Extreme Love
11 Capítulo 11
Notas iniciais

Eu estava completamente acabada. Oliver conseguiu me cansar em todos os jeitos e formas com a nossa pequena maratona de sexo desde a academia até o seu apartamento, na verdade nós teríamos dado um show no estacionamento se não fosse por uma senhora que estava andando com seu cachorro ali.
Oliver estava dormindo ao meu lado. Minhas pernas estavam enroladas nas dele e escutava aquele "tum tum" que seu coração fazia sereno. Ele estava completamente relaxado e merecia o descanso.
Tommy veio atrás de mim em casa pedindo que eu tirasse Oliver da academia ou ele iria ficar lá até desmaiar de exaustão. No primeiro caso eu realmente quis negar, porque Oliver estava com um mau humor inacreditável pela manhã, e sua educação parecia ter sido apagada de seu cérebro, depois eu percebi que Tommy também estava mais do que mal humorado e ele deixou escapar que eu e Caitlin estávamos muitos ocupadas com nossos "encontros" para notarem qualquer coisa ao nosso arredor.
Fiquei pensando nisso e depois descobri que Tommy tem uma queda por Caitlin e ele deve ter ouvido nossa pequena conversa sobre Barry na academia, e como Tommy é uma maria-fofoqueira de primeira deveria ter contado isso para Oliver.
Sara já tinha me dito que Oliver não tinha muita paciência para dramas, ele não tinha dois pesos e duas medidas. Então, assumindo que Tommy contou para ele sobre Caitlin, ele deveria ter falado que eu também saí com outro cara. Oliver decidiu seguir em frente e começou a me ignorar.
Era lógico.
Até que eu ataquei ele no vestiário da academia. Eu ainda não acreditava neste detalhe, porque era um lugar inusitado e público, mas quando Oliver me beijou eu esqueci todos estes detalhes. Ele havia ficado com ciúmes e eu não o culpava, quando qualquer outra aluna secava ele ou cochichava sobre ele, minha veia assassina explodia e Shado e Ra's tiveram que me segurar três vezes para eu não bater em uma das alunas de Judô. Dianna e Sara disseram que eu estava agindo como se fosse uma fêmea alfa, de fato, eu estava e não me importava nenhum pouco com isso.
Oliver era meu. E apenas meu. Olhei seu rosto sereno e sorri quando seu corpo girou e ele ficou por cima de mim, alojando seu rosto em meu pescoço e suas mãos perigosamente perto de meus seios. Eu lembrava muito bem que Oliver havia deixado bem claro que eu era apenas dele, várias vezes, durante nossas transas e entre elas. Eu era, desde que ele também fosse meu.
— Eu vou ver se ele está no quarto, se não estiver, vamos sair e procurá-lo de novo. — ouvi a voz de Thea no corredor, mas não entrei em pânico. Pela primeira vez. Mantive minha respiração uniforme e fechei meus olhos. — Eu já fui na academia e estava tudo trancado, ele tem que estar neste quarto ou eu irei começar a distribuir cartazes de desaparecido e assassino em potencial.
Ouvi mais passos e depois duas batidas tímidas na porta. Senti Oliver beijar meu pescoço levemente enquanto acordava sonolento.
— O que? — perguntou alto com a voz grogue de sono.
— Ollie! Abre aqui, eu preciso espancar você. — disse Thea do outro lado e Oliver riu baixinho. Com cuidado, ele se separou de mim e se levantou.
Eu me virei na cama ciente de seu olhar em mim e abracei seu travesseiro. Eu amava o cheiro dele. Era rico, masculino e amadeirado. Uma mistura de colônia masculina e sabonete. Era viciante.
— O que foi, Speedy? — perguntou assim que o trinco da porta foi aberto.
— O que foi?! Oliver Jonas Queen, eram duas horas da manhã e você não havia chegado ainda e Tommy ficou desesperado porque ele disse que você estava "instável". Pode me explicar o que diabos isso significa? — exclamou ela e ouvi um "Shh" vindo de Oliver e um "Oh" de Thea.
