Extraterrestre
9 Oxigênio.
Corremos labirinto adentro, passando por lugares dos quais sabia que não poderia ter acesso. Então, tão de repente quanto aquele surto todo aconteceu, estávamos no fundo da nave.
Uma pequena e apertada cabine, acoplada ao que seria a ponta final da nossa grande casa. A tal era equipada com seu próprio sistema de oxigenação e pronta para alçar voo por qualquer um que tivesse a senha – tal, que era alterada semanalmente.
Tudo estava frio e ocupado por toda a minha família, incluindo Caleb.
Dentro do abraço quente e confortável de minha mãe, tudo parecia estar bem –ou que ficaria bem–, ainda que o neon vermelho pulsasse e o alarme tocasse incessantemente.
—O que aconteceu? – como se pudesse, entrei mais naquele abraço.
—Alguém cortou a força do transformador de oxigênio, estamos sem ar. Em poucas horas, o ar pode se acabar por inteiro. – ela apertou os braços ao meu redor.
—O que estão fazendo para acabar com isso? Tem pessoas lá fora! Estamos dentro de uma cabine a salvo enquanto há milhões de pessoas que vão morrer! Isso é injusto! – levantei-me irritada.
—Sky. – minha mãe tentou me segurar pela blusa – Sente-se.
—Eu não vou ficar aqui enquanto tem pessoas lá fora. – soltei-me dela, indo em direção à porta.
—Sky! Tudo já está sendo concertado! – ela tentou se levantar, mas não conseguiu sair do chão.
—Mãe, você é a chefe e segurança do nosso sistema. Uma parte vital do nosso sistema, a nave, está em perigo! Você não vai fazer algo? – parei, a sua frente.
—Não posso colocar a minha vida em risco. Sou muito importante para ir embora desse jeito. – ela segurou minhas mãos.
—Você é uma hipócrita, que eu costumava me espelhar em.
Soltei minhas mãos das delas, passei pela pequena porta da cabine. Meu telefone estava em meu bolso. Chamei América por mensagem de texto e liguei o GPS.
Não tinha nenhum conhecimento técnico sobre como o transformador de oxigênio funcionava, não saberia como ligá-lo se tivesse aprendido isso naquele dia. Era inútil tentar, mas eu tinha de tentar.
A porta se abriu. Caleb saiu da pequena cabine e suspirou.
—Não vamos chegar a lugar algum sem o cartão de passagem da sua mãe. – ele sorriu, abrindo a palma da mão e deixando o cartão dela solto, cair, ainda preso em seu pulso por uma cordinha.
Sorri em resposta.
Ele saberia como fazer aquilo. Ele salvaria toda a nossa nave.
Estávamos no andar corretor, mas do outro lado da nave. O caminho era simples, mas longo. Segurei a mão do meu irmão e corremos pelos corredores, seguindo o caminho indicado pelo GPS do meu telefone.
Faltando um corredor para que o trajeto acabasse Caleb caiu ao chão. Sua dificuldade de respirar era óbvia, mas eu não sentia nada.
O coloquei sentado no corredor, ainda precisava dos seus conhecimentos, a qualquer segundo, aquele poderia ser o fim de nossa missão.
—Dentro da cabine, antes do transformador, tem umas máscaras de oxigênio. – sua voz falhou, mas fraca, saiu.
—Você não vai aguentar que eu vá até lá buscar, me deixe te levar de volta. – segurei suas gélidas e roxeadas mãos.
—Sky, você é a única capaz de fazer isso. Está respirando! Vá buscar o meu oxigênio.
Respirei fundo. Peguei o cartão da sua mão.
Corri até o final do corredor, lá, havia uma porta semelhante à dos quartos, indicada no meu telefone como a certa. Passei o cartão a sua frente, então, ela se abriu, de forma simples. Um frio correu a minha espinha.
Não sabia se havia alguém ali atrás, ou a organização da mesma.
Pequena, uma passagem para uma outra sala, da qual se ouvia barulhos. Olhei para todos os lados daquele cubículo. Havia máscaras de oxigênio do lado direito. Agarrei uma daquelas e pulei para fora dali, o mais rápido possível, correndo em direção ao meu irmão.
Caleb estava jogado ao chão, estirado, sufocando. Coloquei a mesma em seu rosto, ele repuxou fundo o ar, tossindo.
—Tem pessoas do outro lado da porta, precisamos de um plano. – sentei-me a sua frente.
—Precisamos de América. – sua respiração era ofegante.
—Deve ser um plano bem idiota para funcionar só com a minha presença. Eu não sei nem ao menos abrir a porta do meu quarto. – sua voz ao fundo trouxe um sorriso em meu rosto, uma calmaria na alma – Antes, vocês vão ter que me explicar porque ele está usando uma máscara de ar.
—Não temos oxigênio, o nosso transformador foi desligado e agora temos de entrar em uma sala cheia de pessoas e concertar ele. – suspirei.
—Mas Sky, nós estamos bem. – ela juntou as sobrancelhas.
—Podemos resolver o problema de vocês duas depois? Temos de trazer ar a uma nave infestada de seres humanos voando sem rumo no meio do espaço! – ele esbravejou.
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