Extreme Love

19 Capítulo 19


Notas iniciais
Ciao! Depois de longos 84 anos... EU VOLTEI VIADAS! Gente eu poderia culpar minha falta de criatividade, ou o meu notebook que queimou, ou o Nyah que ficou de graça pro meu lado durante alguns dias por tanto tempo sem postagens em qualquer fic, mas vou ser sincera e dizer que já tinha escrito alguns capítulos (aí meu notebook queimou), reescrevi todos eles novamente e mandei para minha beta. Ela devolveu tudo nos trinques, só que eu estava com uma preguiça bem fdp. Aí junta tudo isso com o outono que é a minha estação preferida para fazer maratonas no Netflix... Nada de Nyah. MAS VOLTAMOS COM TUDO! Quero agradecer os comentários do último capítulo á... Lorena Santos, NielliCriss, Mary Juh, Senhorita Queen E, Jujah, Michele, Vick Queen, Débora Mazur, Felicitysmok, Canon, Aninha, Any Louze, All Is Olicity, Simone, IsabelSilva, Nanda, Bella Blake, Tris26, Mockingjay, Carrie Wells Burns, Ju Guimarães, Tata Neves, K.C, Malia Tate, Willa Queen, Andrea Neves e Rose Stelle! Obrigada meninas! Boa Leitura!

Eu não estava gostando disso. Eu não estava gostando nada disso.

— Hey... Fique calma. É só mais uma luta, e Oliver vai arrebentar como sempre faz. — prometeu Helena ao meu lado e eu assenti. Ela então caminhou até Sara que sorriu.

Tínhamos entrado na The Point fazia quase duas horas. Esperando a luta de Oliver contra Cooper. Desde que Ra's disse que suspeitava ser algo armado por Cooper, eu não parei quieta. Eu ainda não entendia como Cooper acabou sendo treinado justamente por Ra's, mas havia muitas coisas que eu ainda não entendia. Como por exemplo: Por que o oceano pacífico e o atlântico não se misturam se é tudo água?

Suspirei. Realmente não é a hora e muito menos o lugar certo. Olhei para o andar inferior de onde estava e vi as pessoas dançando ao redor da arena que imitava uma gaiola em que Oliver estaria lutando em questão de instantes e respirei fundo. Está tudo bem. Vai ficar tudo bem. Oliver já chutou a bunda de Cooper e vai fazer isso de novo.

Olhei para trás e vi Slade e Shado juntos em um dos sofás da ala VIP. Slade foi um dos primeiros pupilos de Ra's e seu herdeiro (por mais que eu ainda não entenda este negócio de herdeiro), mas durante um dos campeonatos ele lesionou uma das pernas e perdeu a funcionalidade de um dos olhos. Ou seja, fim da carreira de lutador. Ele então abriu a The Point e mais outras três casas noturnas aqui em Central City e promovia essas lutas clandestinas pelo amor ao esporte. Ele e Shado estavam juntos á quase dois anos e esperavam o primeiro bebê agora.

— Hey! Finalmente cheguei! Está uma loucura lá na porta! — exclamou Dianna se aproximando em um vestido branco e apertado.

Ela estava linda como sempre, mas sabia que estava cansada. Curtis usou suas horas em a ver e foi para Coast City com Paul em uma pequena viagem, e consequentemente Dianna ficou sobrecarregada no STAR LABS juntamente com Sara.

— O que? Tem algo no meu dente? — perguntou ela e rapidamente ergueu a tela do celular na frente da boca. — Oh! Ainda está paranoica?

— Não é paranoia! Eu apenas não estou com um pressentimento muito bom...

— Lis, relaxa que o gostosão sabe o que está fazendo. E o Papa Smoak está lá embaixo para caso alguma coisa aconteça de qualquer jeito. — disse Dianna apertando meu ombro em sinal de conforto e depois acenando para Ra's que estava perto da entrada da gaiola.

Ele parecia absorto, como se não estivesse realmente ali. O que era surpreendente, porque ele nunca vinha nas lutas do submundo, mas como era Cooper contra Oliver, ele abriu uma exceção. Eu poderia dizer que nossa relação progrediu bastante. Eu até cumprimentei ele na academia hoje cedo quando Oliver foi treinar pela última vez antes da luta! Ele me ensinou alguns golpes novos e trocamos poucas palavras. Estava me dando tempo e espaço. Tudo o que eu realmente queria. Ao contrário de Donna que ficava me enviando toneladas de mensagens todos os dias. Ela estava enlouquecendo Vovó dentro daquela casa. Querendo ou não, ele era o meu pai. Querendo ou não, eu fui afastada dele. E agora querendo ou não, fomos aproximados novamente.