Ela me viu na cama de Oliver.
— Pelo jeito estava muito ocupado para atender a merda do seu celular, não é?
— Meu celular ficou na sala de Tommy. — disse Oliver e eu quis rir da discussão entre sussurros deles. Pareciam duas velhas fofocando sobre alguém da rua. Me virei na cama novamente e o silêncio dominou o quarto.
Chutei as cobertas e me revirei toda.
— Estou com sono e ela está sentindo minha falta ali. Por que você não vai sair com Roy? — perguntou Oliver e bocejou.
Uau.
Aquela veia assassina e ciumenta dele não se aplicava á irmã caçula?
— Oliver, são 14h:00! Ele está na academia te esperando! — exclamou Thea e recebeu outro "Shh" de Oliver.
— Não vou hoje, diga á ele isso. Você realmente não vai querer estar neste apartamento pelo resto do dia. Bye bye Speedy. — disse Oliver e a porta se fechou novamente e eu ouvi o trinco soar baixinho.
Ele voltou para cama e me puxou para seu peito, me enrosquei como uma gata ao eu redor e fingi que não notei sua ereção por baixo do calção que ele usava. Eu estava usando uma camiseta dele. Isso explicava o cheiro dele em mim. Eu lembro que antes de dormir, nós tomamos banho juntos e eu vesti a camiseta dele e depois apaguei. Fingi estar acordando e seus braços me apertaram, sua mão foi até a minha bunda e ficou por lá.
— Boa tarde, dorminhoca. — sua voz soou rouca e eu abri meus olhos. Ele estava sorrindo, sorri de volta e me alojei em seu pescoço como ele havia feito alguns minutos atrás. — Já está tarde para dormir.
— Não está não. — minha voz também estava rouca de sono.
— Quer ficar aqui a tarde inteira?
— Sim, mas não posso. — eu disse resmungando com a voz chorosa e ele riu. Me sentei na cama e estralei todas as juntas. Os "crec" soaram e eu me senti aliviada.
Pegando Oliver de surpresa montei em seu colo e beijei ele.
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— Okay... Você foi, literalmente, a melhor! Muito obrigada! — disse Caitlin quando eu entrei na Lanchonete dos Allen.
— Catie, você já disse isso mais de vinte vezes. — eu respondi e sentei no balcão na frente dela.
— Eu sei. — exclamou ela super feliz.
Eu pedi um hambúrguer e ela foi até a cozinha providenciar.
Olhei ao redor e percebi que sempre tinha um boa quantidade de clientes por aqui, não importava a hora ou o dia. Deveria ser ótimo para os negócios. Ouvi uma risada em grupo e vi o que parecia ser um grupo de universitários sentados em uma das mesas perto da janela. Foi a mesma mesa em que eu, Ronnie Raymond, Barry Allen e Caitlin sentamos há duas noites atrás. Em nosso "encontro".
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Flash Back — On
— Catie, eu preciso conversar. — disse ao sair do carro dela, morrendo de medo de encarar Oliver agora. Ainda mais na festa da vitória dele. Nós havíamos parado na Lanchonete Allen para pegar algumas encomendas para a festa de Oliver na academia.
Barry entendeu a deixa e entrou sem nós enquanto Catie retocava seu gloss com a ajuda de uma colher. Contei á ela tudo que havia acontecido tentando achar uma solução. Eu estava virando uma bomba emocional relógio, e eu sentia que iria explodir á qualquer momento.
Ela ouviu tudo atentamente, sorriu quando eu disse que havia passado a noite com Oliver e depois ficou pensativa quando eu tentei explicar o que estava acontecendo comigo. Depois de alguns minutos em silêncio, ela suspirou e me encarou.
— Eu acho que você está com medo de se envolver com ele e se apaixonar. — ela disse e estralou os dedos da mão com um ar calmo. — Cooper realmente te traumatizou e eu acho que você está com medo de se envolver com Oliver e acabar se tornando mais um trauma. Está tensa demais.
