Extreme Love
1 Capítulo 1
Notas iniciais

— Qual é Oliver... — resmungou Tommy pela milésima vez.
— Eu já disse "Não". — resmunguei de volta enquanto batia no saco de areia na minha frente. — Esta vida de festas, mulheres e farra é para você, Merlyn.
— Antes era para você também, Queen. — ironizou atrás de mim. Ele veio e puxou o saco de areia para trás e eu parei de socar. — Vai me dizer que não gosta mais das festas de fraternidade? As calouras perdidas no campus?
— Não. — respondi sério e ele largou o saco de areia em um gesto de puro descontentamento.
Eu teria rido em qualquer outra situação, mas a raiva e ódio estavam fervendo dentro de mim e isso me fazia ser duas vezes mais cuidadoso com todos os meus movimentos. Eu não queria outro episódio e outra manchete dizendo o quanto o meu temperamento era descontrolado para um playboy. Eu odiava ter um humor inconstante.
— Isso é por causa de Laurel? — perguntou ele e eu parei de socar o couro gasto.
— Lance?
— Tem outra? — indagou erguendo uma sobrancelha. Seus olhos azuis brilhavam com humor negro e eu apenas maneei a cabeça. — Acho que você ficou meio traumatizado ou ainda gost...
— Não falo com ela há mais de dois anos. — respondi e voltei a treinar minhas sequências. Direito, esquerdo, direito, direito, gancho. — Eu só quero treinar, cara.
— Se você esqueceu, eu também treino aqui e um pouco de sexo casual não afetou o meu desempenho dentro do ringue. — exclamou ele. — Você realmente quer ficar aqui?
Eu assenti enquanto socava o saco de areia.
— Sozinho? — perguntou ele olhando ao redor do meu centro de treinamento.
— Deixei isso bem claro a partir do momento em que você passou da porta, não deixei? — perguntei de volta e ele revirou os olhos. Esquerdo, gancho, direito, esquerdo.
— Okay... Fica aí, espancando o saco de areia. Sozinho. Enquanto poderia estar bebendo e transando com uma das calouras novas. — disse indo em direção a saída á escada que levava até a saída, pontuando cada um de seus argumentos. Direito, esquerdo, direito, direito, gancho.
— Tchau, querida. — eu disse alto suficiente para ele ouvir.
Thomas Merlyn foi e é meu melhor amigos desde...
Sempre. Nos conhecemos desde o berço e crescemos juntos. Mesma creche, mesma escola preparatória, mesmo colégio e agora mesma faculdade. Estávamos em Central City. Cursando Economia para depois da formatura, morrer nas cadeiras que foram de nossos pais.
Que futuro brilhante.
Tommy parecia uma pulga, ou um carrapato que se recusava á sair do meu lado e eu era até agradecido por isso. Desde a morte de meu pai, Robert, e a rebeldia incansável de Thea, minha irmã caçula, não havia sido fácil para ninguém. Para mim e para minha mãe. Acho que no segundo caso era mais suave.
Minha mãe casou de novo com Walter Steele, melhor amigo de meu pai e era feliz na mansão Queen em Starling City. Eu fugi para Central City com a desculpa que queria estudar e assumir a Queen Consolidated um dia. Acho que Thommy usou a mesma desculpa com o pai dele.
E o meu melhor amigo deveria estar se arrependendo do dia em que me apresentou Ra's Al Ghul. Simplesmente o melhor lutador de seu tempo e o melhor treinador que qualquer um poderia pedir. Este que estava observando minha conversa com Tommy desde o começo e agora me observava bater no saco de areia que já fora remendado várias vezes.
— Ele está certo. Você precisa desesperadamente de uma distração. — opinou ele e eu parei e olhei para cima. Ele estava curvado sobre a grade de proteção da escada em espiral que levava até a administração da academia, no segundo andar de cima.
— Não quero que nada atrapalhe o meu foco. — disse e tirei minhas luvas e depois as bandagens pretas. Os nós dos meus dedos estavam cheio de hematomas arroxeados e azulados, mas eu não me importava. Era melhor bater em um saco de areia do que em qualquer outra pessoa por aí.
Por hora.
