Extreme Love
23 Capítulo 23
Notas iniciais

— Você quer conversar lá dentro? – perguntei e ele assentiu.
Nós entramos e eu me sentei no sofá, talvez, a única parte do meu apartamento inteiro que estava mais ou menos organizada. Eu sentei em uma ponta e ele em outra, ficamos em silêncio.
— Okay... Só diga logo o que tem para dizer. – eu disse e ele se virou para mim com as mãos cruzadas.
— Eu não consigo controlar o meu ciúmes. – ele afirmou e eu ergui uma sobrancelha. Me diga alguma novidade grandão. – E eu sempre consigo te magoar quando estou sentindo ciúmes. E eu fiz de novo.
Assenti levemente.
— Me desculpe por isso, mas não é algo que eu estou acostumado a sentir. Nunca fui esse tipo de namorado, e ver você com Sheldon só me lembrou do que aconteceu no passado e eu fiquei irritado. Precisava bater em alguma coisa. – ele disse e suas mãos se fecharam em punhos. – Mas isso não desculpa o que eu fiz com ele e nem o que eu disse para você depois.
Ele suspirou.
— O que eu sinto por você, Felicity... – ele esfregou as mãos no rosto.
— O que?
— Esse sentimento me assusta. – ele disse e isso me surpreendeu mais do que vê-lo de volta na cidade. – Eu lutei muito para ganhar algum controle sobre meu temperamento, mas qualquer coisa relacionada á você faz esse controle evaporar... Isso me assusta.
Nunca havia visto medo nos olhos de Oliver, mas eu estava vendo isso agora. E isso fez meu corpo inteiro se arrepiar de um jeito sinistro. Ele estava sendo mais do que sincero comigo. Tanto que parecia ter um aviso escondido em suas palavras para mim. Eu me virei totalmente para ele no sofá e cruzei as pernas de modo indiano.
— Oliver, eu...
— Cinco anos. Se passaram cinco anos desde a morte de meu pai, e nada de bom aconteceu comigo até você chegar. E me assusta saber que eu tenho o poder de estragar tudo isso que construímos em tão pouco tempo por causa do meu mau temperamento. – ele disse recostando no sofá, parecendo cansado.
— Hey, nós brigamos feio pela primeira vez, Oliver. – eu disse e me aproximei dele, pegando em sua mão. – Você não me perdeu, e muito menos estragou nada do que construímos até aqui, ou você quer terminar?
— Não! Mas...
— Sem “mas”. Nós temos que nos conformar que iremos brigar mais vezes, isso é completamente normal. Sentir ciúmes também é completamente normal! Eu até acho que brigar e discutir algumas vezes é saudável, significa que não estamos nos entediando. – eu exclamei tentando animá-lo. – Mas aquela coisa de sair batendo em outras pessoas não pode se repetir, você não tem que reprimir seus sentimentos, apenas os punhos, okay?
Ele sorriu levemente.
— Eu te amo, e quero fazer isso aqui... – fiz um gesto entre nós dois com a mão. — ... funcionar, mas você tem que me ajudar. Não há como manter um relacionamento sem reciprocidade. Isso se aplica em tudo assim como confiança, respeito, etc.
— Você é a pessoa que eu mais confio e respeito nesse mundo, Smoak. – ele disse e depois olhou para a minha mão que havia pegado uma das suas. A diferença de tamanho era gritante, mas de um jeitinho bem fofinho.
— Ótimo, porque você também é a pessoa que eu mais confio e respeito nesse mundo, Queen. – ironizei. – Me desculpe por ter dito aquelas coisas para você ontem, e ainda por cima ter perdido sua luta hoje.
— A luta não era importante.
— Então por que voltou de lá com um hematoma? – perguntei passando a mão em sua bochecha levemente.
— Estava distraído, mas depois do primeiro, eu acabei com ele e venci. – ele contou o resumo e eu ri. – Queria ter vindo antes, mas quis ver a luta do Harper e depois Thea me arrastou para um jantar em família...
— Eu tive um desses hoje também e conheci minha irmã mais nova. – eu contei e ele olhou com um pequeno sorriso para mim. – Você já conhecia Nyssa, não é?
— Sim. Ela começou a treinar quase na mesma época que eu. – ele contou e eu assenti.
— Nós estamos perdendo o ponto da conversa... – eu disse e ele assentiu e passou as mãos em suas coxas. – Nós tivemos uma briga, refletimos, e estamos conversando civilizadamente.
Ele assentiu.
— Eu não posso prometer que vou sempre conseguir controlar meu ciúme, mas posso tentar controlar os punhos. – ele disse com um sorriso pequeno. – E as palavras que saem da minha boca também.
