Extreme Love
12 Capítulo 12
Notas iniciais

— Você está bem? Ela está bem? — perguntou Sara, primeiro para mim e depois para Dianna.
Ela e Curtis haviam se juntado á nossa pequena festinha do pijama quando a noite caiu e o turno deles havia acabado no STAR Labs. Curtis também voltaria para Starling City no domingo junto comigo. Eu até chamei Caitlin para se juntar á nós, mas ela estava super ocupada com os pedidos de leitura que os professores mandaram para volta ás aulas.
— Eu diria perfeita. Você não? — ironizou Dianna me olhando com uma sobrancelha erguida.
Ela havia feito um alvoroço enorme depois que eu não concordei e nem discordei de sua última afirmação que era a respeito de Oliver e eu juntos. Ela realmente fez um alvoroço, como se tivesse descobrido a cura do câncer e iria distribuir gratuitamente.
Ignorei ambas e dei uma olhadela para o celular. As mensagens de Oliver acabaram no momento em que Dianna surtou, ele voltou á treinar e eu fiquei lidando com a Euforia Lewis sozinha. Já eram quase 20h:00. Ele ainda deveria estar por lá.
Suspirei.
— Discrição não é o seu forte. — disse Curtis ao meu lado. Olhei para ele e quando encontrei seu olhar reconfortante, sabia que ele sabia o que estava acontecendo comigo. — Vamos pegar um pouco de sorvete no mercadinho aqui do lado.
Eu assenti e me levantei. Não me importei de trocar de roupa, o pijama estava mais do que confortável e quentinho. Curtis e eu descemos até o térreo e atravessamos a rua movimentada. Dianna morava bem perto do centro e do STAR Labs, era uma loucura só para atravessar a rua.
Caminhamos até a entrada do mercadinho, a porta fez barulho assim que entramos e eu vi os sorvetes disposto no fundo dos três corredores que tinham ali. Uma garota que poderia ser considerada o produto americano, — loira, olhos azuis e bronzeada — estava no caixa mastigando chiclete ruidosamente enquanto lia uma revista de fofoca. Ela nem se importou com a nossa presença.
— O que está acontecendo Lissy? — Curtis perguntou educadamente quando pegou três pacotes de cookies de chocolate com gotas de chocolate em um dos corredores.
— Eu acho que me apaixonei por ele. — eu disse, se eu nomeasse o sujeito nesta frase, só tornaria tudo ainda mais real do que já era. — Estou com medo.
— Medo de ser como da outra vez? — perguntou ele e abriu a porta do freezer. Pegou duas embalagens de sorvete de chocolate com menta para as meninas e duas embalagens de chocolate com lascas de chocolate e pimenta para nós dois.
— Sim, eu sei que ele não é como Cooper. Está na cara que não é, mas não deixa de ser aterrorizante. — eu disse e equilibrei os quatro potinhos nos braços. Curtis pegou calda de chocolate e granulado colorido e fomos até o caixa. — E também... Olhe para ele.
— Eu olhei e a única coisa que consegui ver foi um homem quebrado. — disse Curtis suavemente enquanto a loira passava as coisas de forma lenta e entediada. — E eu até acho que vocês formariam um belo par.
— Curtis! Isso aqui não é um romance a lá Nicholas Sparks que eu entro da vida dele, e depois de um tempo ele deixa de ser mulherengo e se torna um príncipe encantado. — eu disse odiando o quão cliché isso era. — Ninguém salva ninguém.
— Não estou falando que você vai mudar ele. Ele fez escolhas horríveis e você também. — disse Curtis e pagou a pequena compra.
Saímos da lojinha e esperamos o sinal vermelho para atravessar perto de um poste.
— Neste caso, ele que mudaria você Felicity. Não o contrário. — ele disse com calma e um pequeno sorriso. O sinal ficou verde e eu levei quase 20 segundos para seguir Curtis depois de sua afirmação. No final... Era eu que precisava ser salva?