Ouvi suas palavras e quis revirar os olhos. Não era nada de novo ali. Deus. Eu queria me envolver com Oliver sim, mas tinha uma placa de néon vermelho gritante dizendo para eu não fazer isso porque iria acabar mal. Para mim. E era quase impossível ignorar esta placa.
— Acho que está certa, mas... — eu iria argumentar quando Barry saiu da cozinha rindo ao lado de um moreno musculoso e bonito.
— Catie! Está linda! — disse o desconhecido e eu vi Barry erguer uma sobrancelha e fazer uma careta.
Será que o sentimento de Caitlin por Barry era recíproco? Hm.
— Ronnie! Você voltou! — disse a morena largando o gloss e indo abraçar aquela parede de músculos maravilhosa.
Sério, ele poderia ser um modelo Calvin Klein facilmente.
— As férias estão acabando e eu preciso daquele diploma. — disse ele e depois se virou para mim com um sorriso. A parede de músculos tinha um sorriso brilhante lindo. — Eu sou Ronnie Raymond.
— Felicity Smoak. Prazer. — eu disse e nós apertamos as mãos. Barry foi colocar as encomendas no carro de Caitlin com uma cara de desgosto e eu sorri. Talvez fosse recíproco mesmo.
— Então... — disse Caitlin olhando para Ronnie com um sorriso maroto. — O que você está pensando para o começo das aulas?
Ronnie gargalhou e eu boiei no assunto.
— Todos estão naquela corda bamba antes da formatura, sem festas de arromba Catie. — disse Ronnie indo para trás do balcão. Catie seguiu ele com uma expressão murcha e eu ri. — Mas nós podemos fazer "Pie Competition" aqui, eu já falei com o Henry e ele liberou.
— YES! — gritou Caitlin animadíssima. — Você vai perder. De novo.
Ronnie apenas maneou a cabeça e eu fiquei impressionada com os olhos azuis dele. Eram bem clarinhos e transbordavam alegria. Eu não estava acostumada a ser rodeada por tantos olhos azuis assim. Vovó, mamãe, Sara, Barry, Tommy, Ronnie, Oliv...
— Felicity? Vai querer participar? — perguntou Ronnie e eu olhei para ele confusa.
— Do que?
— Nós fazemos essa competição desde que Caitlin começou a trabalhar aqui. Para simplificar, duas duplas, um monte de torta... Quem comer mais, vence. — disse Ronnie com um sorriso infantil e eu ri.
— Podemos fazer meninos contra meninas, o que acham? — gritou Barry do lado de fora da Lanchonete com um sorriso.
— Eu topo! — disse Caitlin de imediato.
— Vou ver na minha agenda super lotada e depois aviso vocês. — eu disse me fazendo de ocupada quando eu realmente queria fugir dali o mais rápido possível.
Flash — Back — Off
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Depois, eu aceitei por fim e nos encontramos aqui na Lanchonete. Eu comi tanta torta de chocolate com menta que parecia que eu iria explodir depois, mas no final eu e Caitlin ganhamos de Ronnie e Barry.
— Então... Você vai ficar por quanto tempo? — perguntou Catie voltando com o meu hambúrguer.
— Esta é minha última semana aqui em Central City. — eu disse mordendo uma batata frita. — Vou embora no domingo á tarde.
— Então quer dizer que eu só tenho quatro dias para aproveitar com a minha nova melhor amiga? — exclamou ela assustada e eu ri.
— Vou fingir que não ouvi isso Snow... — disse a outra garçonete mulata passando por Catilin com uma bandeja recheada de milk-shakes.
Catie forçou um sorriso para ela e depois se virou para mim, tristonha.
Aquela deveria ser Iris, a paixonite de Barry.
— Temos tempo ainda, eu preciso resolver uma ou duas coisas antes de voltar para Starling City. — eu disse e mordi meu hambúrguer.
