Extreme Love
3 Capítulo 3
Notas iniciais

Acordei no meio da tarde com o familiar formigamento nos braços. Fui até o banheiro e tomei um banho gelado e rápido. Depois de vestido, fui até a sala e me pus na frente do totem de madeira.
Os movimentos de Caratê e Wing Chu fluíram alternadamente e a cada golpe que eu dava, mais força era usada. Não parei até que o totem estava quebrado em pedaços no chão. Deixando apenas o suporte intacto.
Me lembrei das brigas que já me meti e de todos os caras que já eu bati. Eram muitos. Eu mal conseguia lembrar os nomes e os rostos, mas tinha um em especial que eu me lembrava muito bem.
David Newton. Mais conhecido como um velho amigo. Eu o conheci em uma das minhas viagens ás faculdades. Harvard. Quando eu quis ser advogado com dezoito anos. David era bem amigável, diria até submisso, e eu gostava disso até que ele conheceu a minha ex-namorada do colégio.
Dinah Laurel Lance. Ela era aquele tipo de garota que todos os caras querem em uma garota. Bonita. Inteligente. Educada. E boa de cama. E tudo isso sempre chamou atenção, e ela me traiu com David em uma das festas de fraternidade.
Eu "desandei" como minha mãe sempre disse depois disso. Se meu nome não estivesse em pelo menos três manchetes diferentes á cada dia, era estranho. Brigas, festas e drogas. Os advogados da família Queen eram muito bem pagos e já me livraram, pelo menos, quatro vezes da prisão.
Laurel sempre quis reatar, mas eu nem me aproximava dela.
Foi aí que eu fui para Yale. Desta vez eu queria ser um médico com dezenove anos. Ginecologista, para ser mais específico. E depois para Oxford, já ali eu não tinha um objetivo, eu só queria estar bem perto do centro de pubs de Londres. Até os meus vinte e um, eu nunca tinha pisado dentro de uma sala de aula das três faculdades em que frequentei.
Alguns meses depois disso, Robert Queen morreu afogado na viagem que fez com o Queen's Gambit para Monte Carlo. Minha mãe entrou em depressão profunda, Thea começou a agir como eu e a empresa quase faliu.
Foi o meu choque de realidade, apesar de todos os sentimentos que eu sentia, eu tirei minha mãe do quarto, coloquei Thea de volta do colégio e pedi ajuda para Walter Steele. O melhor amigo de meu pai. Ele junto com Malcom Merlyn, pai de Tommy, ajudaram a família Queen a se restabelecer.
Mamãe melhorou e casou com Walter. Thea tirava notas boas e estava longe da vida que eu levava. Eu tive a grande ideia de vir para Central City e cursar Economia para assumir a Queen Consolidated como era o desejo de meu pai, mas não quis ficar muito longe de Starling City e de mamãe e Thea.
Continuei com as drogas e as festas até o segundo ano de faculdade, depois de um acidente de carro que quase me deixou paraplégico, eu parei com tudo. As festas, as drogas... E fui buscar as brigas de um jeito mais justo. Tommy me apresentou Ra's que era um velho amigo de seu pai e eu comecei a treinar junto com ele até hoje.
Ra's me botou nos trilhos e guiou toda a raiva e ódio para o ringue, fisicamente eu me sentia pronto para enfrentar um exército completamente sozinho, mas mentalmente estava acabado. Não conseguia processar nada, nada além de ver meu oponente deitado no tatame e eu em pé.
As aulas da faculdade também melhoraram e em poucas semanas eu havia virado o queridinho dos professores e minha popularidade só crescia, esse último para o meu desgosto. Os paparazzis e repórteres cansaram de mim depois que viram a minha vida mudar de polêmica para algo que não iria vender revistas e tem sido assim desde então. Todo mundo aprovou a mudança, menos Tommy que se queixava da minha falta se socialização.
Fui até o andaime com a barra em mãos e comecei uma série de flexões e depois as séries entre os espaços. Meu celular começou a tocar e eu o ignorei. Não queria Tommy me enchendo o saco para ir em outra festa novamente. Eu tinha a mais absoluta certeza que eu precisava treinar e não relaxar por hoje.
Depois de um tempo, o toque parou. Para recomeçar novamente. Ignorei ele e ergui meu corpo na barra até a altura do quadril e depois sentei na mesma e prendi meus pés firmemente, comecei os abdominais e o celular não para de tocar.
