Extreme Love
30 Capítulo 30
Notas iniciais

— Hey! Você por acaso não tem roupas para vestir? — perguntei assim que entrei na cozinha e encontrei Cooper nu, bem quase nu. Ele ainda estava vestindo suas boxer, enquanto tomava café da manhã.
Ele ergueu suas sobrancelhas para mim e continuou mastigando.
— Não tem nada de novo aqui para você, Felicity. — ele respondeu e eu revirei os olhos. — Seu café está ali.
Segui seu aceno e encontrei um queijo quente e uma xícara fumegante me esperando na mesinha de centro da sala de estar. Fui até lá e mordi o queijo quente primeiro e quase tive um orgasmo. Eu havia esquecido como Cooper sabia fazer um queijo quente perfeito.
— De nada. — cantarolou ele vindo até o meu lado.
Eu ergui um dedo e mordi o pão crocante de novo.
— Obrigada. Está tão bom. — eu disse de boca cheia e Cooper riu ao se sentar ao meu lado no sofá com sua tigela de Froot Loops se afogando no leite. Ele sempre colocava leite demais. — Ainda acho que você coloca algo mais do que queijo aqui.
— Amor. Cream Cheese. Crack. Você pode escolher. — respondeu ele de boca cheia também e nós rimos juntos. — O que vamos assistir hoje?
— Hm, você não vai trabalhar?
Ele negou, enquanto zapeava no catálogo da Netflix.
— Poderíamos arrumar seu apartamento, não é? — eu disse acenando para os pequenos montes de roupa suja espalhados pela sala de estar e algumas embalagens de comida vazias e antigas em cima da mesa de jantar. — Deixar mais habitável.
— Você não durou nem três dias, Smoak.
Cooper riu bem alto e quase derramou seu leite no sofá. Eu revirei os olhos. O apartamento de Cooper era pequeno, porém tinha espaço suficiente para um cara que morava sozinho. Era como o meu apartamento, que por sinal era um quarteirão de distância.
— Mas sério, o que você coloca aqui? — perguntei abrindo o que restava do queijo quente em minhas mãos.
— Duas fatias de pão. 3 fatias de queijo americano. 2 fatias de mussarela. 2 fatias de gorgonzola. 3 fatias de cheddar. Manda tudo pra frigideira com um pouco de manteiga e boom... Ta pronto. — ele disse e parou em uma mini-série de confeitaria.
— E uma carreira de crack. — adicionei rindo e ele riu também.
— Á gosto.
Começamos a assistir Sugar Rush que era um competição em duplas de confeitaria da Netflix. Assistimos quatro episódios inteiros até eu começar a me entediar e levar nossa louça usada para a cozinha. Lavei a louça que estava na pia e limpei toda a bagunça que Cooper havia deixado para trás. Ele não estava brincando com sua receita de queijo quente. Ele tinha pelo menos seis tipos de queijo diferentes na geladeira!
Fui até a sua lavanderia e peguei dois cestos vazios e levei deixei aos pés de Cooper que estava resmungando algo sobre creme de manteiga não ser uma boa opção. Ele olhou para mim e depois para os cestos, depois para mim novamente e suspirou.
— Eu só vou fazer, porque não quero ver aquele desastre e ter um trauma novo. — ele disse se levantando do sofá e pegando um dos cestos.
Continue dizendo isso á si mesmo e você vai acabar acreditando alguma hora, cara.
Peguei o último saco de lixo que tinha na lavanderia e comecei a juntar as embalagens vazias que dominavam o balcão e a mesa de jantar e ouvi Cooper cantarolar uma música de seu quarto.
Sorri comigo mesma. Isso não havia mudado aparentemente.
Abri todas as janelas do apartamento e Cooper apareceu no corredor com um cesto cheio de roupas sujas. Ele foi direto para a lavanderia e logo eu consegui ouvir a máquina de lavar começando a trabalhar. Cooper voltou e recolheu as roupas que estavam no chão da sala em seguida. O chão foi redescoberto em questão de minutos.
