Extreme Love
10 Capítulo 10
Notas iniciais
— Qual é... Deixei você passar o melhor final de semana da sua vida com a loirinha, achou mesmo que eu não iria querer os detalhes sórdidos depois? — perguntou Tommy. — Você costumava me conhecer melhor, Ollie.
Estava demorando mesmo. Ninguém, eu repito, ninguém encheu o saco de Felicity ou o meu com provocações, indiretas ou qualquer coisa do tipo. Nós ficamos o final de semana inteiro juntos no meu apartamento. Entre assistir filmes, comer e bem, foder também. Foi o paraíso até que Shado me ligou perguntando se eu estava bem e a minha ficha caiu. Eu não tinha ido na academia por três dias seguidos e todo mundo pareceu perceber isso.
— Tommy, são 07h:38 da manhã de uma segunda-feira. Você vai me deixar socar o saco de areia ou quer tomar o lugar dele? — perguntei quando ele ficou na minha frente com o mesmo sorriso sacana que tinha visto em seu rosto quando me flagrou com Felicity, três dias atrás.
— Pode me bater, mas conte-me como foi o seu final de semana. — pediu ele e eu revirei os olhos. Ele se pôs atrás do saco de areia e o segurou firmemente com ambas as mãos. Comecei a me aquecer e Tommy esperava com a maior paciência do mundo.
— Foi muito bom. — disse entre as combinações de socos.
— Vai ter que me contar mais do que isso.
— Se você me conta as suas fantasias escrotas com a Caitlin, a escolha é sua, mas eu não tenho que contar as minhas. — eu disse e soquei bem perto de onde seu rosto estava apoiado.
— Então você também tem fantasias escrotas com a loirinha? — perguntou com os olhos brilhando pelos detalhes. Se eu escorregasse minha mão na cara dele era considerado um acidente, certo?
— Ela tem um nome.
— Um que você deve ter dito muitas e muitas vezes neste final de semana, eu não me importo com o nome dela, quero saber como, o que e onde vocês se divertiram! — exclamou.
— Você está parecendo com uma garota fofoqueira do colegial. — eu disse e fui até a saída do centro. Eu não conseguia me focar com Thomas Merlyn sendo uma dor na minha bunda, eu iria socá-lo se ele continuasse com isso.
— Quer que eu faça marias-chiquinhas? Eu faço só me diz... Ow. — disse ele com um tom de voz brincalhão e depois levemente surpreso. Segui seu olhar e vi Caitlin junto com Felicity saindo do vestiário, trocadas para as aulas.
— Eu vi. Não negue. Eu vi. Ronnie te secou.— acusou Caitlin baixinho e discretamente. Felicity virou uma beterraba de tão corada. — Eu não te culpo, eu trabalho com ele e não sou cega. Aqueles bíceps são do tamanho da minha cabeça!
— Catie...— repreendeu Felicity.
— Só dizendo que ele vai trabalhar hoje até a hora da Lanchonete fechar, que é as 22h:00 e você têm até lá para aceitar ou não aquele certo convite que ele te fez.— Caitlin cantarolou e Felicity fugiu para as escadas com a cabeça abaixada.
— Barry te fez o mesmo convite. — disse ela e depois correu para o segundo andar.
— Eu já aceitei! — gritou a garçonete mesmo que não pudesse ser ouvida.
Saí dali e voltei para o centro. Não tinha ninguém por lá a este horário e eu precisava ficar sozinho. Algo estava fervendo em meu peito, eu não sabia o que era. Raiva... Ódio... Uma vontade enorme de socar este tal Ronnie até eu sentir o sangue dele em meus dedos.
— Oliver. Ringue. Eu e você. — disse Tommy e entrou no ringue com luvas acolcheadas. Ele tinha um expressão assassina.
— Thomas Merlyn... É impressão minha ou está com ciúmes? — perguntei ignorando a minha própria raiva e focando na de Tommy.
— E você está feliz em descobrir que a loirinha, que você passou o final de semana inteiro fodendo, já está seguindo em frente? — rebateu e começou a me atacar.
Eu levei um soco certeiro e bem forte no olho esquerdo antes de poder me firmar em meus pés e começar a desviar e impedir seus movimentos bruscos e impensados.
Uau. Ele estava bravo.