Senhoras e senhores, chegou a hora mais esperada desta noite...! — o locutor soou assim que a música foi cortada. — Teremos uma verdadeira luta de titãs hoje!

Todo mundo parou o que estava fazendo e correu para perto da gaiola. A gritaria começou. Respirei fundo e senti uma mão em meu ombro. Caitlin. Procurei Tommy e o encontrei ao lado de Ra's. Ele observou a gaiola por alguns instantes e depois fez caminho entre as pessoas até o banheiro masculino. Fiquei muito mais aliviada sabendo que ele estava ali.

— Tragam eles! — gritou o locutor e as portas opostas foram iluminadas como a primeira vez que eu havia entrado neste lugar.

Cooper saiu de uma delas. Muitos gritaram incentivos e outros gritaram vaias, mas ele não parecia se importar, porque estava com o olhar preso na gaiola de ferro. Eu percebi que os hematomas da última luta contra Oliver ainda não tinha se curado completamente.

Localizei Toby ao lado de Tommy com expressões sérias, nenhum sinal de Rachel e Sam por perto, o que era estranho. Ele parecia diferente. Cooper sempre se destacou em uma multidão, não vou ser hipócrita á ponto de dizer que ele era feio. Não. Ele era um homem bonito. E tinha um corpo mais do que desejável.

Cooper entrou dentro da gaiola e calçou as luvas acolcheadas.

A outra porta foi aberta e meu coração perdeu uma batida. Como sempre. Talvez Oliver fosse o motivo de meus ouvidos sangrarem com tanta gritaria. Ninguém gritou uma vaia se quer para ele, apenas incentivos e coisas bem sujas. Eu até quis rir, de verdade, mas o embrulho do meu estômago não deixava eu fazer nada além de me preocupar com ele.

Oliver desviou de um sutiã vermelha que voou em sua direção e cumprimentou Ra's e Tommy. Alguma coisa foi dita e Tommy abriu caminho pela multidão até o banheiro de onde Oliver havia saído. Ra's disse mais alguma coisa, Oliver assentiu e entrou da gaiola. Ele parecia levemente desengonçado. O que não era o seu normal.

— Barry... O que você acha? — perguntou Caitlin e eu me virei vendo que Barry e Ronnie estavam ali acompanhados de Iris e uma garota desconhecida.

— Não sei. Algo me diz que Oliver terá trabalho hoje. Dois rounds? — Barry soou levemente indeciso e isso me respirar ainda mais fundo.

Deus. Mantenha ele em apenas uma peça.

— Que vença o melhor!

O gongo soou.

Oliver deu três passos para frente e Cooper o observou atentamente. Ambos tinham olhares impassíveis enlouquecedores demais para o bem da minha sanidade mental. Não sei quem atacou quem primeiro, mas logo vi Cooper disparando socos na barriga de Oliver que ficou contra grade.

Oliver não revidou o que era estranho, ele se ergueu e prendeu suas pernas ao redor de Cooper, com um giro rápido, ele estava por cima e era a vez dele de socar Cooper. Eu sorri. Ele usou o golpe Smoak. Os socos foram desferidos até um carecão separar eles. Olhei para Ra's no meio das pessoas, e ele não parecia satisfeito com o desempenho de Oliver.

Oliver cuspiu o protetor bucal e eu vi seu sorriso de escárnio. Cooper estava conversando com ele este tempo inteiro? Parece que sim. Cooper estralou suas juntas e deu alguns pulinhos no lugar. Ele parecia estar gostando da surra, ele também cuspiu o protetor bucal logo depois. Oliver apenas ondulou os ombros duas vezes e ergueu os punhos, provocando Cooper.

Homens...

Eles voltaram a se socar, e por causa de dois segundos e uma pernas destabilizada, Oliver caiu e Cooper aproveitou. Pisou em cima da perna de Oliver diversas vezes, antes de ser derrubado também. Mesmo estando com vantagem, eu sabia que Oliver havia sido machucado. A chave de braço de Oliver em Cooper foi separada pelo carecão que deveria ser o juiz novamente.

