Extinção

83 Renesmee- Rebelião?


Mas minha alegria foi rapidamente sufocada pelo pânico e desespero. Jacob era prisioneiro dos Volturi, algemado em correntes de oridecom. A angústia dele atravessava nossa conexão mental como facas afiadas, e eu podia sentir seu sofrimento como se fosse meu.

O desespero tomou conta de mim. Eu precisava agir, e rápido. Saí da cachoeira em um salto, a água fria espirrando ao meu redor enquanto eu corria para a floresta. Precisava alertar os outros membros da matilha. Eles tinham que saber o que estava acontecendo com Jacob.

À medida que me afastava da cachoeira e me embrenhava mais na floresta escura, comecei a sentir um estranho mal-estar. Minha visão ficou turva e minha respiração falhou. Parei abruptamente, apoiando-me em uma árvore enquanto tentava recuperar o fôlego e entender o que estava acontecendo comigo.

No começo, pensei que o esforço de conectar minha mente à de Jacob, tão distante, estava cobrando seu preço. Mas a náusea só aumentava. Meu corpo estava em revolta, uma sensação que eu não conseguia controlar. Antes que pudesse fazer qualquer coisa, senti meu estômago se revirar e acabei vomitando.

Inclinei-me contra a árvore, ofegante e fraca. Nunca tinha sentido algo assim antes. A conexão com Jacob deve ter sido muito intensa, mais do que eu podia suportar. Mas eu não podia desistir agora. Jacob precisava de mim, precisava da matilha. Precisava de todos nós.

Respirei fundo, tentando acalmar minha mente e corpo. Precisava continuar, não importava o que acontecesse. Usando toda a força que me restava, levantei-me novamente e recomecei minha corrida pela floresta. Precisava chegar ao vilarejo, precisava salvar Jacob. Ele contava comigo, e eu não podia falhar...

Com cada passo através da floresta escura, meu coração batia mais rápido. A preocupação com Jacob e o mal-estar recente me empurravam adiante, a necessidade de encontrar ajuda e salvá-lo me dava forças. Finalmente, avistei as luzes do vilarejo. As casas humildes e as fogueiras acesas para a noite formavam um cenário reconfortante, mas ao me aproximar, percebi uma tensão no ar.

Um grupo de pessoas me esperava na entrada. A hostilidade era palpável. Seus olhares eram de desconfiança e medo, e eu imediatamente percebi que não eram os membros do refúgio que conhecia bem. Eram sobreviventes que estavam com Sam, rostos novos para mim, mas cheios de desconfiança.

— Ela é um perigo! — um dos homens gritou, sua voz carregada de raiva. — Não podemos ter uma híbrida entre nós.

Senti o pânico me tomar. Eu precisava que eles me ouvissem, precisava que soubessem do perigo que Jacob estava enfrentando. Tentei falar, mas minha voz falhou. O medo deles era uma barreira quase intransponível.

Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Sam apareceu, seguido de Collin e Brad. A presença de Sam, sempre calma e autoritária, parecia acalmar o grupo.

— Nessie não é um perigo — Sam declarou, sua voz firme cortando a tensão. — Por favor, me ouçam.

Mas o grupo ignorou Sam, seus rostos endurecidos pela desconfiança.

Collin deu um passo à frente, sua expressão determinada. — Ela está aqui para ajudar. Precisamos confiar nela.

— Não podemos arriscar — o homem insistiu, sua voz cheia de apreensão.

Uma fúria crescente queimava dentro de mim. Sempre achei os humanos incríveis, com sua resiliência e coragem, mas agora, vendo essa reação, comecei a duvidar. Como poderiam ser tão cegos e ingratos? O homem que os salvou estava em perigo, e eles estavam pensando em me expulsar.

Controlei minha fúria com dificuldade, tentando não deixar que ela transparecesse. Pela primeira vez, percebi que talvez os humanos merecessem a extinção por serem tão egoístas e ingratos. Jacob arriscou sua vida por eles, e agora que ele precisava de ajuda, estavam dispostos a virar as costas para ele e para mim.

Antes que a situação pudesse piorar, Charlie apareceu, colocando-se à minha frente para me proteger. — Ela não é uma ameaça — disse ele com firmeza. — Nós todos sabemos disso.

O grupo ainda hesitava, mas o som da cadeira de rodas entre eles os silenciou, Billy Black passou entre a multidão com uma expressão fechada e se colocou entre eles e nós.

— É assim que vocês agradecem pelo sacrifício que meu filho fez para salvar todos vocês? — Perguntou Billy, seu olhar perfurando cada um dos presentes. — Maltratando a mulher dele?

Houve um silêncio pesado enquanto suas palavras ecoavam no ar. Os rostos antes hostis agora mostravam vergonha e arrependimento. A verdade nas palavras de Billy parecia finalmente penetrar suas barreiras de medo.

Billy encarou o grupo por mais um momento, a fúria e a determinação claras em seus olhos.

— Se vocês não estão satisfeitos, preparem suas coisas e podem partir — disse ele, sua voz firme e inabalável. — Mas Renesmee ficará.

O grupo, sem resposta, ficou em silêncio. Finalmente, começaram a se dispersar, a vergonha e o arrependimento evidentes em seus rostos.

Suspirei, irritada e triste. A dureza da rejeição e a preocupação com Jacob pesavam sobre mim. Billy se aproximou e, com uma expressão gentil, colocou a mão em meu ombro.

— Obrigada, Billy — murmurei, minha voz cheia de emoção.

— Eu prometi ao meu filho que cuidaria de você — disse Billy, seus olhos refletindo uma determinação inabalável. — Enquanto eu estiver vivo, ninguém fará mal a você.

Sorri, sentindo uma onda de gratidão e conforto. Mas, de repente, uma sensação de mal-estar tomou conta de mim novamente, algo estava errado, mas eu ignorei o que sentia me entregando a preocupação com Jacob ainda queimava dentro de mim. — Eu sei onde Jacob está — disse, minha voz firme. Olhei para Sam, que me observava com atenção. — O localizei — continuei, meu olhar encontrando o dele.

— Como? — Sam perguntou, a surpresa clara em sua voz.

— Consegui ler sua mente, mesmo a quilômetros de distância — expliquei, tentando transmitir a urgência da situação. — Precisamos agir rápido. Jacob pode não resistir ao oridecom por muito mais tempo.

Sam, ainda com a expressão grave, assentiu.

— Precisamos ajudar Jacob — disse ele com determinação.

Billy sugeriu rapidamente: — Reúna as duas matilhas. Juntos podem pensar em uma forma de ajudar meu filho.

Sam assentiu pedindo a Collin e Brad que reunissem todos da matilha, eu apenas o observei em silêncio, o mal-estar que eu sentia começou a piorar. Uma sensação de vertigem tomou conta de mim, e eu me apoiei em Charlie, tentando não ceder à fraqueza.

— Nessie? — Charlie chamou meu nome, a preocupação evidente em sua voz. — Você está bem?

Eu balancei a cabeça tentando dizer que sim, até que tudo começou a girar ao meu redor novamente. As luzes do vilarejo e os rostos familiares se transformaram em um borrão indistinto. A última coisa que ouvi foi a voz desesperada de meu avô chamando por mim antes de me entregar a escuridão.