—-
Curtis se tornou uma companhia bem-vinda na quinta-feira de manhã. Eu estava evitando mamãe e Oliver, ele foi a minha distração e ainda foi comigo para academia mesmo depois de nosso papo na noite passada. Ele ficou gritando motivações o treino inteiro para eu derrubar Roy e era até engraçado a tiete que ele poderia ser.
— Vamos fazer uma pausa de quinze minutos. — Roy disse assim que seus olhos bateram em Thea que estava na sala ao lado com Ra's e eles estavam lutando Aikido com bastões e aquelas roupas engraçadas.
— Eu conheço um food truck que você vai amar. — eu disse para Curtis que estava sentado no chão meditando. Ao ouvir as palavras "food" e "truck" na mesma frase, um de seus olhos abriu e ele se levantou em um pulo.
Levei ele até o lugar que Roy apresentou á mim e a Nicholas semana passada e ele amou. Comeu três lanches diferentes e uns quatros romãs. Curtis era magrelo de ruim, porque com seu apetite deveria estar com obesidade mórbida.
— O que você quis dizer ontem com escolhas terríveis? — eu perguntei enquanto dava outra mordida em meu lanche. Não precisei dar o nome para ele saber de quem eu estava falando.
— Bom, ele tem sua cota na criminalidade, mulherengo, irresponsável e ainda usou drogas bem pesadas por um tempo. — disse Curtis e eu quase cuspi o lanche que estava na minha boca. — Depois que o pai morreu, nunca mais vi nenhum escândalo com seu nome na manchete, apenas o da irmã.
Assenti enquanto mastigava.
— Acho que ele melhorou bastante. — disse Curtis com um sorriso grande e eu ri baixinho. Ele me contou algumas das farras mais conhecidas de Oliver e eu não reconheci a pessoa que eu estava "A". — Mas se formos comparar, você era bem pior que ele.
— Não tenho ficha criminal. — eu disse e estirei minha língua.
— Porque apagou ela com seus poderes virtuais. — rebateu Curtis e mostrou a língua de volta.
— Nunca usei drogas. — eu disse e empinei meu nariz.
— E os baseados de Cooper? Está tentando me convencer que nunca fumou nenhunzinho? — perguntou ele com uma cara de "Mente que eu finjo que acredito" e eu revirei os olhos. — Você não pode julgar ninguém Smoak.
— Infelizmente, porque isso deve ser tão divertido... — eu disse com um ar sonhador e ele riu.
Voltamos para dentro da academia rindo á tempo de ver uma cena que era no mínimo... Preocupante. O riso morreu quando Oliver Queen entrou no vestiário masculino com uma mulata ao seu lado todo sorridente.
— Quem é ela? — perguntou Curtis baixinho.
— Eu. Não. Sei. — respondi pausadamente e vi Roy se aproximar com Thea.
— Vocês já conheceram a Makenna? — perguntou Thea sorridente.
Todos os Queen estão sorridentes hoje?
— Uma amiga de Starling, ela veio visitar o templo do Oliver.
— Não a conheci ainda. — eu disse com um sorriso convincente, mas Curtis me olhou amedrontado. Da última vez, eu, literalmente, matei uma garota do mundo virtual porque a vadia deu em cima de Cooper. Eu só precisava de um sobrenome para fazer tudo de novo. — Como é o nome dela mesmo?
— Makenna Ha...
— Vamos! Já deu quinze minutos de pausa! Vamos! Pessoal... Vamos! — disse Curtis cortando Thea e me fazendo fuzilar ele com apenas um olhar. Roy e eu fomos puxados até o segundo andar deixando Thea para trás.
— Na verdade, o resto da aula vai ser no centro lá embaixo... — disse Roy quando chegamos no segundo e Helena acenou com um sorriso. Fazia um tempinho que eu não havia visto ela.
— Ah, foi mal então. — disse Curtis culpado. Eu apenas desci as escadas com os braços cruzados e fui em direção ao centro. Ignorei as portas dos vestiários e entrei no centro.
