Extreme Love
31 Capítulo 31
Notas iniciais
— Antes que eu comece a minha história, eu quero ouvir a sua. O que Laurel estava fazendo no seu escritório e por quê você estava ajoelhado com um anel na frente dela? — perguntei o que iria definir o rumo dessa conversa e todas as outras coisas.
— Felicity, você sumiu por cinco dias! — ele rebateu sem nem se importar com as minhas perguntas. — Onde infernos você estava?
Oliver estava puto. Tão puto que assumiu a sua postura de ringue com aquele olhar ameaçador. O que? Ele iria lutar comigo? Eu até posso ser menos experiente do que ele, mas mesmo de salto eu vou bater também.
— Oliver, realmente não importa aonde eu estava, eu estou aqui agora, não estou? Eu voltei, não voltei? — perguntei e observei ele apertar a toalha em suas mãos. — Eu precisava de um tempo depois de ver o meu namorado propor para a ex namorada dele. Eu fugi. Não me orgulho disso. Mas você pode me culpar? O que você teria feito no meu lugar?
— Exigido explicações. — ele respondeu sem hesitar.
— Estou fazendo isso agora, só estou um pouco atrasada no cronograma. — respondi e sorri um pouco. Caminhei até uma de suas máquinas que eu não tinha ideia do que fazia e me sentei no assento. Cruzei as pernas e entrelacei minhas mãos em cima do meu joelho. — Explique.
Ele terminou de beber a água em apenas um gole e jogou a garrafa em uma lata de lixo perto da porta. Enxugou o rosto mais uma vez e colocou a toalha pendurada no suporte de anilhas que ele tinha ali. Ainda estava com seu olhar ameaçador, porém a postura de ringue foi relaxada.
— Eu não estava propondo para Laurel.
— Difícil de acreditar depois do que eu vi.
— Eu estava ensaiando com ela. — ele afirmou se livrando da toalha. — Por que todo mundo tem essa cisma com ela? Deus, nós terminamos á quase três anos! Somos adultos! Ela está mais do que feliz em outro relacionamento agora e nós somos apenas amigos.
Mordi minha língua para não soltar outro comentário e deixei ele falar.
— Você já deve ter deduzido que o anel não era para Roy e Thea, era para você.
— Já passamos desse estágio. Por que mentiu para mim?
— Felicity, você surtou quando achou o anel de noivado da minha mãe. — ele cruzou os braços se apoiando na parede de frente para mim. — Eu pensei em vários cenários caso você descobrisse, mas aquele surto, definitivamente, não estava entre eles. O que eu deveria ter dito ali? Que era para você? Você provavelmente desmaiaria!
Corei levemente. Nem eu mesma pensava que poderia surtar daquele jeito por causa de algo tão pequeno quanto um anel. Se bem que, aquele diamante não tinha nada de pequeno e muito menos o significado que ele carregava.
— Eu comecei a replanejar tudo de novo no dia que você estava de folga e foi para o salão. Laurel me ajudou. Roy também. Eles foram os únicos que sabiam o que eu queria fazer e que conseguem guardar um segredo. — ele voltou a falar e eu tive que concordar com ele. — Caitlin estava ajudando também, mas não tão diretamente.
Eu concordei com seu modo de pensar. Tommy, Sara, Dianna e Thea não eram realmente confiáveis com segredos. Caitlin, Roy e Laurel eram bem mais discretos e talvez seja por isso que eu nem suspeitei de nada, mas novamente estava ocupada demais tendo minha crise existencial para notar qualquer coisa.
— Eu sabia como seria o seu dia, então chamei Laurel para me ajudar com o que falar e como fazer a merda do pedido, porque sabia que você estava em casa. — ele disse e se sentou de frente para mim em outro equipamento de barras. — Mas você não estava em casa, e ninguém me avisou que você estava subindo até o meu escritório...
— Eu nunca precisei avisar.
— Eu sei. O que não ajudou muito no final das contas. — ele me cortou e eu suspirei levemente. — Quando você abriu a porta... Eu realmente fiquei sem reação. Acho que Laurel também.
Ergui uma sobrancelha e ri sem humor algum. Sem reação? Era um bom começo para descrever o que eu senti naquele momento dentro daquele escritório. Voltei meu foco para Oliver e o encontrei inclinado para frente com os cotovelos apoiados nos joelhos e uma expressão... Vazia? Não sabia bem dizer.
— Então você fugiu e eu fiquei sem saber de você por cinco dias. Você simplesmente... Sumiu. — ele disse em voz baixa e mesmo conseguindo ouvir sua raiva em seu tom de voz, eu ouvi tristeza também.
Meu peito se apertou.