— Uma dessas coisas é relacionada a um certo lutador com olhos azuis e bíceps enormes? — cochichou Caitlin e fiquei tentada a jogar ketchup nela.
O final de semana inteiro não ouvi nenhum tipo de provocação ou indireta, mas agora? Elas estavam vindo como flechas de todos os lados. Caitlin riu da minha cara e eu peguei o ketchup ameaçando ela.
— Não é engraçado! — eu disse com a boca cheia e ela riu mais.
— Se você pudesse ver como ficam bem juntos, iria entender. — disse ela e roubou minhas batatas. — Oliver é uma destas coisas que você disse, qual é a outra?
— Quero achar meu pai. — eu disse e ela assentiu.
Fiquei agradecida por não ter insistido neste assunto ou no de Oliver mais e ficamos conversando sobre a vida dela. Ela fazia faculdade de Direito e faltava apenas este semestre para terminar, ela era de Coast City, mas mudou-se para Central City para estudar e estava pensando em voltar para casa assim que terminasse a faculdade.
Engraçado. Eu e ela éramos opostos. Quando eu terminei minha faculdade, mal esperei minha mãe dizer "Boas-Vindas" para contar que iria me mudar para Starling City.
As coisas até que melhoraram depois que eu confrontei mamãe depois de descobrir por vovó que foi ela que abandonou ele e me levou junto, depois disso Donna Smoak surtou e agora nem se dava ao trabalho para olhar na minha cara. Era apenas mais um razão para ficar enfurnada em qualquer outro lugar que não seja aquela casa.
Paguei a conta e depois de um abraço apertado, decidi caminhar um pouco por aí.
Eu ainda me lembrava de alguns lugares legais para se passar o tempo aqui em Central City. Tinha dois parques, um museu e inúmeras praças. Ótimos lugares para se pensar. Decidi por fim em ir em uma das praças que ficavam bem perto de casa.
Andei pelas ruas com as mãos enfiadas no moleton que roubei de Oliver antes de ir embora da casa dele e enxotar o mesmo até a academia. Tinha o cheiro forte e amadeirado dele, me acalmava. Virei depois de dois quarteirões e praça se abriu.
Não estava cheia, tinha alguns velhinhos jogando cartas e algumas pessoas lendo perto da fonte que representava Afrodite rodeada por cupidos. A cerâmica estava jorrando água em três direções opostas. Sentei em um dos bancos e suspirei.
O que eu vou fazer? A conversa com Caitlin me lembrou que eu tinha outra vida, outras responsabilidades em Starling City e em pouco tempo eu teria que voltar para elas.
Me pergunto como seria se eu tivesse aceitado o emprego no STAR Labs. Provavelmente trabalharia com Sara e Dianna na divisão de pesquisa e seria ocasionalmente visitada por Curtis...
Curtis!
Ele morava em Starling City também e mantinha um relacionamento estável aqui. Será que eu poderia manter um assim com Oliver? Por que eu estou cogitando um relacionamento com Queen? Esfreguei meu rosto com as duas mãos e suspirei novamente. Que confusão... Bom, eu tinha menos de quatro dias para resolver esta questão com Oliver e resolver as coisas com mamãe e ainda achar meu pai.
Meu celular começou a tocar e eu tirei ele do bolso. Dianna. Eu não estava com muita paciência para lidar com o espírito energético e extrovertido dela agora, mas aceitei a ligação.
— Hey! Finalmente consegui falar com você! Eu dei uma pesquisada fora dos livros por aqui e acho que posso te ajudar a encontrar o seu coroa.— disse ela antes que eu pudesse falar "Alô".
— Que ótimo, o que? — perguntei e do outro lado da linha, uma porta se fechou.
— Eu descobri que depois que você e sua mãe se mudaram de Gotham, seu pai ainda ficou por lá alguns anos. Pelos menos os cartões de crédito dele ficaram e depois ele sumiu do mapa!— ela disse e eu assenti.