— Você guardou essa? — perguntei enrugando meu nariz ao ver a camiseta que eu havia dado pra ele de presente em um dos Natais que passamos juntos.
Cooper olhou para a camisa que estava por cima no cesto em suas mãos e riu.
— É claro que sim. Foi um dos nossos melhores momentos juntos. — ele disse e passou a mão pela estampa como se tivesse fazendo carinho. — Não é todo dia que sua namorada vira pra você e diz que quer a maior torre de legos do mundo ao invés de comemorar Hannukah/Natal naquele ano.
— Vai Delawere!
Rimos juntos mais uma vez e ele foi para a lavanderia de novo. Aspirei seu sofá inteiro, seguido pelo carpete do apartamento inteiro. Cooper sempre foi limpo e higiênico, porém era bagunceiro e preguiçoso. Uma combinação maravilhosa, não?
— Lis!
Olhei para trás quando terminei de aspirar debaixo da cama de Cooper e encontrar duas calcinhas femininas. Encontrei ele usando uma calça esportiva e uma camiseta agora. Ele estava segurando um celular que deveria ser o dele em mãos e alguém estava ligando para ele.
— É Dianna. — ele disse quando eu desliguei o aspirador.
— Não estou aqui.
Ele assentiu e atendeu a ligação, colocando-a no viva voz.
— Alô?
— Cooper?
— Sim, quem é?
— Dianna Lewis.
— Oh, o que posso fazer por você Dianna? Se está querendo maconha, desculpe mas não faço esse tipo de negócio mais. — respondeu Cooper e eu cruzei meus braços. Ele ergueu uma sobrancelha e deu ombros.
— Eu não preciso da sua versão traficante hoje.
— Vamos deixar pra outro dia então. Por que está me ligando? Nem sabia que você tinha o meu número, ou seja, você mexeu uns pauzinhos para conseguir ele, não é? — alfinetou Cooper e eu suspirei internamente.
Se Cooper não a alfinetasse, ela iria perceber que algo estava errado.
— Sim, e isso já mostra a gravidade da situação.
— Ou do seu desespero. O que você quer, Lewis?
Ela suspirou.
— Preciso que você me ajude a achar Felicity. Ela desapareceu.
— Ligue pra ela.
— Você não acha que eu já tentei isso? Ela não atende. Ninguém viu ela nos últimos três dias. Não usou nenhum cartão e seu celular é praticamente irrastreável.— disse Dianna e eu ouvi a voz de Sara no fundo pedindo o celular para Dianna que recusou. — Nós já tentamos de tudo.
Nós?
— O que aconteceu? A única coisa que eu estou entendendo é que Felicity não quer ser encontrada... — respondeu Cooper e Dianna suspirou de novo.
— Você nunca entendeu. Ela não quer ficar sozinha, ela não precisa ficar sozinha. O que aconteceu foi um grande mau-entendido e ela fugiu...
— Você nunca entendeu, Lewis. Pelo que eu conheço Felicity, se ela teve o trabalho de desaparecer sem deixar rastros, é a única dica que você precisa para deixar ela em paz, não acha?
— Ela não precisa ficar sozinha.
— Dianna, com todo o pouco respeito que eu tenho por você, escute isso... Felicity é bem grandinha. Ela não precisa de uma babá. Ela claramente não quer ser achada, respeite isso pelo menos uma vez. — disse Cooper e eu percebi que por mais que suas palavras fossem realmente sinceras, elas iriam doer em Dianna. Ela sempre foi a mãezona do nosso pequeno grupo. — Desculpe, eu até posso ajudar, mas não vou.
Cooper estava com o olhar fixo no telefone, mas seu rosto estava determinado. Ele deveria ter guardado essas palavras por um bom tempo dentro de si mesmo. Dianna soltou mais de um de seus suspiros e a linha ficou muda. Ela desligou a ligação sem se importar com uma despedida.
— Vamos terminar de arrumar aqui e eu vou te levar em um lugar especial, okay?
Assenti e voltei a ligar o aspirador na esperança que ele fosse mais altos que os pensamentos dentro da minha cabeça agora. Voltei a trabalhar e Cooper voltou para a lavanderia.