— Naquele dia eu estava pensando sobre muitas coisas. Sobre nosso relacionamento, o impacto que você teve na minha vida e nas minhas escolhas desde que eu te conheci... Tudo. E um amigo apontou que antes de sermos plural, somos singular também. — eu disse em voz baixa também e ele me encarou. — Eu estava com medo, Oliver.
— Do que? De mim? Do nosso relacionamento?
— Eu estava com medo do sentimento que eu tenho por você. É esmagador e toma todo o espaço dentro de mim. — eu disse e relaxei minha postura. — Eu estava com medo de ter me perdido dentro de você e desse sentimento. Quando você ligou naquela manhã, estava no meio de uma crise existencial para ser bem sincera.
Ri levemente e ele ergueu uma sobrancelha.
— Eu consegui me distrair depois com a noite com as meninas, mas no dia seguinte eu simplesmente percebi que estamos juntos há quase um ano e eu nunca fiz nenhuma loucura por nós dois. Não conto as viagens surpresas para Central City como loucuras. Eu queria fazer algo louco e que significasse algo para nós dois. — eu disse e ele assentiu levemente acompanhando meu raciocínio. — Então eu pedi ajuda ao mesmo amigo que me ajudou com a crise existência á fazer essa loucura.
Esfreguei meu rosto levemente e sorri minimamente.
— Eu fui no seu escritório para te pedir em casamento, Oliver.
Seus olhos se arregalaram gradualmente quando ele finalmente entendeu tudo.
— Eu tinha comprado café para nós dois e escrito a pergunta na espuma do seu, porque eu sei que não importa de onde o café venha, você sempre coloca um pouco mais de açúcar, então acabaria vendo... Mas não foi o que aconteceu. — eu disse e sorri mais uma vez.
Apostava que meu sorriso era triste, porque eu estava me sentindo miserável. Depois de cinco dias em uma espécie de limbo, eu estava me permitindo ficar triste aqui e agora de todos os lugares e momentos. Bem na frente dele.
— O que eu vi quando entrei naquele escritório... Me machucou muito. Laurel e eu tínhamos finalmente conseguido construir uma espécie de amizade, vocês se reconectaram também. Todos nós estávamos passando tempo juntos de novo... — eu maneei minha cabeça e suspirei mais uma vez. — Eu fiquei em choque e me senti traída. Eu só queria sair dali, então eu fugi.
Silêncio. Oliver estava encarando o chão agora.
— Eu estava convencida de que todas as vezes que eu tentava algo novo, alguma coisa de merda acontecia na minha vida. Tentei um novo estilo, fui assaltada. Tentei a academia, briguei com a minha mãe. Parece uma maldição. — eu disse e voltei a esfregar meu rosto com cuidado. — Até eu conhecer você, nós já brigamos e ficamos separados, mas sempre deu certo. Então eu tentei fazer algo novo e voltamos ao mesmo ritmo de antes.
— Felicity...
Eu esperei, mas ele não disse nada além do meu nome.
— Esses últimos cinco dias eu tentei racionalizar tudo que havia acontecido. Eu não fiquei com raiva de você ou de Laurel, porque eu sei que ninguém controla o que sente...
— Eu não estou apaixonado por ela. Eu amo você. — ele me cortou.
Meu coração ainda perdia uma batida quando ele dizia essas palavras.
— Eu sei disso, mas eu também sei o que é estar confusa com o que sente. — eu respondi.
— É isso então? Você está confusa sobre nós?
— Não. Eu cheguei ao ponto que eu estava confusa sobre mim mesma e que isso estava afetando tudo ao meu redor, porquê como não afetaria? Nem eu sei porquê eu surtei daquele jeito no closet, Oliver! Eu só fui entender que eu queria um casamento com você dias depois...
Ele assentiu e se ergueu de onde estava sentado.
— Pelo o que eu estou entendendo você me ama e quer casar comigo, certo? — perguntou e eu assenti. — Então por que eu estou sentindo que isso tudo é uma despedida, Felicity?
Fechei meus lábios e segurei o olhar intenso de Oliver.
— Onde você esteve nesses últimos cinco dias, Felicity? — perguntou.
Seu tom era suave, porém eu conseguia ouvir a preocupação ali.
Ele não tinha que se preocupar com nada.
— Na casa do mesmo amigo que me ajudou a superar a crise e a conseguir organizar meu pedido. — eu respondi quebrando nosso contato visual e me levantando também. — Eu precisava de um tempo para respirar. De um tempo para apenas ser, eu não sei... Um tempo comigo mesma? Sei que não faz muito sentido, mas é o que eu estava precisando ali.
— Tudo isso por quê viu algo e interpretou errado? — perguntou Oliver com escárnio e depois riu baixinho.
