Extreme Love
13 Capítulo 13
Notas iniciais
— Cara! O que aconteceu com a Lissy? — perguntou Tommy aparecendo ao meu lado. Ele estava usando terno e gravata, o que o deixava completamente bizarro, me entregou a chave da BMW e olhou ao redor.
— Lissy? — ergui uma sobrancelha ao ouvir o apelido.
— É, sabe aquela garota loira que estava chorando sentada na rua e depois encarnou o Vin Diesel e saiu á sabe-Deus-quantos quilômetros por hora? — perguntou irônico cruzando os braços.
— Não sei o que aconteceu com ela. — respondi sua pergunta anterior e ele assentiu.
— Curtis! Gente fina, vem cá. — chamou Tommy e Curtis se aproximou com um olhar preocupado. — Pode nos contar o que deixou Felicity daquele jeito?
— Dramas de família. Parece uma remake de "Days Of Our Lives". — disse e começou a digitar algo na tela de seu celular ainda com seu olhar preocupado no rosto. — Merda.
— O que foi? — perguntei tentando não parece preocupado tanto quanto ele estava. — Ela está bem?
— Sim, sim... Versão curta da história inteira: O pai de Felicity abandonou ela quando ela era pequena e agora ela descobriu que o pai não foi embora e sim a mãe fugiu com ela. O cara tem um ordem judicial afastando ele de Felicity e agora ela também descobriu que ele mora aqui em Central City. — disse Curtis e pareceu ler isso tudo em voz alta. Me estiquei um pouco e vi que era uma mensagem de Dianna explicando. — Conhecendo ela como eu conheço, ela foi pra casa...
— Confrontar a mãe. Isso vai acabar mal. — eu completei e Curtis assentiu.
Corri até o carro e joguei a chave da Ducati para Tommy voltar para casa depois. Eu sabia onde Felicity morava, e graças á Deus, até lá haviam vários atalhos que fizeram eu chegar muito mais rápido do que eu previa.
Cheguei na frente da casa que poderia ser cenário de qualquer filme "família" e estacionei bem na frente. Eu consegui ouvir os gritos de Felicity antes mesmo de chegar na porta da frente. Repensei e repensei se ia ou não apertar a campainha e achei melhor não.
Ela precisava de espaço.
Virei as costas e ouvi a porta se abrir.
— Menino Queen... — chamou Vovó Smoak e eu me virei. Ela estava com o rosto preocupado. — Eu preciso que você cuide da minha neta enquanto eu me resolvo com a minha filha. Ela está lá em cima.
Olhei para o céu e pensei. Poderia cuidar de Felicity? Inferno, claro que sim, mas ela teria que me deixar fazer isso. Sem pensar mais sobre isso, passei por Vovó e subi as escadas na minha frente. O corredor era pequeno, mas eu soube qual era o quarto de Felicity. Não apenas por ser a única porta fechada, mas por ter uma adesivo "I.T Girl" na porta branca. Bati duas vezes e escutei um sonoro "Vai embora" vindo da voz de Felicity, um pouco mais chorosa e abafada do que o normal. Forcei a porta um pouco e entrei.
O quarto me fazia sentir que estava em uma praia deserta. Apenas azul e calmaria me rondando. No meio dele, Felicity estava deitada na cama com a cara em um dos travesseiros. Me aproximei dela e deitei ao seu lado, trazendo seu corpo para perto do meu. Ela pareceu assustada, mas não se opôs.
— Hey. — foi a única coisa que eu disse depois de plantar um beijo em sua testa. Ela fungou diversas vezes tentando controlar o choro. Eu achava até engraçado quando Felicity bancava a durona para cima de mim. Era adorável. — Você está parecendo aquele desenho que a rena tem um nariz vermelho...
Ela fungou mais e soltou um bufo.
— Sério que vamos falar de filmes merdas de Natal? — perguntou com a voz rouca.
— Ow! Aquele era o meu filme favorito de Natal depois de "Expresso Polar". — eu disse e ela tirou os óculos e secou os olhos.
— O que está fazendo aqui, Oliver? — perguntou depois de um tempo, ela estava mais calma e parecia brava.
