Extreme Love

20 Capítulo 20


Depois que Oliver foi tomar seu banho e eu fui ajudá-lo, nós pedimos comida chinesa e comemos com Thea e Moira na sala de jantar. Apenas ela e Oliver conversavam, porque eu estava muito ocupada em não explodir e Thea estava me encarando com medo. Eles conversaram sobre tudo, menos eu. Acho que Moira era gentil demais para falar o quanto me desaprovava na minha cara. Mas ela não era nenhum pouco sutil.

Ela me observou a noite inteira. O jeito que eu me movia perto de Oliver, minha postura, meu corpo, meu jeito perto de Thea, como eu me sentava, como eu me levantava, como eu colocava a mesa e como eu segurava os hashis com as mãos! E eu sabia que ela estava fazendo uma listinha mental de motivos pelos quais deveria dar um fim em mim, porque eu estava fazendo a mesma coisa.

Moira tinha uma postura superior. Até demais. Eu sei que ela fazia parte de umas das famílias mais ricas do país, mas ela tinha um nariz empinado demais. Até me perguntei se Oliver e Thea eram realmente seus filhos biológicos. Nunca se sabe.

Ela era muito diferente de Robert. E voltei a me perguntar se os dois realmente se amavam na época deles. Não estava dizendo que ela era uma pessoa má, longe disso. Ela me tratou com toda educação do mundo e eu retribuí do mesmo jeito, mas algo não parecia certo neste cenário.

Talvez, eu?

— Então, nós podemos fazer a relação dos convidados com um almoço amanhã, o que acha? — eu ouvi Moira perguntar. Eu estava lavando a louça do jantar na cozinha com Thea. E dava para ouvir tudinho.

— Parece ótimo, mamãe. Tem certeza que não quer que eu te leve para o hotel?

Sorri e bufei ao mesmo tempo. Ela era sempre atencioso. Mesmo quando tinha acabado de ser esfaqueado dentro de um ringue. Lavei os copos. Thea estava guardando os pratos. Ela iria ficar por aqui, enquanto sua mãe estava hospedada em um hotel no centro.

— Você está horrível, Oliver. Descanse. Joseph está me esperando lá embaixo. Se cuide, querido. — ela disse com um tom de voz brando. Lavei os talheres. Thea começou a secar os copos.

— O que? Sem comentários sobre ela?

Parei o que estava fazendo, assim como Thea.

— Laurel pareceu animada com a festa, querido. Até amanhã. — ouvi Thea suspirar e fechar seu rosto.

Laurel Lance? Irmã de Sara? Claro que sim. Por que Thea não gostava dela? Por que ela estaria animada com a festa de formatura de Oliver? Eles não tinham terminado?

— Boa noite, meninas!

Não respondemos. A porta bateu.

— Felicity... Sua mão está sangrando. — disse Thea e eu saí do meu transe.

A faca que eu estava lavando abriu um pequeno corte em uma de minhas mãos. Fino como um fio de cabelo, mas estava sangrando. Terminei os talheres e depois deixei a mão de baixo da água corrente até que o sangue parasse de escorrer.

— Eu estou bem. — eu disse e lavei a cuba da pia, e ela terminou de secar e guardar.

Ficamos em silêncio. Oliver estava na sala, assistindo um jogo de beisebol. Ele estava conseguindo processar tudo muito melhor do que eu. Ser esfaqueado não era nada para ele? Deus. Receber sua mãe no meio da noite depois de ser esfaqueado não era nada para ele?

— Eu tentei avisar, mas vocês não estavam atendendo o celular ou respondendo minhas mensagens... — disse Thea quando terminamos o trabalho na cozinha por completo. Ela se apoiou na bancada e tinha um olhar preocupado. — Você não vai fugir, não é?

— Por que faria isso?

— Porque a minha mãe é... Bem, a minha mãe. — ela disse como se isso explicasse tudo. Meio que explicava, mas eu não entendi a imagem inteira. — Eu gostaria de dizer que ela é ciumenta e possessiva porque ele é o primeiro filho dela, mas não posso. Ela é um verdadeiro porre quando quer.

Sorri com suas palavras. Alguém, além de mim, notou que Moira não se apaixonou a primeira vista por mim. Olhei para minhas mãos sem saber o que responder, e vi que estava ligeiramente inchado ao redor da pele cortada.