Era incrível como ele poderia mudar de preocupado e atencioso para sarcástico e arrogante em uma questão de segundos. Eu sabia que esse era o mecanismo de defesa dele, mas não deixava de machucar. Estávamos á cinco passos de distância um do outro, mas eu sabia que Oliver conseguia notar que a distância entre nós dois havia se tornado bem maior do que apenas isso.
— O choque me levou a pensar nisso tudo. Eu finalmente percebi que eu sou dependente demais. Eu não tenho nenhuma independência emocional, Oliver! Quando eu sinto qualquer coisa, eu mergulho de cabeça. Eu deixo me sugar. Eu não quero terminar como a minha mãe que ainda odeia meu pai depois de anos após a separação dos dois, porque simplesmente fechou os olhos para os sentimento dele e os dela... — eu disse e comecei a sentir minha cabeça latejar. — Ela remói o passado para continuar vivendo todos os dias, eu não quero isso para mim.
Oliver colocou as mãos na cintura e respirou fundo.
— Quando nos conhecemos foi tudo muito rápido. Foi muito intenso. Pode me dizer com sinceridade que você parou em algum momento, respirou fundo e pensou no que estávamos fazendo sem deixar seus sentimentos tomarem controle? — perguntei e fitei seu olhos. Oliver desviou rápido demais. — Não, não pode, porquê você também caiu dentro desse ciclo e nem percebeu. Você percebeu que quando eu voltei para Starling e você ficou em Central City foi o único período que nós não brigamos?
— Deus, Felicity. É isso que você quer? Uma cidade entre nós? — perguntou ele esfregando seu rosto.
Cacete. Por que ele não entende? Mais clara que isso eu não consigo ser!
— Oliver, eu quero que você entenda que o nosso amor está começando a me sufocar! Eu me perdi completamente no caminho! Eu não gosto disso, eu não quero isso para mim. Nem você deveria querer! — eu disse e levantei meu tom de voz um pouco para ver se ele conseguia ouvir desta vez.
— É assim que vai acabar então? "Não é você, sou eu"?
— Oliver...
— Não, Felicity. O que acontece agora? O que você quer de mim?
— Eu não sei! Eu só quero que você entenda o que eu estou tentando dizer nos últimos cinco minutos que entrei aqui! — rebati sem hesitar ou pensar duas vezes. — Eu preciso me encontrar de novo. Eu preciso ser aquela garota por quem você se apaixonou de novo.
— E Cooper Sheldon consegue entender isso e eu não?
Ergui meu olhar surpresa para ele e Oliver riu novamente.
— Felicity, como você acha que eu fiquei quando descobri que nos dias que minha namorada desapareceu, ela estava na casa do ex dela? Sem sair daquele apartamento nenhuma vez enquanto ignorava minhas ligações e mensagens? — perguntou e eu me sentia paralisada. — Você realmente achou que eu ia desistir de te procurar? Você se escondeu muito bem, mas não deveria ter mandado ele até o seu apartamento.
Ele havia mantido alguém vigiando minha casa? Inacreditável.
— Você viu eu fazer alguma coisa sobre isso? Não. Você viu eu indo até lá e colocando a porta a baixo porquê queria te ver? Não. Por quê? Porque eu te conheço o suficiente para saber que você precisava de tempo e espaço, por mais que fosse ali. Por mais que fosse com ele. — ele virou de costas para mim, mas continuou falando. — Eu confiei em você o bastante para saber que você não iria me trair, que quando você estivesse pronta você viria falar comigo e mesmo que eu estivesse com raiva e morrendo de vontade de ir quebrar a cara dele, eu iria escutar você no final das contas, porque eu te amo e sabia que você me amava também. Nós iríamos consertar tudo juntos.
Ele vestiu uma camiseta e se virou para mim.
— Agora, depois de cinco dias trancada naquele apartamento com ele, você se deu ao trabalho de vir aqui, confessar que queria me pedir em casamento para depois terminar comigo? — ele ergueu uma sobrancelha. Seu rosto estava completamente fechado. Oliver nunca olhou desse jeito para mim. — Golpe baixo, Smoak.
— Oliver, isso não se trata dele. É sobre mim. Sobre o que eu quero. Sobre o que eu sinto. Estou tentando ser sincera com você...
— E no final ele estava certo. Da última vez que entrei em um ringue com ele, Cooper me disse que assim que eu cometesse o primeiro erro, ele estaria ali para consertar. Eu perdi o controle e descontei tudo nele, mas olha aonde chegamos. Olha em que lado você está agora. — ele disse acenando como se estivéssemos em times opostos.
— Isso não tem nada a ver com ele, Cooper simplesmente esteve lá e me ajudou a perceber que...