Estava tudo quieto, não tinha ninguém ali. Ótimo.
— Hey... Fúria Homicida. — chamou Curtis e eu revirei os olhos para o grotesco apelido que eu tinha ganhado desde que conheci ele na Queen Consolidated.
— O que? — perguntei ao subir em um dos ringues. Olhei para Curtis e vi que Roy não estava ali, apenas o meu melhor amigo. — Eu quero matá-la!
Curtis riu com a minha explosão de ciúmes e se aproximou.
— Faça isso. No ringue. — disse e piscou maldosamente para mim. A porta do centro foi aberta e nela chegaram Ra's, Thea, Oliver, Makenna e Roy, todos sorridentes. Eu não me sentia tão alegre assim. — Faça o que eu te falei.
— Vamos fazer um mini-campeonato? — perguntou Thea estralando suas juntas. Eu fugi do olhar de Oliver e encarei o tatame embaixo dos meus pés.
— Makenna X Felicity. — disse Ra's aprovando a ideia e eu olhei para ele.
Ele estava com um ar de diversão ao seu redor e seus olhos focados em mim.
— Okay... Faz um tempinho que eu não luto, então pegue leve comigo. — disse a morena mulata entrando no ringue.
Ela era muito bonita e tinha um corpo bonito também. Hm.
Sorri assentindo e me coloquei em posição. Eu só precisava de um golpe para derrubá-la e seria o Golpe Smoak. Ela tentou me atacar, era um blefe, ela queria ver o que eu sabia? Esperta. Desviei de suas mãos e prendi minhas pernas ao redor do seu quadril e girei.
Fomos ao chão. Curtis aplaudiu como a tiete que era e eu sorri. Ganhei de você, vadia. Me levantei e ajudei ela a se levantar. Makena estava massageando suas costas com uma expressão dolorida. Okay. Eu e minha raiva melhoramos, só um pouquinho.
Makenna saiu e Thea entrou. Eu me curvei em respeito, assim como ela.
Ficamos em posição e ela me atacou diretamente nas pernas, se eu não tivesse pulado sua rasteira, teria perdido com certeza. Eu teria que derrubá-la primeiro então. Entre golpes de Aikido e Krav Maga ela me atacou sem dó, não consegui uma brecha para revidar, apenas me defender.
Sei que em um passo em falso que ela deu, deixei Thea de joelhos prendendo suas pernas com as minhas e prendendo seu pescoço com um clássico mata-leão. Mais ovações vindas de Curtis. Soltei Thea quando ela desistiu.
— Você é realmente muito boa. — ela disse e respirou fundo.
Dei de ombros com um sorriso no rosto.
— Eu acho melhor você não entrar lá, ela está bem puta e pode quebrar um osso seu. — ouvi a voz de Curtis cochichar e não precisei olhar para saber com quem ele estava falando.
Oliver. Eu ainda queria bater nele. Muito. Não era necessário dizer, mas eu sabia que se ele entrasse no ringue comigo... Eu iria apanhar, mas eu também poderia dar alguns socos nele.
— Acho que está bom por hoje. — disse Ra's se intrometendo. — Você está evoluindo rapidamente Srta. Smoak.
— Tive um bom professor. — eu disse e ofereci um sorriso á ele. Ele retribuiu, foi pequeno e sem graça, mas foi verdadeiro. Ele foi embora e eu saí do ringue, o grupo se aproximou e eu vi que minha aula já havia acabado por hoje. — Curtis, vamos... Temos que salvar o Just Dance.
— Sim! — respondeu Curtis animadíssimo e eu ri. — Paul não aguenta jogar mais do que quatro músicas, eu preciso da minha parceira.
Fizemos nosso toque de mão sob o olhar de todos ali.
— Vou tomar um banho rapidinho, me espera na recepção. — eu disse caminhando até a saída, ele assentiu e começou a conversar com Roy e Thea. Oliver e a nojenta também começaram a conversar. Idiota.