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Sem ter um motivo específico, subi até o terceiro andar e vi Felicity e Caitlin conversando em voz baixa em um canto enquanto o Harper e Nick descansavam brevemente. Eu teria que falar com o Harper sobre Thea alguma hora.
— Vamos Felicity... Faz eras que eu não saio com alguém que não seja Iris e nós temos que aproveitar esta semana! — reclamou Caitlin com seu tom de voz pidão e batendo seus cílios.
— Eu não sei, eu vou ver com...
— Com quem? Oliver? — perguntou Caitlin com um tom descrente.
— Sim? — respondeu Felicity alisando seu embraço. Insegura. — Quer dizer, eu não sei. Entre ficar com um completo desconhecido e Oliver... Eu prefiro Oliver.
— Oliver te conheceu semana passada, ele ainda é um desconhecido.
— Não é!
— Você conhece o corpo de Oliver, não saíram daquele apartamento por três dias inteiros! Me diga a cor favorita dele, se o conhece tão bem. — argumentou Caitlin bebendo um pouco de água de sua garrafinha.
— Verde. — respondeu Felicity e cruzei os braços.
Como infernos ela sabia disso?
— Ergh. É vermelho. — disse Caitlin e Felicity pareceu chateada consigo mesma.
Dei um passo para frente e depois me impedi.
Qual propósito de Caitlin em tudo isso?
— Ronnie é um cara super legal, bonito, sarado, inteligente e solteiro. Você é uma garota linda, inteligente, engraçada, gostosa e solteira. O que te impede?
— Eu gostar de transar com Oliver? — perguntou Felicity e corou levemente com suas palavras. Meu ego se inflou do tamanho do estado do Texas com isso, mas ninguém precisava saber.
— Você pode gostar de transar com o Ronnie. Você finalmente está de volta para o mundo social... Por favor, você sabe a minha situação. Eu preciso disso. Por favor. Por favor. Por favorzinho... — disse Caitlin juntando as mãos e fazendo beicinho.
Felicity suspirou derrotada.
— Se Oliver estiver ocupado, eu vou. — disse ela.
— Oliver voltou a todo vapor com o treinamento, ele não sai desta academia por nada. Não é Roy? — perguntou Caitlin á dupla sentada no chão que parecia acompanhar a conversa das duas mulheres com diversão.
— Realmente, quando ele começa... Nem Ra's consegue pará-lo. — disse Harper. — O cara é uma máquina.
— Não é atoa que ele nunca perdeu uma luta, Liss. — disse Nicholas e eu quis socar os dois e dar uma lição em Caitlin.
— Harper! — exclamei com a voz calma e vi o garoto pular do chão e depois se por de pé rapidamente. Todos olharam para mim e Felicity sorriu levemente corada. Se eu não estivesse com meu ódio fluindo em minhas veias... Eu iria achar tremendamente sexy. — Vamos bater um papinho quando sua aula acabar. No centro. Traga seu amigo.
Ele assentiu e Nicholas tremeu da cabeça aos pés. Bom. Virei as costas e voltei para o centro a ponto de ver Masseo entrar na academia sendo cumprimentado por Shado alegremente. Graças á Deus ele voltou. Estava com saudade do meu saco de pancada.
— Masseo! Como está Tatsu? Ela melhorou? — perguntei assim que me aproximei dele. Trocamos um abraço rápido e ele sorriu. Para um chinês, o filha-da-mãe era bonito e tinha um belo conjunto de dentes..
— Ela está ótima. Se recuperou 100%.
— Não é novidade, ela é dura na queda. — eu disse e ele riu.
— O que é novidade, é Oliver Queen estar namorando. Quem é a felizarda? Ela tem que ser bem especial para aguentar você. — disse Masseo e eu sorri levemente.
Mesmo mordido de ciúmes, Tommy e seu trabalho de propaganda eram e sempre seriam impecáveis. Eu irei descontar isso nele depois. Assim como neste tal de Ronnie se ele chegasse perto de Felic... O que? Não. Ela não era nada minha, nós apenas transamos 16 vezes. Deus... Eu realmente contei?
— Oliver? — chamou Masseo estalando os dedos na minha frente. — Está pensando na sua garota?
— Não, para todos os efeitos estou solteiro. Não acredite em tudo que Thomas Merlyn te falar. — eu disse e fui em direção ao centro enquanto ele ia até o vestiário.
— Mas foi a Helena que contou. — disse ele com um ar confuso.