O gongo soou marcando o fim do primeiro round.

— Oh meu Deus! — exclamou Dianna ao meu lado.

Ela estava gritando incentivos assim como todos na ala VIP. Eu não estava ouvindo antes, porque me desliguei de tudo e me concentrei em Oliver, mas todos pareciam eufóricos e preocupados. Oliver nunca foi derrubado dentro de um ringue e muito menos foi para um segundo round. Isso acabou de mudar hoje.

Tommy reapareceu com o rosto todo machucado e isso chamou atenção de Oliver, Ra's e todos na ala VIP. Barry e Ronnie barraram Caitlin quando ela quis descer e fazer as perguntas que todos queriam fazer, mas logo depois Sam apareceu também. Mancando. Com o rosto inchado, roxo e ensaguentado. Não precisava ter um Q.I elevado para saber que aqueles dois tinham brigado. Tommy disse alguma coisa que fez Oliver fechar a cara, assim como Ra's. Eles conversaram por poucos minutos antes do gongo soar novamente.

Meu coração estava mais do que acelerado agora.

— Relaxa guria. São os ossos do ofício. — disse Slade aparecendo do meu lado junto com Shado. — O garoto sabe se cuidar.

— Espero que tenha razão, porque o nosso filho precisa de um padrinho! — exclamou Shado roendo suas unhas e com uma mão em sua barriga que estava começando a aparecer.

Oliver fez algo que eu nunca vi ele fazer. Atacou Cooper diretamente. Ele sempre foi mais estrategista, e agora estava agindo por impulso. No calor do momento. E isso não era bom. Ele levou Cooper ao chão novamente e encheu a cabeça dele de socos de todos os lados. Cooper conseguiu se soltar e acertou um gancho certeiro em Oliver.

Os dois rolaram no chão. Cooper gritou alguma coisa e depois apontou para cima. Ele apontou para mim. E depois riu. Isso capturou a atenção de Oliver. Maldito seja você, Cooper Sheldon. Foi até Oliver e desferiu chutes em seu peito e abdômen.

Levante. Por favor. Levante.

Oliver começou a rir no chão, enquanto estava sendo chutado. Rir de verdade. E bem alto. Como se Cooper tivesse contado a piada mais hilária da história da humanidade. Todos pareciam confusos, até o próprio Cooper. Oliver se levantou do chão em um pulo e com um movimento rápido demais para o meus olhos, prendeu suas pernas ao redor do pescoço de Cooper e o levou até o chão, o prendendo pelo ombro.

Oliver disse algo e Cooper gritou. Oliver riu e apertou a pressão do ombro de Cooper. Deste jeito iria quebrar ou deslocar o ombro dele! Espera. Por que eu estou preocupada com isso? Me dei um tapa mentalmente e vi ao vivo em cores, o ombro de Cooper ficar em uma posição estranha e o juiz separá-los.

Slade e todos os outros estavam gritando. O juiz declarou Oliver como o vencedor levantando seu braço e ele apontou em minha direção com um sorriso de molhar qualquer calcinha. Dois carecões foram checar Cooper que os dispensou e levantou-se do chão sozinho.

Ele trocou poucas palavras e depois foi até Oliver. Eles trocaram um aperto de mão enquanto travavam uma batalha de olhares. Cooper se aproximou do ouvido de Oliver, disse algo e depois...

Todos começaram a gritar e querer invadir a gaiola. Ra's entrou dentro da gaiola e com um movimento só quebrou parte da clavícula de Cooper sem hesitar que caiu no chão gritando, e depois correu até Oliver.

Entrei em pânico. O que tinha acontecido com Oliver? Eu não conseguia ver por causa das pessoas que estava na frente. Tommy estava gritando ordens e logo depois os carecões mais Ra's e Tommy ergueram o corpo de Oliver no alto.

— Lis...

Eu não ouvi mais nada. Eu não vi mais nada. Apenas corri. O mais rápido que eu conseguia. Empurrando pessoas e pulando degraus como uma louca. Eu sabia que estava sendo seguida por alguém, mas não me importei. A única coisa que importava era a faca que estava fincada no ombro de Oliver, enquanto ele estava sendo carregado para Deus-sabe onde.