Como de rotina, tomei meu banho rapidamente e constantemente olhando ambos os lados. Todo cuidado era pouco quando falávamos de trotes e me vesti com uma roupa confortável. Shorts, camiseta e tênis. Tirei minhas lentes e coloquei meus óculos. Meu cabelo estava de bom humor hoje, então o deixei solto.
Quando saí do vestiário, meu cérebro me emitiu um pequeno alerta. Fui de fininho até o vestiário masculino e entrei lá. Sei que parece muita burrice considerando que estávamos no horário de funcionamento, mas eu não ouvi nenhum chuveiro ligado ou conversas paralelas. Fiz uma vistoria rápida pelo lugar inteiro.
Hm. Parece que as transas no vestiários ainda são exclusivamente minhas.
— Agora você é a idiota. — eu disse a mim mesma batendo a mão contra a minha própria testa e me virei para sair.
Andei dois passos no corredor e trombei com alguém. Não era Oliver. Suspirei. Eu sabia disso pelo cheiro, não era aquele amadeirado com sabonete que aquele idiota tinha. Era um cheiro diferente, uma mistura de sabonete com sabão em pó. Não tinha um cheiro de colônia.
— Felicity? — chamaram e eu ergui a vista.
— Ronnie? — disse seu nome assim que o reconheci. Ele era cheiroso.
O gatinho da Lanchonete por aqui?
— Ahm, vim buscar umas coisas para Caitlin no armário dela, mas as meninas são terminantemente contra eu entrar no vestiário feminino. — disse ele e eu ri baixinho. — Mas deixam você entrar no vestiário masculino, isso é injusto.
Eu me virei para a porta que tinha a plaquinha do homem e corei bem forte.
— Eu só est... Quer dizer, eu não fiz nad... É uma longa história. — eu disse gaguejando e ele riu.
— Qualquer história sua, deve ser no mínimo engraçada. — ele disse e nós rimos.
— E muito constrangedora. — adicionei baixinho e ele riu.
Shado saiu do vestiário com uma bolsa branca cheia de bolinhas vermelhas e entregou para Ronnie junto com um chaveiro, Ronnie agradeceu, mas Shado pareceu um pouco alheia a tudo ao seu redor. Será que ela está bem?
— Hey... Caitlin disse que você vai embora no domingo, então estamos planejando outra competição. Desta vez você é minha. — ele disse e batucou seu dedo indicador no meu ombro e eu ri corada.
— Claro, sua. — eu disse e maneei a cabeça. — Não quero dizer que sou sua, sua, mas sabe... Sua parceira.
Ronnie riu novamente e eu deveria estar tendo um aumento de pressão arterial de quão quente estava o meu rosto. Deus. Por que isso só acontece comigo? Por que o Senhor reserva todos os constrangimentos, exclusivamente, para mim? É injusto.
— Vou indo, passe por lá antes de ir embora para a competição. — ele disse e me deu um beijo no rosto perigosamente perto do canto da minha boca, e eu corei ainda mais forte quando ele sorriu. Ele fez de propósito! — Caitlin me deu seu número. Pode me salvar como "Gatinho da Lanchonete", eu gostei do apelido.
Bati a mão na testa. Eu não acredito que disse aquilo também em voz alta. Ronnie saiu da academia e Curtis brotou do meu lado.
— O que aconteceu? Você só fica vermelha assim quando Oliver está por perto e como ele não está... — disse Curtis e eu respirei fundo e sorri. Eu poderia ser muito azarada, mas era melhor rir do que chorar. Ignorei a presença á mais atrás de mim. Não queria papo com ele tanto cedo. — Felicity?
— Você sabe... O de sempre. Eu, minha boca grande, um homem muito bonito... — eu disse formulando uma equação que já era de conhecimento geral, Curtis olhou ao redor curioso. — Ele já foi embora.
— Quem é ele? Ele é bonito mesmo? Mas você não estava apaixonad... — disparou Curtis em voz baixa e eu dei um soco em sua lombar e ele gemeu.