— Enfim, você está acabada. E precisa de umas boas horas de sono. — ela disse e eu ri. — Conversamos sobre isso amanhã.

— Okay...

Thea foi para o seu quarto e eu saí logo em seguida, apagando as luzes. Oliver estava assistindo o jogo de modo bem concentrado, como se estivesse sendo obrigado a fazer aquilo. O que era estranho.

— Hey, eu vou tomar um banho e já volto, okay? — disse tocando seu ombro levemente. Ele assentiu sem olhar para mim. O que era ainda mais estranho. — Está com dor? Quer alguma coisa?

— Não, estou bem. Pode ir tomar seu banho. — disse em voz baixa.

Olhei para a televisão. Era uma reprise. Oliver estava assistindo um jogo de beisebol reprisado. Eu sei disso, porque eu assisti aquele jogo ao vivo com Curtis em Starling no ano passado. Rocketes contra os Giants. Okay. Isso estava começando a me assustar, mas eu realmente preciso de um banho.

Apertei seu ombro levemente e fui para seu quarto. Peguei meu pijama e puxei a toalha de trás da porta e fui até o banheiro. Eu mereço um mimo hoje. Deixei o pijama e a tolha em cima da pia e depois olhei para banheira. Okay.

Coloquei a mesma para encher, enquanto me despia. Eu tinha suado muito, estava pegajosa até. Meu Deus. Não é atoa que Moira torceu seu nariz para mim. Eu estava horrível. Meu reflexo era a prova disso. Despejei um pacotinho de sais de banho na água e entrei na banheira mesmo com o nível de água baixo. Já estava cobrindo minhas pernas, então estava ótimo.

Repassei a noite em minha cabeça.

Eu e Oliver. Nós tivemos uma manhã maravilhosa. Com lasanha no café da manhã. Ele se abriu comigo sobre parte de seu passado, sua história com Emma e seu filho que nunca nasceu, sua história com a pequena Penny, ele disse aquelas três palavras! Para depois de uma luta que mais parecia um borrão agora ele ser esfaqueado por um ex-namorado meu.

A água quente já estava cobrindo parte da minha barriga indo em direção aos seios, então eu desliguei a torneira e recostei na borda gelada. Abracei meu joelhos logo em seguida. Eu estava tremendo. Não, eu estava chorando. A conversa que tive com Ra's também foi repassada, depois o reencontro com um Oliver bem debilitado e machucado e por fim... Moira Queen.

Foi um dia realmente cheio e uma noite do cacete. Suspirei e lavei o rosto. Tomei banho como sempre fazia e quando fiquei enrugada, decidi que era a hora de sair da banheira antes que desmanchasse por completo. Me sequei e depois me vesti com meu pijama de unicórnios e coloquei minha camiseta favorita do League Of Legends.

Deixei a água escoar, enquanto saía do banheiro com a toalha e óculos em mãos.

Oliver estava sentado na cama. Ele tinha tirado seu moleton e sua blusa. Percebi que seu ombro estava inchado e o curativo precisava ser trocado. Não falamos nada. Por que estávamos assim? Fui até sua mochila que ficou na sala e peguei o pequeno estojo de primeiros socorros que um dos carecões tinha dado para Oliver.

Voltei para o quarto e ele não tinha se movido nenhum centímetro fora do lugar.

— Posso trocar? — perguntei e ele assentiu.

Sentei ao seu lado e tirei o curativo de seu ombro com todo o cuidado do mundo.

— Então... Sua mãe é bem... Peculiar. — eu disse limpando a área ao redor da sutura com álcool gel. Deveria estar ardendo, mas Oliver não demonstrou desconforto. — Thea tem quem a puxar personalidade.

Oliver sorriu um pouco.

— Eu acho que sim. — ele concordou com voz baixa. O sangue seco foi limpo. Peguei a pomada e espalhei com gentileza. Oliver ficou tenso. Hm. Alguma coisa doía pelo menos. — Então... Sua mãe sempre aparece assim de surpresa?

Limpei os dedos na calça do pijama rapidamente, e coloquei gaze em cima da sutura torta. Prendi tudo com o band-aid grande e quadrado e estava pronto. Olhei para ele e ele me encarou antes de colocar sua blusa de volta. O quarto estava escuro, e a única luz que tínhamos era a que vinha do lado de fora da janela e a luz do banheiro que deixei acesa.

