter seu relacionamento com Oliver e ter uma conversa civilizada com seus pais? Desça desse pedestal, Smoak. — acusou ela e foi a minha vez de rir.

— Não é sua culpa. É minha. Tudo que está acontecendo agora são reflexos de minhas escolhas e eu não arrependo de nada. É a minha vida. — eu disse com firmeza. — E eu estou escolhendo ir para Gotham pelo bem da minha carreira e sanidade!

— Correção. Você está fugindo porque é covarde demais para enfrentar as consequências das suas escolhas.

— O que eu tenho que enfrentar ainda para você? Eu peguei meu namorado pedindo a ex dele em casamento, eu voltei para conversar com ele e terminamos. Eu tentei conversar com meus pais civilizadamente e isso não funcionou. Briguei com a minha mãe, mas agora estou acompanhando a fodida terapia dela. Continuo tentando construir um relacionamento com meu pai e duas irmãs que nem sabia que existiam, com um bônus de um primo. Superei Cooper e agora somos amigos de novo. — enumerei nos dedos. — O que mais eu tenho que enfrentar? Quais as consequência que estou fugindo?

— Você está fugindo de Oliver.

— Não estou, porque foi ele que me mandou embora! — gritei perdendo a paciência. — Dianna não estamos dentro de um de seus livros. Você não é a minha fodida fada madrinha. Supere. Porque eu já comecei a superar e Gotham é apenas um dos passos.

Ela decidiu ir embora ao ver que não teria a palavra final.

Suspirei e fui até a minha estação onde Cooper havia se refugiado quando Dianna ligou avisando que iria fazer uma visita. Ele estava sentado em minha cadeira e assistia um episódio novo de Lúcifer com um balde de pipoca na mão. Sentei ao seu lado no meu banquinho reserva e ele apenas me ofereceu pipoca. Não comentou sobre nada do que, provavelmente, ouviu Dianna e eu gritando.

Eu comi a pipoca então.

Flash-Back — Off

—-

— A história que ela contou tinha mais algumas cenas e mais diálogos, mas eu não me surpreendo. Dianna sempre gostou de ser o centro. Não das atenções, mas sim das pessoas. — disse Sara e ela olhou para cima como se estivesse procurando as palavras certas, nesse meio tempo eu bebi um pouco mais. — Ela sempre gostou de ser aquela pessoa que é procurada, sabe? Ela gosta quando as pessoas pedem ajuda á ela ou conselhos.

Assenti levemente.

— Na minha opinião, ela se sentiu traída por você não ter discutido Gotham com ela antes de decidir do mesmo jeito que ficou quando ficou sabendo na reunião bimestral do Dr. Wells que eu assumiria o departamento de biomedicina... — Sara revirou os olhos então e bebeu.

Desviei meu olhar para a pista de dança debaixo de onde estávamos e limpei minha mente de tudo relacionado á Dianna. Eu havia ido atrás dela e pedido de desculpas, a minha parte estava feita e eu não ficaria choramingando pelos cantos pedindo migalhas de atenção.

— Chega disso. Vamos dançar! — disse Sara se levantando após secar seu copo e usar o começo de uma nova música como deixa. Era Lady Gaga, então vocês podem ter uma ideia de onde isso vai parar.

Eu virei meu copo de uma vez e deixei minha bolsa e meu casaco para trás junto com a bolsa de Sara e descemos para a pista de dança. Fomos de Lady Gaga até Dua Lipa até Ariana Grande e depois foram apenas batidas eletrônicas em ritmos estranhos, mas eu não estava reclamando. Sara estava se divertindo e flertando com todas as meninas que passavam por nós.

Quando senti um par de mãos em meus quadris me puxando para trás contra outro quadril bem masculino, tensionei meu corpo inteiro e agi por reflexo. Empurrei meu quadril pra frente e depois recuei com toda a força que tinha, torci um dos braços que estava se estreitando para o botão do meu jeans, dei uma joelhada na virilha e soquei o rosto que apareceu na minha linha de visão. O cara estava no chão em questão de segundos. Foi tudo muito rápido. Observei o homem loiro caído no chão dividido entre segurar seu nariz ou a virilha que deveriam estar doendo horrores agora.

Papai ficaria orgulhoso quando eu contasse isso na nossa próxima ligação.

— Vadia! — gritou ele ainda no chão.