— Ele é um amigo. Sim, muito bonito e eu não quero comentar sobre o último item aqui. — eu respondi entre sussurros e caminhei até o balcão de Shado para pagar a conta e cancelar a inscrição. Foi um tiro no meu bolso, mas eu paguei com gosto. As aulas foram ótimas. E eu tinha o restante deste mês para vir praticar aqui.
— Vou sentir sua falta, você deu um pequeno "Up" aqui. — disse Helena aparecendo e eu ri. — E eu poderia usar uma amiga para ir beber comigo, já que a única que eu tenho está grávida.
Lançou um olhar falsamente mal humorado para Shado que revirou os olhos. Ela estava grávida?! Deveria ser por isso que ficou tão alheia com Ronnie. Isso era um sintoma de gravidez? Helena e eu trocamos um abraço e ela me fez prometer que eu iria ligar de vez em quando para ela e depois fomos até o estacionamento.
A Ducati de Oliver parecia brilhar.
Argh! Idiota!
—-
Passei a tarde dançando Just Dance com Curtis e Paul. As meninas pareciam ter sumido do mapa fazendo sabe-Deus-o-que e eu estava evitando ir para casa. Pela mensagem que recebi de Vovó, Donna Smoak estava com o próprio Satã no corpo hoje. Oliver não mandou nenhum sinal de vida ou nada parecido.
— Você precisa de uma despedida á altura! — disse Caitlin assim que eu passei pela porta de entrada da Lanchonete. Estava completamente vazia e Caitlin estava segurando uma daquelas bacias apoiada no quadril enquanto recolhia pratos sujos nas mesas.
— Eu também acho! — exclamou Curtis em concordância.
— Eu não acho. — discordei. — Poderíamos fazer uma noite de pizza e no dia seguinte vocês me levam para a estação e choram enquanto o trem vai embora.
— Isso não é a cena final do Harry Potter, não tá? — exclamou Caitlin com uma expressão séria e eu ri. — Eu ainda planejo te rever muitas vezes.
Caitlin continuou limpando o salão enquanto eu e Curtis comíamos uma banana split com capuccinos juntos. Sim, era meio estranho. Era uma das coisas que eu e Curtis compartilhávamos como melhores amigos que somos. Ele estava me sondando.
— Okay. O que eu devo fazer? — perguntei deixando a colher de lado e ele riu. — Não, sério... O que eu devo fazer?
— Não sei. — ele admitiu e nós rimos juntos.
— Ele não me prometeu amor eterno e muito menos casamento... Nós somos apenas duas pessoas que transaram. — eu disse e ele assentiu, concordando.
— Repetidamente. — adicionou com um tom malicioso e eu revirei os olhos. — Mas está certa. Vocês não tem um status definido, mesmo quando ele está com aquela tal Makenna...
Segui o olhar de Curtis e pela janela vi Oliver encostado em sua moto com Makenna ao lado dele. Era apenas ela se esticar um palmo de distância e eles poderiam se beijar. Ótimo. Ignorei o aperto no meu peito e me foquei no meu amigo na minha frente.
— Você é sempre rodeada por homens bonitos... — resmungou Curtis. — Por que não te conheci antes de casar?
Gargalhei com isso e ele ficou mal-humorado. Barry e Ronnie saíram da cozinha junto Iris e um coroa muito bem conservado. Reconheci os olhos azuis de Barry nele, deveria ser seu pai?
— Felicity! Eu pensei que estava fazendo regime com todo aquele treinamento na academia... — exclamou Barry olhando para a banana split na minha frente. — Este aqui é o meu pai e dono na Lanchonete, Henry Allen.
— Prazer. — eu disse e apertei a mão do coroa bem conservado. — Eu iria adorar se você abrisse uma Lanchonete Allen em Starling City, seus hambúrgueres chegam ser melhores do que o Big Belly Burguer.
Todos riram.
— Muita obrigada, Felicity. Não seria uma má ideia.
