Extreme Love
24 Capítulo 24
Notas iniciais

— Oh!.. Felicity, oi. Como vai? – perguntou Laurel se recuperando de seu choque ao me ver ali e depois sorriu falsamente. – Estava dizendo á Oliver que estava passando pelo bairro por acaso, e Moira havia me contado que ele estava de volta na cidade por alguns dias... Resolvi fazer uma visitinha.
— Visitinhas ás 22h:21min da noite? – perguntei olhando no relógio da parede rapidamente e me surpreendendo a quantidade de tempo que eu e Oliver havíamos gastado em nossa... Atividade. – Estranho, você sabe que a cidade á noite é bem perigosa, ainda mais para uma mulher desacompanhada.
— Eu sei me defender muito bem. Oliver me ensinou alguns movimentos de boxe enquanto namorávamos. – ela disse e socou o ombro de Oliver levemente e riu baixinho. – Não tenho medo de andar sozinha á noite.
Hm.
— Mas esse é o problema, Laurel. Medo é uma coisa maravilhosa de certo modo, ele ativa o nosso modo de sobrevivência. – eu disse e ela cravou seus olhos em mim. – Medo nos ajuda á não subestimar pessoas.
Ela ergueu uma sobrancelha ao ouvir o tom de aviso em minha voz.
— Porque algumas pessoas tendem a cometer o erro de pressionar uma pessoa e achar que está tudo bem, até que esta pessoa pressiona de volta... – eu pontuei e ouvi o “plin” do micro-ondas. – Oh! Eu vou ir ver o chocolate! Foi bom te ver, Laurel.
— Igualmente, Felicity. – ela rosnou e eu sorri simpática.
Girei em meus pés e me afastei do toque de Oliver, caminhei para dentro do loft novamente e foi até a cozinha, fervendo de raiva, e peguei o chocolate derretido ponderando que tipo de queimaduras Laurel teria se eu jogasse ele na cara dela? Segundo ou terceiro grau? Ela iria precisar de enxertos de pele? Hm, porém seria um desperdício se eu fizesse isso e uma pena... Para o chocolate.
Deixei o chocolate em cima da bancada com as frutas e o chantili e decidi que não estava mais no clima para usar eles. Optei então ir para o andar de cima, ignorei a cama de Oliver e fui até o banheiro.
Lavei o rosto e depois o sequei. Observando a mim mesma no espelho, notei que Moira realmente não gostava de mim. Se mandar Laurel aqui, na parte mais perigosa da cidade á essa hora da noite, fosse alguma indicação disso, mas por que? O que eu havia feito para ela? O que havia em mim que não enquadrava no perfil dela? Eu era loira, tinha olhos azuis e era mais do que bem-sucedida na minha profissão. Morava sozinha e não dependia de ninguém... Talvez fosse exatamente isso.
Talvez fosse a ideia de não poder me controlar que ela não gostasse.
— Felicity? — ouvi a voz de Oliver no andar debaixo e suspirei.
Eu estava verde de ciúmes... Era essa expressão correta? Não. A expressão correta era: verde de inveja, porém nada em Laurel provocava uma simples centelha de inveja em mim. Mudemos a cor para roxo, eu estava roxa de ciúmes, curiosamente, era o mesmo tom de roxo que eu adoraria pintar na cara da irmã mais velha de Sara.
— Felicity? — chamou de novo e eu saí do banheiro e caminhei até a grade que dava a visão da sala de estar e da entrada por completo. Oliver estava digitando algo em seu celular.
— Como posso ajudar? – perguntei alto suficiente para ele ouvir, e ele se virou para mim e vi que estava me ligando.
— Pensei que tinha ido embora... – ele disse jogando o celular no sofá.
— Por que eu iria?
Subiu degrau por degrau da escada de ferro batido e veio caminhando lentamente até ficar de frente para mim. Ele me observou atentamente procurando algo em meu rosto, e pelo jeito que me olhou, não achou o que procurava.
— Suas exs aparecem muito por aqui? – perguntei deslizando minhas mãos por seu ombros até entrelaçar as duas no seu pescoço.
— Não. A únicas pessoas que sabem sobre esse loft são minha mãe, Tommy, e você. Por tabela agora, Laurel, mas isso não importa. – ele disse e eu assenti. – Felicity?
— Hm?
Ele me olhou atentamente. Azul contra azul.
E depois ergueu uma sobrancelha.