Não tinha informação nova ali, eu já sabia de tudo isso depois da minha própria pesquisa em casa.
— Mas... Os cartões da Vovó continuaram ativos e durante seis anos ela enviou um pacote para uma cidade chinesa que tem um nome bem estranho, ela fica perto da fronteira entre o Tibet e o Nepal. Um lugar bem remoto para fugir depois que abandonou a esposa e a filha de onze anos.
Vovó continuou o contato com papai?
— Mais alguma coisa? — perguntei e ele suspirou.
— O resto dos registros são apenas coisas comuns, nada mais foi enviado para o Tibet e pago pelo cartão dela. Vovó pode até ter enviado mais coisas, mas pagou em dinheiro.— ela disse e eu mordi a unha do dedão. Deveria ir falar com Vovó?
— Obrigada D. Foi uma grande ajuda. — eu disse e me levantei no banco.
Sim, vou ir falar com Vovó e vai ser agora.
— Eu tenho uma amiga na polícia e ela reuniu para gente tudo sobre seu pai, sua mãe e a Vovó. Só temos que ir pegar o arquivo com a Patty. — disse ela e eu soltei um "Hm". - O que foi Lissy?
— Nada, vamos encontrar com a sua amiga e depois tiramos nossas conclusões. — eu disse e ela riu baixinho. — Podemos fazer isso comendo comida chinesa.
— Estou sentindo uma leve proposta de festa do pijama...— cantarolou ela e eu não resisti e ri. — Ah! Não fazemos isso há séculos! Eu quero!
— Okay. Okay. Nós vamos na delegacia e depois fazemos nossa festa do pijama. — eu disse e ela soltou um gritinho animado. Marcamos um horário para nos encontrarmos na delegacia e depois ela desligou porque o horário de almoço havia chegado ao fim.
Caminhei até em casa com calma, me preparando para o próximo interrogatório de Donna Smoak que, com certeza, evoluiria para uma discussão. Abri a porta e não vi nada que apontasse alguém em casa. Respirei fundo e soltei.
Amém. Um pouquinho de paz.
Fechei a porta e pendurei o moleton no cabideiro. Subi as escadas com calma e quando cheguei no corredor, ouvi a voz de Vovó e mamãe ao longe no quarto desta última. Estavam conversando. Sobre mim. E meu pai.
Me aproximei com cuidado da porta e ouvi atentamente, parecia o único jeito de descobrir alguma coisa sobre Noah Kuttler atualmente. Escutando através de portas.
— Ela não é criança Donna. Sua filha cresceu e tem todo o direito de tentar um convivência com Noah, se ela quiser.— argumentou Vovó e ouvi um suspiro. — Ele foi muito benevolente com você e seu comportamento infantil naquela época, mas agora...
— Eu tinha todos os direitos de ir embora e levar minha filha junto comigo. Noah não tinha o que Felicity precisava de um pai. Era imaturo demais para criar uma criança.— rebateu mamãe nervosa.
— Mas ela acabou ficando sem nenhum pai no final, ele cansou de ver Felicity através de fotos e vídeos. Ele se mudou para o outro lado de mundo para respeitar sua decisão Donna, agora respeite a dele.— um grande suspiro. — Mantenha isso em mente e conhecendo minha neta como eu conheço, ela não vai parar até encontrar Noah.— disse Vovó e ouvi seus passos vindo até a porta.
Corri feito um raio até o meu quarto e fechei a porta com todo o cuidado do mundo e escorreguei até o chão. As informações de Dianna estava certas. Meu pai se mudou para o Tibet quando mamãe deixou bem claro que não queria ficar perto dele e neste meio tempo, Vovó ficou mandando fotos e vídeos de mim enquanto crescia para ele. Deus... O que ele havia feito de tão ruim para mamãe ir embora?
Peguei minha sacola esportiva e coloquei algumas roupas sujas no cesto para lavar depois. Peguei meu pijama rosa que tinha todos os elementos da tabela periódica como adornos, duas trocas de roupa e enfiei meu notebook ali dentro. Coloquei algumas roupas íntimas também.