Depois que o quarto estava limpo, eu fui para a sala e Cooper para o banheiro. O único cômodo que não precisava de una faxina, apenas uma troca no saco de lixo. A paranoia de Cooper com banheiros também não havia mudado pelo jeito. Esperei pacientemente ele terminar e ir colocar o lixo para fora, enquanto analisava as opções para o nosso almoço no Uber Eats.
Assim que Cooper voltou decidimos pedir burritos com batata frita e kombucha para relembrar nossas maratonas jogando League Of Legends e Halo. Quando o pedido foi finalizado por Cooper, ele colocou o celular no bolso e abriu a porta da frente.
— Você não vai precisar disso, está Sol... — disse Cooper me impedindo de colocar meu casaco.
Eu assenti hesitante e o segui pra fora do apartamento. Ele não trancou a porta, apenas a bateu e começamos a subir o restante dos lances de escada para os andares superiores. Assim como o meu apartamento, ele não tinha elevador. Nós subimos e subimos e quando paramos no último andar, Cooper abriu uma das portas.
Não era outro apartamento e sim outro lance de escada. Eu suspirei já sentindo minhas pernas reclamarem do esforço que estava fazendo e mesmo assim o segui através da porta. Subimos mais um lance de escada e Cooper abriu outra porta.
Boom. Estávamos no telhado do prédio. A vista era linda. Eu conseguia ver quase toda Starling City, se não fosse pelos arranha-céus, eu conseguia ver toda extensão da cidade até a baía. Coloquei a mão sobre os olhos para bloquear o Sol que estava brilhando toda a sua imponência hoje e Cooper caminhou até um par de cadeiras de praia que pareciam estar há muito tempo.
— Sente-se. Feche os olhos. Aproveite.
Fiz o que Cooper mandou. Sentei e fechei os olhos. Conseguia ouvir os barulhos do trânsito financeiro de Starling praticamente bem ao nosso lado, ás vezes uma sirene se sobressaía assim como canto de alguns pássaros. Conseguia sentir uma leve brisa que vinha do norte trazendo um cheiro salgado, onde a baía estava. Conseguia sentir cheiro de fumaça e de cookies? Alguém deveria estar cozinhando na vizinhança. Eu recostei as costas na cadeira e deixei a cabeça cair pra trás levemente. O Sol ainda brilhava fortemente atrás das minhas pálpebras, mas não era nada desconfortável. Eu até que estava gostando, pegando um bronze.
Tomando um fôlego que parecia ter sido resgatado.
— A comida chegou. Já volto.
Assenti e continuei na mesma posição.
Fazia tempo que eu não fazia isso. Tirava um tempo só pra mim. Mesmo que a presença de Cooper fosse presente, eu me sentia como Felicity novamente. E eu realmente precisei pedir abrigo para um ex-namorado para me achar de novo. Mesmo sem querer, e eu realmente não queria, minha mente se voltou para o que havia acontecido quatro noites atrás.
—-
Flash-Back — On
Não conseguia conter os estalos dos meus dedos. Meu corpo estava fazendo por conta própria. Era um tique nervoso meu. Eu odiava ás vezes, mas agora era mais do que justificado.
As portas se abriram e eu tomei o último fôlego e a última dose de coragem que eu precisava e saí da caixa de aço batido. Meus saltos ecoaram pelo piso de mármore pelo andar exclusivo de Oliver. Ser CEO tem seus mimos, privacidade era um deles.
Estranhei não achar Samantha na sua mesa. Será que Oliver liberou a secretária mais cedo? Ele odiava ficar até mais tarde na empresa e vivia liberando ela mais cedo, porque ela tinha um filho e não era obrigada a ficar fazendo companhia para ele.
Deixei minha bolsa em uma das poltronas na frente da mesa de Samantha e tirei o casaco, deixando-o ali também. Peguei os dois copos de café e fui em direção ás portas duplas do escritório de Oliver. Uma das renovações que ele havia feito no antigo escritório de Moira fora substituir as paredes de vidro por paredes de verdade, porque eu havia gostado de me aventurar por seu escritório mais de uma vez e novamente, Samantha não era obrigada á testemunhar isso.