Fui para os fundos da boate e passei por inúmeras portas até chegar numa sala toda branca. Eu sabia que estava no lugar certo quando vi Ra's segurando os ombros de Oliver contra a maca de ferro e Tommy a cabeça dele, enquanto os carecões trabalhavam. Eles eram enfermeiros?

— Lis... — disse Tommy assim que me viu.

Trocamos de lugar na hora.

— Hey... Ahh! — Oliver só conseguiu dizer isso, porque depois um dos carecões tirou a faca de seu ombro com um movimento só. Rápido e indolor. Ou quase isso.

Sangue jorrou.

— Hey, bonitão. — eu disse segurando a lateral de sua cabeça com o máximo de cuidado possível. Os carecões usaram inúmeras gazes no ombros de Oliver que ficavam manchadas de sangue rapidamente e eram jogadas no chão. — Não acham que devemos ir á um hospital?

— Não. — todos responderam.

— Definitivamente, não. — sussurrou Oliver com os olhos desfocados.

— Fique quieto. Você não tem direito de opinar. — resmungou Tommy ajudando os carecões.

Depois de algum tempo o sangramento foi parado e eles decidiram costurar o buraco feito pela faca no ombro de Oliver. Eu estava entrando em pânico, mas me auto-forcei a ficar firme e só desabar quando Oliver estivesse de pé novamente.

—-

— Você está me dando nos nervos. Tome um pouco. — disse Ra's chegando perto de mim com uma garrafa de Coca-Cola.

Eu não podia evitar de estar inquieta. Eu não tinha certeza se aquela sutura no ombro Oliver iria segurar. Eu não tinha certeza se realmente não tinha nada de errado dentro do corpo dele por causa da luta pra lá de violenta. A única certeza que eu tinha era que ele estava vivo e eu entrando em pânico tardio. Abri a latinha de Coca-Cola e bebi um grande gole. Talvez um pouco de açúcar ajude.

— Obrigada. — eu disse e Ra's olhou para mim ligeiramente confuso. — Você deu uma de SubZero hoje para cima de Cooper. Rápido e mortal.

— Felicity, Oliver é um dos meus alunos que mais estimo. Eu não deixaria ele subir em um ringue e se machucar por minha causa. — ele disse sereno encostando na parede e cruzando os braços.

Ele parecia tão diferente de como eu lembrava. Tinha barba e músculos muito mais aparentes do que antes. O brilho dos olhos também havia mudado. Mas a voz continuava serena, do mesmo jeito de como ele falava para mim ser sempre carinhosa e cuidadosa na hora de limpar uma placa-mãe. Era uma pessoa completamente diferente, mas ainda sim... Familiar.

— Quero que saiba que quando eu treinei Sheldon, ele era apenas uma criança. E estava realmente perdido. Assim como todos os meus alunos. — ele disse de repente e eu assenti. — Ele entrar em sua vida foi completamente uma coincidência.

— Assim como conhecer Oliver. E frequentar sua academia. — eu disse sorrindo levemente.

Passos de bebê, Smoak.

— Por que desistiu de Noah Kuttler? — perguntei e ele suspirou.

— Porque era uma pessoa que havia cometido muitos erros e eu simplesmente queria uma nova chance. Uma vida nova. — eu não podia culpar ele por querer um recomeço, ainda mais depois do que Donna havia feito, mas ele não poderia ter lutado mais por mim? Eu sou filha dele. — Deixar você para trás foi uma das escolhas que eu mais me arrependo, Felicity.

Assenti.

— Afinal, como você acabou virando tutor/tio de Roy? — perguntei o que estava me fazendo roer as unhas desde que havia descoberto que Ra's era... Papai.

Ele sorriu levemente, imerso em memórias e eu notei que ele ainda tinha o brilho familiar quando sorria. Era algo único que eu sempre guardei com carinho no quesito memórias paternas.

— Quando eu estava no Tibet, fiquei em uma vila conhecida como Nanda Parbat. Eles abrigavam e abrigam estrangeiros até hoje. Eu comecei a trabalhar em uma fazenda de arroz de um dos monges que me ajudava e conheci a filha dele.

— Você ficou com ela? — perguntei mexendo as sobrancelhas e ele riu baixinho.