Suspirei e desci do andaime. Quando cheguei perto do celular, vi a foto de Thea na tela e corri para atender.
— Finalmente! Está me evitando? — soou a voz dela do outro lado da linha e eu sorri.
Dramática, como sempre.
— Não.
— Por que não atendeu da primeira vez?
— Por que continuou ligando? — rebati e ouvi um bufo e depois um suspiro. Por fim, ela decidiu não discutir comigo o que era bom. Poupava bastante saliva.
— As férias de julho estão acabando e o casal sensação foi para Paris curtir o resto delas e eu pensei... Por que não visitar meu irmão preferido? — ela disse e eu sabia que tinha algo por trás.
— Eu sou o seu único irmão, Thea. Desembucha. — eu disse secando meu rosto com uma camiseta que estava jogada em cima do sofá, perdida.
— Ah, eu quero sair daqui um pouco. Está tudo chato e eu me recuso á ir ao Summer Break da Charlotte Baker! — disse com a voz fina igualzinha a de Charlotte Baker e eu ri. — Mamãe deixou eu faltar á esta tortura e eu estou querendo ver você.
— Vai adiantar alguma coisa se eu disser que estou ocupado demais treinando?
— Não porque eu iria convencer Tommy e adivinhe só... Eu também estou treinando agora. — ela apontou e eu me surpreendi.
— A rainha da preguiça, Thea Queen, está praticando esportes? — perguntei e ouvi uma risada falsa dela.
— Não soe tão surpreso. Chego aí pela manhã e eu acho bom você ir me buscar na estação de trem bem cedo. É apenas uma hora de Starling para Central. — disse e eu soltei um "Hm" em concordância quando vi Tommy entrar em seu apartamento com Sara, Felicity, um cara negro com um afro enorme e outra garota ruiva.
— Ahm, eu te busco sim...
— Ollie! — exclamou Sara assim que me viu.
— "Ollie"?— perguntou Thea, ela provavelmente ouviu a voz de Sara.
— Tchau Thea. — eu disse e desliguei sem dar chance de ela perguntar qualquer coisa ou se despedir de mim.
— Nós, definitivamente, temos que parar de nos encontrarmos assim. — cochichou Felicity para o cara negro que estava balbuciando com se rezasse.
Felicity apenas foi até a cozinha atrás de Tommy.
— Desculpe a invasão, Tommy nos chamou para assistir o novo episódio de Game Of Thrones na TV de plasma dele. — disse Sara assim que eu vesti uma camiseta.
Eu assenti com um sorriso convincente.
— E nós trouxemos comida chinesa para alimentar um pequeno país.
— Só vou tomar um banho e eu já volto. — eu disse e ela assentiu com um sorriso.
— Posso esfregar suas costas? — sussurraram baixinho e eu me virei tentando identificar a voz, a ruiva e o cara do afro apontaram para Felicity que estava carregando pratos ao lado de Tommy e ela corou assim que me olhou, obviamente não foi ela.
Sara apenas riu e se jogou no sofá.
Quando cheguei no banheiro, encarei meu reflexo fixamente. Eu precisava fazer a barba logo. Primeiro Thea e agora eles... Péssima hora para ter um episódio sobre meu temperamento. Rezei para que eu conseguisse me controlar e não sair destruindo tudo pela frente.
Tomei um banho bem demorado e com toda a água quente possível, fiquei debaixo d'água até meus dedos enrugarem e minha pele ficar bem vermelha. A água conseguiu relaxar meus músculos e eu fiquei bem grato por causa disso.
Vesti uma calça de moleton e uma blusa de manga comprida, fiquei descalço e voltei a tempo de ver a garota ruiva e Sara trocando um beijo no sofá e o cara do afro junto com Felicity e Tommy estava discutindo sobre algo e rindo ao mesmo tempo com eles.
— Hey Oliver! Deixa eu apresentar todo mundo... Este é Curtis Holt e aquela é a Dianna Lewis. Eles trabalham no Star Labs com a Sara. — disse Tommy apontando para o cara do afro e a ruiva que era o par de Sara hoje.
— Chegou na hora certa Oliver, vai começar! — disse Curtis me entregando uma caixa de papel grande com dois hashis, eu acampei no chão perto dele e de Tommy. Felicity também preferiu o chão ao sofá, mas ela ficou perto dos pés de Sara.