Empurrei com meu quadril uma das portas que abriu sem resistência alguma e coloquei meu melhor sorriso no rosto.
— Você não vai acreditar....
Os copos caíram da minha mão e o café inteiro se esparramou no chão de mármore.
Nada disso era mais chocante do que eu estava vendo agora.
Laurel Lance estava sentada em um dos sofás de couro branco e Oliver estava na frente dela com um joelho no chão e a caixinha de veludo em duas mãos. Eles estavam rindo até me verem parada ali com um mar de café aos pés.
— Felicity, eu posso explicar...
Oliver se levantou do chão e deu dois passos em minha direção. Na caixinha de veludo estava o anel de noivado de Moira. Ele mentiu para mim. Bem na minha cara e ainda arrastou Roy e Thea para o meio. Olhei para Laurel que havia levantado do sofá e tinha uma expressão preocupada em seu rosto. Deus. Eu pensei que havíamos virado amigas de verdade até cinco minutos atrás. Voltei meu olhar para Oliver que deu mais um passo em minha direção e eu dei um pra trás.
— Eu acho que já vi o suficiente, não preciso de uma explicação...
— Felicity, espere!
— Espere!
— Não.
Bati a porta de seu escritório e peguei minhas coisas na mesa de Samantha, correndo para o elevador. Assim que as portas do elevador fecharam, eu vi Oliver e Laurel correndo pelas portas duplas. Eu comecei a respirar fundo, mas não conseguia recuperar o fôlego.
Estava tendo um ataque de pânico dentro do elevador? Que ótimo.
O dia só fica melhor.
— Você pode subir e bater nele se quiser... — foi a única coisa que eu disse quando passei por Cooper que estava lendo uma revista no saguão, me esperando como havia prometido, antes de sair dali o mais rápido que meus saltos permitiam.
Flash-Back — Off
—-
Cooper não foi atrás de Oliver, ele foi atrás de mim.
Na verdade, ele andou quieto ao meu lado até o Stanley Park. Parei em um dos bancos protegidos por uma árvore grande e velha e sentei ali. Lembro de ter encarado a grama do chão por muito tempo, observei o comportamento das formigas, de algumas joaninhas também. Aí começou a garoar levemente, mas eu não me importei e nem me mexi.
Cooper permaneceu sentado do meu lado.
Quando a chuva engrossou, ele simplesmente pegou minha bolsa de mim e me ergueu por um braço com gentileza. Foi quando eu saí do meu transe e percebi o que realmente estava acontecendo ao meu redor. Fomos para o primeiro toldo estirado da avenida que acabou sendo um dos restaurantes da rede Papa John's.
Nós entramos, sentamos em uma mesa bem escondida e bem longe de dutos de ventilação para não aumentar as chances de ficarmos doente e Cooper pediu uma pizza grande de peperonni para nós dois. Em momento algum, ele perguntou o que havia acontecido por mais que ele já pudesse ter uma ideia, ele apenas mandou eu comer e depois ir no banheiro me secar.
Ele chamou um Uber para nós dois e fomos para minha casa, mas eu reconheci o carro de Oliver estacionado em frente ao portão, então Cooper fez o nosso motorista da vez desviar o caminho sem chamar atenção. Fomos para o apartamento dele e bebemos muito. Muito mesmo. Acabamos com todo o álcool que Cooper tinha dentro de sua casa, o que resumia á: oito garrafas de cerveja, meia garrafa de tequila e meia garrafa de vinho tinto.
No dia seguinte eu acordei deitada no sofá com uma ressaca enorme e estava inteiramente vestida. Cooper havia adormecido no chão perto de mim, inteiramente vestido também. Não fiz nenhuma besteira embriagada. Olha só, algumas pessoas conseguem ser fiéis, não importa a situação. Pena que o universo conspira para que nenhuma delas encontre um par de acordo.
Meu celular havia sido bombardeado por ligações e mensagens de Oliver.