As pessoas ao nosso redor na pista de dança não se importaram com o que estava acontecendo, apenas continuaram dançando. Sara veio até meu lado deixando uma garota de cabelo azul de lado, e depois dela dois brutamontes com camisas pretas apertadas e escutas de plástico nas orelhas.

— Ele está te incomodando senhorita? — perguntou um deles com a voz grossa.

— Sim. Ele tentou me agarrar. — eu disse alto suficiente para ele ouvir através da batida da música.

— Foi legítima defesa. — argumentou Sara se aproximando ainda mais de mim.

Eles assentiram e se voltaram para o peso morto no chão.

— Vamos Jackson. Fim da linha pra você. Andando. — disse o outro brutamontes erguendo o cara loiro e nojento do chão.

Eles conheciam esse babaca?

— Algo me diz que essa não foi a primeira vez que isso aconteceu... — disse Sara erguendo uma de suas sobrancelhas e eu assenti. — Você quer ir embora?

Me senti mal por querer dizer sim na hora, mas acenei com a cabeça e puxei ela para dançar a música latina que havia começado. As pessoas voltaram a dançar ao nosso redor e Sara voltou a sorrir. Isso que importava no atual momento.

Depois de mais duas músicas fomos para o bar onde estava bem mais tranquilo e Sara pediu shots de tequila para a nossa primeira garçonete da noite. Ela fez uma fileira com quatro copinhos para cada uma. Cada um brilhada com uma LED verde de tons diferentes.

— Á mim! — ela disse erguendo seu shot e eu ri.

— Por que?

— Por ter insistido em você fazer as aulas de defesa pessoal para chutar o rabo de machos escrotos como aquele! — exclamou sorrindo vitoriosa e eu ri.
Brindamos e viramos os shots.

— Eu ach... Hey! Thea! Quanto tempo! — disse Sara olhando pelo meu ombro.

Thea apareceu em meu campo de visão e eu sorri. Ela estava vestindo algo entre mulher de negócios e vamos farrear por uma semana direto sem se importar com os paparazzis tipo de roupa. Maquiagem carregada como sempre, mas sua expressão era o mais gritante em tudo. Ela parecia zangada.

Tipo, realmente zangada.

— Os rapazes me contaram o que aconteceu com Jackson. Está tudo bem? — perguntou ela olhando para pista de dança e depois para nós.

Seu tom era profissionalmente frio. Eu não me surpreendi. Apenas tomei outro shot.

— Foi legítima defesa. O cara tentou agarrar Felicity, mas ela deu um jeitinho nele. — disse Sara sorrindo em minha direção.

Sorri apertado e Thea cruzou os braços se virando para mim.

— Você vai processar? — perguntou e eu franzi o cenho.

— Deveria... — cantarolou Sara antes de virar seu segundo shot.

Eu maneei a cabeça.

— Você vai me processar ou não? — perguntou ela diretamente.

— Não, por que eu faria isso? — rebati.

— Jackson é um dos meus investidores. Ele é nojento, mas continua sendo um investidor. — ela explicou revirando os olhos. — Não posso afastá-lo daqui por muito tempo.

— Esse tipo de coisa acontece... — tentei amenizar o clima que havia começado a ficar tenso. Sara olhou para mim e seus olhos gritavam: "Não, não acontecem e não deveriam acontecer", mas aparentemente tudo que saía da minha boca era uma ofensa pelo olhar que Thea estava me dirigindo e o dela era mais preocupante do que o de Sara agora. — Não vou processar ninguém.

— Você fazendo um favor para mim? Não se tornou sua missão foder com a minha família? — perguntou sarcástica. Sara arregalou os olhos e voltou a beber mesmo tentando esconder um sorriso, e eu fiquei boquiaberta. Thea não esperou resposta alguma. — Se não vou ser processada, me deem licença. Estou perdendo tempo e dinheiro aqui.

Ela foi embora depois disso e eu bebi o restante dos meus shots.

— Acho que essa é a nossa deixa, Smoak. — disse Sara e eu assenti.

—-

Nós pegamos um Uber até a minha casa, mas Sara reclamou de fome, então nossa rota foi alternada até o Papa John's mais próximo.

Coincidentemente era o mesmo no qual Cooper havia me trazido depois de ver Oliver "propondo" para Laurel em seu escritório. Sara escolheu nossa pizza e pediu para embalarem ela para viagem já que o salão estava cheio demais para nós sentarmos e realmente aproveitarmos um tempinho comendo e conversando.