— Ela era uma amiga bem querida e tinha uma filha. Thalia. As duas foram as primeiras pessoas além de Baso, que nunca me julgaram por ser estrangeiro. Alguns tibetanos conservadores tendem a ser preconceituosos.

— Mas vocês ficaram, certo?

— Depois de dois anos lá, eu ganhei minha nova identidade. Ra's Al Ghul. Você sabe o que este nome significa? — perguntou e eu neguei. — A Cabeça do Demônio.

— Uau...

— Eu ganhei este nome, porque fiz algo para impressionar os anciões. Assim como eles são preconceituosos, são religiosos também. E a cabeça do dragão tibetano, Wesia, era um símbolo de proteção. Eles me aceitaram como guardião.

— Então você virou um tipo de polícia?

— Mais ou menos. Depois de três anos, casei com Miu e ela e Thalia ganharam meu nome. A irmã de Miu tinha engravidado bem cedo e havia perdido o marido. A gravidez foi de risco durante sete meses. Roy nasceu, porém sua mãe morreu. Eu adotei o garoto. Ele ganhou um nome tibetano, mas Thalia gostava das músicas de Roy Orbinson, sua única influência americana. — ele disse e fingiu tocar uma guitarra e eu ri.

Roy Orbinson era a única pessoa que me fazia dormir em noites de tempestade.

— Depois de alguns anos, Thalia quis sair do Tibet e conhecer mais outras culturas. Eu e Miu mandamos ela para Hong Kong. Depois adotamos uma garotinha, Nyssa.

— E onde estão elas? — perguntei tentando ignorar a pequena pontada de ciúmes que crescia em meu peito em relação á Roy, Thalia e Nyssa que provavelmente tiveram mais contato com meu pai do que eu mesma a minha vida inteira.

— Thalia está morando em Vienna agora, ela é relações públicas da família real. Nyssa está terminando sua faculdade Boston, MIT assim como você. E Miu faleceu há cinco anos atrás. — ele disse.

— Sinto muito... Foi por isso que voltou?

Ele assentiu.

— Abri a academia junto com o pai de Shado, Yao Fei. Ele administra a filial em Starling City e eu a de Central City. — ele explicou e eu assenti. — Muita coisa para digerir?

— Sim. — eu disse e depois ri. — Bom, eu tenho uma mãe louca, três irmãos, uma madrasta falecida, um pai que renasceu das cinzas e um namorado com um buraco enorme no ombro.

— Você não tem com o que se preocupar além de sua mãe. Oliver vai sobreviver, acredite ou não, já passou por coisa pior do que uma faca em seu ombro. — ele disse e o carecão que estava costurando Oliver apareceu enxugando as mãos em um pano azul.

— Como ele está? — perguntou Ra's.

— Vivo e em uma peça.

Deixei meu corpo cair contra a parede do corredor e consegui respirar direito. A lata de refrigerante na minha mão estava competindo comigo para ver quem estava mais suada, mas eu não me importei.

Oliver estava vivo.

Oliver estava inteiro.

Ele estava bem.

— Ele está chamando a loirinha lá dentro. — disse o carecão apontando para mim.

Corri para a porta entregando o refrigerante para o carecão que aceitou de bom grado e vi Tommy na frente de Oliver com os braços cruzados e um olhar meio enojado.

— Não ficou tão ruim assim. — disse Oliver de costas para mim segurando um pequeno espelho e analisando o trabalho que o carecão fez em seu ombro.

— Felicity, manda ele calar a boca. — disse Tommy passando por mim e saindo da sala. Acho que eu não fui a única que morri de preocupações com Oliver este tempo todo.

— Hey! Estou vivo no final das contas! — disse Oliver com falsa animação assim que eu me coloquei de frente para ele. — O que?

— Está doendo? — perguntei apontando para a pequena linha preta em seu ombro.

— Não, Jeff me deu morfina. Não estou sentindo este braço. — ele disse erguendo o próprio braço e depois deixando a gravidade fazer seu trabalho.

— Ótimo! — eu disse e comecei a socar seu peito e seu braço que estava fora de combate.

Oliver foi pego de surpresa e tentou se defender como pode. Ele me puxou pela cintura e me envolveu num abraço estranho, porém reconfortante. Sentir seu calor e seu coração batendo debaixo da palma da minha mão eram...

— Eu realmente não sei o que eu iria faz...