Ouvi seus passos enquanto ele descia os degraus de ferro e depois apareceu na minha frente. Ra's Al Ghul era alto e tinha a postura rígida. Sua pele era branca, cabelos pretos grisalhos e usava um cavanhaque ralo. Olhos azuis sagazes e um sorriso sarcástico emoldurava o rosto cheio de feições duras. Ele havia ganhado mais torneios de luta que eu poderia contar em todos os meus dedos e nunca foi derrubado por nocaute... Na verdade ele nunca perdeu. O cara era uma lenda viva.
— Sua luta não é apenas física, Al Sah Him. — ele disse enquanto olhava para os meus hematomas. Ele estava usando o meu nome de guerra, todos os seus pupilos recebiam um. Al Sah Him, era o meu. — Quando você chegou aqui, estava dominado pelo luto da morte de seu pai. Raiva. Ódio. Tudo isso em apenas um homem.
Eu encarei o ponto fixo que ele olhava. Era a parede em que estavam os seus troféus, cinturões e alguns cartazes dele mesmo em seus dias de glória.
— Eu vi a determinação em você. Foi fácil direcionar todo este ódio para o ringue. Você nunca foi nocauteado e nunca perdeu uma luta se quer. Você é o meu herdeiro. — ele disse e eu quis revirar os olhos.
Os outros treinadores e lutadores do centro sempre diziam que eu era o herdeiro de Ra's. Herdeiro do Demônio. Eu continuava o legado dele dentro e fora do ringue, para mim era tudo um monte de merda apenas pelo fato de eu nunca ter sido derrotado ou nocauteado.
— Você venceu a luta contra o seu corpo, mas está perdendo a luta contra sua mente, garoto. — ele disse e cruzou seus braços atrás de suas costas.
— Está dizendo para eu ir festejar e ter sexo casual com Tommy e as calouras? — perguntei cheio de escárnio e ele riu baixo.
— Estou dizendo que não há treinamento algum que eu possa te ensinar que te prepare para sua guerra interior. — ele disse e se pôs á caminhar até a saída. — Você precisa relaxar, sim. Agora tendo sexo casual ou não, é sua escolha. E não julgue o modo de vida de Merlyn, ele trás mais clientes que você. Tranque tudo após sair.
Ele foi embora e eu encarei meus dedos novamente e depois o saco de areia. Em apenas um soco preciso e concentrado, o saco de areia foi arrancado do suporte do teto e alguns de seus remendos foram abertos. Ra's estava certo. E me custava admitir isso. Eu treinava muito para clarear a mente. Eu pensei que com a luta eu saberia direcionar toda esta raiva, funcionou por um tempo, mas agora eu sentia que esta raiva estava me comendo vivo.
Limpei a bagunça que o soco fez e depois fui até o vestiário no andar de cima. A ducha tirou todo o suor do meu corpo, mas não relaxou nenhum músculo sequer. Eu precisava relaxar de algum jeito. E me recusava a voltar usar qualquer tipo de droga ou entorpecente. Estava limpo á dois anos, três meses e dois dias. E não iria jogar isso fora.
— Não acredito que vou fazer isso. — disse a mim mesmo enquanto vestia uma calça jeans e depois os sapatos.
Peguei em meu armário, uma blusa de manga compridas e minha jaqueta. Deixei meu equipamento no armário e tranquei tudo antes de ir em direção á festa de Chase Turner. Ele era um veterano filha-da-puta que adorava foder com as calouras e calouros e sempre tinha alguma coisa á mais em suas festas.
A festa devia estar em seu auge quando eu cheguei lá. A batida eletrônica fazia o chão tremer e o movimento de corpos juntos ajudava, sem falar da quantidade de bebida e cocaína á disposição. Me pergunto como Chase nunca foi preso por tráfico ou contrabando.
— QUEEN! — gritou Andrew Potter e todos gritaram ao me ver. Mesmo não querendo, eu era popular na faculdade. Não era nenhum santo, mas Tommy fazia o seu dever de casa no quesito propaganda em nome de Oliver Queen.
Andrew Potter era um colega de classe. Mauricinho metido á besta que gostava de espalhar que era meu amigo só porque me emprestou um lápis na aula de gestão empresarial. Ele queria algum dia comandar a rede de hotéis que sua família tinha, mesmo sem a aprovação da mesma. Várias pessoas que eu nem conhecia me cumprimentaram e ofereceram bebidas e até baseados e algumas carreiras já prontas.