— Pior ainda. — eu disse e entrei no centro. Muitas pessoas pareciam estar precisando bater um papo comigo. Tommy. Caitlin. Harper. Nicholas. Helena. E eu já sabia o que falar para cada um deles.
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— Você me chamou aqui para me bater dentro do ringue? — perguntou Harper assim que passou pela porta do centro.
Roy William Harper. Ele tinha dezoito anos, os pais morreram e Ra's era seu tutor. Treinou com ele desde que tinha sete ou oito anos. Era um exemplo de cidadão de Central City. Ele tinha um bom porte físico e era disciplinado. E como Sara já havia dito antes, era meu "groupie".
— O que te faz pensar isso? — perguntei enrolando bandagens em meus punhos.
— O nariz quebrado do Nick? Eu não quero problemas Oliver, ainda mais com você. — disse ele. Eu me virei para entrada assim que prendi a bandagem. Ele estava usando jeans e um moleton vermelho. Parecia um bom garoto.
— Eu preciso que saber três coisas Harper. — eu disse e apontei para o chão do ringue. Ele se aproximou receoso. Subiu no ringue, mas não passou das ligas ao redor. Ficou do lado de fora.
— Pode falar.
— Entre no ringue. O nariz de Nicholas só está quebrado porque ele foi burro o bastante para achar que poderia me derrubar. — eu disse sincero e ele assentiu tirando o moleton e eu vi a camiseta da mesma universidade que eu frequentava.
Central City University.
— Primeiro. O que infernos você pensa que vai conseguir com a minha irmã?
Ele se assustou e quase correu para fora do ringue com o meu tom de voz, mas algo fez ele voltar e me encarar com a postura ereta. Seus olhos azuis estavam queimando, medo? Ansiedade?
— Responda. — eu disse e fiquei na sua frente.
— Eu acho que isso não é da sua conta Oliver. Thea já é grandinha o suficiente para sair com quem ela quiser. — disse ele e colocou suas mãos nas costas ainda mais ereto. — Não quero nada que Thea não queira me dar.
Eu gostei da sua resposta, gostei da postura firme — por mais que ele estivesse com medo -, e gostei do respeito que ouvia em sua voz. Ok. Ele pode ser decente o suficiente para ficar perto de Thea.
— Segundo. Você gosta de fofoca? — perguntei e ele pareceu confuso e depois arregalou os olhos levemente. — Gosta, Harper?
— Aquilo não foi fofoca, foi eu respondendo uma pergunta que Caitlin fez. — ele respondeu, mas agora seus olhos brilhavam de curiosidade. — Felicity e você... Oh!
— Sim... Oh. — eu disse e abandonando sua curiosidade, ele ficou com medo. O mesmo medo que havia visto nos olhos de Nicholas, dez minutos atrás antes dele sair correndo e sangrando. — Não quero meu nome ou muito menos qualquer coisa que envolva ele circulando pela academia, estou claro?
— Cristal.
— Terceiro. Eu descobri que você me tem como seu modelo ou qualquer merda assim. — eu disse e ele relaxou sua postura. — Ra's está me enchendo o saco dizendo que eu não faço nada pela academia, então... Se você ganhar sua luta contra aquele tal Alex Turner, eu posso te ajudar a treinar.
— Sério? — perguntou ele e deu um passo corajoso em minha direção.
Eu assenti e a única vez que fiquei no estado dele foi quando meu pai me deu meu primeiro carro. Uma Lamborghini maravilhosa que virou ferro velho antes que saísse da mansão Queen.
— Sério, mesmo?
— Sim. — eu repeti e ele sorriu como um verdadeiro psicopata. — Em troca disso, eu quero que você mantenha olhos e ouvidos lá em cima, entende o que eu digo?
Ele assentiu rapidamente e eu entreguei duas bandagens á ele.
— Vamos ver o que você sabe Harper. — dito isso, ele enrolou as bandagens rapidamente e se pôs em posição. Kung Fu? Hm. Não era uma má escolha. — Firme sua base. A maioria destes merdas usam mais Boxe ou Jiu Jitsu, se conseguir se manter em pé, seu oponente vai ao chão com dois golpes no máximo.
— Assim como você faz? — perguntou ajeitando sua posição e erguendo as mãos para mim.
— Sim.
