Extinção

98 Jacob- De volta a La Push


Eu empurrava a cadeira de rodas do meu pai pelos corredores do abrigo, e uma sensação de nostalgia e melancolia nos envolvia. As paredes de concreto nu e a iluminação fria contrastavam com as memórias calorosas da reserva de La Push. Billy olhava para frente, seus olhos perdidos em lembranças distantes.

— Lembra-se de quando costumávamos correr pela praia, Jake? — perguntou Billy, sua voz cheia de saudade.

— Como poderia esquecer, pai? — respondi, sorrindo. — Aquelas foram algumas das melhores épocas da minha vida.

Entramos no quarto de Billy, um espaço simples, mas aconchegante. Eu o ajudei a se acomodar na cadeira e me sentei ao lado dele. Ele ficou em silêncio por alguns momentos, olhando fixamente para a foto de minha mãe, Sara Black, que estava na mesa de cabeceira.

— Jake, eu quero morrer em La Push, perto dos meus antepassados, — disse Billy, quebrando o silêncio com uma voz firme, mas cheia de emoção. — Quero ser enterrado ao lado de sua mãe.

Meu coração apertou ao ouvir essas palavras.

— Pai, você está tentando pedir para voltar para La Push? É arriscado demais. — A preocupação transpareceu na minha voz.

— Ninguém está seguro no mundo, Jake. Nem mesmo debaixo da terra, — respondeu Billy, seus olhos encontrando os meus. — Você nunca pensou na possibilidade de ver seu filho crescer na reserva, conhecendo a história de seus antepassados?

Eu não podia negar que essa ideia já havia passado pela minha mente inúmeras vezes.

— Claro que já pensei nisso, pai. — Admiti, suspirando.

Billy apertou minha mão, seus olhos expressando um pedido silencioso.

— Pense nessa possibilidade, Jake. Chegou a hora de você assumir seu lugar como um verdadeiro descendente da tribo quileute. Esse não é apenas meu desejo, mas o de todos nós.

Eu engoli em seco, ponderando sobre as implicações das palavras do meu pai.

— E o que será das pessoas do abrigo se eu aceitar? — perguntei, minha mente se dividindo entre o dever e o desejo.

Billy sorriu, um sorriso cheio de sabedoria e aceitação.

— Você já fez muito pelo mundo, Jake. Chegou a hora de cada um lutar por sua própria sobrevivência.

Eu segurei a mão de Billy com mais força, sentindo a gravidade do momento.

— Pai, eu... — Comecei, mas as palavras me faltaram.

— Estou orgulhoso de você, filho. — disse Billy, sua voz suave e cheia de amor. — Sempre estive e sempre estarei.

Senti uma mistura de orgulho, tristeza e determinação se agitando dentro de mim. Enquanto olhava nos olhos do meu pai, sabia que uma decisão difícil se aproximava, uma que afetaria não apenas a mim, mas todos ao meu redor. Mas também sabia que, como sempre, encontraríamos uma maneira de sobreviver e prosperar. Afinal, éramos quileutes, e a força dos nossos antepassados sempre estaria conosco.

Sai do quarto do meu pai com as palavras dele ecoando na minha mente. A ideia de voltar para La Push, de criar meu filho na terra dos nossos antepassados, era tentadora, mas cheia de incertezas. Enquanto caminhava pelos corredores do abrigo, passei pelo quarto de Sara e decidi entrar para dar boa noite.

Ao abrir a porta, vi minha filha concentrada em alguns livros espalhados pela cama. Ela levantou a cabeça e me deu um sorriso brilhante.

— Oi, papai! — disse ela, animada.

Eu me sentei na beira da cama, olhando os livros com curiosidade.

— O que você está lendo, Sara? — perguntei.

— Estou lendo sobre compostagem, — respondeu ela, empolgada.

— E o que tem de novo na compostagem? — perguntei, querendo incentivá-la a compartilhar.

Sara ajustou os óculos e começou a explicar com toda a seriedade científica de que era capaz.

— Bom, papai, a compostagem é um processo biológico que transforma matéria orgânica em húmus. Recentemente, descobriram que adicionar resíduos ricos em nitrogênio e fósforo pode acelerar o processo e melhorar a qualidade do composto final. Além disso, novas pesquisas mostram que certos tipos de minhocas podem aumentar a eficiência do processo, ajudando a decompor a matéria orgânica de maneira mais rápida e homogênea.