— Ótimo, eu também prometo nunca bater em uma ex sua. – eu ofereci o dedo mindinho e ele aceitou, enlaçando o dele no meu. Era uma promessa. Das grandes. – Agora, me conte sobre a luta e o jantar...
Ele revirou os olhos e isso me fez rir.
— Tão ruim assim?
— Minha mãe quer me juntar de novo com Laurel. Ela montou o circo perfeito hoje em casa. Thea estava lá também. – ele contou e eu ergui uma sobrancelha. – Quando as aulas começaram, eu encontrei com Laurel na faculdade. Ela e mamãe estavam procurando companhia para almoçar.
— Oh, uma emboscada?
— Sim, mas Tommy e eu conseguimos fugir rápido. – ele completou e eu ri. – Depois disso mamãe ficou me mandando mensagens perguntando sobre a festa de formatura que eu havia prometido para ela, sobre como Laurel estava disposta a ajudar... Até que Ra’s avisou que a próxima etapa do campeonato seria aqui e eu só conseguia pensar em rever você.
Sorri e ele passou o dedo em minha bochecha.
— Mas parece que eu não fui o único a lidar com uma ex-namorada. – ele disse e eu suspirei.
— Não quero mais falar sobre o passado. Próximo tópico. – eu pedi e beijei sua mão.
— Eu fiquei bem puto depois que saí daqui ontem... Fui para o meu apartamento e bebi mais do que deveria ter bebido. – confessou desviando seu olhar do meu. – Acordei com uma ressaca e de mau humor. Treinei pela manhã com Harper e depois fiquei sozinho encarando a parede do meu quarto. Pensando em você.
— Ow, eu me sinto lisonjeada. – eu brinquei e ele riu.
— Depois fui para o campeonato, lutei e ganhei. Harper também ganhou a luta dele, mas saiu com mais do que um hematoma. – ele contou e parecia ligeiramente orgulhoso de Roy. – Mamãe me ligou na saída, dizendo que precisava de mim em casa. Eu fui até lá e encontrei o circo montado. Estava cansado, irritado e precisava conversar com você sobre tudo. Acho que não fui uma boa companhia no jantar.
Eu ri de sua última observação e de como ele franziu as sobrancelhas parecendo notar esse pequeno fato apenas agora. Por mais que tudo estava resolvido entre nós agora, eu estava começando a me preocupar com essa insistência de Moira em juntar Oliver com Laurel novamente. Eu já havia entendido que ela não foi bem com a minha cara, mas qual seria o verdadeiro porquê de tudo isso?
— Afinal como você entrou aqui? – perguntei olhando para a varanda e ele riu.
— O seu porteiro não deixou eu passar do portão, apenas gritou que você não estava em casa. Depois eu mandei uma mensagem para Harper e ele me disse que você estava em um jantar em família com ele e Ra's. – ele contou e eu assenti. – Pedi para ele me avisar assim que vocês estivessem perto.
— E encarnou o Homem-Aranha? – perguntei rindo e ele também riu.
— Eu dei a volta até onde as lixeiras ficam e subi por ali. Evitei as câmeras e subi pela escada de incêndio, mas eu vi o porteiro vindo perto da varanda e subi mais um andar e esperei a mensagem do Harper. – ele contou como se não fosse nada demais.
— Eu não sabia que você fazia parkour...
Ele sorriu envergonhado.
— Estamos bem de novo? – perguntou e eu assenti com um sorriso.
— Estamos.
— Ótimo. – ele disse e puxou para seu colo e me beijou.
Deus. Como eu senti falta desse beijo.
—-
— Vamos assistir algum filme? – Oliver perguntou enquanto eu me vestia, e eu sorri ao fechar os botões da blusa na frente do closet. – Faz tempo que nós não saímos.
— Cansou de me manter prisioneira dentro de quatro paredes? – perguntei me virando e ajeitando o cabelo em cima dos ombros.
— Nunca, mas agora eu percebi que nós tivemos poucos encontros e precisamos sair um pouquinho mais. – ele disse me abraçando e eu ergui uma sobrancelha. – Nós podemos ir assistir o novo filme do Homem-Aranha já que você se revelou ser fã dele.
Eu ri e me virei. Entrelacei minhas mãos em seu pescoço e sorri.
— Sério?
— Sim. – respondeu com um sorriso brilhante e eu me ergui na pontinha dos pés para dar mais um beijo nele. – Mas, eu acho que iremos ter que fazer uma parada no meu apartamento para eu trocar de roupa.
Eu ri e assenti.
— Vamos comer alguma coisa e depois vamos para o cinema mais próximo. – eu disse e ele assentiu.
Calcei sapatilhas e peguei minha bolsa. Estávamos prontos. Descemos de elevador e René nos olhou como se fossemos loucos assim que passamos da portaria. Eu não resisti a dar risada. De uma noite para outra fomos de barraco com direito a porrada na frente do prédio e agora estávamos distribuindo corações e flores por aí...