Arrumei o quarto e já fui arrumando as malas de volta para casa e fiquei com o coração apertado. Eu não queria ir embora. Queria ficar aqui. Não aqui nesta casa, mas aqui em Central City.
Com Oliver Queen.
Ignorei esta última parte e também ignorei meu cérebro apontando como um resultado inegável destes últimos dias. Eu estava me apaixonando por ele.
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— O que foi agora Tiffany?
— Código 237.
— Indecência pública?
— Então é o 239.
— Violação canina de coleira?
— Tem certeza que viemos á pessoa certa? — perguntei á Dianna enquanto observamos o diálogo entre duas mulheres uniformizadas. Uma loira e uma morena. A loira parecia ser superior a morena e tinha um ar cansado.
— Patty! — chamou Dianna e a loira se virou para nós e sorriu amplamente.
Eu conseguia ver sua carga dentária inteira de longe. Ela veio até nós e nos cumprimentou alegremente.
— Dianna Lewis! Quanto tempo... Ah! Aqui está o que me pediu. — disse e foi correndo até sua mesa e voltou com uma caixa de escritório e me entregou.
Uau.
Estava pesada.
— Eu também cobrei um favor que tinha com o Comissário Gordon de Gotham e ele adicionou algumas coisinhas aí dentro. — disse Patty com um tom conspiratório e Dianna riu. Elas conversaram brevemente, parecia que Dianna havia ajudado Patty com seu marido, Sam, e parecia ter uma dívida eterna com a minha amiga.
Depois de uma despedida calorosa e uma hora esperando a comida chinesa, eu estava acampada no chão de Dianna vestindo meu pijama, mesmo sendo 14h:00 da tarde, e comendo com meus hashis enquanto olhava vários papéis. Vovó realmente gostava de fazer crochê, por que ela comprava vários tipos de lã todo mês.
— Okay... Eu achei um inventário que diz que nas caixas que a Vovó enviava eram classificadas como "Frágil". — leu Dianna na minha frente enquanto chupava um fio de macarrão. — Uma das caixas se abriu e foram achados fotos, CD's e uma gravata?
Ah sim, o acompanhamento da minha infância.
— Acho que foi a gravata que eu comprei para ele de Dia dos Pais quando era criança. — eu disse e ela assentiu. — Agora os pontos estão se ligando...
— Você acha que ele ainda está morando lá? — perguntou ela de boca cheia e eu parei os hashis á caminho da boca. — Sei lá, neva o tempo inteiro, é longe da civilização e com certeza não deve ter sinal para assistir a nova temporada de Keep Up With The Kardashians.
Eu ri de sua lógica.
— Os envios pararam depois de sete anos depois que você e sua mãe se mudaram para cá. Bem na época em que foi aceita no MIT. — disse ela e me entregou um pequeno bloco de papel com o logo dos correios de Gotham. — Eu acho que ele não está morando mais no bumbum do Everest.
— Por que?
— Donna surtou legal pelo que você me contou, e ainda mais depois da conversa que você ouviu dela com Vovó... Parecia que ela estava com medo de algo. Sei lá, sabe quando nós vemos o filme e o mocinho está sem tempo para resolver a treta toda? Tipo assim. — disse ela olhando outro papel.
— Sem tempo... — eu disse.
Larguei a comida e os papéis, puxei meu notebook para o meu colo e comecei a digitar rapidamente. Primeiro acessei o tribunal de Central City, não havia nada apenas uma multa que mamãe ainda não havia pagado, depois o de Gotham... Uau, Donna Smoak tinha uma pequena ficha de delitos leves. Como dirigir alcoolizada, dirigir sob a influência de narcóticos e invasão de propriedade, e é claro, mais multas.
Que modelo á seguir.
— Eu não acredito... — eu sussurrei ao ver as últimas ações jurídicas de mamãe.