— Bom, sua avó quer que eu te sequestre, que você se acalme e não chore mais. Não precisa ser nesta ordem. — eu disse assim como ela já disse uma vez e tirei uns fios de cabelo que estava presos nas hastes dos óculos. — Escute...
— Não! Por favor não finja que sabe o que eu estou passando agora, porque você não sabe. — disse com a voz frágil e parecia estar pronta para chorar novamente.
— Eu não sei, mas sei o que é se sentir desesperado e enganado por alguém da família. Eu não sei o que você está passando, mas isso é o que eu sei... — eu disse e vi que ela estava examinando algumas de minhas cicatrizes minúsculas nas palmas das mãos. — Família é um negócio complicado, mas eles sempre estarão por perto quando você precisar. Os decentes estarão pelo menos.
Ouvi um riso vindo dela e considerei uma daquelas vitórias que Shado sempre falou. Por mais pequeno que fosse o sorriso dela, a vitória era imensa. Ela mediu nossas mãos juntas e a diferença era bem evidente.
— E família não se resume á sangue. Tem um monte de gente preocupada depois que você saiu da Lanchonete como se fosse uma personagem de "Velozes e Furiosos". — eu disse e seu corpo inteiro tensionou novamente.
O que eu disse de errado?
— Ahm, eu vou falar com eles. — ela disse e se levantou da cama em um pulo. Eu me sentei também e observei ela enquanto ela arrancava as roupas no guarda-roupa e colocava em duas malas abertas no chão. Jogando tudo de qualquer jeito, nem parecia a arrumadinha Felicity que conheci uma semana atrás.
— Onde você vai?
— Ahm, a casa de Dianna, Sara... — ela disse enquanto entuchava as roupas dentro da mala. Ela entuchou os sapatos na bolsa cor-de-rosa e guardou seus inúmeros eletrônicos em uma bolsa normal. Juntou tudo e abriu a porta, mas antes de dar qualquer passo, se virou e me encarou com olhos vermelhos.
— Por que está aqui? — perguntou.
— Eu estava preocupado com você, e sua avó praticamente me puxou pelas orelhas até aqui. — eu disse e me levantei da cama. Peguei suas malas de rodinha que eram coloridas e passei por ela. — Vamos.
Ela ia falar alguma coisa, mas eu não me importei com suas reclamações, apenas desci as escadas com as duas malas e saí porta afora. Coloquei as malas no banco traseiro da BMW e quando me virei vi Felicity falando algo com Vovó Smoak, elas se abraçaram. Felicity veio e jogou as duas outras bolsas em suas mãos no banco traseiro e me ofereceu uma carranca. Eu abri a porta do passageiro para ela e ouvi outro bufo.
— Não importa o que você fizer, eu nunca vou te achar feia. — eu disse e ela entrou no carro. Fechei sua porta e dei a volta até o lugar do motorista. Ela estava olhando para sua casa quando o carro começou a andar e parecia perdida.
— Você está me sequestrando, então?
— Não sei, você tem tendência a Síndrome de Estocolmo? — perguntei de volta e olhei para ela antes de parar para duas crianças atravessarem na rua. Ela mordeu os próprios lábios para não rir. Mais uma vitória. Eu estava ficando bom nisso. — Você quer alguma coisa para comer?
Negou com a cabeça. Então, sem paradas até em casa.
—-
— Não sei se isso é uma boa ideia, Oliver... — disse Felicity quando chamei o elevador.
— Por que não? — perguntei e ela coçou uma das sobrancelhas.
— Porque você não é nada meu e muito menos me deve nada. É estranho, sem falar que a sua irmã já está hospedada na sua casa e Tom... — começou e eu revirei os olhos.
— Felicity. Se nem você acredita nestes argumentos, por que eu deveria acreditar? — perguntei e ela corou fortemente. As sequelas do choro haviam desaparecido quase que por completo, só restava o nariz vermelho.
Obriguei ela a entrar no elevador e apertei o botão do sétimo andar, rezando para que ninguém estivesse em casa e constrangesse Felicity de qualquer forma possível. Meu celular começou a tocar e para atender coloquei uma das malas no chão. Era Makenna. Merda. Eu deixei ela na Lanchonete antes de sair á procura da loira ao meu lado.