Ele me atacou nas costelas. Arriscado, mas se ele tivesse acertado, teria feito um estrago dos bons. Ele era esperto. Tinha disciplina. E uma boa resistência. Ra's tinha feito um ótimo trabalho com o garoto, mas ele tinha muita coisa para aprender ainda.
— Seja mais rápido com seu ataque ofensivo. — eu disse e imobilizei seus braços rapidamente e ele foi ao chão. — Mantenha os pés firmes.
Se levantou e ficou na posição novamente. Determinado. Atacou novamente mais rápido e continuou com os pés firmes, tentou um chute que foi boqueado e eu girei sua perna até que estivesse no chão novamente.
— De novo. — pediu e eu assenti.
Com certeza, muito determinado.
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Invadi uma das lojas Macy's com obstinação. Eu não aguento mais viver de comida delivery que Tommy se empanturra, depois de quase cinco anos vivendo em Central City, esta era a primeira vez entrando em um mercado.
Literalmente.
Escolhi um carrinho grande e tirei a folha de meu bolso. Eu procurei online várias listas de compras e achei uma que tinha um monte de coisas que eram de meu gosto e iriam ajudar no treino. Eram muitas coisas, mas durariam quase dois meses já que eu me limitava á duas refeições por dia. A maior parte do dia ficava na água ou em algum fruta. Estômago pesado não era bom ao treinar.
Entrei entre vários corredores e ia riscando as coisas da lista com o lápis. Onde estavam as maçãs? Eu não vivia sem maçãs. Quando achei um dos funcionários, meu carrinho colidiu com outro e realmente me surpreendi com a pessoa que o pilotava.
— Oh! O menino Queen. Achou o pente, querido? — perguntou a senhora loira com roupas neutras e sorriso amigável.
— Sra. Smoak. Que surpresa. Como está? — perguntei educado, olhei ao redor rapidamente. Sem sinal de Felicity em lugar nenhum.
— Estaria melhor se não estivesse no meio de um campo minado. Querido, se importa de pegar a aveia para mim? — perguntou ela e apontou para uma das prateleiras mais altas.
Peguei a aveia e entreguei para ela. Seu carrinho estava cheio de coisas que eu normalmente comia quando era criança.
— Campo minado? — perguntei antes que pudesse me conter.
— Felicity e Donna estão discutindo toda santa noite agora sobre Noah Kuttler, o pai de Felicity. Na verdade, elas só pararam quando você e minha neta foram acampar no parque florestal. — ela disse e pegou uma caixa de cereal de chocolate e jogou no carrinho.
— Par..? — sussurrei á mim mesmo e a velha riu.
— Prefere que eu diga que vocês saíram para transar Deus-sabe-onde? — perguntou com uma sobrancelha erguida e um olhar malicioso.
Minhas bochechas esquentaram. Desde quando eu fico envergonhado? Parecia um pirralho de dez anos flagrado ao roubar a geladeira na madrugada. Ela pegou outra caixa de cereal de chocolate e entregou á mim.
— Este é o melhor para um café da manhã reforçado. Com sua licença, menino Queen. Eu tenho uma neta para consolar que é um poço sem fundo. — ela disse e empurrou seu caminho até a área dos caixas.
Por isso Felicity se recusou á ir embora depois do nosso tempo no ZeroDiet? Eu parecia não ser o único com dramas familiares. Ela também não usava o sobrenome de seu pai, apenas o da mãe. Isso me soava como rancor. Minha linha de pensamento foi interrompida pelo toque de meu celular. Pesquei ele do bolso enquanto olhava as inúmeras opções de geleia na minha frente. Era minha mãe...?
Ela já havia feito suas três ligações mensais este mês.
— Alô?
— Oliver! É a mamãe... — disse e eu sorri.
— Hey. Mãe! Como está a viagem com Walter? — perguntei e ela riu.
— Ótima. Está tudo bem? Com você e sua irmã? — perguntou nervosa. Bingo. Ela queria saber se Thea realmente veio me visitar ou se apenas fugiu para as montanhas com alguém.
— Estamos bem, mas eu teria adorado saber que ele teve aulas de Wing Chu antes de ter o meu traseiro chutado. — eu disse e ela riu mais aliviada do que nunca.
— Ela seguiu o mesmo caminho que o seu e desde então, muita raiva foi liberada de dentro dela. Eu aprovei a mudança, e você também deveria. — disse ela com um tom de voz falsamente autoritário.