— Normalmente, Thea ou Walter conseguem me avisar que ela está vindo e eu me preparo... — ele disse e eu assenti com um pequeno sorriso. — Você está bem?

Eu estou bem? Oliver, você foi esfaqueado e sua mãe apareceu de surpresa, eu que deveria estar fazendo essa pergunta! A comparação é meio estúpida, não acha? — eu disse rindo incrédula e depois ri. — Porque se este fosse o caso, nós temos um problema.

— Nós realmente temos um problema? — ele perguntou.

Olhei em seu rosto. Oliver estava com medo? O que? Por que? Não faz sent... Oh.

Suspirei. Homens... Não. Oliver... Peguei seu rosto em minhas mãos e fechei a distância entre nós dois. Oliver ficou surpreso. E muito. Que homem mais complicado.

— Vai ser preciso mais do que uma Mamazilla para tirar você de mim. — eu disse encostando minha testa na sua. — Ouviu?

Ele abriu um sorriso lindo. O meu sorriso.

— Yep.

Nós deitamos e como o ombro dele estava machucado, ficamos de conchinha. Eu era a conchinha maior, no sentindo figurado. E se eu dissesse que não estava gostando, seria uma mentira gorda e careca. Abracei suas costas e suspirei.

Estava tudo bem.

— Eu posso me acostumar á isso... — ele disse fazendo carinho em minha coxa que estava sobre o seu quadril e eu ri baixinho.

Eu iria embora amanhã e ainda não estava nem perto de estar pronta para me despedir de todos e de Oliver. Eu estava amando. Depois de tanto tempo. E vou colocar mais ou menos 800 quilômetros entre nós. Isso não deveria soar como grande coisa, e não soava, mas eu ainda tinha um pequeno fio de medo em mim.

Acho que teria que conversar com Oliver novamente sobre isso amanhã.

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— Então... O que você faz, Felicity? — perguntou Moira, enquanto comia suas batatas fritas com um guardanapo. Thea revirou os olhos para ela novamente e Tommy apenas riu.

— Eu sou formada pelo MIT, mas estou trabalhando com Ciências Aplicadas atualmente. — eu respondi depois de dar um gole no meu refrigerante.

Se fosse por Oliver, nós dois teríamos ficado em seu apartamento apenas deitados juntos até dar a hora de ir para estação, mas Moira insistiu em ter um almoço em família hoje. Oliver não queria desperdiçar nenhum segundo do dia longe de mim (palavras dele, não minhas) e me arrastou junto. Ele me apresentou formalmente para Moira como sua namorada e eu não me encolhi sob o olhar frio que ela me deu. Na verdade, eu não estava mais com medo dela depois de ontem. Oliver conseguiu me assegurar com apenas um olhar que sua mãe não iria influenciar o nosso relacionamento.

Então Oliver marcou na Lanchonete dos Allen que era bem perto de seu apartamento, então se algo acontecesse a gente podia fugir correndo. Moira não gostou da ideia, mas não se opôs. Até mesmo um cego, veria o modo que ela olhava ao redor da lanchonete como se estivesse comendo em um terreno baldio.

— Um pequeno gênio. — disse Tommy olhando para Caitlin que estava no balcão repondo cupcakes e bolos de glacês coloridos.

— E você mora em Starling City, não é mesmo? — perguntou novamente e eu assenti mordendo uma batata. Sem guardanapo. — Um pouco longe para vocês dois manterem um relacionamento, não acham?

— Você sempre implicou que eu nunca vou para casa, mamãe. Agora eu tenho mais um motivo para ir para Starling mais vezes do que já vou. — disse Oliver percebendo as alfinetadas de sua mãe em minha direção.

Moira vestiu uma máscara de impassividade e apenas maneou a cabeça.

— Bom, você só tem mais cinco meses por aqui e depois distância não será um problema. — disse Thea erguendo as sobrancelhas sugestivamente e nós rimos. — Eu sei que estou mais do que satisfeita com tudo isso que está acontecendo por aqui...

Ela fez um gesto exagerado em direção á mim e Oliver.

— Meu irmão parece muito feliz. — disse Thea e bagunçou o cabelo de Oliver, e depois ele fez o mesmo causando mais estrago.