— Okay. Enquanto esperamos é a minha hora de fofocar. — ela disse se virando para mim no banco de espera ao lado do balcão onde havia feito nosso pedido. — Eu sei que Oliver ainda é um assunto delicado, mas iremos falar dele de qualquer jeito mesmo...

— Não tenho problema algum em falar dele. — fui sincera e Sara me olhou orgulhosa?

— Okay. Depois que vocês terminaram e você foi para Gotham, eu recebi uma ligação bem preocupante de Tommy. — ela revelou e eu ergui uma sobrancelha em sua direção. — Ele disse que Oliver havia decidido se isolar em sua Fortaleza da Solidão e dispensou ele para uma noite de caras que eles teriam. De primeiro caso, eu pensei que Tommy estivesse exagerando porque é, bem... Tommy.

— Eu sinto um "mas" vindo... — eu disse e Sara assentiu.

— Laurel me ligou em seguida e aparentemente Oliver contou por cima o que aconteceu para ela e ela me contou o que sabia e eu juntei o que você havia me contado e liguei os pontos. — ela deu de ombros. — Eu pensei que esse seria o modo dele lidar com a situação toda ou sei lá, retaliar de alguma forma? Você se fez indisponível e ele talvez quisesse fazer o mesmo?

Eu ia retrucar, mas ela me cortou.

— Eu estava achando tudo na medida do normal possível, até que Tommy me ligou de novo. Ele estava no hospital e com medo de ligar para Caitlin ir buscá-lo. Eles foram para cidade para o aniversário de um cara chamado Robbie? — disse ela e eu assenti entendendo.

— Ronnie. Eles fizeram uma festa surpresa e de despedida para ele na Lanchonete em que Caitlin trabalhava. Era aniversário dele e também seu último dia na cidade já que ele iria sair em viagem. Eu queria ter ido, mas o projeto estava começando a dar certo e eu não quis perder o fio da meada... — lamentei ao lembrar das fotos que havia visto no Instagram de Caitlin e Barry.

— Mas como Tommy foi parar no hospital?

— Oliver.

Minha mandíbula quase estalou de esforço quando eu fiquei boquiaberta.

Como é que é?

— Por favor repita bem devagar e explique... — pedi e Sara riu levemente.

— Bom, Oliver deve ter se entediado com o trabalho burocrático e decidiu que queria um pouco de ação. Ele havia ido para Central para lutar naquela boate que você foi com Dianna. — ela disse e revirou os olhos ao mencionar o nome dela. — Ele ganhou de quatro caras e depois que Tommy chegou, eles discutiram e saíram na mão.

— Ah meu Deus...

Era a única reação que eu tinha. Oliver bateu em seu melhor amigo? Eu sabia que Tommy conseguia ser irritante e que ás vezes a tentação de deixar tudo fisicamente violento aflorava, mas nunca pensei que Oliver iria ir para cima de Tommy. Tipo, nunca mesmo.

— Quando cheguei no hospital, Tommy foi liberado e fomos para o meu apartamento. Os médicos não queriam deixar ele ir embora sozinho por causa da anestesia. Três pontos em cima da sobrancelha esquerda. — ela disse batucando o dedo de onde Tommy provavelmente havia ganhado uma cicatriz. Feita por Oliver. — Até aí tudo bem...

— Sara! "Até aí tudo bem"? Piora? — eu perguntei ficando com medo do final.

— Tommy e eu bebemos um pouco de cerveja e ele disse que eles brigaram nos fundos da boate por causa de você. — ela disse e batucou o dedo em meu nariz como se eu fosse uma criança. — Oliver não gostou nada de ter seu melhor amigo se aliando com bem... A inimiga.

Perdão? Como é que é? Tommy fez o que?

— Durante sua estadia em Gotham nosso grupo lidou com o divórcio e cada filho escolheu um lado. Eu, Tommy, Caitlin, e Roy escolhemos a mamãe... — ela apontou para mim. — Já Thea, Dianna, e Curtis escolheram o papai. Curtis é neutro agora, mas mesmo assim.

— Não sabia disso...

— Lis... Essa era a ideia da coisa toda e você já tinha muito no seu prato. — ela disse e apertou minha mão. — Enfim, ao que Tommy me contou, Oliver ficou fulo da vida quando ouviu que o seu melhor amigo achava que a ex estava certa em terminar as coisas e explodiu. Ele fez Tommy tomar três pontos, mas Laurel me contou que ele deslocou o nariz e tem uma bochecha meio verde, meio roxa agora.