— Não vai atender? — perguntou Felicity e eu neguei. Recusei a ligação e devolvi o celular para o bolso da calça.
— Tenho que cuidar da minha garota. — eu disse e beijei sua testa novamente, cheirando seu cabelo. Cheirava a xampu de bebê. As portas do elevador se abriram e eu saí primeiro com as malas maiores e ela veio atrás de mim. Notei que a porta da frente estava levemente aberta, e a bolsa de Thea no chão.
— Oliver, eu acho que não dev... — disse Felicity depois que eu abri a porta e encarei Thea e Roy se amassando no meu sofá. — Entrar.
Pigarrei alto o suficiente e eles se separaram como se tivessem levado um choque com uma voltagem enorme. Roy estava de costas para mim e Thea na minha frente com os braços cruzados sem blusa.
— Cheguei, irmãzinha. — disse com um tom irônico e levei as malas de Felicity para o meu quarto já que Thea havia dominado o de hóspedes. Ouvi cochichos na sala e ri baixinho.
Eu sentia ciúmes da minha irmã? Claro que sim. Me incomodava ela estar se amassando com um cara no meu sofá? Um pouco, mas Thea já era grandinha. Sabia o que era certo e errado, e tendo Moira Queen como mãe, com certeza, sabia o que era uma camisinha. Eu não me preocupava com ela, neste sentido. E Roy... Eu sabia onde ele morava.
— Está sentindo? — perguntei quando voltei para sala olhando para Felicity que estava de braços cruzados na frente dos dois, como se estivesse dando bronca.
— O que?
— Essa satisfação? Deus, eu sempre quis flagrar alguém para saber como que era a sensação. — eu disse e vi Roy corar fortemente. Minha irmã apenas bufou e revirou os olhos. — Thea, você tem um quarto aqui. Use-o.
— Poderia dizer a mesma coisa para você. — rebateu olhando de mim para Felicity.
Quando eu ia rebater a provocação, Felicity apenas tocou em meu braço e disse para eu calar a boca com os olhos. Foi o que eu fiz. Thea e Roy se trancaram no quarto dela depois disso. Eu e Felicity acampamos no sofá — não o que Thea e Roy estavam, e sim o outro — e começamos á assistir "Doctor Who" já que já tínhamos terminado "Scorpion" na semana passada.
Eu não prestei atenção em nada que não fosse a loira do meu lado, para ser totalmente sincero. Ela estava distraída, mas alguma hora teria que conversar. Espero eu, que seja comigo.
Eu lembrava de como eu era nos últimos anos. Inconsequente, instável e desesperado por encrenca. Depois de anos contendo tantos sentimentos dentro de si mesma, Felicity era uma bomba relógio. Eu poderia ajudá-la á conter a explosão, porque já estive no mesmo lugar.
— Eu acho que vou pedir comida tailandesa, você quer? — perguntei assim que um episódio acabou e outro se iniciava. Ela apenas maneou a cabeça e eu pesquei o celular para fazer o pedido.
Inúmeras ligações e mensagens de Makenna, Tommy e Sara. Mandei a mesma resposta para os dois últimos dizendo que Felicity precisava ficar um pouco sozinha, mas estava bem. Já Makenna... Era um caso do passado.
Eu havia conhecido ela no primeiro ano aqui em Central City. Tivemos uma semana inteira de farra até que ela entrou para a polícia e foi embora. Ela havia aparecido no começo da semana e foi muito bom revê-la. Eu não era idiota ou burro o suficiente para não perceber as pequenas investidas que ela dava. Respondi uma de suas mensagens me desculpando por ter deixado ela na rua e prometi que iríamos nos encontrar de novo antes de ela ir embora na segunda.
Me levantei do sofá e fui até o quarto de Thea, bati da porta e depois entrei. Eles estavam assistindo Netflix assim como eu e Felicity juntos, porém... Com menos roupas.