— Você iria fazer nada, Felicity. Foi uma escolha minha e apenas minha. — ele me cortou ao nos separar com um olhar bem firme. Puxou e colocou uma camiseta preta que estava ali perto, vestiu um braço e depois eu o ajudei com o braço ainda paralisado pela morfina. — Eu estou bem e estou vivo.

Eu assenti, mesmo sentindo algo dentro de mim sendo moído. Eu escorei ele em meus ombros e nós saímos da salinha escura que imitava um mini-centro de enfermagem para os lutadores.

Nós saímos portas fora e Oliver foi recebido por toda a platéia que o assistiu hoje. Alguns aplaudiam, outros gritavam, e alguns apenas queria tocar nele para fazer se ele era de verdade. Foi difícil passar por eles, porque Oliver acenava e cumprimentava cada um que entrava no nosso caminho com muita educação.

Tommy estava nos esperando do lado de fora. Ele tinha trazido o carro e iria embora com a Ducati depois. Ele me ajudou a colocar Oliver no banco do carona e depois me entregou as chaves. Só depois que eu prometi mandar mensagem dizendo que havia chegado e caso eu precisasse de qualquer coisa.

Assumi o volante e fiz o caminho já familiar até o apartamento de Oliver, este que estava silencioso e pensativo demais para o meu gosto. É claro que ele não iria cagar arco-iris depois de ser esfaqueado em pleno ringue, mas mesmo assim... Este silêncio todo estava me incomodando. Muito.

— Nunca quis uma cama, como eu quero agora. — resmungou depois de um tempo quando paramos em um farol vermelho. Ele pousou sua mão boa em minha coxa e deixou lá. Seu calor através do tecido do meu jeans era muito bem-vindo. — Você vai bancar a enfermeira sexy?

Com isso dito, eu dei uma guinada para frente e ele riu alto.

— Foi só uma ideia, não precisa descontar no meu bebê. — ele disse e eu ri, revirando os olhos.

— Eu acho que a morfina está afetando seu cérebro. — eu disse virando o carro para a entrada do estacionamento do prédio de Oliver.

O portão foi aberto e nós entramos. Oliver apertou minha coxa e apontou qual era a sua vaga. Graças ao cara lá de cima... Era bem perto do elevador, ou seja, um trabalho de reboque mais fácil para mim.

— Vamos grandão. — eu disse depois de estacionar e tirar o cinto de Oliver.

Enganchei meus braços embaixo dos dele e ergui ele para fora do carro com toda a minha força. Funcionou. Ele se apoiou na lateral do carro, enquanto eu pegava sua mochila e acionava o alarme. Entramos no elevador e eu suspirei. Que dia cheio.

— Foi um longo dia, você não acha que eu mereço pelo menos um banho quente? — perguntou fazendo um bico pequeno e eu ri.

— Um banho.

— É tudo que eu preciso. — ele respondeu e se inclinou para baixo desengonçadamente e me deu um selinho demorado.

Chegamos no sétimo andar e eu reboquei ele do corredor até a porta. Peguei as chaves para abrir, mas Oliver empurrou com o dedo e ela se abriu sozinha. O que? Deixei a mochila no chão e ignorei o olhar cauteloso que Oliver direcionou para mim.

— Felicity...

— Shh.... Ah meu Deus.

— O que foi? É um ladrão?

— Não. É sua mãe. — eu respondi encarando Moira Queen que estava bebendo vinho perto da janela e depois encarei Thea que estava com um olhar desesperado.

— Oi. — foi a única coisa que saiu da minha boca.

— Mamãe, o que aconteceu com aquele aviso antes de vir? — perguntou Oliver tentando parecer despreocupado, mas falhando miseravelmente.

— Para você inventar planos e me colocar de lado? Eu prefiro arriscar, afinal, não é todo dia que eu descubro que meu filho está namorando... — disse Moira se aproximando como um felino pronto para abater sua presa. No caso, a presa era eu. — Moira Queen, a mãe.

— Felicity Smoak, a namorada.

— Thea Queen, a irmã.

— Oliver Queen, estou bem aqui.

Oliver e Thea disseram ao mesmo tempo, mas ninguém poderia negar.

Moira já me odiava.

Notas finais
Mama Queen tá na área, pessoal! E agora? Comentem! Indiquem! Favoritem! Acompanhem! Recomendem! L.W