— Então Tommy revidou?

— Sim, por mais que Tommy seja do jeito que é... Oliver não é nenhum santo. — ela disse finalizando e eu dei de ombros.

O nome de Sara foi chamado e ela levantou do banco. Me entregou a caixa quadrada fumegante e pagou pela pizza antes que eu alcançasse minha carteira. Agora ela havia pagado pelos drinks e pela pizza.

— Vamos? — perguntou ela se virando para mim e eu assenti.

Saímos do Papa John's de braços dados e Sara continuou a falar.

— Bom depois que cada um escolheu um lado, e Tommy foi o primeiro a sentir as consequências, Curtis abandonou Dianna do outro lado e veio para o nosso depois de uma conversa com Paul com medo de você matar ele virtualmente como fez com a tal Sadie? Sandy? Eu nunca lembro o nome dela. — ela disse quando desviamos de algumas pessoas que estavam atrás de um táxi ou esperando alguém na calçada.

— Faz sentido. Quando começamos a desenvolver nosso projeto, ele se ofereceu para passar o corujão comigo e nós conversamos um pouco. As coisas voltaram o normal depois disso. — eu disse e Sara assentiu. — Uau. Eu me sinto horrível e muito fodona ao mesmo tempo agora. Isso é errado, não é?

Sara riu e nós paramos esperando o farol fechar para atravessarmos.

— Está cedo demais para perguntar o que realmente aconteceu entre vocês? Eu cansei de ouvir as versões alternativas, eu quero a sua. — ela disse quando o farol fechou e nós voltamos a andar. — Eu estou te dando o encontro perfeito, eu mereço um pouco de mimo também.

— Achei que Dianna era a fofoqueira entre nós, acho que estava errada no final... — eu resmunguei quando voltamos para calçada e fizemos uma curva em direção ao meu bairro. — Bom, acho que tudo começou quando eu tive minha crise existencial no dia da última festa do pijama. Era minha folga naquele dia e Oliver foi para o escritório cedo, então quis comer fora.

Sara pegou um pedaço de pizza da caixa e eu também. Comemos enquanto andávamos e o barulho dos carros, buzinas e sirenes que vinham da avenida ficaram abafados no mesmo ritmo que as casas começaram a aparecer do nosso lado.

— Eu estava comendo e encontrei com Cooper. Ele trabalhava no café que eu estava e depois de me perguntar se ele havia batizado meu café, nós conversamos um pouco. Fomos civilizados. — eu contei de boca cheia e Sara assentiu ao continuar escutando. — Bem, a civilidade não durou muito porque ele me fez notar que eu estava estranha. Nós conversamos um pouco mais e ele apontou algumas coisas que me fizeram refletir sobre meu relacionamento com Oliver e comigo mesma.

Sara ergueu uma sobrancelha e eu ri.

— Não de uma má maneira. Não. Eu pintei meu cabelo, usei um esmalte espalhafatoso e quase coloquei mais um piercing. Nunca me senti tão eu mesma assim quando sai daquele salão... — eu disse e senti ser observada por Sara enquanto comia. — No dia seguinte pedi ajuda á ele para pedir Oliver em casamento.

— O que? Sem chance! — exclamou Sara e eu ri levemente. Esfreguei meus dedos levemente.

Apenas Oliver, Cooper e agora Sara sabiam do meu pedido.

— Cooper então me trouxe dois cafés após o turno dele acabar e caprichou no desenho da espuma que dizia "Você quer casar comigo?". Eu sabia que Oliver veria porque ele sempre adoça seu café se não estiver de ressaca. — eu disse e Sara ainda estava com uma expressão surpresa no rosto. — Enfim, eu subi para o escritório e boom!

— Deu de cara com Oliver "propondo" á Laurel. — disse fazendo aspas com os dedos e eu assenti. — Agora eu começo a entender porquê você quis sumir depois disso.

— Eu tenho motivos e eles são válidos, mas ainda sim não deveria ter sumido por tanto tempo. Nos primeiros dias eu tentei racionalizar tudo e ser a superior. Me convenci que ninguém contra os sentimentos de ninguém e que se caso Oliver estivesse tendo uma recaída com Laurel... Tudo bem. Fazia sentido depois da história que tiveram, como ainda são conectados indiretamente e depois de todo o drama com Moira? Não culpava eles. — Sara revirou os olhos ao ouvir o nome da mãe de Oliver. Essas duas tinham um passado juntas que ninguém se dava o trabalho de me contar. — Depois eu comecei me auto-questionar. Eu merecia aquilo? Merecia ter meu namorado de joelhos na frente da ex dele sem ao menos terminar comigo primeiro?