— Vou pedir tailandesa, vocês querem? — perguntei e eles negaram. Fechei a porta e voltei para a sala. Fiz o pedido e encontrei Feliciy encolhida como uma bola no sofá ignorando a TV que estava muda.
Voltei para lá e fiquei por baixo dela enquanto ela chorava baixinho. Eu já havia me sentido assim uma vez... Impotente. Foi o dia do funeral do meu pai enquanto minha mãe e Thea estavam chorando enquanto abaixavam o caixão na terra. Era horrível.
Não disse nada e muito menos ela. O silêncio reinou na sala.
—-
— Eu ainda acho que você deveria ser meu guarda-costa. Iria ganhar mais do que como porteiro. — eu disse quando deixei uma porção de tailandesa com Diggle.
— Eu me afasto de stress e gritaria, Oliver. — ele respondeu e eu ri indo até o elevador.
— Por que somos amigos então?
Quando cheguei no apartamento, Felicity havia trocado de roupa por um pijama bem curto e estava pendurada no andaime. Oh. Então é assim que ela se sente quando fica me encarando? Fechei a porta e deixei o saco de comida em cima da mesa pequena de jantar. Ela desceu de lá e pulou em cima de mim. Fui pego completamente de surpresa e por sorte tive o apoio da mesa, se não teríamos caído do chão.
— Por que isso? — perguntei em meio do abraço sufocantemente bom.
— Por ser você. — respondeu e plantou um beijo em minha bochecha.
— Mereço um beijo decente então, não um cumprimento. — argumentei e ela riu antes de me beijar. Da forma certa, desta vez. Quando nos separamos, ela me deu um sorriso lindo. — Agora sim.
— Então... Comida. — disse entre um selinho e outro. Ela desceu de meu colo e se sentou na mesa enquanto eu fui pegar os pratos e talheres.
Quando voltei ela já havia separado tudo na mesa e estava comendo um pedaço de brócolis com olhar perdido.
— Você está bem? — perguntei e me arrependi assim que a pergunta saiu de meus lábios.
— Sim, só com fome. — ela disse sentamos um na frente do outro. — Sinto que você já sabe muita coisa sobre mim, está na hora de eu saber algo sobre você.
— Lá vamos nós de novo... O que quer saber? — perguntei antes de colocar uma garfada generosa dentro da boca. Estava uma delícia.
— Me conte algo que os tabloides não saibam. — disse de boca cheia e ajeitou os óculos que escorriam pelo nariz. Enquanto mastigava, refleti. Tinha algumas coisas que ninguém sabia, outras que apenas Tommy sabia, outras que apenas a minha família sabia, mas qual contar para apenas Felicity saber?
— Eu odiava o meu pai. — disse depois de engolir e fazendo ela engasgar ruidosamente. Ela bebeu água e se recompôs. Me encarou procurando indícios de mentiras ou humor.
— Okay. Por que? — perguntou suavemente e voltou a comer. Eu espetei um brócolis com o garfo e observei ele.
— Vários fatores... Ele era o meu herói até meus dezesseis anos, mesmo sendo ausente para mim e Thea. — suspirei. — Ele ficava muito tempo na empresa e só víamos ele em algum evento importante da sociedade ou nos feriados santos.
— O que fez você odiar ele?
— Descobri que desde o nascimento de Thea, meu pai traía a minha mãe repetidamente com as assistentes dele, sócias e até mesmo a melhor amiga da minha mãe... O que abrisse as pernas para ele. — eu disse e enfiei o brócolis na boca enquanto Felicity ficava chocada. — Depois disso, só arrumei desculpas para sair de casa. As faculdades chegaram e eu me libertei daquela casa.
— Plural?
— Harvard. Yale. Oxford. Foram os tempos sombrios da minha vida. — eu recitei o nome das faculdades mais famosas do mundo e ela revirou os olhos com o meu descaso á elas. — E ele morreu e tudo desandou completamente. Thea queria ser uma nova versão de mim, minha mãe ficou depressiva, a empresa quase faliu e eu só encarava a parede do meu quarto.
— O mundo cor-de-rosa se tornou preto? — perguntou e apoiou o queixo em seus dedos cruzados compreensiva.