— O que? Que queria casar comigo e depois que terminar tudo? Engraçado não?
— Oliver! Ele é meu amigo do mesmo jeito que Laurel é sua amiga. Do mesmo jeito que você consegue manter uma amizade com ela, eu consigo manter com ele. Do mesmo jeito que você foi traído por ela, eu fui traída por ele. Nós já passamos por isso, já superamos isso. — então eu comecei a gritar, mas não me importei. — O que está acontecendo agora é algo que foi se acumulando até chegar em um ponto em que eu não poderia ignorar mais!
— Mas no final da noite, você vai voltar para casa dele. Com ele. Não vai?
— Isso não é uma escolha entre você ou ele, Oliver. E mesmo se fosse, eu já teria escolhido. Você não ouviu que foi ele que me ajudou a criar coragem e te pedir em casamento? Você! Não ele. — eu disse apontando para ele. — Isso é uma escolha sobre o tipo de pessoa que eu quero ser, e eu vim aqui achando que iria conseguir conversar com você e ser apoiada, mas parece que eu estava enganada.
— Parece que você já tem todo o apoio que precisa, Felicity. Você só veio aqui para conseguir dormir com a consciência tranquila depois. Não se preocupe quanto a isso. Nós acabamos aqui. — ele disse e saiu da academia.
Segundos depois eu ouvi outra porta bater. Bem alto.
Suspirei e esfreguei meu rosto e aí então eu percebi que estava chorando.
Respirei fundo algumas vezes e saí da academia. Eu conseguia ouvir o chuveiro ligado do corredor. Peguei minhas coisas e entrei no elevador. Me olhei no espelho e vi meus olhos começarem a ficar vermelhos e levemente inchados. Eu estava com o rosto corado, mas no pior dos sentidos possíveis. Minhas mãos estavam tremendo.
Assim que cheguei no térreo, voltei a acenar para Jason que retribuiu da mesma forma de quando eu havia entrado e cruzei meus braços quando o vento da noite soprou em mim e arrepiou meus braços.
— Hey... E aí?
Olhei para Cooper e dei de ombros.
— Ele não reagiu muito bem, mas eu estou bem. — garanti e Cooper apenas assentiu, enquanto observava minha cara de choro piorar á cada segundo. — Eu vou dar uma volta, e depois ir para casa. Chega de fugir, lembra? Te ligo quando chegar, okay?
Ele assentiu e eu sorri levemente antes de começar a caminhar na calçada. Ignorei as lojas iluminadas ao meu redor, os casais românticos, os grupos de amigos barulhentos, e apenas caminhei sem destino algum. Estava com frio e sentia um cheiro de chuva na brisa, mas não me importei. Apenas continuei andando.
Suspirei e olhei para o céu assim que senti os primeiros pingos caírem de lá de cima. Eu já estava tão perto de casa agora.
— Sério mesmo? — perguntei para ninguém em particular enquanto esperava o farol ficar vermelho para eu atravessar e ir para casa.
— A chuva tem que vir para o arco-íris brilhar.
Me virei para o lado e vi uma senhora idosa baixinha e japonesa segurando um guarda-chuva branco. Ela estava usando um daqueles chapéus de palha e um poncho de lã.
— Está de noite. — eu afirmei sem me importar de parecer rabugenta e ela riu.
— O que eu quis dizer foi que tudo tem que piorar antes de melhorar... Oh, ficou verde. Tenha uma boa noite. — ela disse abrindo seu guarda-chuva grande demais e atravessou a rua primeiro que eu, indo na direção oposta que eu iria.
Atravessei a rua, mas antes de entrar na rua de casa, eu parei no pequeno mercadinho de esquina que tinha ali perto. De jeito nenhum eu passaria a noite inteira chorando sem pelo menos um pote de sorvete como companhia.
Tudo tem que piorar antes de melhorar, né? Grande merda. Eu entrei no mercadinho e fui em direção á área dos freezers no final do primeiro corredor. Peguei três sabores diferentes e uma garrafa do primeiro vinho que encontrei.
— Vai ter que servir. É vinho de sobremesa, combina com sorvete... — disse á mim mesma colocando a garrafa dentro da cesta.
Fui para o caixa com tudo e a chuva desabou do lado de fora. Paguei a compra e sai correndo até o meu prédio. René me viu chegando e liberou os portões para mim. Eu o cumprimentei por educação e fui para dentro.
O apartamento estava com cheiro estranho quando passei da porta. As janelas estavam fechadas. E o aquecedor estava desligado deixando a temperatura fria demais. Deixei minha bolsa e as sacolas em cima da mesa de jantar.
Eu, finalmente, quebrei assim que cheguei ao sofá.
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