— Você ficou com ciúmes dela? — perguntou horrorizado.
— Da sua ex que apareceu tarde da noite na sua porta vestida para matar? Deixa eu ver... – disse me afastando dele e batendo a ponta do polegar no queixo, pensativa. – Só um pouquinho, porque isso me lembra certa situação que ocorreu á poucas horas que há fatores semelhantes e ela não acabou bem.
A expressão de Oliver ficou com aquela sombra ameaçadora, mas eu não recuei.
— Se não me falha a memória, socos e muita porrada aconteceram também...
— Smoak... Você não vai ir atrás de Laurel, só para bater nela.
Eu ergui uma sobrancelha.
— Ela é filha do capitão da polícia de Starling City e ainda é promotora pública, está pedindo uma passagem só de ida para prisão... – ele disse com uma voz cheia de humor negro. – Confie em mim, eu já estive lá, não é um lugar agradável.
— Eles não mandam as loiras para Iron Hights, Oliver... E quem sabe o preço da passagem valha a pena. – eu disse e me joguei no meio de sua cama.
— Não brinque com isso, Felicity... – ele disse e parou na minha frente com os braços cruzados.
Se eu não estivesse fervendo de raiva de Laurel, eu poderia ter achado completamente excitante, mas eu não estava mais no clima para sexo. Quem sabe eu poderia achar alguma coisa na deep web sobre Laurel que deixe as coisas mais... Interessantes.
— Felicity, seja lá o que você está planejando pode parar... Eu não vou deixar você comprar briga com ela. – ele disse e eu me apoiei nos cotovelos.
— Por que está defendendo ela tanto assim?
— Não estou! Eu tentando prevenir que você entre em problemas!
— Eu gosto de problemas, Oliver. Você é a prova viva disso. – eu disse e me sentei na cama.
Ele apenas ergueu uma sobrancelha para mim sem muita paciência, seu rosto estava tensionado para caralho! Ou seja, ele estava falando sério, mas eu não conseguia acreditar que Laurel Lance pudesse me trazer qualquer tipo de problema que não fosse resolvido na base dos punhos.
— Oliver, eu não irei fazer nada com a sua preciosa Lance... – eu disse me levantando e quando de um passo em direção as escadas, ele pegou meu braço gentilmente.
— Smoak, não distorça as coisas. Laurel é meu passado assim como Cooper é o seu. Eu não me importo com eles, apenas com você porque eu te amo. – ele disse e eu assenti com um sorriso fechado.
— Eu sei, eu também te amo Oliver, mas ela passou dos limites! – eu exclamei e ele suspirou. – Se invadem o meu território, eu retribuo o favor.
— Ela só vai nos afetar se você permitir...
— Eu acho que vou para casa...
— De jeito nenhum! – exclamou ele no meio da minha frase. – Não.
— “Não”? – perguntei franzindo as sobrancelhas.
— Não. Você não vai sair á essa hora sozinha nesta parte da cidade. Se Laurel tem um desejo de morte, o problema é dela. Eu não vou arriscar com você. – ele disse e me puxou para perto.
Hm.
— Oliver...
— Felicity, não. Eu não me importo de dormir no sofá se distância é o que você quer, mas você não vai embora agora. – ele disse pontuando cada palavra com um tom firme e eu sinceramente não queria ir embora, mas todo o clima tinha ido pro brejo e eu não queria brigar com ele por algo tão insignificante como Laurel Lance.
Eu precisava de tempo e espaço para pensar. Essa semana foi uma loucura só. Primeiro Isabel, depois Cooper e agora Laurel... Minha paciência foi esgotada rapidamente, mas eu não queria descontar em Oliver ainda mais do que já tinha descontado por ciúmes bobo.
— Você não precisa dormir no sofá... – eu disse e seu rosto relaxou visivelmente quando viu que eu não queria mais ir embora. – Pode dormir na sua cama.
Ele assentiu levemente.
— Oliver. Eu sei que tudo isso que nós temos é novo e tem coisas que não sabemos lidar, mas eu realmente preciso de um tempo para pensar. Esse final de semana foi uma loucura, e amanhã você volta para Central City... – eu disse e a verdade em minhas próprias palavras foi como um tapa na cara.
Ele voltava amanhã.
— Eu não quero colocar mais de 150 quilômetros entre nós dois, enquanto estamos brigados. – ele disse em voz baixa e eu assenti.