— Claro que você tentou jogar toda a culpa em cima de você, Smoak. É meio que seu movimento de assinatura, sabe?

Foi a minha vez de revirar os olhos.

— Então depois de um tempo me escondendo eu fui encarar Oliver. Fui até seu apartamento e tentei explicar o que havia acontecido e porquê eu tinha ido embora, agora eu reconheço que talvez não tivesse escolhido as melhores palavras para fazer isso, mas ele escolheu as deles muito bem. — eu disse e limpei a mão na calça assim que a pizza acabou.

Diminuímos o passo um pouco e Sara entrelaçou seu braço no meu.

— Ele que terminou tudo então?

— Sim. E depois eu fui embora porque ele claramente não queria ficar perto de mim naquele momento. — eu disse em voz baixa. — Quando ele me deixou ir embora, eu comecei a me perguntar quem realmente estava indo, sabe?

Sara assentiu.

— Curtis me disse uma vez que Oliver iria me mudar, que por mais que ele fosse o dono do histórico mais ferrado, era eu que precisava de salvação. Ele me disse isso antes de entender e admitir meus sentimentos por Oliver para mim mesma, mas Oliver conseguiu mudar isso e nós nem estávamos juntos ainda. — eu disse e Sara riu baixinho com o meu tom amargo. — Eu abominava a ideia de um relacionamento a distância. Com outras pessoas pode até funcionar, mas não comigo. E boom! Oliver mudou isso também.

— Parece ser uma lista que apenas cresce mais e mais...

— Sim! Exatamente! Oliver sempre teve esse... Instinto? Sei lá! Ele sempre soube o que fazer e o que era melhor para mim. Ele esteve lá quando eu tive a primeira briga com mamãe e as brigas que seguiram, ele esteve lá quando eu descobri que meu pai estava literalmente na minha frente... Ele sempre esteve lá. — eu dei de ombros e ignorei a pequena fisgada no meu coração.

— Hey, não faça isso! Ele não é perfeito. Você também esteve lá quando ele precisou! Aturou os dramas com Laurel e Moira, com Isabel e Mackenna... Você também esteve lá por ele, Lis. — disse Sara e eu maneei a cabeça.

— Ainda me parece muito pouco em comparação ao que ele fez por mim. — admiti.

Viramos uma curva e entramos na minha rua. A maior parte das casas estavam com as luzes apagadas, mas alguns de meus vizinhos ainda estavam acordados. Acenei para René quando chegamos na portaria minúscula do meu prédio e ele liberou o portão para nós duas.

— Ah Deus, por que você ainda mora aqui mesmo? — perguntou Sara quando começamos a subir as escadas.

— Porque é barato e eu gosto daqui. — disse fazendo um pequeno carinho no corrimão de madeira enquanto Sara resmungava. — Você não ia fadigar tão rápido se começasse a fazer exercícios, Lance. Confie em mim.

— Oh, eu me exercito muito bem, mas normalmente estou no meio de pernas longas e lindas... — ela disse ficando ofegante e não tínhamos chegado nem no terceiro andar ainda.

Eu ouvi uma risadinha no final das escadas e torci para que Todd, meu vizinho, não estivesse tendo mais uma de suas aventuras pervertidas com uma de suas três namoradas no corredor novamente. Sara não ia esquecer e sempre me importunar sobre isso até o dia em que morrermos.

— Lis... Oh meu Deus! — Sara gritou em seus sussurros quando eu parei antes de subir os últimos degraus e ela trombou em mim.

Tampei a boca de Sara antes que ela soltasse alguma piada ou provocação que interrompesse a cena que estava acontecendo bem na nossa frente, á cinco degraus de distância, Cooper e Alena se beijando bem perto da minha porta como se estivessem dentro de um romance clichê bem água com açúcar que você assiste mesmo sabendo como vai terminar.