— Respondendo sua pergunta, Felicity só consegue por uma semana e depois volta para a Calorilândia. — disse Curtis e comeu a cereja que restava no prato.
— Na verdade, eu vim aqui para a pequena competição de tortas que Ronnie falou mais cedo. — eu disse e Barry ergueu uma sobrancelha, olhou para Ronnie e depois para mim com um sorriso discreto.
— Iris me ajude a trazer as tortas. Caitlin, está pronta? — disse Barry olhando entre as garçonetes.
— Nasci pronta, Allen. — disse minha amiga. Amarrei meu cabelo e tirei os óculos, Curtis amarrou um guardanapo de pano que pegou com Iris ao redor do meu pescoço e Ronnie deslizou ao meu lado no banco. Curtis saiu e deixou o banco livre para Caitlin e Barry e ficou ao lado e Iris.
— Vamos lá... Uma torta para cada um, não vale usar as mãos. A dupla que comer mais, ganha o troféu. — disse Iris e Curtis começou a quicar do lado dela. Minha visão estava embaçada, mas eu conseguia ver o círculo verde com bolinhas pretas na minha frente. — Podem começar.
Vi Barry enfiar a cara dele logo de frente na torta e ri com isso. A parte mais difícil era comer as beiradas, então... Comecei por elas. Meu rosto ficou cheio de glacê e eu sentia os pequenos flocos de chocolate entrando no meu nariz, mas era tão bom.
— Vai Fonnie! — gritou Curtis e todos nós paramos e olhamos para Curtis.
Inacreditável.
— O que? Se não temos Olicity, Oliver e Felicity... — ele disse como se fosse um expert neste assunto. — Eu shipo Fonnie. Felicity e Ronnie.
Ignorei ele e voltei a comer. Mastigando e engolindo, mastigando e engolindo, mastigando e engolindo. Terminei a minha torta primeiro que todo mundo e a segunda foi posta na minha frente. No final, eu e Ronnie ganhamos por 4 tortas á 3 e meia de Caitlin e Barry.
— Boom! Vem para mamãe. — eu disse para Iris quando ela estava trazendo um troféu bem parecido com o Oscar, mas o carinha estava segurando uma torta em uma das mãos.
Eu e Ronnie tiramos uma foto com ele e eu mostrei meu dedo médio para a câmera. A foto foi diretamente para a estante de troféus que tinha em uma das paredes da Lanchonete e eu me tornei "Pie Champion".
— Eu sou boa em duas coisas... Computadores e comer. — eu disse depois de beber muita água e Caitlin riu, percebi que ela e Barry estavam bem próximos e sabiam disso.
— E lutar. — acrescentou Curtis e eu revirei os olhos. — Qual é... Você acabou com aquela Makenna lá.
— Eu sei. — eu disse convencida e nós rimos.
— Espera... Makenna? Makenna Hall? — perguntou Caitlin e eu assenti. Ela pareceu muito surpresa. — Uau.
— Vocês conhecem ela? — perguntei olhando para todos, os meninos deram ombros e Caitlin foi a única á assentir com a cabeça.
— Pode-se dizer que ela é uma garota que marca as pessoas, veio para Central City para poder entrar na polícia e conseguiu, depois disso sumiu do mapa. — disse minha amiga bem vagamente.
— Hm.
Eles começaram a falar de esportes e das diferenças entre Starling City e Central City. Não eram muitas. Makenna sumiu do mapa antes? Me pergunto o porquê disso quando ela parece muito bem acomodada por aqui. Peguei meu telefone e vi que tinha duas mensagens. Uma de Dianna e outra de um número desconhecido, pela foto online vi que era Ronnie. Olhei para ele e ele estava rindo. Ele era bem bonito mesmo.
"Ronnie, R: Hello... It's me. :D"
Ele parecia ser uma cara legal e muito interessante. Alguma coisa boa emanava de seu corpo inteiro. Era... Calor. Sim, calor. E bem familiar, apenas não sabia de onde conhecia isso. Abri a mensagem de Dianna em seguida.
