Extranatural
1 Capítulo 01 - Connor
Notas iniciais
Connor Rees; 22 anos
O dia amanheceu frio. Connor acordou antes do despertador tocar, graças a uma leve brisa gelada que chegou até seus pés vindo da janela entreaberta no quarto. Levantou logo, vestiu sua camisa azul favorita e abotoou as mangas da jaqueta. Comeu uma maçã inteira e virou rapidamente o copo de suco. Conferiu o relógio no pulso e finalmente saiu de casa. Seus cabelos escuros se espetavam ainda mais quando o vento gelado batia. Connor dava passos largos e parecia inquieto. Já fazia uma semana desde o ocorrido. A senhora que varria uma das calçadas acena para ele, que retribui. O cumprimenta também um homem de terno que passava por ali.
Connor era feliz com sua pequena casa. Era simples, mas aconchegante, e era situada em uma boa vizinhança. Não tinha do que reclamar, e o aluguel era barato. Ora, não é qualquer jovem com seus vinte e dois anos que já consegue morar sozinho. Não é assim tão fácil viver apenas do que ganha com suas fotos. O fim de sua caminhada se encontra um pouco longe de sua casa. Um beco, próximo a uma periferia. Alguns garotos descalços que jogavam bola por ali logo se animam quando o vêm de longe. Magros, eles correm por entre as humildes casas e alertam a todos sobre a chegada do jovem. Rapidamente, as portas começam a se abrir, e de dentro delas, pessoas desesperadas saem com seus olhares voltados para o rapaz. Uma pequena roda de pessoas logo se forma ao seu redor. Em meio aos pulos alegres das crianças, um senhor caminha até o centro.
– Deixe-me ver isso, sim? — Diz Connor, analisando o braço do homem — Sente dor? — o homem confirma com a cabeça.
Uma das crianças, uma pequena menina de cabelos embaraçados, se dirige a Connor.
– Meu avô é fraco, senhor. Já não sente bem as pernas, e acabou por cair quando foi levantar do colchão no chão.
– Qual seu nome? — Diz o rapaz, sorrindo para a garota
Tímida, a garota abaixa a cabeça para dizer — Lily
– Pois bem Lily, observe.
Connor fecha os olhos, e toca com a sua mão direita o braço dolorido do velho. Alguns sussurros tomam conta da roda, e então, os olhos se abrem. O velho balança o braço com certo receio, e então um largo sorriso brota em seu rosto. A dor se fora. Seu braço parecia novo, e em poucos instantes, passado a euforia, mais pessoas se dirigiam até o rapaz. O chamavam de milagreiro. Connor não sabia explicar como fazia aquilo, mas já não importava mais. O medo que tomou conta de seu corpo no dia em que descobriu seu dom já havia dado lugar a um alívio no coração. Ele sentia que podia levar esperança para quem mais precisava dela. Na primeira vez que chegou até lá, ajudou um menino que estava com alguns cortes na barriga, provavelmente por alguma travessura. No começo, os moradores dali ofereciam recompensas para Connor, embora ele nunca tenha aceitado. Gostava dali, por se sentir em paz. Via no rosto agradecido de cada um, a simplicidade. Achou um lugar onde podia viver longe do egoísmo humano.
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