Sara lambeu minha mão e eu reprimi o gemido enojado que queria sair pelos meus lábios, mas ela não disse nada apenas sorriu e começou a descer as escadas com passos abafados. Estávamos as duas com saltos, mas conseguimos sair do campo de audição do casal sem sermos notadas sem problemas, porque eles não estavam bem prestando atenção em nós duas ou em qualquer coisa ou pessoa que não estivesse bem... Ali.

Quando chegamos no terceiro andar, Sara se virou para mim com olhos brilhantes e um sorriso malicioso.

— Oh meu Deus! — eu exclamei rindo. — Sabe quanto tempo estou tentando juntar aqueles dois?

— Pelo que eu consegui ver, Cooper ainda tem bom gosto... — Sara comentou quando começamos a descer as escadas de novo. — Um corpo lindo, uma bunda redondinha e o bônus de óculos fundo de garrafa? É um fetiche ou ele tem um tipo, com certeza.

Revirei os olhos, mas ri junto com ela.

Decidimos então ir para o hotel onde Sara havia se hospedado já que havia discutido com Laurel mais uma vez, o Capitão Lance vivia em uma quitinete apertada e Cooper já havia ocupado meu sofá. Ela pediu um Uber até o Hotel Deluxe aonde sua suíte nos aguardava. Tudo pago pelo STAR Labs, claro.

— Okay, você fala um pouco agora. Sinto que estou monopolizando a noite inteira com meus dramas. — eu disse me virando para ela encostada no portão de ferro da portaria.

— Eu adoro seus dramas, Lis. Eles me dão diretrizes bem especificas sobre o que não fazer em um relacionamento sério... — ela disse e eu estirei minha língua em sua direção. — Brincadeira. Minha vida continua a mesma de sempre, sem muitas novidades.

— Como vai o trabalho?

— Pensei que assumir o departamento de biomedicina seria um pouco mais aterrorizante, mas não foi. Estou trabalhando com uma equipe maravilhosa e já fiz alguns amigos novos. Não é nada de realmente novo para mim além de receber um salário maior. — ela disse dando de ombros modesta. — A faculdade não tem me sufocado, mas as vezes penso o que teria acontecido se eu tivesse escolhido Reprodução Humana ao invés de Genética como especialização.

— Ahm, em primeiro lugar você não trabalharia no STAR Labs e não seria chefe de um departamento. — eu disse e nosso Uber chegou.

— É... Tem razão. Eu adoro mandar nos outros e ainda ganhar dinheiro com isso. — ela disse e entrou no carro com mais um sorriso.

—-

— Uh, pode parar aqui por favor? — pediu Sara ao motorista que fez o que ela pediu e encerrou a corrida. Sara agradeceu e me puxou para fora do carro o que quase fez eu derrubar a pizza no chão.

Ela me puxou até um supermercado que tinha um ar muito caro e nós fomos recepcionadas pelo ar condicionado assim que pisamos do lado de dentro.

— Eu vou pegar um vinho para nós duas. — ela exclamou e foi até o primeiro corredor onde tinha várias garrafas expostas e uma mesa com diferentes queijos e os vinhos que combinavam com os mesmos.

Eu olhei em volta e não achei lugar algum que pudesse sentar. Meus pés estavam começando a ficar doloridos dentro dos sapatos. Sara não demorou o suficiente para que eu reclamasse. Ela foi e voltou em menos de cinco minutos com uma garrafa de vinho tinto nas mãos. Claramente, ela também sabia qual era o melhor caminho até o meu coração.

Ela pagou, dispensou a sacola e voltou a entrelaçar seu braço no meu.

— Continue por favor...

— Bom, minha cor favorita agora é azul turquesa. Deixei o vermelho para trás. — eu disse quando voltamos para a calçada.

— Azul turquesa? Como o da Tiffany's?

Eu ri assentindo.

— Eu descobri que gosto mais de coalas do que de golfinhos e que se você comer maçãs por uma semana inteira sendo ela a maior parte da sua refeição, você enjoa do que antes era sua fruta preferida. — eu disse rindo levemente. — Então minha fruta preferida agora é abacate.

Passamos por um grupo grande que estava saindo de um restaurante indiano e eu já conseguia ver o hotel de Sara. Estávamos á alguns passos de distância ainda, mas não estava longe. Meus pés iriam aguentar sem problemas. Eu acho.

— Concordo com o azul e o coala, mas abacate? Não sou a maior fã, mesmo que eu ame guacamole no meu nacho. — ela disse com o nariz enrugado e eu ri. — Qual é, é verde demais.

— Então não é o gosto? É a cor?