— Sim, sim... Como está Walter? Ouvi dizer que Paris tem os melhores pretzels do mundo. — eu disse e empurrei o carrinho até a parte da geladeira. O mercado até que estava vazio para um segunda-feira a noite.
— Está bem, estou mantendo a glicose dele na medida certa por aqui. Quando volta para a faculdade?
— Mãe, é de conhecimento público que as aulas voltam semana que vem e que este é o último semestre até eu me formar. — eu disse revirando os olhos. Ela me perguntava isso toda vez que ligava.
— Eu sei, estou contando os dias para eu fazer um jantar de formatura e boas vindas de volta. — ela confessou e nós rimos juntos. Peguei iogurtes naturais e leite fermentado. Ajudava o estômago a funcionar melhor. — Eu estava fazendo um pré-lista... Há alguém que queira convidar aí de Central City?
Minha mente voou até uma certa loira que usa óculos. Não. Aquilo é uma coisa casual, sem rótulos. Nunca apresentei nenhuma garota para minha mãe, e Felicity não seria a primeira.
— Ahm. Iris, Caitlin, Sara... Meus amigos daqui. Não são muitos. — eu disse e ouvi um suspiro do outro lado da linha.
— Sara Lance?
— A própria. Ela trabalha aqui e nos esbarramos. Continua a mesma garota de sempre. — eu disse e peguei um pacote de ervilhas congeladas. Não sei bem pra quê, mas eu peguei.
— Devo incluir Laurel? — perguntou e eu ri.
Moira Queen era muito sutil. Despistei sua tentativa de extrair informações sobre Laurel de mim. Mamãe sempre foi muito a favor do meu relacionamento com aquela mulher, e mesmo depois de eu ter ganhado um par de chifres, ela apoiava uma reconciliação. Ela perguntou sobre coisas como academia e Tommy e depois desligou dizendo que Walter queria fazer um passeio até o Louvre para ver a Monalisa e Madonna Nas Pedras bem de perto. O cara era uma enciclopédia quando se tratava de arte.
Depois de mais algum tempo, eu terminei minhas compras e carreguei o porta-malas do quarto com várias sacolas de papel pardo. Eu realmente fiz "A" compra do mês, mas não ficou tão caro quanto eu pensei que ficaria.
O trajeto até em casa estava completamente normal, sem aquela barulheira e trânsito a lá Nova York que era de costume. Várias pessoas estavam em barzinhos conversando e rindo, as baladas ferviam de gente e eu até me sentia estranho de não querer participar daquilo.
Quando passei na frente da Lanchonete Allen, quase bati o carro. Eu estava vendo coisas e essas coisas nem a minha mente fértil poderia fazer. Dei a volta no quarteirão e chequei. Sim. Era Felicity e Caitlin ali. Estavam sentadas em um mesa bem perto da janela e estavam acompanhadas. As duas. Eu reconheci Barry, mas o cara sentado ao lado de Felicity era um completo estranho.
O que aconteceu com aquele papo de "Eu estou com o Oliver" que ela tanto pregou hoje de manhã? Não. Espera. Era o papo de "Eu gosto de transar com o Oliver". Observei aquela cena por alguns minutos e depois vi Caitlin olhar penetrantemente para a loira que estava rindo de algo.
Eu conhecia aquele olhar.
Era o olhar de "Eu não te disse?". Ótimo. Liguei o carro novamente e não parei até chegar em meu carro. Usei o carrinho auxiliar do prédio para levar as sacolas para o apartamento e ignorei Diggle quando ele acenou do fundo do estacionamento.
O que eu esperava? Foi um final de semana ótimo, mas ele acabou.
Vamos seguir em frente. E Deus sabia como eu conseguia fazer isso facilmente.
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— Oliver! Ra's pediu para você ficar com Felicity hoje porque foi resolver alguns ajustes da luta de Roy com o próprio Roy. — disse Shado assim que eu entrei na academia. Merda. Como infernos devo me manter longe dela agora? Merda. — O que não deve ser um sacrifício para você.
— Você não tem nem ideia. — eu respondi seco ignorando tom malicioso da voz dela. Fui até o vestiário e coloquei minhas coisas no armário. Eu tinha menos de duas semanas agora para treinar para luta contra o tal Komodo.
Que merda de nome é esse? Ra's não estava ajudando me pondo para ser babá de Felicity.