Game Of Thrones. Eu só tinha assistido até a quarta temporada, mas eu li todos os livros. Não fiquei perdido, John Snow morreria de qualquer jeito. Abri a caixa e comi o yakisoba quando fui cutucado por Tommy, olhei para ele discretamente e ele piscou em direção á Felicity e eu suspirei. De modo discreto e sem chamar a atenção dos outros, nós trocamos de lugar e ele ficou bem mais perto de Felicity do que eu estava.
— Diga para o seu amigo que ele não irá conseguir nada com ela. — sussurrou Curtis ao quebrar um biscoito da sorte no meio e abrir a mensagem.
— Ela é lésbica também? — sussurrei de volta e ele sorriu negando.
— Apenas acabou de sair de um relacionamento e a viagem é para ela superar Cooper e não arrastá-la para mais problemas e Tommy Merlyn é a definição de problema. — ele sussurrou e eu ri.
Eu sabia. Todos fugiam de Starling City por alguma razão.
Felicity Smoak estava fugindo de seu ex-namorado, Cooper. Olhei para ela que estava rindo de alguma besteira que Tommy havia dito e depois ele apontou para mim e ela olhou. Sorri de modo compreensivo, ela olhou para Curtis e de algum jeito soube que eu sabia sobre seu pequeno segredo. Pisquei para ela e depois me foquei na TV... E não é que o Snow volta dos mortos?
—-
— Irmãozinho! — gritou Thea assim que me viu. Eu ri e ela correu com sua mala até onde eu estava e depois se jogou em mim. A cena era até engraçada para as pessoas ao redor. — Ow... Esteroides e anabolizantes fazem mal á saúde, irmãozão.
— Não preciso disso.
— Ótimo.
— Como foi o caminho?
— Tranquilo, mas eu realmente acho que as estações deviam abastecer as máquinas de refrigerante dentro dos trens. — disse depois que o abraço acabou.
Peguei sua mala e ela entrelaçou o braço no meu.
— Está com fome?
— Sim. O atalho mais rápido para o coração da sua irmã tem pão, hambúrguer, queijo, tomate e batatas fritas, sabia? — perguntou com os olhos castanhos pidões.
Quando chegamos á rua, ela começou a tagarelar as últimas novidades de Starling City. Walter estava atuando como CEO da Queen Consolidated até que eu terminasse a faculdade, mamãe estava pensando em se candidatar para prefeita e ela estava enfrentando o último ano do colégio e depois queria abrir uma boate.
Joguei a mala dela no banco traseiro do meu carro assim que chegamos no estacionamento. A cada farol vermelho em que parávamos, Thea fazia algum comentário sobre a cidade. Como era agitada, fedia a fumaça, muito barulhenta, muitas crianças barulhentas.
— Se você queria calmaria deveria ter ido ás ruínas de Machu Pichu. — eu disse e ela revirou os olhos. — De novo.
— A empresa vai fazer aniversário e o conselho quer fazer uma homenagem para o papai na festa. — comentou ela com um olhar perdido.
— E você não aprova?
— Não é isso! Claro que aprovo. A Queen Consolidated é o que é hoje por causa do nosso pai, mas esta homenagem ou... Memorial, só me lembra mais uma vez que ele morreu e não vai voltar. Torna tudo ainda mais real do que já é, sabe? — disse ela com a voz trêmula.
Não falamos nada até que eu estacionei o carro na Lanchonete dos Allen e nós entramos. Isso seria interessante. Nenhuma das meninas conhecia Thea. Minha irmã escolheu uma mesa bem no fundo e afastada e Iris veio nos atender com a curiosidade queimando em seus olhos.
— Oi Oliver! — cumprimentou e eu sorri.
— Oi, Iris esta é minha irmã, Thea. Irmãzinha, esta é Iris West a melhor garçonete do mundo. — eu disse quando Iris sorriu e entregou os menus.
— Vou fingir que não ouvi isso Queen. — disse Caitlin aparecendo e colocando um açucareiro, um vidro de mostarda e ketchup na mesa enquanto minha irmã ria.
Elas voltaram para o balcão e Thea sorriu.
— Alguma delas é a sua namorada? — cochichou e eu ri, negando.
— Estou solteiro. — eu disse e ela assentiu.
— Então... Como eu disse, eu comecei a treinar também! — exclamou ao morder um canudo. — Primeiro foi apenas kickboxing, aí depois eu "evolui", digamos assim.