— Não tenho nada contra verde, eu amo verde! Mas não sou fã de verde abac... — sua voz morreu aos poucos e eu observei seu rosto.

Seu pequeno sorriso e o nariz enrugado haviam sido substituídos por um pequeno "o" que separava seus lábios e seus olhos ficaram curiosos. Segui seu olhar e vi o motivo de sua curiosidade.

Oliver e Laurel estavam saindo do Deluxe juntos e estavam rindo bem alegremente. Tudo que Sara disse sobre ele ter virado o mau humor em pessoa e ter brigado com seu melhor amigo por causa de mim caiu por terra ali. Ele estava sorrindo e rindo, o que contradizia muita coisa. Desviei meu olhar rapidamente e me fiz de confusa enquanto olhava ao nosso redor.

— O que? Vai me dizer que achou algo verde abacate? Está de noite! — exclamei e Sara me puxou pelo braço para longe de onde Oliver e Laurel caminhavam até uma SUV preta onde eu sabia que Anthony estava esperando-os.

— Vamos entrar logo antes que eu vomite em verde abacate... — disse Sara com a voz contida, mas eu conseguia ouvir sinais de irritação e decepção? Por que ela ficaria decepcionada com sua irmã e Oliver saindo juntos de um hotel?

— Sara, calma! A pizza vai cair assim! — eu exclamei rindo quando ela começou a me puxar pela jaqueta que eu usava em direção ao lobby do hotel.

Eu sabia que havia atraído a atenção deles. Eu ainda sabia quando Oliver estava me olhando. Era como se fosse um pequeno formigamento no couro cabeludo e um arrepio leve nos braços. Toda vez que eu sentia isso, Oliver estava me olhando, ou me observando de perto ou me encarando longe... Você entendeu a ideia. Por isso eu não precisei olhar para trás para confirmar.

— Uau. — eu disse olhando para o teto forrado de lustres de cristais e pinturas renascentistas. — Que lindo.

Sara apontou suas esculturas preferidas representadas em cada canto do teto e eu tentei acompanhar. Não conhecia muita de arte, seja esculturas ou pinturas, essa era a praia de Sara. Depois de encarar o teto um pouco mais e observar como alguns dos hóspedes se vestiam tão peculiarmente fomos até o hall de elevadores. Eram seis no total e Sara chamou todos.

— Eu gosto de apostar corrida com eles... — ela disse e deu de ombros.

Senti meu celular vibrar em meu bolso e ouvi o "plin" característico soar. Entramos na caixa de aço revestida em dourado, mármore e vidro. Eu equilibrei a caixa de pizza com uma mão e peguei meu celular no bolso de trás. Provavelmente era Cooper me avisando para não voltar para casa hoje, mesmo que fosse meu apartamento e não dele.

Abri a mensagem e me surpreendi pela enésima vez apenas essa noite.

"Laurel, L: Apenas amigos."

Notas finais
Então meninas, esse capítulo foi para vocês terem uma ideia do que esse tempo afastada fez Felicity mudar um pouco, os efeitos que o término dos dois tiveram nos amigos e familiares, o primeiro grande projeto de Felicity... Agora, no próximo capítulo teremos a narração de Oliver! Faz eras que eu não posto algo pelo ponto de vista dele e fiquei com saudade, e vocês? Veremos o que aconteceu do lado dele e como ele passou esses três meses longe de Felicity e mais detalhes sobre a briga dele com Tommy... Stay tuned gatas! Alguma teoria para mim? Algum conselho ou sugestão? Me digam nos comentários! Comentem! Indiquem! Recomendem! Favoritem! https://fanfiction.com.br/historia/736715/Dangerous_Love/ https://fanfiction.com.br/historia/740660/The_Perfect_Mommy/ Grupo do Facebook_ https://www.facebook.com/groups/1015217841832543/?ref=bookmarks (Respondam as perguntas e avisos quando solicitarem autorização para entrar no grupo!) L.W PS: Vamos bater #920 comentários? Ou mais uma recomendação? Leitores fantasminhas saiam do além e venham conversar comigo, prometo que não mordo! PS²: Venham conversar comigo no Twitter meninas, achei várias de vocês por lá! Meu nome por lá é @juju100_! Vamos conversar sobre Arrow, fanfics... Qualquer coisa! Estou começando a postar pequenos trechos e spoilers sobre minhas fics lá também, viu? ♥