Troquei de roupa e coloquei meu moleton e enrolei minhas mãos, novamente recheadas de hematomas em processo de cura em bandagens e subi para o terceiro andar. Fúria contida. Sim. Subi para o terceiro cheio de fúria contida. Felicity já estava trabalhando quando eu cheguei lá. Estava dando golpes bem ofensivos em um totem de madeira. Me perguntei por que ela se dava o trabalho de vir para academia se fazia os exercícios sozinha e sob nenhuma supervisão.
— Oliver? — perguntou assim que me viu e eu acenei. Infelizmente hoje, eu não estava me importando de mostrar o meu mau humor para qualquer que quisesse vê-lo.
Não esperei ela dizer nada, só ataquei. Ela pareceu muito surpresa, mas conseguiu se defender e recuperar o equilíbrio. Ataquei novamente e em um movimento rápido ela foi ao chão.
— Qualquer um pode ser um agressor em potencial. — eu disse calmo. Ela se levantou e assentiu.
Ataquei novamente e ela se defendeu e atacou. Eu bloqueei facilmente e prestei atenção em cada movimento que ela fazia com as pernas, estas sim, são terrivelmente perigosas. Em todos os sentidos. Girei o braço dela e suas costas colidiriam contra o meu peito. Ignorei com muita dificuldade o fato que seu corpo estava completamente colado ao meu e sua respiração ofegante. Ela foi ao chão novamente.
Olhei o relógio e vi que ainda faltavam 44 minutos antes que eu pudesse ir até o centro e espancar Masseo. Suspirei como uma garota. Que saudades que eu estava de um combate de verdade. Masseo era o único além de Ra's que conseguia me dar uma luta de verdade.
— Você está bem? — perguntou ela depois que se levantou e eu me limitei a assentir com a cabeça. Lembrei da imagem vista ontem a noite. Se eu dissesse algo, eu iria gritar com ela. — Certeza?
Assenti novamente e ela me atacou. Ousada. Há aqueles que digam que a melhor defesa é o ataque, eu discordo completamente. Ela tentou repetir seu golpe que já havia me derrubado uma vez, porém eu impedi e torci um de seus braços. Ela gemeu de dor e eu soltei.
— Nunca vire as costas para o seu inimigo. — eu disse com a voz calma e respirei fundo.
O cheiro de lavanda que seu corpo emanava... Era delicioso e eu senti este cheiro na minha cama hoje. Dei uma olhadela em Felicity que parecia controlar sua respiração. Aquele cheiro deveria estar em outra cama agora.
— Eu sinto quando alguém quer me dizer algo... Então diga. — ela disse e abriu seus olhos. Hoje, ela estava usando suas lentes de contato e não seus óculos. Eu achava Felicity muito mais atraente com seus óculos, mas ela ficava linda sem eles... Pare aí mesmo Queen. — Se você tem algo á dizer, diga logo.
— Okay. Você não está se concentrando e com isso você é derrubada e perde. Tire sua mente da Lanchonete e foque no seu corpo. Nas ruas, você não vai ter uma segunda chance e pode se machucar. Feio. — eu disse controlando o tom de voz, mas ele saiu rude e agressivo de qualquer jeito. — Então foque.
— Claro, assim que você se focar em algo que não seja o seu próprio traseiro. — ela rebateu e eu congelei onde estava.
— Como é que é? — perguntei e encarei ela com raiva.
— Pausa. Cinco minutos para os dois. — disse Ra's aparecendo na sala.
Hora perfeita.
— Oliver vá treinar. — e com essas palavras ganhei meu ingresso para ficar fora de algo que eu tinha certeza que iria dar merda se continuasse aquele discussão com a terceira pessoa na sala.
Me refugiei no centro e arrebentei três sacos de areia sozinho. Estavam todos remendados e na hora de serem substituídos, eu só agilizei o processo. Eu lutei com todos, repito, todos os outros cinco ou seis pupilos de Ra's e eles saíram com mais do que hematomas. Tommy foi o único que eu não quebrei algum osso porque ele era mais rápido que eu, por mais que eu não admitisse isso em voz alta.
Eu sabia que estava ficando verde. Verde de inveja... Ou ciumes. Tanto faz. O fato era que ontem mesmo fiquei caçoando da cara de Tommy por Caitlin estar saindo com outro cara, quando Felicity também estava. Ela disse que iria falar comigo antes de ir para qualquer lugar, porque não me ligou? Não mandou mensagem? Nada. Ela não fez nada e foi no encontro com o tal Ronnie. Eu me lembrei do nome dele e agora tinha um rosto.