— O que? — Dianna pulou para o meu lado e sufocou um grito de espanto. — Ah meu Deus. Um processo de guarda compartilhada em prol de Felicity Meghan Smoak para Donna Smoak e Noah Kuttler.
— Depois outro processo de guarda em prol de Felicity Meghan Smoak para Donna Jane Smoak e por último uma ordem de restrição, por ordem de Donna Jane Smoak, Noah Kuttler estava proibido de ter qualquer espécie de contado com Felicity Meghan Smoak até a maior idade. — eu li o relatório em voz alta e Dianna colocou uma das mãos em frente aos lábios. — Sem motivo?! Como assim?
Procurei qualquer coisa que servisse como razão, motivo, circunstância ou até mesmo indício para mamãe ter tomado esta medida tão drástica. Ela foi embora de Gotham e me levou junto e ainda por cima fez ele ficar afastado de mim até minha vida adulta?
— Okay... Tenso. Vamos fechar isso aqui. — disse Dianna abaixando a tela do meu notebook e guardando os papéis de volta na caixa que Patty nos deus. Ela me devolveu a caixinha de comida chinesa e eu fiquei encarando o chão. — Lissy? Não deixe isso tirar o seu apetite.
— Eu odeio mentiras D. Odeio. E ela sabe disso! — eu disse e senti meus olhos arderem. Não! Me recuso a chorar por causa de mais mentiras!
Dianna apenas tirou a comida de mim e me envolveu em um abraço de urso panda que apenas ela conseguia me dar e eu falhei miseravelmente em bloquear a saída das lágrimas. Elas rolaram livremente e meus óculos ficaram embaçados por causa do choro.
— Eu sei que ela tem uma razão muito boa para ter feito isso Lissy. — disse Dianna quando começou a fazer um cafuné em minha cabeça. Limpei meu nariz com a manga da blusa do pijama e respirei fundo. — Acho que nós já sabemos tudo que precisamos saber. Você tem que ir até ela, eventualmente, e tirar tudo a limpo.
Eu assenti levemente e desejei estar nos braços quentes de Oliver. Ele saberia me entender melhor do que qualquer pessoa quando falávamos de dramas familiares.
— O Gostosão mandou uma mensagem. — disse Dianna e me entregou o meu celular.
Falando no diabo... Tirei meus óculos e limpei as lágrimas e qualquer vestígio delas em meu rosto. Dianna limpou minhas lentes e depois me entregou de volta para eu ler a mensagem.
"Oliver, Q: Por que você me mandou para cá mesmo? Eu poderia estar fazendo algo bem mais produtivo com você."
Um sorriso pequeno brotou em meus lábios quando imaginei a cara de desgosto e o bico enorme dele ao escrever a mensagem.
— Ah não... — disse Dianna ao meu lado.
"Felicity, S: Você tem que treinar contra o tal rival de Ra's e ainda queimar algumas calorias para não perder este tanquinho que tem aí."
Sua resposta veio quase de imediato.
"Oliver, Q: Posso treinar e queimar minhas calorias em casa, de preferência, entre suas pernas Smoak."
— Ah não não... — disse Dianna novamente e eu ignorei ela.
"Felicity, S: Não iria reclamar disso, mas hoje estou em uma festa do pijama."
Dianna arrancou o celular de mim logo após eu enviar a mensagem e pegou meu rosto entre suas mãos com um olhar chocado. Ela me encarou. Encarou mesmo, por um milésimo de segundo, pensei que iria me beijar, mas ela não fez. Apenas sorriu levemente.
— Você está tão ferrada, Smoak. — disse ela e voltou a comer com seus hashis com a maior tranquilidade do mundo.
— Por que? — perguntei ainda temerosa com seu pequeno "surto".
— Você está apaixonada pelo Queen. — disse e comeu um boa quantidade de macarrão. Meu celular vibrou e eu vi a notificação da nova mensagem de Oliver com a foto do mesmo com um pequeno sorriso ao lado de Thea. — Não vai responder?
Cacete.
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