— Mais para cinza. Acho que foi meu choque de realidade, depois tirei minha mãe do quarto, coloquei Thea na escola e com ajuda do pai de Tommy e Walter Steele, tudo voltou aos eixos. — eu contei e parei para beber água.
— Menos você. — adicionou.
Perspicaz.
— Quando entrei em CCU*, eu ainda ia á festas e chegava até o ponto de usar drogas. Não me orgulho disso, mas eu precisava de um escape. — fui sincero. — Até que Tommy me apresentou Ra's e eu comecei a lutar.
— Não ajudou, não é? — perguntou e voltou a comer lentamente. Encarei ela confuso e coloquei o garfo de lado. — Eu consigo ver que você ainda tem muita coisa guardada dentro de si e ás vezes, como na noite da boate, você fica no seu limite e precisa bater em alguma coisa ou em alguém.
Encarei ela sentindo a verdade em suas palavras. A maioria das pessoas, inclusive o meu melhor amigo, achavam que eu lutava clandestinamente por esporte. Ela foi a única a chegar nesta conclusão e ainda estar certa.
— Estou começando a ter uma ideia de como você se sente... — ela disse e vi que terminou seu prato, enquanto o meu ainda estava na metade. — Eu me sinto com raiva o tempo inteiro. Raiva das mentiras de minha mãe, raiva das omissões da minha avó... Raiva e ódio de tudo.
Continuei comendo enquanto ela falava e em cada palavra proferida, eu me pintei na figura. Era tão certo que parecia que Felicity me conhecesse á anos e podia ler minha mente.
— Você apenas desconta na luta, mas espero que algum dia você consiga colocar esta raiva para fora. — disse com um tom compreensivo e tocou meu braço. Aquela luz que ela emitia nunca pareceu tão forte.
— Agora é a sua vez de me contar algo que eu não sabia. Aliás, eu não sei muito sobre você, apenas que é uma genia e tem problemas de família. — eu disse tentando dissipar o silêncio constrangedor que ficou entre nós. Ela soltou um riso baixo e tirou os óculos com um olhar pensativo.
— Bom, eu cresci construindo computadores e jogando jogos violentos. Nunca me adequei em escola alguma até que entrei no M.I.T. e conheci mais pessoas da minha espécie. — disse ela com um tom conspiratório e depois riu da própria piada.
— Continue. — pedi e juntei a pequena bagunça que havíamos feito depois de terminar o meu prato.
— Desde os sete anos eu construía, desmontava, limpava e montava computadores junto com o meu pai. Até que mamãe quase foi violentada na loja que trabalhava e meu pai ensinou á ela alguns golpes para se defender, eu quis aprender também. — disse e eu imaginei uma mini-Felicity batendo o pé com determinação. Sorri, era no mínimo, engraçado. — Minha mãe foi contra, mas meu pai achou um jeito de me ensinar. Mortal Kombat.
Eu ri alto da última informação e ela também.
— Aquele surto Liu Kang que eu tive foi apenas um lapso de memória do jogo e quando eu fiz onze anos, ele sumiu. Minha mãe me trouxe com ela para Central City e nunca mais falamos sobre ele. — ela contou e percebi um pouco de hesitação em sua voz. — Até agora, onde eu descubro que eles tiveram duas guerras judicais pela minha guarda e depois meu pai ganhou uma ordem de afastamento.
Me virei assim que ela terminou de falar segurando a louça em minhas mãos.
— Não acabou. Ele está morando aqui em Central City. — ela adicionei e fiquei legitimamente surpreso.
— Mas por que ele não foi atrás de você, esses negócios judiciais não expiram depois dos dezoito anos? — perguntei indo até a cozinha, despejei a louça na pia e joguei as embalagens no lixo.
— Vinte e um, na verdade. Expirou dois anos atrás. — ela disse quando eu voltei para lá. — Chega de conversas sobre dramas familiares, por favor. Eu realmente preciso assistir um pouco de "Doctor Who" agora.