Não. Um alvo.
Ignorei todos os protestos contra o meu treinamento desenfreado, mas quem eu estava querendo enganar? Eu não sabia lidar com esta nova coisa. Ciúmes. Nunca precisei me importar com isso. Nem mesmo com Laurel.
Eu sentia o controle que lutei por quatro anos se esvair como água entre meus dedos quando pensava na remota possibilidade de Ronnie estar na mesma cama que Felicity. Enquanto ela estava gemendo e ofegante assim do mesmo jeito que ficou quando estávamos presos no meu apartamento.
Rosnei como um animal e quebrei o terceiro totem de madeira que estava na minha frente. O pior disso tudo? Eu não tinha a menor ideia de como me acalmar, nem a exaustão que eu sentia em cada terminação nervosa de meu corpo me fazia parar.
— Oliver, desconte sua fúria em qualquer coisa que não seja o equipamento da academia. — ouvi a voz de Ra's atrás de mim e ignorei ele.
— Está se voluntariando? — perguntei seco e ouvi sua risada ecoar o centro inteiro.
— Não. Você não aguentaria nem cinco minutos dentro daquele ringue. Feche tudo quando for embora, se for embora. — ele disse.
Olhei para a saída e vi que já havia anoitecido. Eu estava aqui o dia inteiro, só parava para tomar água e comer alguma coisa rápida. Foram mais de três litros de água e duas maçãs. Eu não estava com fome, apenas cansado. A raiva se recusava á ir embora.
— Tome um banho também.
Depois de quinze minutos contados olhando para a parede nua e amarela desbotada, eu decidi ir até o vestiário. Talvez um banho iria me ajudar no final das contas. Era o que eu rezava para funcionar. Tirei minhas roupas e coloquei em um saco que sempre levava para a roupa suja, enrolei minha cintura em uma toalha e fechei o armário.
— O que infernos aconteceu com você hoje? — esbravejou Felicity quando estava passando da porta do vestiário. Será que ninguém se dá o trabalho de ler a placa que tem do lado de fora?
— Nada.
— "Nada" minha bunda. Nós passamos o final de semana completamente bem e agora você está agindo muito estra...
— O final de semana acabou. — eu cortei e ela me olhou com os olhos irritadíssimos.
— Pode pelo menos me dizer o porquê de tudo isso? — perguntou ela novamente com o tom de voz mais baixo, mas seus olhos ainda estavam transbordando raiva.
— Essa conversa também acabou. — eu sentenciei e caminhei até os boxes com os chuveiros.
Pela visão periférica, vi que ela estava de braços cruzados e encarando o chão. Eu não me importei com a minha nudez exposta e comecei o meu banho sem pressa alguma. A porta do vestiário foi fechada com força e brutalidade. A água que caía em meu pescoço e costas não estava relaxando nada em meu corpo, pelo contrário, eu me sentia mais tenso do que nunca. Suspirei. Deus me ajude se algum dia eu me esbarrar com este tal de "Ronnie". Quando um par de braços rodearam minha cintura, minha reação foi congelar por completo ao sentir seu corpo nu contra o meu.
Ela ficou.
Eu sabia que estava morrendo de ciúmes de Felicity com outro cara, com qualquer outro cara. Era estranho e novo. E eu nunca fui um grande fã de coisas novas e estranhas.
— Você não vai se livrar de mim tão fácil. Você só late, mas não morde. — ela disse e eu espalmei minhas mãos na parede na minha frente. Respire. Inspire. Respire. Inspire. — Eu não tenho medo de você Queen.
— Eu sei que não tem, Smoak. Talvez este seja o problema. — respondi com um fiapo de voz que me restava.
Eu sentia... Seu corpo abraçado a cada centímetro do meu enquanto a água quente caía sobre nós dois. Se acalme. Você vai assustar ela se fizer alguma merda. O fato de eu sentir os seios estufados de Felicity em minhas costas e seu rosto perto do meu ombro, não me ajudava em nada.
Sua respiração ficou ofegante e seus braços me deram um leve aperto antes de viajarem até meu peito e por um segundo pensei que ela iria me atacar e me derrubar no chão, mas ela não fez. Apenas me abraçou com mais força ainda.