— Em que academia você está treinando?
— Em uma que o Brad recomendou. Instituto Lohan. É muito legal. — disse ela com um sorriso e eu abri o menu. — Pode chamar sua amiga simpática? Estou morta de fome.
Levantei o dedo e Iris voltou e se sentou ao meu lado com um sorriso.
— Então... Irmã mais nova do Queen, o que te trás á Central City? — perguntou ela e Thea riu.
— Visitar meu irmão e avaliar a academia em que ele luta, porque se for um lixo, eu te arrasto de volta para Starling City. — respondeu Thea para Iris e depois apontou para mim dando ênfase na sutil ameaça.
— Ah, duvido que você ache a academia do Ra's um lixo. Acho que vai querer treinar lá depois que conhecer. — disse Caitlin aparecendo e sentando ao lado de Thea.
Mulheres.
— Hey, eu me sinto mais faminto do que falante agora...
— Normal.
— Sempre e para sempre. — disse irônico para Iris depois de sua provocação.
— Deixa eu adivinhar. Dois hambúrgueres completos, fritas zoom e refrigerante? — perguntou Iris olhando de mim para Thea e de Thea para mim. Quando assentimos, ela escreveu em uma comanda.
— Você esqueceu o milk-shake de chocolate com baunilha do Oliver. — disse Caitlin e Iris anotou dois milk shakes da comanda. — Já já voltamos.
Elas saíram novamente e Thea riu baixinho.
— O que?
— Sua definição de amigas mudou muito desde a última vez que eu vim visitar você com mamãe. — disse e continuou a morder um canudo. — E o seu cabelo também.
— Digo a mesma coisa. — eu rebati e nós rimos juntos.
Thea sempre foi magrela ao extremo, não importava o quão boa de garfo era. E o cabelo sempre fora comprido até o meio das costas. Agora ela estava em forma, com bíceps tomando forma e seu cabelo estava na altura da orelha. Os olhos castanhos brincalhões continuavam os mesmos sendo realçados pela maquiagem escura que ela sempre usava. E as roupas de Thea tinham uma cor que não era apenas preto agora, também.
— Almoço Queens. — disse Caitlin aparecendo com um bandeja forrada de comida gordurosa. Até que foi bem rápido. Ela serviu os hambúrgueres, as fritas douradinhas, o refrigerante e o milk-shake. Thea agradeceu rapidamente á Caitlin e atacou sem modéstia e nem hesitação. — Ela come que nem você. Os nachos são meu presente e de Iris de boas vindas.
Thea olhou para mim receosa e eu ri.
— Encare como um elogio e coma os nachos. — eu disse antes de dar a primeira mordida no meu lanche. Nós comemos e ela começou o interrogatório sobre a faculdade, a academia, as lutas e Thea não seria Thea se não perguntasse sobre a minha vida amorosa.
— Quando eu te liguei eu ouvi a voz de uma garota. Não adianta negar Oliver, sei que está com alguém. — exclamou minha irmã apontando uma das batatas fritas para mim com um olhar acusador.
— Aquela voz era de Sara.
— Sara Lance?! — gritou e depois tampou a boca quando percebeu o que tinha feito.
Desatei a contar o que tinha acontecido entre Sara e Tommy, ela riu bastante e depois sobre a noite em que Curtis, Dianna, Sara e Felicity vieram assistir Game Of Thrones.
— Sempre gostei mais de Sara do que de Laurel. — opinou Thea quando terminamos a refeição e ela estava comendo o queijo derretido dos nachos com a batata. — Ela apareceu na festa do Memorial Day que mamãe sempre faz, ela é promotora agora.
— Bom para ela, já pensou em que faculdade fazer? — eu perguntei e ela sorriu.
— Como eu disse antes, quero abrir minha boate. Então algo relacionado á eventos, mamãe até já concordou. — disse ela e depois tomou um gole enorme do milk-shake.
Thea parecia bem.
— Por mais que eu tenha amado a comida, eu quero conhecer este tal Ra's e a academia dele. Tipo... Agora. — disse ela e eu ri antes de tomar o resto do meu milk-shake. — Ele te transformou Oliver! Quero conhecer este milagreiro.
— Não está cansada?
— Nope.