Eu apaguei as luzes e depois voltamos para o nosso acampamento no sofá. Ela se aconchegou em mim e vidrou os olhos e a atenção na TV, enquanto eu apenas a observava. Fechei meus braços ao redor dela e beijei seu cabelo com cheiro de bebê.
Ela era luz, com escuridão ao redor. Literalmente.
—-
— Eles são tão adoráveis juntos... — sussurrou uma voz conhecida. Tommy. E ele tinha companhia.
— Pensei que ele não namorou mais depois de Laurel. — sussurrou Makenna de volta.
Ah, não. Ela aqui não.
— Felicity vai mudar isso ou eu devo cem pratas para Dianna. — confidenciou Tommy. Era bem a cara dele isso, apostar ás custas da vida amorosa de qualquer pessoa que não fosse ele mesmo. Makenna deu uma pequena risada sem graça e atrasada no contexto.
Bom, isso deveria parar com as investidas dela para cima de mim. Senti Felicity se remexer e abraçar meu pescoço, ela resmungou algo sem nexo que eu não entendi e eu apenas descansei as mãos na base de sua coluna, perigosamente perto da bunda dela.
— Bom dia pessoal... — disse Thea com a voz sonolenta. — Awn. Que fofos.
Por que eu não acordei ainda?
— Bom dia. — ouvi a voz de Roy vinda do corredor.
Ele passou a noite? Vou ter que impor limites então. Esperei. Eu só descobria as fofocas se estivesse escondido, então... Minha linha de pensamento foi interrompida quando ouvi passos perto do sofá e depois um "click". Tiraram uma foto? Limites, limites.
— Eles já oficializaram? — cochichou Thea e eu ouvi um resmungo vindo de Tommy, negando. Grande amigo que eu tinha aqui. — Oliver está perdendo tempo, aquele gatinho da Lanchonete está de olho nela.
— Que gatinho da Lanchonete? — perguntou Roy e percebi que ele estava sendo o que eu pedi que fosse.
— Ronnie Raymond. — respondeu Thea com um tom de voz enjoado. — Ele é bonito, fortão... Mas eu tenho certeza que ela prefere meu irmão.
Risos baixos e depois silêncio total enquanto Felicity se remexia e acordava em cima de mim. Foi todo um processo, ela bocejou duas vezes, estralou as juntas e não se levantou antes de plantar um beijo em meu queixo.
— Jesus Cristo! — abafou o grito. Ah, ela deve ter visto a platéia. - Me contem de novo o porquê de Oliver tem colocado esta porta de ligação?
— Ele não consegue viver sem mim. — respondeu Tommy em voz baixa. — E aí? Se divertiram muito né?
Eu apostava cada centavo meu que Felicity estava corada agora.
— Ele saiu todo preocupado atrás de você ontem e até esqueceu a Makenna na Lanchonete dos Allen. — disse Tommy novamente querendo descobrir alguma coisa á mais.
— E eu não sou fácil de esquecer. — disse Makenna depois de um tempo quieta entre todos. Quando Felicity não respondeu, houve um bufo coletivo.
Boa garota.
— Vadia. — resmungou Felicity baixinho e eu me esforcei muito para não sorrir.
Ela estava com ciúmes e eu ainda precisava ter uma conversa com este tal de Ronnie Raymond. Hora de acordar. Abri os olhos e me acostumei com a claridade vinda das janelas e sentei no sofá. Era confortável, mas não era minha cama.
Caminhei até o banheiro consciente que todos estavam me olhando. Isso já estava ficando chato. Acho que vou reconstruir a parede que separava o meu apartamento do de Tommy. Urgentemente. Fiz minha higiene matinal e senti as costas duras por causa da noite no sofá.
— Hey... Pode expulsar seus amigos? — pediu Felicity assim que eu terminei de secar meu rosto. — Eles são muito energéticos pela manhã e eu simplesmente não consigo aguentar esta agitação ás 08h:00 da manhã.
Eu sorri, ela retribuiu e depois foi até o meu quarto e se jogou na cama. Quando voltei para sala todos estavam de braços cruzados e me olhando, menos Thea e Roy que estavam com duas xícaras de café nas mãos. Ela me entregou uma e ele foi atrás de Felicity.