— Oliver? — chamou e depois serpenteou meu corpo até estar no pequeno espaço que tinha entre mim e a parede. Felicity era pequena e esguia, ela cabia ali com perfeição.
Era o lugar dela.
Custou muito para eu desviar os olhos de seu colo que ainda tinha alguns hematomas quase curados e também seus seios que estavam excitados ou apenas arrepiados pelo frio do vestiário. Encarei o azulejo em cima da cabeça de Felicity e ela bufou.
Senti suas mãos em meu rosto e ela forçou minhas orelhas para baixo. Doeu. E eu encarei seus olhos azuis que estavam... Tristes? Sim, havia um traço de tristeza ali dentro.
— Me beije. — pediu.
Meu cérebro virou gelatina e minha consciência foi para o espaço.
Sem me importar de ser delicado ou não, prensei ela contra a parede e ataquei seus lábios com pressa. Ela gemeu alto quando minha língua quebrou a barreira que seus lábios formaram, Felicity fechou seus braços ao redor do meu pescoço e eu me apossei de sua cintura. Eu havia me tornado bem apegado á aquela parte em especial.
Corri minhas mãos pelo corpo dela inteiro, marcando e deixando bem claro para qualquer um que era o meu nome que ela gemia ali. Ela era minha e de mais ninguém. Minha. Deus... Eu não estava gostando do curso que as coisas estavam levando, mas por hoje foda-se tudo.
Felicity começou a serpentear meu corpo como uma sedutora e deixando meu desejo mais do que evidente. Ela, com certeza, estava deixando marcas em mim também.
— Por favor... — gemeu ofegante e eu ergui seus quadris e como uma boa garota, ela abraçou suas pernas contra os meus e eu desci até o vale entre seus seios distribuindo beijos.
Ataquei um de seus seios que eram perfeitos... Felicity inteira era perfeita. Não a deixaria marcada como da primeira vez, mas ela não precisava de uma marca para se lembrar. Ela gemeu bem alto quando eu mordi levemente seu mamilo, era música para os meus ouvidos.
Sorte que não havia ninguém na academia para ouvir também. Felicity interrompeu minha diversão quando se separou de mim e olhou firmemente em meus olhos. Desejo. Era a única coisa que eu via ali além de uma imensidão azul em conflito. Ela aproximou seu rosto do meu e me deu um beijo cálido demais para alguém como eu. Empurrou meus ombros para baixo e eu abaixei seu corpo também. Sua postura mudou completamente.
O beijo foi tortuosamente lento, Felicity tocava meu corpo inteiro e quando direcionou meu membro até sua entrada, olhou em meus olhos novamente e assentiu.
— Me fode, Queen. — sussurrou sem nunca quebrar o contato visual. Eu invadi ela sentindo aquele calor familiar e bem vindo. Gememos juntos. Ela era tão apertada que eu estava a ponto de enlouquecer.
Esquecendo tudo ao meu redor, me concentrei nos gritos de Felicity pedindo sua liberação ao chamar pelo meu nome. Eu não conseguia ser gentil quando via a mais crua das luxúrias estampadas em seu rosto. Forte e rápido.
Estava me saindo como um perfeito viciado que estou me saindo. Como será quando eu estiver em abstinência dela novamente? Minhas mãos pareciam ter vontade própria e percorreram seu corpo, tomando posse, fazendo reconhecimento do que agora é meu. Ri sem humor. Jamais me apropriei de alguém ou permiti que qualquer mulher fizesse isso comigo, mas a quero para mim, pelo menos por hoje, quero ser dela.
Agora descontroladamente comecei a investir mais uma vez, sendo preso por suas pernas em minha cintura, preenchendo-a o mais fundo que podia, soltando-a da minha boca apenas para respirarmos.
— Goza para mim Felicity. — pedi, e a única palavra que saía de sua boca era o meu nome.
Passando levemente suas unhas nas minhas costas, me apertando, me trazendo ainda mais para ela, me tornando consciente de tudo a minha volta, me fazendo urrar ao ver suas costas arqueadas, seus olhos fechados fortemente, o sorriso em seus lábios, explodimos juntos em um orgasmo avassalador.
— Você é minha Smoak. — eu sussurrei enquanto sustentava seu corpo e o meu com certo esforço.
Sua resposta foi um sorriso e depois recebi um chupão no meu pescoço.
Eu que deveria ter medo de Felicity Smoak, não o contrário.
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