— Eu fiz uma promessa para você e vou manter ela, Queen, mas você não pode realmente acreditar que Laurel tenha boas intenções aqui! – eu disse e ele apenas maneou a cabeça.
— Nós dois sabemos que não é apenas Laurel com segundas intenções por trás de tudo isso.
— Moira? Sim, ela também, mas eu realmente não gosto de pensar que ela me odeia tanto assim. – eu disse e voltei a sentar no pé da cama. – O que ela viu e não gostou? Eu sou super legal!
Ele riu e se abaixou na minha frente.
— Você é o oposto de Laurel.
— Isso realmente é uma coisa ruim? – perguntei erguendo uma sobrancelha e ele riu novamente.
— Ela viu que nesse relacionamento... Eu dependo mais de você, do que você de mim. Você não deu brechas para ela intervir, Felicity. Não tentou agradá-la para fazer ela gostar de você. – ele pontuou. – Eu conversei um pouco sobre isso com Tommy e ele concordou. Minha mãe não odeia você, ela odeia o fato de que não pode interferir.
Eu assenti levemente. Foi o que eu pensei também.
—-
— E eu achando que tinha problemas com a irmã de Paul... – disse Curtis com as sobrancelhas erguidas depois que eu contei o que havia acontecido no meu final de semana com Oliver.
— Bom... Eu realmente não sei o que fazer. Eu não quero criar mais intrigas entre Oliver e a família dele, mas ao mesmo tempo não quero abaixar minha cabeça para as investidas de Laurel e muito menos de Moira. – eu disse me encostando na mesa.
Os testes da ECO-AD estavam sendo ótimos e os resultados melhores do que Curtis e eu pudéssemos imaginar que seriam. Minha vida profissional nunca esteve melhor, mas parece que minha vida pessoal nunca esteve tão ruim.
— Eu realmente queria ter palavras de sabedoria para você, mas este trabalho é o de Sara e não meu... – ele disse e eu assenti levemente. – Mas o que eu posso dizer é que você não deve abaixar a cabeça para ninguém, se elas vierem para cima de novo, rebata. Não se deixe abalar.
Respirei fundo e cruzei os braços, pensativa.
O que fazer?
Oliver tinha ido embora ontem de noite junto com papai e Nyssa para Central City novamente. A noite foi arruinada pela visita de Laurel, mas a manhã seguinte foi bem interessante. Eu tomei café da manhã com os três e depois Roy se juntou a nós, e foi levemente estranho, mas não um estranho ruim, foi um estranho bom. Muito bom.
Depois de assistir Homem Aranha: Homecoming com Oliver no cinema, ele me deu lições de como andar em seu moto e foi muito divertido. Depois disso ele teve um jantar em família, imagine a minha surpresa ao descobrir que Laurel esteve lá, e isso me fez eu me arrepender de não ter ido, porém...
Foi para o melhor. Eu gosto de pensar assim.
Ele veio para minha casa logo depois e me contou tudo que aconteceu. Moira já estava começando a sondá-lo sobre a presidência da Queen Consolidated. Assistimos a metade de uma metade de um episódio de Doctor Who até eu pular em cima dele. Sexo de despedida não é bom, confiem em mim. E para me distrair disso, ele até me deixou pilotar no caminho para estação de trem. Me despedi de todos e voltei de táxi para casa, me sentindo terrivelmente sozinha até receber uma mensagem de Curtis dizendo sobre uma briga que tinha tido com Paul e a sua irmã.
Me senti reconfortada.
— Srta. Smoak? – chamaram e eu me virei para a porta onde a assistente de Moira, estava me encarando com um olhar medroso. – A Sra. Queen pede que você vá encontrar ela assim que possível.
Fechei os olhos e respirei fundo.
— Falando no Diabo... – sussurrou Curtis girando sua cadeira até ficar de frente com os relatórios que tínhamos que entregar até o final da semana.
— Sabe do que se trata? – perguntei e a assistente negou. – Okay... Curtis se eu não voltou em 30 minutos, chame a polícia.
Curtis riu e até a assistente sorriu levemente. Saí da sala sendo seguida pela assistente e nós pegamos o elevador privado que ia direto para o 74° andar. Não falamos nada até 20° andar, e depois ela comentou que Moira estava irritadiça com dois investidores que não queriam apoiar seu evento beneficente em prol das vítimas da devastação que aconteceu em Porto Rico. Quando passamos o 56° andar ela disse que Moira anda recebendo visitas de Laurel com bastante frequência e depois me olhou estranho.