Eu ri, impressionado com a inteligência da minha filha, mesmo sem entender tudo.

— Você é incrível, sabia? — disse, beijando a testa dela. — Mas não vá dormir tarde, ok?

— Ok, papai. Boa noite! — respondeu Sara, ainda sorrindo.

Saí do quarto dela e fui finalmente para o meu. Quando entrei, vi Renesmee colocando o pequeno Ephraim para dormir. Nossos olhares se encontraram, e percebi que ela tinha lido meus pensamentos.

Ela ajeitou o menino na cama e se aproximou de mim, me abraçando forte.

— Nós seremos felizes em qualquer lugar que você deseje ir, — sussurrou ela, me olhando nos olhos.

Senti um calor reconfortante se espalhar pelo meu peito. A certeza no olhar dela me dava força.

— Eu sei, — respondi, abraçando-a de volta. — Com você ao meu lado, eu sei que seremos.

Naquele momento, todos os medos e dúvidas desapareceram. Não importava onde estivéssemos, contanto que estivéssemos juntos. E com isso, a decisão parecia um pouco mais fácil de ser tomada.

Dias Depois...

Com o retorno a La Push, uma sensação de nostalgia e pertencimento tomou conta de mim. Após quase duas décadas longe, ver minha antiga casa vermelha ainda de pé foi como abrir um livro antigo e revisitar as memórias de um passado que parecia distante, mas que agora parecia tão presente. A velha casa, com sua pintura desgastada pelo tempo, ainda resistia, uma lembrança silenciosa dos dias de outrora.

A matilha havia decidido que era hora de voltar para casa. Durante a reunião, discutimos a nova estratégia para garantir a segurança de nossas famílias e dos humanos que, agora mais preparados, poderiam nos ajudar quando necessário. Era um alívio saber que, mesmo longe, eles sabiam onde nos encontrar se precisassem de ajuda.

Enquanto conversava com Sam sobre a divisão das rondas para manter a segurança ao redor, éramos interrompidos por Embry e Paul, que chegaram com expressões de animação e surpresa.

— Jake, Sam — começou Paul, — temos novidades. Não somos os únicos que decidiram voltar para casa.

— Quwm decidiu voltar? — perguntei, curioso.

— Acredite, — continuou Embry. — Nossos vizinhos estão de volta.

A notícia me surpreendeu, mas também me deixou animado. Havia uma sensação de que a família estava se reunindo novamente, de uma maneira que nunca imaginara. Eu assenti, concordando com a ideia.

— Chamem Charlie e Renee — pedi.

Embry concordou, Charlie e Renée haviam retornado conosco e também estavam morando na reserva, eles não queriam ficar longe de Nessie e nem de Ephraim.

Minutos depois, Charlie e Renee se juntaram a nós na trilha. Eu percebi a expectativa em seus olhares, e Charlie perguntou:

— Jacob, o que você quer nos mostrar?

Enquanto caminhávamos, a trilha nos levou aos limites do território quileute. Quando chegamos perto da nascente, eu sinalizei para que parassem. Do outro lado da nascente, Bella e Edward estavam lado a lado, suas presenças marcando o horizonte como um lembrete de tudo o que havia acontecido.

Charlie e Renee ficaram paralisados por um momento, seus olhares se fixando na filha que não viam há anos. A emoção em seus rostos era palpável, e eu podia ver que eles estavam profundamente tocados ao ver Bella novamente. Era como se o tempo tivesse parado por um instante para permitir que eles absorvessem o reencontro.

Meu sorriso se alargou ao observar a cena com Bella e Edward, mas foi quando Anna entrou no campo de visão que meu sorriso se tornou ainda mais amplo. Eu me aproximei dela e perguntei:

— O que você está fazendo em La Push?

Anna, com um sorriso sereno e confiante, respondeu:

— Agora sou a nova filha de Carlisle.

A revelação foi uma surpresa agradável. A conexão entre Anna e a família Cullen agora parecia mais clara, e eu senti uma onda de satisfação ao ver que ela havia encontrado seu lugar, assim como nós estávamos encontrando o nosso novamente. O reencontro de Bella e seus pais, a presença de Anna, e a renovação de La Push simbolizavam um novo começo, um futuro que estava se formando diante de nós.