Recusei todos.
Entrei para dentro da casa e estava lotado de pessoas dançando, bebendo e fazendo mais do que uma simples demonstração de carinho e amor nas escadas. De relance, vi Tommy com uma garota loira no canto e ele iria se dar bem hoje pelo jeito em que a garota passava suas mãos em seus braços e barriga.
Olhei ao redor procurando alguém do sexo oposto que não esteja tão bêbada e nem tão alta, as escolhas eram escassas, mas eu consegui achar uma. Ruiva, baixinha e com um corpo escultural. Ela era uma predadora e estava me encarando á mais tempo que eu estava encarando ela.
Seu vestido vermelho tinha um decote que formava um grande coração e exibia um belo par de seios. Ela iria servir. Olhares foram trocados e depois eu vi ela rebolando até mim em cima de saltos altíssimos. Se ela era baixa com eles, sem eles deveria ser nanica.
— Oi. Eu sou Carrie. — disse e estendeu a mão. Eu apertei gentilmente e ela tinha um brilho malicioso em seus olhos castanhos, ela colou seu corpo junto ao meu de modo confiante. Era uma predadora, com certeza. — Acredita em atração á primeira vista?
— Acredito em qualquer coisa hoje. — eu disse antes de beijá-la.
—-
Meu corpo parecia ter sido atropelado por um caminhão. Consequências do treino de ontem, mais a maratona de sexo com a ruiva que dormia ao meu lado. Uau. É, eu fiz meu dever de casa no quesito "relaxar". Meu corpo inteiro estava rígido. Eu precisava treinar.
Sentei na cama e passei a mão no rosto. Jesus. Precisava de um café para realmente acordar. Vesti minhas roupas e olhei o corpo remanescente na cama. Ela estava apagada e não iria acordar tão cedo. Peguei minha jaqueta no chão e saí do quarto.
Turner era famosos por suas festas, mas também era famoso pelo que restava delas também. Tinha gente dormindo nas escadas, no chão, até em cima da mobília. Sem falar no lixo que estava espalhado por todo o lugar.
— Grande Oliver... Aproveitou? — perguntou Chase aparecendo dos fundos da casa, ele parecia estar mais sóbrio do que nunca. E sonolento também. Para um loiro magrelo de 1,60, ele estava muito bem. Na verdade, melhor do que qualquer ali.
— Sim, obrigado cara. — disse tentando parecer educado, mas o meu mau humor não estava ajudando em nada.
Chase apenas sorriu e começou a acordar os corpos ao redor da casa, de um jeito nada gentil, enquanto eu me dirigi até a porta da frente — apesar de uma das janelas estar quebrada por completo — e ir para casa.
Meu celular vibrou no bolso traseiro da calça e eu o alcancei enquanto vestia a jaqueta. Eram 08h:21min da manhã e Thomas Merlyn estar acordado á esta hora já era um milagre, ele estar acordado á esta hora depois de uma festa era um milagre maior ainda.
"Tommy, M: Grande problema. Preciso de ajuda. E um café da manhã. Seja meu melhor amigo pelo menos uma vez na sua vida."
Uau. Eu não era o único de mau humor, pelo jeito.
Caminhei até a Lanchonete dos Allen, era quase um ponto de encontro de todos os universitários de Central City. E tinha o melhor café do mundo. E por sorte estava aberta mais cedo do que o normal. Empurrei a porta e a sineta tocou. O salão que era estilo retrô dos anos cinquenta estava vazio, mas o balcão estava cheio de homens e mulheres tomando café.
— Hey Oliver! O de sempre? — perguntou Caitlin Snow, uma amiga e a melhor garçonete do mundo.
— Hoje não, quero o número completo do café da manhã e café. Bastante café. Eu tenho que cuidar de um Thomas Merlyn de ressaca hoje. — eu disse sentando no único lugar vago no balcão.
— Coitado de você. — disse ela e sorriu, antes de ir até a cozinha.