— Desculpe se isso lhe ofender, mas... Por que a Sra. Queen não aprova seu relacionamento com o filho dela? – perguntou timidamente e eu ri sem humor algum.
— Não ofendeu, Kara. Moira Queen não aprova meu relacionamento com Oliver, porque eu simplesmente não me deixo abater por ela ou pelo o que ela representa. Ela não pode controlar a mim e muito menos meu relacionamento com Oliver. – eu disse e as portas se abriram. – E eu tenho quase certeza que ela me chamou aqui em cima para declarar guerra.
Os olhos de Kara se arregalaram e eu apenas sorri tentando passar confiança para ela, enquanto andava até a porta de Moira. Bati duas vezes e entrei. O escritório era maior do que meu apartamento e o do vizinho combinados.
Era aberto, claro e bem... Considerando o fato que o CEO, no caso Moira, fatura mais de duzentos mil dólares por hora, não era bem uma surpresa o ar de sofisticação ali presente. A mobília combinava com a cor dos tapetes, fotos da família de Oliver estavam espalhadas e em sua mesa, assinando alguns papéis furiosamente, estava a matriarca da família.
— A senhora queria me ver? – perguntei usando a voz mais doce que tinha.
— Sim, Srta. Smoak. Eu queria saber onde estão os relatórios sobre a ECO-AD deste mês, sei que muitos testes estão sendo realizados, porém não estou recebendo o feed-back do seu departamento. – ela disse sem olhar para mim.
— Acho que ouve algum engano, Srta. Queen. A cada teste que fazemos, um relatório é entregue para o chefe do departamento, no caso, a Srta. Rochev. E nós sempre entregamos para ela antes do prazo acabar. – eu disse confusa. Eu estava esperando uma declaração de guerra, mas ela queria conversar sobre trabalho?
— E como anda?
— Perdão?
— Como anda os testes?
— Ótimos! Os resultados são melhores do que qualquer poderia esperar e em menos de um mês teremos o produto pronto para a apresentação semestral ao conselho... – eu disse e ela assentiu e continuou assinando. O barulho da caneca raspando o papel pela mesa de vidro me dava aflição, fazendo um arrepio subir pela minha espinha.
— Vocês já tem em mente um próximo projeto?
— Sim, temos quatro. E todos eles irão se consolidar com a ECO-AD. – eu respondi e me distraí com uma foto de Oliver e Thea ao lado de Robert brincando na neve. Deveria ser Natal pelas roupas que eles estavam usando. – Sra. Queen?
— Sim?
— Eu sei que a senhora não aprova o meu relacionamento com o seu filho, e definitivamente não gosta da ideia de eu me relacionar com ele e ainda sim trabalhar aqui, porém... – ela levantou o olhar e jogou os óculos no meio dos papéis. – Eu realmente não me importo com o que a senhora pensa. Ele me faz feliz e eu faço ele feliz, e a senhora pode ficar a vontade para mandar Laurel e todas as exs namoradas dele que encontrar, eu não vou mudar de ideia.
— Srta. Smoak...
— Não. Eu só queria deixar isso bem claro. Qualquer outra questão relacionada a ECO-AD, eu ficaria feliz em responder, mas prefiro que você faça suas perguntas a minha chefe de departamento para depois eu não sofrer acusações de qualquer tipo. – eu pedi e minha voz saiu dura. – E se alguma vez o pensamento de me demitir passar pela sua mente, lembre-se que foi o Sr. Queen que fez questão de eu trabalhar aqui, e eu sou o membro mais valioso da sua empresa. Se me demitir, as ações da Wayne Enterprises irão triplicar em apenas um dia.
— Isso é uma ameaça?
— É um fato, Sra. Queen. Eu só compro briga quando sei que posso ganhar. E que venha a senhora, Laurel, Carrie, Makenna... Porque só Deus sabe o quanto eu esperei por isso. – eu disse e sorri maliciosa. – Boa tarde, Sra. Queen.
Girei em meus saltos e só respirei novamente quando passei pelas portas do escritório e as fechei. Uau. Eu realmente fiz isso. Eu declarei guerra contra Moira Queen e por tabela todas as exs namoradas do filho dela... Respirei fundo. Uau duplo. Eu realmente fiz isso!
Ri baixinho.
Oliver vai me matar.
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