Oliver havia vindo para Starling City com sua Ducati e eu sorri ao revê-la. Linda e brilhante como sempre. Ele montou primeiro e me passou o capacete. Eu coloquei e montei atrás dele, abraçando ele com minhas coxas. Ele ligou o motor e apertou um dos joelhos como sempre fazia e eu sorri. Cantamos pneu até o centro comercial de Starling City e eu fiquei impressionada com a quantidade de atalhos que Oliver conhecia. Ele costurava entre os carros com habilidade e só parava nos faróis que eram controlados pelo radar.
Viramos em uma esquina menos movimentada e paramos na frente de um prédio antigo. Era uma fábrica antiga da Queen Consolidated. Oliver morava aqui? A fachada era de ferro e parecia que o prédio inteiro foi lacrado. Oliver estacionou na frente e depois apertou um botão em seu chaveiro. A porta de ferro começou a subir e nós entramos.
Ele estacionou a moto e depois saltou dela e caminhou até a parede. Ergueu uma alavanca e tudo se iluminou. O que foi uma vez uma fábrica se tornou um maravilhoso e espaçoso loft. No primeiro andar eu conseguia ver a cozinha no fundo, assim como a sala de estar com um projetor pendurado. A larga coleção de equipamentos para malhar de Oliver e no segundo andar, eu consegui ver o que deveria ser o pé de uma cama. Os móveis eram bem posicionados e criavam vários ambientes com tanto espaço á disposição.
— Bem-vinda. – Oliver disse desligando o farol da Ducati e me ajudando a descer da mesma. – Eu vou tomar banho, quer vir comigo ou quer explorar?
— Hm... – eu disse completamente em dúvida. Estava curiosa para conhecer mais um lado de Oliver, mas mesmo depois do sexo maravilhoso de ontem á noite e hoje de manhã, eu não havia sido completamente satisfeita.
Puxei ele pela jaqueta e depois alcancei seus lábios. Oliver estava esperando um beijo carinhoso? Eu já tive a minha cota de amor e carinho por hoje. Eu estava querendo a versão selvagem dele agora. Empurrei sua jaqueta para fora de seu corpo e ela caiu no chão fazendo um barulho abafado. Oliver pareceu entender minhas intenções, porque não demorou muito para entrar em guerra comigo pelo controle da situação.
Ele emoldurou meu rosto com suas mãos e fez sua mágica acontecer. Toda vez que ele me beijava assim, eu sentia que era a primeira vez. Assim como foi no banheiro feminino da The Point. Era de tirar o fôlego.
— Nós literalmente acabamos de fazer isso e você quer mais? – perguntou quando eu ergui a barra de sua blusa.
— Você está reclamando? – perguntei ao jogar ela longe, me voltando para ele e tirando a minha própria. Coloquei meus óculos no aparador junto com a minha bolsa.
— Deus... Não. – ele respondeu e me pegou no colo.
Eu ri como sempre e ele passou andar pelo espaço, enquanto distribuía beijos por toda a extensão do meu colo. Passamos pelo primeiro sofá. Eu me abaixei e mordi seu ombro e nós trombamos em uma mesinha com um abajur. Rimos feito idiotas. Caí no meio de seu sofá e logo puxei ele para cima de mim.
— Eu realmente não sei o que está acontecendo comigo, eu só sei que te quero como nunca... – eu disse entre os beijos. – Estou soando desesperada agora, mas não me importo.
Ele riu e apenas puxou saia para baixo e depois minhas coxas para cima. Eu conseguia sentir que não era a única excitada ali. Ele também estava. E isso só aumentou a umidade entre minhas pernas.
— Eu criei um monstro... – sussurrou ao se apossar de minha cintura e metendo seu rosto entre meus seios. – E eu sou apaixonado por ele, mas e o filme?
— Quem é que se importa com Peter Park quando se tem Oliver Queen? – perguntei com a voz abafada ao sentir sua barba raspar em minha pele. Eu senti seu sorriso e ri, deliciada. Nós estávamos parecendo coelhos assim.
Oliver tirou o sutiã de meu corpo como um verdadeiro expert, e depois desceu até minha calcinha. Sempre beijando e marcando todo pedaço de pele exposta que achava até seu destino. Ele enganchou seus dedos nas laterais da calcinha e a deslizou por minhas pernas lentamente.
— Ah Smoak...
Ele distribuiu beijos molhados por todo o meu quadril.
— Oliver... Eu quero você. – pedi com a voz manhosa.