Tinha recebido ligações de Curtis, Dianna e Sara logo em seguida. Depois que eles lotaram minha secretária eletrônica, eu desliguei o celular e ele estava desligado até agora.
Nos dias seguintes entrei em um limbo. Cooper acordava bem cedo, fazia o café e ia trabalhar, depois eu acordava e ficava assistindo Netflix até ele chegar de tarde, então maratonávamos a noite com qualquer tipo de comida que tivesse no menu de opções do iFood ou Uber Eats.
Na segunda noite, ele se sentiu seguro suficiente para ir treinar em sua academia.
Na terceira noite, nós trocamos a Netflix por League Of Legends. Como nos velhos tempos.
Hoje era o quarto dia que estava na casa de Cooper e em momento algum ele me mandou ir embora e resolver meus problemas. Não. Ele simplesmente me disse que não daria sua cama para mim e muito menos roupas suas para eu usar. Eu fiquei com o sofá e no segundo dia que estive aqui, ele foi para o meu apartamento fazer uma pequena mala para mim. Seu suporte silencioso era algo que eu não acharia com outra pessoa. Nem com Dianna, ou Curtis, ou Sara. Caitlin talvez conseguisse, mas não seria por tanto tempo como Cooper.
Meu ex-namorado realmente me conhecia melhor do que ninguém. Quer dizer o meu ex-namorado anterior ao ex-namorado atual me conhecia melhor do que ninguém.
Em momento algum eu precisei de um consolo que não fosse uma pessoa ao meu lado, eu não chorei, não fiz escândalo algum. Minha mente rodou inúmeros cenários possíveis para a cena que eu havia interrompido, mas que outra explicação teria aquilo?
Oliver estava de joelhos com um anel na mão, enquanto ria com Laurel. Você precisa de mais alguma coisa? Porque eu não preciso. Na verdade, eu esperava um pouco de consideração sendo que eu era a atual até então, e ele estava dormindo comigo todas as noites e dizendo que me amava. Ele poderia ter terminado as coisas primeiro e depois ter feito o pedido para Laurel.
Me sentia levemente traída.
Eu sei que fui traída, mas não culpava nenhum dos dois. Eles tinham uma história juntos assim como eu e Cooper, e o que esses últimos quatro dias haviam me mostrado foi que era muito fácil retomar hábitos antigos. De certa forma não poderia culpar os dois caso a chama tivesse sido reascendida, ninguém controla o que sente.
Ouvi a porta do terraço se abrir e bater novamente. Cooper havia voltado.
— Aqui está...
Ele me entregou o burrito de trinta centímetros junto com uma garrafa de kombucha e uma pequena caixa de papel. Abri a caixa primeiro e comecei pelas batatas fritas, com uma rápida olhada para o lado vi Cooper já atacando seu burrito de frango como se a primeira coisa que ele comia em dias.
— Seu celular estava tocando lá embaixo. Alguém chamado "Curtis — QC" estava ligando. Eu deixei tocar. — ele respondeu e eu suspirei ao lembrar que havia colocado o celular para carregar. Ele não iria parar de berrar agora. — Você deveria checar o que ele quer, pode ser importante.
Assenti levemente e continuei comendo.
Eu havia checado meus emails pelo IP de Cooper e não havia encontrado nada de alarmante ainda. Curtis queria instruções sobre como prosseguir com a ECO e eu havia mandado o que ele pediu, mas com uma pequena mágica que ele impediria ele de me rastrear de volta.
Se eu achava que Cooper lutador e barista haviam me surpreendido, eu realmente não estava pronta para descobrir que Cooper ainda atuava como consultor da Wayne Enterprises e tinha uma estação completa montada no seu único quarto de hóspedes, o que dizia bastante sobre seu salário. É claro que isso me levou a perguntar o porquê dele trabalhar como barista, e ele simplesmente respondeu que precisava de algo mundano. Servir café era a sua coisa mundana, assim como lutar. Sua âncora.