Paguei a conta e deixei gorjetas para as meninas e Thea, literalmente, saltitou até o carro. Ela ligou o meu rádio — sem a minha permissão -, colocou em uma estação que estava tocando música pop e ainda colocou os pés no painel do carro. Eu amava minha irmã, mas há alguns limites que não devem ser ultrapassados. A começar pela música. Ninguém toca na música. Coloquei em minha estação preferida e ela revirou os olhos quando o rock pesado começou a tocar, mas não reclamou.
— É impressão minha ou tudo na cidade tem um caminho direto para o campus? — perguntou ela olhando as ruas.
— Não é coincidência. — eu disse em um tom conspiratório e ela arregalou os olhos.
— Okay... — disse arrastando a voz. — Uau!
Disse com a boca aberta assim que viu a fachada da academia. Eu sorri e ela saiu do carro antes que eu terminasse de estacionar no meio fio. Parou na entrada e observou a estrutura chinesa engolindo cada detalhe.
— Vamos. — eu disse e abri a porta. Ela entrou analisando toda a recepção e depois olhou para cima quando ouviu a música e os gritos de guerra nos andares á cima. — Você quer conhecer a academia ou Ra's?
— O milagreiro primeiro. — respondeu e eu andei até a administração. Berta não estava lá e muito menos Ra's. Voltei e encontrei Thea analisando uma folheto que Shado provavelmente deu para ela.
— Onde está Ra's? — perguntei.
— Ahm, classe de Krav Maga. — respondeu Shado digitando algo no computador rapidamente e depois sorrindo.
— Obrigada.
Thea subiu as escadas olhando tudo ao redor, depois encarando cada instrutor, aluno e aparelho disponível na academia e por fim, encarando cada sala de lutas marciais pelas paredes de vidro.
— Thea conheça Ra's Al Ghul. — eu disse apontando para uma delas.
Ra's estava usando moleton e estava descalço. Ele estava observando a interação de uma garota loira com um dos novatos nas posições iniciais de defesa do Krav Maga. Seu olhar clínico não perdia um movimento se quer.
— Ele parece ser durão. — disse Thea e depois caminhou para mais perto do vidro.
Em um momento rápido o novato estava no chão depois de ter sofrido um ataque surpresa da garota loira e Ra's deu um de seus raros sorrisos aprovando o progresso da garota, até que ela começou a se desculpar com o novato. Ela se virou para pegar algo na bolsa e eu vi seu rosto. Era Felicity.
— Al Sah Him. — chamou Ra's e todos olharam para mim.
— Quem? — perguntou Thea olhando ao redor e depois olhou para mim. — Você?
— Uhum, longa história. Versão curta, este é o meu nome aqui. — eu disse e depois nos aproximamos da sala, parando na porta. — Esta é a minha irmã, Thea Queen e ela queri...
— Muito de conhecer e agradecer pelo que fez com o meu irmão! — completou Thea com um tom de voz animado que fez Ra's erguer uma sobrancelha e sorrir levemente.
— Eu não fiz nada com o seu irmão. Só direcionei o potencial dele. — disse Ra's me encarando. — Você vai começar as aulas também?
— Talvez. — respondeu Thea antes que eu pudesse falar alguma coisa. — Você foi muito boa, ele caiu que nem fruta podre.
— Obrigada. — agradeceu Felicity corando. Percebi que ela estava usando roupas de ginástica e tinha muita pele exposta. Hm. — Mas eu só estou começando...
— Você começou hoje e já dominou a parte de defesa com maestria. Aceitei o elogio Felicity. — disse Ra's e Felicity assentiu e se curvou levemente para Thea que retribuiu com um sorriso. — Nicholas... Cinco minutos.
O novato assentiu e saiu da sala sem dizer uma palavra, o que chamou a atenção de Thea. Felicity pegou uma garrafinha de água na sacola esportiva cor de rosa dela e bebeu um grande gole.
— Vamos conhecer o centro. — eu disse puxando a camiseta de Thea e ela sorriu uma última vez para Felicity e Ra's.
— Prazer me conhecê-los.
Quando descíamos as escadas, ela parou e se virou para mim por completo. Cruzou os braços e semicerrou os olhos. O que eu fiz agora?
— O que?
— Você tem que ser mais discreto quando for secar meninas com roupa de ginástica, está parecendo Tommy deste jeito. — disse ela me analisando e por fim voltando a descer as escadas.
— Eu não sequei ela.
— Aham. Tá bom.
— Eu não sequei ela. — reafirmei e Thea revirou os olhos para mim sorrindo.
Eu sequei ela?
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