Ele se livrou do restante de suas roupas e voltou a pairar sobre mim. Ele me beijou e para logo entrar dentro de mim. Centímetro por centímetro. Foi impossível não gemer em meio a esta situação. Minha barriga estava com aquele frenesi esquecido, o prazer estava ali... Isso era tão bom.
— Tão apertada..
— Oliver, eu quero forte... Ahh. – disse em meio aos meus próprios gemidos.
Ele fez algo que nunca havia feio antes. Nos girou e me deixou por cima. Eu nunca ia por cima. Eu não gostava muito, preferia ter ele em cima de mim com todo o seu calor, mas assim que senti suas mãos em meu quadril ditando o ritmo eu mudei de ideia. Me apoiei em seus ombros e senti seus lábios em minhas costelas subindo até meus seios.
Ele me mordeu forte e eu gemi surpresa com isso. Cada vez que eu subia e descia, eu sentia o orgasmo se aproximando cada vez mais, mas eu queria ele agora. Aumentei o ritmo e senti Oliver soltar meu quadril e se apossar de minhas coxas.
— Felicity...
Ele jogou a cabeça para trás, gemendo com a voz rouca. E isso foi o gatilho para eu sentir o orgasmo explodir dentro de mim. Ele veio logo depois e exibiu um sorriso largo e satisfeito. Eu estava zonza. As cores estavam mais brilhantes, mesmo que eu não conseguisse focá-las direito. Eu me sentia leve como uma pena. Se Oliver não tivesse me abraçado, eu acho que teria caído.
— Eu te amo tanto, Smoak. – ele sussurrou beijando meu colo e eu beijei seu cabelo, ainda meio mole.
— Eu te amo tanto, Queen. – repeti suas palavras e me surpreendi quando minha voz saiu mais rouca do que o esperado.
—-
— Agora sim, eu quero explorar. – eu disse terminando de vestir uma de suas camisas.
Nós tínhamos tomado banho juntos mais uma vez, e eu realmente não preciso dizer o que aconteceu dentro daquele banheiro? Algo relacionado á eu estar pressionada contra o box e sentindo seu quadril se chocando com o meu várias e várias vezes. Sorri com a minha linha de pensamento.
— Vamos descer e eu te apresento a casa. – ele disse aparecendo usando apenas uma calça de moleton que deixava o V de seus quadris á vista. Eu pulei em suas costas e ele riu e desceu as escadas de ferro batido e fomos até a cozinha.
Fui colocada em cima do balcão de mármore e ele abriu um dos armários e jogou uma lata de chantili para mim. Depois foi até a geladeira e se abaixou...
— Por favor, não se apresse. – eu disse encarando sua bunda sem vergonha alguma, abri a lata de chantili e fiz um pequena torre diretamente dentro da minha boca. – A paisagem é maravilhosa.
Ele se endireitou e virou para mim com uma tigela cheia de frutas picadas.
— A minha é mais. – ele disse e colocou a tigela ao meu lado e lambeu o canto da minha boca que havia ficado um pouco do chantili.
— Me diga que você tem algum chocolate nesta casa... Estou ficando criativa. – eu disse e ele riu pensativo. Abriu um sorriso largo depois. – Oh Deus, isso é um “Sim”?
Antes que ele respondesse sua campainha tocou.
E isso fez ele franzir as sobrancelhas.
— Eu já volto. O chocolate está dentro do armário. – ele disse e eu assenti.
Desci do balcão e ele foi até o grande portão pelo qual entramos, mas não o abriu, e sim virou em uma porta que eu não havia percebido. Achei duas barras de chocolate e quebrei os tabletes dentro de uma vasilha e coloquei dentro do micro-ondas.
— O que?
Me virei do painel de números para a porta onde Oliver havia entrado e caminhei até lá sem me importar com as minhas roupas. A cada passo eu conseguia ouvir um pouco mais. Alguém, obviamente, estava ali, porém Oliver não estava apreciando a visita pelo seu tom de voz.
— Ela não está medindo esforços para nos encontrarmos não é mesmo? — perguntou uma voz feminina.
— Parece que não, mas eu irei deixar bem claro isso amanhã, mas eu ainda não entendi o porquê de você estar aqui. — respondeu Oliver com um tom de voz duro.
— Ollie... Você sabe o porque eu estou aqui. E sabe que Moira... Ela é imprevisível. — suspirou a outra voz e eu reconheci.
Laurel Lance.
— Eu também consigo ser imprevisível, mas eu ainda não entendi bem o porquê da visita á essa hora da noite. – perguntei aparecendo no pequeno corredor e vendo Laurel Lance em seu melhor estilo mulher fatal. Ela parecia mais do que surpresa ao me ver ali. Ficou boquiaberta, até. Oliver abriu espaço e me abraçou por trás, enquanto eu cruzava os meus braços para a loira na minha frente. – Se importa de me contar?
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