Caitlin era uma das meninas que lutavam na academia. Ela tinha começado apenas com o básico de Defesa Pessoal, depois foi para o Boxe e depois para Jiu-Jitsu e agora estava aprendendo Kung Fu. Eu treinei ela nas primeiras modalidades e agora ela treinava com outra pessoa, Shado. Ela era faixa roxa em Jiu-Jitsu e vermelha em Kung Fu ainda, mas estava sempre melhorando pelo que eu conseguia ver.
Eu a conheci primeiro na biblioteca da faculdade quando brigamos por um livro, literalmente, de anatomia humana, eu queria aprender aonde eu poderia ser espancado e ela tinha que fazer um trabalho sobre o assunto. Depois, a encontrei aqui na Lanchonete dos Allen.
Tommy tinha um abismo por ela, mas não admitia nem sob tortura porque Caitlin era apaixonada pelo filho do dono da lanchonete. Barry Allen. Eu nunca o conheci, mas Caitlin sempre disse coisas boas sobre ele o que era sempre meio suspeito.
— Quando Thomas vai parar com essa vida de farra? — perguntou ela voltando e indo e me entregando um cupcake de chocolate com glacê cor-de-rosa.
— Quanto tempo demora para o inferno congelar? — perguntei de volta com a boca cheia e ela gargalhou e depois foi encher as canecas de café dos outros clientes.
Caitlin era muito simpática. E bonita. Eu conseguia entender porquê Tommy gostava dela. Era morena, altura mediana, olhos achocolatados redondinhos e rosto de boneca. Sem falar que ela tinha um corpo bonito também. Atlético o suficiente para ter a linha do abdômen definida, mas também tinha os contornos femininos de uma mulher.
Gentileza deveria ser o sobrenome dela.
— Oliver... Você parece horrível. — disse outra garçonete aparecendo.
Iris West.
— E você como sempre é gentil o suficiente para jogar isso na minha cara, não é Iris? — perguntei e ela assentiu sorrindo.
Iris deveria ser o oposto completo de Caitlin. Mulata, baixinha, olhos castanhos levemente puxados e tinha curvas bem mais evidentes para qualquer olhar masculino.
— Sempre e para sempre, é o meu lema. — disse ela e depois colocou na minha frente duas sacolas de papel pardo com o logotipo da lanchonete. — Está na conta do Merlyn.
— Obrigada Iris. — eu disse sorrindo educadamente e pegando a comida.
Uma das vantagens em ter Thomas Carrapato Merlyn como melhor amigo é que morávamos no mesmo prédio, no mesmo andar. A única coisa que separava o meu apartamento do meu era uma porta dupla. Com tranca, claro.
— Oliver você está com um cara horrível. — disse John Diggle, o porteiro do prédio disse assim que me viu chegar pela porta de entrada.
— E você não foi o primeiro a me dizer isso hoje, Dig. — eu respondi assim que entrei no elevador.
Fui até o sétimo andar e depois entrei no apartamento de Tommy. Ele não estava a vista, caminhei até a cozinha e deixei a comida no balcão e olhei ao redor. O lugar era a cara de Tommy. A cozinha era minúscula, mas a sala era enorme. A TV era de plasma, PS4 e aparelho de som. Sofás de couro preto e a pouca mobília era posicionada estrategicamente.
Sem falar nos aparelhos de ginástica espalhados. Uma esteira perto do aparelho de som, alteres perto dos sofás e um equipamento para levantamento de peso no canto mais isolado da sala.
— Espero que você esteja vestido, Merlyn. — resmunguei tirando minha jaqueta de couro quando fui para o corredor
Antes mesmo de eu chegar perto da porta do quarto de Tommy, ouvi seu resmungo vindo do banheiro. Empurrei a porta e vi ele sentado na frente da privada ainda se decidindo se iria ou não vomitar.
— Posso segurar seu cabelo? — perguntei com um sorriso.
— Vai pro inferno. — sussurrou massageando suas têmporas e eu engoli a gargalhada que queria sair por meus lábios.
— Eu trouxe comida e café. — eu disse e abri o armário do espelho em busca de uma aspirina para a decepção humana que estava tentando se levantar do chão.
Quando conseguiu se arrastou até o sofá mais próximo. Achei os comprimidos e joguei o pequeno frasco amarelo para ele que tomou pelo menos três deles.
— Não tenha uma overdose enquanto eu estiv...