O café estava bom.
— Bom, acho que eu vou indo. — disse Makenna constrangida pela troca de olhares minha e de Tommy.
— Tchau. — cantarolou Tommy e ela saiu pela porta. Bom. Menos uma. — Você não vai se safar desta Queen.
— Eu acho melhor você controlar sua língua enquanto ela estiver se não quiser um olho roxo. — eu disse calmamente enquanto tomava o café. Thea nos olhava com diversão e mordia as unhas.
— Você deve se lembrar que ela vai embora domingo, não é? Eu posso esperar algumas dias... — ele disse e foi para a sua casa. Thea apenas me encarou com uma de suas sobrancelhas erguidas e quando ia falar alguma coisa, Roy reapareceu no corredor.
Salvo.
Por enquanto.
— Então... Felicity vai embora domingo? — perguntou Roy ficando ao lado de Thea.
— Eu também vou, podíamos ir... Juntas. — disse Thea com um sorriso.
Merda.
E eu achando que estava salvo com ele por perto.
— Acho que sim, ela está passando por muita coisa, ou seja, não a perturbem. — eu disse sério e ambos assentiram ainda mais sérios do que eu. Ótimo. Eu ainda tenho alguma autoridade por aqui. Era um tipo de consolo, de certa forma.
— Ok, eu e Roy iremos curtir o dia e você... — disse Thea me olhando de modo especulativo. — Curta o seu, com a Felicity.
Eu acenei com a cabeça e eles foram para o quarto de minha irmã.
— Okay... Eles foram embora? — perguntou Felicity assim que entrei no quarto, ela estava zapeando pelos canais da TV quando eu assenti.
— Você está pronta para ir embora? — perguntei logo de cara. Vamos arrancar logo o esparadrapo de uma vez.
— Não. — respondeu de imediato e me encarou. — Acho que vou me encontrar com o meu pai e eu poderia usar algum apoio moral.
— Eu me voluntario. — eu disse erguendo uma mão e olhando ao redor. Ela riu melodicamente e eu sorri.
— E eu não estou pronta para dizer "Adeus" para você ainda. — ela confidenciou em voz baixa. Eu me sentei na sua frente na cama e encarei seus olhos azuis. — Vou sentir falta dos seu abs.
— Só deles?
— E de você fazendo exercício da sua engenhoca também. — ela adicionou e sorriu.
— Aquilo se chama Salmon Ladder, não engenhoca. — corrigi-a e ela revirou os olhos.
— Engenhoca. — disse novamente e eu sorri. — Eu iria agradecer se você fizesse um pequeno favor para mim.
— Diga. — eu disse sem hesitar enquanto tentava contar quantas pintinhas ela tinha no pescoço e colo, mas não consegui porque ela se levantou e ficou na minha frente. Era impossível não olhar para suas pernas que estavam bem expostas por causa do short curto.
— Eu quero que você me leve até o centro de treinamento e que tenhamos uma luta de verdade. — disse e eu ergui uma sobrancelha descrente. Fiquei chocado com sua sinceridade. — Mas eu iria agradecer se você não me nocauteasse com apenas um soco.
— Por que isso? — perguntei curioso enquanto corria as minhas mãos por suas coxas, a pele ficou rapidamente arrepiada e Felicity chegou mais perto.
— Porque eu acho muito excitante ver você dentro de um ringue, sem camisa... Você sabe fazer um bom show, Sr. Queen. — disse e eu ri quando estava perigosamente perto do tecido de sua calcinha, ela deu um passo para trás e me olhou seriamente. — Por favor, diga sim... Vai.
Eu comecei a balançar minha cabeça para dizer um sonoro "Não", mas ela sorriu.
Merda. Que sorriso.
— Diga! Eu sei que você consegue. — ela brincou.
— Sim. — suspirei.
— YES! — seu grito me fez rir, mas a risada morreu quando ela pulou em cima de mim e me beijou. — Eu, definitivamente, não estou pronta para dizer "Adeus" para você, se continuar me beijando assim.
— Bom saber. — eu disse quando reivindiquei seus lábios como meus.
Fale com o autor