Pelo que pude notar, Cooper ainda não sabia que Lucius Fox tinha intenção de trabalhar com Queen Consolidated. Cooper desenhava e testava os programas que viriam para o mercado, dados diretamente pelo Sr. Fox em confiança. Ele se trancava a madrugada inteira em sua estação em dias alternados. Ainda era estranho ver Cooper ser tão... Responsável.
— Coop?
— Hm?
Me virei para ele e o vi mastigando com a cabeça jogada pra trás, tomando Sol.
— Você acha que estou sendo louca?
Ele sorriu levemente.
— Eu já te vi sendo louca, Felicity. Você normalmente gosta de tacar coisas nos outros, ás vezes quebra um ou dois consoles de video-game. Você não está sendo louca agora, pode ficar tranquila. — ele disse ainda de boca cheia e de olhos fechados.
Bom, eu não me orgulhava disso.
Meu término com Cooper foi bem turbulento para dizer o mínimo.
— Mas?
— Mas talvez esteja sendo racional demais.
Desde quando ser racionável era uma coisa ruim? Abri meu burrito, enquanto Cooper voltava para a posição inicial na cadeira e abria sua garrafa de kombucha. Eu mordi meu burrito e ele voltou a falar.
— Pelo que eu pude notar, você e Oliver já passaram por altos e baixos. Mais baixos do que altos. — ele disse e eu dei de ombros. Normalmente um alto compensava três baixos com Oliver. — Vocês estavam juntos ao que? 1 ano já?
Neguei. Não havíamos chegado nem aos 9 meses.
— Enfim, eu não sei o que você viu naquele escritório, não quero saber. Eu não preciso de mais um motivo para querer socar a cara dele. — ele disse e eu sorri um pouco e continuei comendo. A carne do burrito estava apimentada do jeito que eu gosto. — Não há nada de errado em querer um espaço só seu agora. Tirar um tempo só pra você e para pensar. Suas amigas nunca entenderam isso. Ainda não sei como você não se sufocou para ser sincero.
Dei de ombros e continuei mastigando.
— Eu lembro que nosso relacionamento dava certo porque nós dois sabíamos disso. Nossos gostos em comum se complementavam assim como nossas diferenças, Lis. Eu sabia quando você queria espaço, e você sabia quando eu queria espaço. — ele disse e roubou uma batata frita minha.
— E o que isso tem a ver com meu ex-namorado propor para ex-namorada dele?
— Você se tornou tão dependente dele que não sabe reagir direito, está tendo racionalizar a situação toda. Quando foi que você fez uma decisão sem levar Oliver em consideração? — perguntou ele e voltou a comer, enquanto eu pensava.
A última vez que eu decidi algo sem levar Oliver em consideração foi... Meu encontro duplo com Ronnie, Cait e Barry? Hm. Eu havia levado Oliver em consideração ali, mas não havia escolhido ele.
— Pela sua cara, isso foi a muito tempo...
— Sim.
— Você é singular antes de ser plural. Uma coisa é você tomar decisões pelo bem do seu relacionamento com ele, outra coisa é você tomar decisões pelo bem de Oliver. — ele disse e eu abri minha garrafa de kombucha para tentar fazer o burrito descer com mais facilidade. — Na minha opinião, todos os relacionamentos são tóxicos, mas nós dosamos o quão tóxicos podem ser.
— Quando você ficou tão sábio? — alfinetei e ele riu.
— Quando você terminou comigo e eu tive que sair da minha fossa sozinho.
— Você me traiu e ainda esperava algum tipo de ajuda de mim?
Cooper ergueu uma sobrancelha em minha direção e eu voltei a comer.
— Você faz soar como se eu tivesse levado ela pra cama, mas foi apenas uma beijo...
— Traição do mesmo jeito.
— Justo, mas se seguirmos sua linha de raciocínio, Oliver não te traiu então, certo?
Não.
Mas isso não se aplicava ao caso quando se tinha um anel de noivado envolvido.
— O único problema em querer tempo e espaço somente seus, é que você não sabe ao certo quando voltar á mundo real. Você precisa da sua família. Você precisa de seus amigos. Eles fazem parte também. A pegadinha é a dosagem. — ele disse e eu cheguei na metade do meu burrito e ele já estava terminando o dele.