— Bom, fico feliz por você meu filho. — disse Moira. Eu poderia estar muito errada, mas seu tom de voz não foi muito convincente. Tommy me olhou de lado e percebi que ele também percebeu isso.

— Obrigado, mãe.

Continuamos conversando e Moira tocou no assunto da festa de formatura de Oliver. Perguntou os nomes de quem ele gostaria de convidar daqui de Central City e Thea anotou tudo em um tablet. Parece que ela e Moira estavam trabalhando nisso juntas. E depois de tudo feito, Moira começou a falar das fofocas de Starling deixando Oliver entediado. Ela não estava conseguindo nem a atenção de Tommy, porque este não tirava os olhos de Caitlin.

Meu celular vibrou em meu bolso e eu o pesquei. Era uma mensagem de Ra's.

Ra's: Sei que é o seu último dia na cidade, mas gostaria de terminar aquela conversa antes que você vá embora.

Fechei os olhos levemente. Era a desculpa perfeita para sair daqui e da mira do olhar frio de Moira. Olhei para Oliver, e me senti levemente culpada. Não iria passar o dia inteiro com ele, mas... Respondi Ra's dizendo que em quinze minutos eu estaria na academia e depois guardei tudo na minha bolsa.

— Me desculpem, mas eu preciso ir resolver um problema familiar. — eu disse me levantando.

Oliver olhou para mim na hora e levantou também.

— Não, você vai ficar com a sua mãe que não te vê á bastante tempo. E eu vou ir ter aquela conversa com o meu pai e depois com a minha mãe. Não vou demorar. — eu disse passando toda a tranquilidade possível para ele.

Ele não se convenceu.

— Sério... Qualquer coisa eu te mando uma mensagem. Não vou demorar. — eu disse e ele assentiu de má-vontade.

Ele me beijou levemente e depois beijou minha testa me fazendo rir.

— Tome cuidado. — ele disse com sua voz autoritária. Assenti e me despedi de todos na mesa.

Assim que virei a esquina, respirei fundo e o alívio me preencheu. Nunca tive esse problema com mamazillas antes. Tudo bem que a mãe de Cooper já tinha falecido quando estávamos juntos, mas o pai dele me amava! Acho que o único pai de Oliver que poderia ter gostado de mim, era Robert, mas este também já havia falecido.

Caminhei rapidamente até o meu destino, e depois de ser quase atropelada por dois táxis e um garotinha que levava seu porco de estimação para passear, eu cheguei na academia. Estava cheia demais para um sábado á tarde, o pessoal não tem vida, não?

Entrei e passei pela recepção vazia, caminhando até administração. Berta estava brigando com alguém no telefone, mas ainda sim conseguiu me direcionar um sorriso acolhedor e apontar para a porta em frente a sua mesa. Eu assenti e bati na porta suas vezes e depois girei a maçaneta.

— Olá?

Ra's estava na frente de sua janela que dava para uma das praças mais movimentadas de Central City e se virou assim que ouviu minha voz. Ele parecia brutalmente cansado, como se a idade finalmente o tivesse alcançado.

— Felicity...

— Oi.

— Sente-se. — ele disse gesticulando para as duas poltronas em frente sua mesa.

Olhei ao redor e me impressionei. Era um escritório mais do que bem organizado. Tinha arquivos enormes com etiquetas, uma parede forrada de troféus... Tudo sem uma grama de poeira. Bom saber que o senso de TOC dele não foi mudado pelos ares asiáticos.

— Você já fez as malas? — perguntou ele sentando na minha frente e eu neguei com a cabeça.

— Ainda não. Moira Queen apareceu de surpresa ontem e as coisas não estão saindo como eu e Oliver planejamos para o meu último dia em Central City. — eu disse brevemente e ele assentiu.

— Você já conversou com a sua mãe?

— Também não, e não estou inclinada a fazer isso.

Sei que precisava conversar com ela assim como eu precisava conversar com ele antes de ir embora, mas mamãe conseguiu abrir uma ferida antiga e tinha esfregado todos os dedos de sua mão nela. Eu estava magoada e irritada ainda. Ela sabia disso.

— Bom... Eu quis tirar esse tempo para falar com você e responder as perguntas que eu sei que você tem para me fazer antes de voltar para Starling City. — ele disse tirando seus óculos meia-lua e eu assenti.