Minha fala morreu assim que a loira da noite passada saiu do quarto de Tommy e correu para privada e despejou tudo que tinha em seu estômago. Corri e tirei os cabelos loiros da frente de seu rosto e a sustentei enquanto colocava o intestino inteiro para fora.
— Ai que nojo... — gemeu ela bem baixinho e eu não culpei.
Dei de descarga antes que o cheiro azedo a enjoasse novamente.
— Acabou tudo? — perguntei e ela levantou um indicador e eu esperei sua análise interior terminar. Ela vomitou de novo. Segurei seus cabelos novamente e ela deu a descarga na privada quando terminou.
— Agora acabou. Que vergonha, você não precis... — ela começou, sua voz estava rouca.
— Relaxe. Tome um banho. — eu disse e ela assentiu. — Vista o roupão que está atrás da porta quando terminar.
— Okay. — ela respondeu.
Seu rosto estava branco como papel e com as pupilas dilatadas o suficiente para eu quase não ver o azul de seus olhos. Ah, merda. Dei privacidade para ela e fui até a sala encontrando Tommy resmungando e segurando sua barriga como um bebê chorão.
— O que infernos vocês tomaram? — perguntei e ele ergueu o dedo médio. — Por favor, por favor me diga que ela não é quem eu penso que é.
— Sara Lance. — respondeu e eu tranquei minhas respiração.
— Ah merda. Tommy com tantas para você foder, você tinha que escolher logo...
— A irmã caçula da Laurel. Sim, eu deflorei com a irmãzinha da Laurel. Estou tão fodido. — disse mais para si mesmo do que para mim que estava na frente dele de braços cruzados. — Em minha defesa, pensei que ela era caloura!
— Isso não vai te salvar da Laurel. — eu disse e fui até a cozinha. — E muito menos do pai das duas. Quentin Lance, lembra dele? Ele é capitão da polícia de Starling agora.
Tommy voltou a praguejar.
Peguei três pratos e servi o café da manhã. Meu estômago protestou assim que viu os ovos douradinhos junto com as inúmeras tiras de bacon fritas. Coloquei nos três pratos junto com alguns waffles e servi o café.
Assim que o barulho do chuveiro cessou, Tommy começou a resmungar novamente e eu peguei um copo e uma aspirina para Sara. Bati na porta do banheiro e junto com todo o vapor da água quente, saiu de lá, Sara com o rosto corado e os cabelos loiros molhados.
— Oi. — disse ela tímida.
— Aqui. — eu disse e entreguei o comprimido e o copo de água para ela.
— Vai começar o sermão agora ou terei que esperar minha irmã? — perguntou ela com uma sobrancelha erguida.
— Nós vamos tomar café e depois eu irei dar o sermão. — eu disse e a direcionei até o balcão da cozinha.
Enquanto ela caminhava para as banquetas do balcão, me virei para Tommy que ainda estava no sofá com o rosto entre suas mãos.
— Sara... A gente transou? — perguntou ele com a voz abafada. Sara de virou para nós mordicando uma tira de bacon e depois começou a rir.
— Ah entendi. Você acha que a gente transou depois de ontem? — perguntou ela e Tommy tirou o rosto de suas mãos.
Eu suspirei me preparando para a bomba, mas faria isso enquanto tomava aquele café bem merecido. Sentei ao lado de Sara e ataquei. Estava delicioso, como já era esperado vindo da Lanchonete dos Allen.
— Tinha uma garota lá na festa. E a gente fez uma aposta para ver quem pegava ela primeiro, eu venci e você começou a beber e eu te trouxe para cá já que você disse que morava por perto e o porteiro me ajudou a passar do térreo com você. — ela contou de boca cheia e a expressão de Tommy foi de angustiada, para aliviada e depois surpresa.
— Espere... Você é lésbica? — perguntei antes de tomar um gole de café.
Ela assentiu e deu uma mordida em um dos waffles de seu prato.
— Viu como é impossível eu ter transado com você, Merlyn? — disse ela e Tommy desabou no sofá novamente, provavelmente agradecendo á Deus por ser um sortudo filha-da-puta. — Ele faz merda e você segura o cabelo das meninas enquanto elas vomitam?
— Bem-vinda ao mundo de Oliver Queen. — eu disse quando Tommy apareceu radiante e se juntou á nós para o café da manhã.
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