"Dianna, L: Eu acho que encontrei seu pai, e você não vai acreditar aonde ele está."
Pedi licença e disquei o número de Dianna com os dedos trêmulos. Ela não atendeu da primeira vez, então liguei de novo e de novo. Como infernos ela me manda uma mensagem desta e não fica com o telefone ligado? Fui para o lado de fora e tentei a terceira vez.
— Oi! Desculpe, estava fazendo xixi...— disse ela quando atendeu, eu ouvi o barulho da descarga no fundo. — Então, eu estava pesquisando o que levaria uma pessoa ir para a gereba do mundo se não fosse uma ordem judicial de afastamento da filha...
— Dianna! — exclamei em protesto, ela fazia parecer pior do que já era.
— Desculpe! Desculpe... Então, no Tibet eles têm uma política totalmente e completamente diferente da nossa e desde os anos noventa, eles abrigam estrangeiros por lá.
— Okay... E isso é bom? — perguntei querendo estar com meu notebook agora em mãos. Merda.
— Sim. Seu pai ganhou uma nova identidade, por isso não achamos mais nada de Noah Kuttler ativo.— ela disse e eu me apoiei na parede.
— Ele trocou de nome?
— Ele ganhou um novo nome.— me corrigiu e depois uma porta de bateu do outro lado da linha. — Lissy? Ele está morando em Central City agora.
Absorvi a informação como uma esponja suga água, não respondi nada á Dianna e ela esperou pacientemente.
Ah meu Deus.
Ah meu Deus.
Ah meu Deus.
— Lissy? Merda, eu deveria ter contado pessoalmente... — resmungou ela do outro lado e passei a mão no meu rosto. Eu estava chorando? Sim, eu estava. As lágrimas estavam caindo livremente e eu não tentava contê-las.
— Não, está tudo bem. Eu vou falar com a minha mãe. Obrigada por tudo Dianna, mas não precisa pesquisar mais nada. — eu disse e desliguei. Me sentei na calçada mesmo e coloquei a cabeça entre os joelhos. Eu realmente não precisava ter um ataque de pânico agora.
Respirei profundamente e inspirei.
Repeti o mesmo ritual umas cinco vezes e depois me acalmei.
— Felicity? — chamou a voz de Curtis atrás de mim. Limpei meu rosto rapidamente e me virei para ele. Todos estavam ali, inclusive Oliver e Makenna.
Maravilha.
— Eu preciso ir para casa. Agora. — eu disse e me enfiei dentro do meu carro sem esperar resposta.
—-
Assim que cheguei em casa, eu fui diretamente para cozinha onde mamãe e Vovó estavam cozinhando o jantar. Vovó sorriu assim que me viu entrar, mas o sorriso fora desmanchado quando ela viu meu rosto marcado pelo choro recente.
— Você sabia, não sabia? — perguntei olhando para as costas dela. Ela ficou tensa e largou o que estava segurando dentro da cuba da pia. — Você sabia que ele estava aqui o tempo inteiro, não sabia?
— Do que está falando Felicity? — perguntou vovó e se aproximou de mim lentamente.
— Eu descobri que depois de uma longa viagem para o Tibet, meu pai voltou e está morando em Central City. — eu disse e vovó colocou a mão em seu peito de tão chocada que ficou. — E você sabia, não sabia?
— Não.
— Pare de mentir! — eu gritei sem me conter e ela se virou. — Você sempre pregou que mentiras e segredos afastam as pessoas que mais amamos, e você está conseguindo me afastar de você.
Mamãe pareceu ser atingida por um tapa e começou a chorar. Ela sabia que ele estava aqui o tempo todo.
— Donna... Isso é verdade? — perguntou Vovó e os soluços em resposta foram mais do que uma resposta perfeita. — Oh Deus...
— Este é apenas um dos motivos pelos quais eu fui morar em Starling City. A sua hipocrisia. — eu respondi e dei as costas para ela.
Fale com o autor