— Você tem alguma ideia de porquê ela iria fugir de casa? Assim do nada? — perguntei.

Ele suspirou. Parece que a minha pergunta mais simples era a mais complexa no final.

— Eu e sua mãe... Nosso casamento nunca foi um mar de rosas, mas nós nos entendíamos muito bem. Claro que havia brigas e discussões, mas acho que depois de algum tempo aquele sentimento que tínhamos um pelo outro foi se desgastando. — ele disse e eu franzi as sobrancelhas.

— Você estava deixando ela?

— Eu quis naquela época, mas não deixei ela por causa de você. — ele disse cruzando as mãos em cima da mesa com um olhar perdido e nostálgico. — Cheguei do trabalho em uma terça-feira e vocês não estavam em casa.

— Ela te deixou.

— Sim. Liguei para sua avó e ela não sabia onde vocês estavam também, então descobri por mim mesmo. — ele disse e sorriu um pouquinho. — Eu acessei a conta de Donna, que nunca conseguia ficar longe de seus cartões de crédito por muito tempo, e vi que ela havia feito check-in em um hotel no centro de Gotham.

— Foi até lá? Eu não lembro disso.

— Fui, mas ela não me deixou subir. Estava histérica demais. No dia seguinte, eu recebi uma intimação para uma audiência no tribunal da família. Ela queria sua guarda integral. — ele disse e passou a mão no rosto. — Eu não aceitei isso. Não tinha nenhum motivo sequer para ela me deixar e ir morar em um hotel, muito menos tirar você de mim.

Senti algo em meu peito formigar e respirei fundo.

— Por fim, a audiência determinou guarda compartilhada.

— E a ordem de restrição?

— Como sabe sobre ela? — perguntou erguendo uma sobrancelha e eu corei um pouco. — Quando você tinha mais ou menos dez anos, eu acho, precisei viajar a trabalho até Londres e quis trocar um final de semana com Donna para aproveitar você um pouco antes de ir.

— Ela não quis.

— Não. Ficou histérica do mesmo jeito como tinha ficado no hotel. Os vizinhos chamaram a polícia, e bem... Sua mãe sabe ser convincente. Ganhei a ordem de restrição.

— E não fez nada?

— Viajei para Londres e entrei em contato com meus advogados. Não tinham como provar que eu machuquei alguma das duas, mas também não tinham como provar que eu não fiz isso. — ele disse. — Sua mãe se mudou para Central City logo depois.

Recostei na poltrona e comecei a considerar se mamãe tinha algum distúrbio mental de personalidade ou se era apenas egoísta como estava se revelando ser? Passei as mãos nas pernas e procurei uma resposta para tudo isso.

— Sua avó me enviava vários vídeos e fotos suas neste meio tempo, e eles continuaram quando eu me mudei para o Tibet. — ele disse e apoiou o rosto em uma das mãos. — E o resto eu acho que você consegue ligar.

— Sim, eu consigo. — eu disse sorrindo falsamente.

— Alguma outra pergunta? Ou é muita informação para quinze minutos de conversa? — ele perguntou.

Deslizou para trás em sua cadeira, e abriu uma gaveta atrás de sua mesa. Logo depois me ofereceu uma latinha de Coca-Cola que estava bem gelada. Ele tinha um frigobar ali? Legal.

— Sim, Thalia e Nyssa... Quantos anos elas tem? — perguntei.

— Thalia irá completar trinta, e Nyssa vinte e dois. — ele respondeu parecendo confuso.

Okay. Então eu sou a filha do meio e Roy era o filho caçula. Hm.

— Elas vem te visitar com frequência?

— Thalia sempre vem pelo menos duas vezes no ano que são nas suas férias. Ela já veio no Dia os Pais e virá no Natal. Nyssa eu consigo ver mais vezes, ela vem nas férias de verão e feriados prolongados. — ele respondeu ainda confuso.

— Você liga para elas?

— Toda noite antes de ir dormir. — ele respondeu rapidamente.

— E Roy?

— Ele estava fazendo um intercâmbio pela Europa depois que terminou o colégio e se encantou com artes marciais. Voltou a morar comigo apenas este ano. — ele respondeu. — Por que?