— Se eu fizer isso vai ser pior que uma avalanche...
— Prefere ficar andando em gelo fino, então?
Ergui uma sobrancelha em sua direção e ele riu.
— Foi você que começou as metáforas, não eu.
—-
— Você não precisa esperar...
— Mas eu vou, você disse a mesma coisa da última vez e eu esperei. — disse Cooper com seu tom de voz teimoso e eu assenti.
Ele apertou meu ombro de leve e voltou a se recostar em seu carro, cruzou os braços e acenou para a entrada do prédio. Eu assenti e me virei para a entrada do prédio.
Demorou cinco dias, mas Cooper havia me convencido a voltar para o mundo real e enfrentar a consequência de tudo que eu havia feito e de quem eu havia afastado no processo.
A primeira pessoa era Oliver. Não iria negar a oportunidade dele se explicar e quem sabe até pedir desculpas. Eu não estava na posição de fazer isso quando havia desaparecido completamente por quase uma semana, porém, eu não seria Felicity Smoak se não tivesse meus planos de contingência.
Se nossa conversa fosse ruim. Eu ainda tinha meu próprio apartamento. Uma boa quantia em dinheiro para emergências. E uma oferta de emprego em aberta feita pelo próprio Bruce Wayne sendo apoiado por Lucius Fox. Eu teria para onde ir. E com esse tipo de pensamento, eu me enchi de coragem mais uma vez e entrei dentro do prédio.
Acenei para Anthony que retribuiu com um aceno discreto e entrei dentro do elevador privado de Oliver. Coloquei a senha para ir para a cobertura e a caixa de aço começou a subir. Me analisei no espelho e empurrei os óculos para cima do meu nariz. Havia escolhido a melhor armadura que tinha. Um vestido e um par de saltos altos. Não coloquei maquiagem alguma e deixei meu cabelo solto.
As portas se abriram com um "plin" e eu saí do elevador. O apartamento estava completamente escuro, mas eu sabia que Oliver estava em casa. Jason estava lá embaixo e depois de ver Oliver sair do escritório pelas câmeras, ele tinha que estar aqui. Não tinha? Havia outros lugares como a Mansão Queen, seu antigo loft e a casa de Laurel, mas eu me arrisquei vindo pra cá.
Ascendi a luz da sala e vi o paletó e a maleta de Oliver no sofá. A cozinha estava fazia, mas o balcão estava decorado para um jantar á dois. Engoli seco. Será que Laurel estava vindo pra cá também? Deixei minha bolsa ali também junto com as coisas dele e ouvi o barulho de música abafada vindo bem baixo pelo corredor. Ele estava na academia? Segui o heavy metal que estava tocando e encontrei Oliver em cima da sua engenhoca fazendo exercícios na barra.
Ele estava de costas para mim e duvido que sabia que eu estava ali.
A música estava bem alta.
Quando sua série de exercícios na barra terminou junto com a música, ele desceu dali pousando no chão sem fazer muito barulho e enxugou o rosto suado em uma toalha. Bebeu água e respirou fundo três vezes. Eu pausei a próxima música no painel ao lado da porta e quando Oliver ia subir na engenhoca novamente, notou que a música estava demorando para começar e se virou.
— Desculpe interromper essa... Coisa. — eu disse acenando para a engenhoca.
Dei dois passos corajosos para dentro da academia.
Oliver parecia paralisado. Não sabia se a emoção em seus olhos eram de medo ou de surpresa. Talvez os dois. Seu corpo estava rígido da cabeça aos pés, mas poderia ser resultado da malhação e não porque eu estava ali.
— Felicity...
— Oi.
Não sabia o que dizer além disso. Eu havia vindo para escutar, e não falar.
— Agora é só eu e você, Oliver.
Vendo ele assim, eu senti algo novamente além de resignação. Eu praticamente ouvi meu coração rachar dentro do meu peito. Você sabe que realmente ama uma pessoa quando não se importa dela ter te machucado. Cruzei meu braços levemente e ele deu um passo em minha direção e respirou fundo.
— Onde infernos você estava?
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