— Porque acho que já resolvemos tudo por aqui. — eu disse me levantando e torcendo a alça da minha bolsa com um pouco de nervosismo. Tá bom, um monte. Ele se levantou também parecendo alarmado. — E porque Starling City é bem mais perto do que Boston ou Vienna. E você tem meu número agora...

A confusão em seu rosto se tornou compreensão e alívio?

— Eu estou feliz que consegui passar a história a limpo com você, planejo ir conversar com mamãe e fazer o mesmo, mas não agora. — eu disse e ele assentiu e cruzou os braços. — Acho que nós dois ainda temos muita fofoca para colocar em dia...

Ele riu e finalmente não pareceu um completo estranho para mim. A risada dele ainda era a risada dele pelo o que eu podia me lembrar. Antes que eu pudesse evitar, o abracei. Sua risada cessou e seus braços se fecharam ao meu redor e senti sua bochecha encostar no topo da minha cabeça. Como nos velhos tempos.

— Olha aqui seu velhote de uma figa, eu não vou mais pechinchar sacos de areia por você. Está na hora de abrir a carteira do chinês... Oh. — disse Berta entrando e xingando ao mesmo tempo. Nos separamos levemente e eu encarei ela um pouco corada. — Desculpe a intromissão... Eu vou lá... Pechinchar.

Ela saiu tão rápido como entrou e isso fez Ra's rir baixinho.

— Ela sabe...?

— Sabe. Provavelmente vai entrar aqui querendo os detalhes depois. — ele disse sorrindo abertamente.

— Eu tenho que ir agora... Ainda tenho que fazer milhares de coisas. — eu disse e ele assentiu com um pequeno sorriso.

— Quando o horário do trem?

— Ás 22h. É o último horário. — eu disse colocando a bolsa no ombro.

— Posso te levar? — perguntou e eu sorri assentindo.

— Sim. Eu te mando uma mensagem. — eu disse indo até a porta e ele assentiu. Saí pela porta, e antes que eu saísse da administração, vi Berta correr para dentro do escritório de Ra's.

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Voltei para o apartamento de Oliver, e ele não havia chegado do almoço ainda. O que me dava tempo para arrumar as malas sem distrações. E foi isso que eu fiz. Peguei todas as minhas roupas e separei as que estavam limpas das sujas e fui guardando peça por peça dentro de uma das malas. Furtei uma ou duas camisas de Oliver também. Os sapatos tiveram o mesmo tratamento. Ajuntei todos os meus eletrônicos e coloquei dentro da mochila esportiva que mamãe me deu e tudo ficou pronto.

Sem muito o que fazer, fui até a cozinha e limpei a bagunça do café da manhã. Isso levou até a bagunça da sala e depois até a bagunça do quarto. Quando vi, eu estava terminando de limpar a Salmon Ladder de Oliver com um pano e muito desinfetante.

Abri a porta de ligação, e Tommy também não havia chegado ainda. Seu apartamento estava incrivelmente limpo, o que me frustrou um pouco. Voltei ao apartamento de Oliver e deitei no sofá, enquanto o catálogo do Netflix carregava na Tv.

Grande último dia...

Em algum ponto entre o primeiro episódio da segunda temporada de Sense8 e o quarto da mesma temporada, eu acabei cochilando. Não peguei exatamente no sono, mas não estava muito consciente. Eu consegui ouvir o barulho da porta de entrada sendo aberta e passos ecoando.

Oliver?

— Eu não acredito... — resmungou Thea.

— Deixe ela dormir. — sussurrou Oliver.

— Mas nós íamos...

— Não vamos mais.

Oliver conseguia ser autoritário até mesmo sussurrando. Por mais que eu gostaria de uma linda noite de despedida, eu queria ficar no conforto de casa e não bêbada o suficiente para quase perder o horário do trem, como quase aconteceu com Thea da última vez que esteve em Central City.

Me senti ser erguida e pelo cheiro, foi Oliver que me ergueu. Ele me carregou até o quarto e me colocou no meu lado de sua cama. Ele e Thea trocaram algumas palavras no corredor, eu não consegui ouvir, porque estava ficando com mais sono ainda. O que eu consegui ouvir foi Oliver voltando para o quarto e ligando o chuveiro logo depois.

Hm. Banho. Ahhh não. Sono. Isso sim. Antes de apagar completamente, eu senti ser embalada pelos braços de Oliver mais uma vez.