Extinção
93 Jacob - Como uma família
Os primeiros meses no novo labirinto subterrâneo foram uma mistura de esperança e ansiedade para mim. A construção havia sido exaustiva, mas agora que estávamos instalados, meu foco principal era a segurança e o bem-estar de minha família, especialmente com o bebê a caminho. O mundo lá fora estava repleto de perigos, mas eu sabia que faria qualquer coisa para proteger meu filho e todos que amava.
O abrigo subterrâneo, apesar de sua aparência austera, era agora um lar. As paredes de pedra bruta e os corredores estreitos nos proporcionavam a proteção que precisávamos. Cada setor do abrigo era bem organizado: havia um refeitório, uma área de lazer e, claro, os dormitórios. Tínhamos até uma pequena biblioteca improvisada, onde livros traziam um pouco de conforto e normalidade ao nosso novo mundo.
Era o aniversário de Sara, por isso Nessie havia ido na frente para o refeitório, junto com Liah, Seth e Leah estavam organizando uma pequena festa, enquanto eu a acordava.
Enquanto caminhava pelos corredores do abrigo, carregando uma caixa nas mãos, dei bom dia a alguns habitantes que passavam por mim. Todos pareciam mais relaxados, talvez até felizes, e isso me dava um pouco de conforto. Quando cheguei ao setor de dormitórios, meu coração se encheu de ternura ao entrar no quarto de Sara. Lá estava ela, ainda dormindo, seu rosto tranquilo e sereno.
Coloquei a caixa sobre a cama e sentei ao lado dela, acariciando seus cabelos macios. Lentamente, ela começou a acordar, bocejando e esfregando os olhos.
— Bom dia, meu anjo. — Falei suavemente.
— Bom dia, papai. — Ela respondeu, com a voz sonolenta, mas um sorriso começando a aparecer em seu rosto.
Entreguei a ela a caixa, observando sua expressão curiosa.
— Feliz aniversário, Sara.
Seus olhos se iluminaram de alegria enquanto ela me abraçava apertado— Obrigada, papai!
Ela rapidamente pegou a caixa e a abriu com entusiasmo. Dentro, havia um medalhão prateado, delicadamente esculpido. Sara o pegou nas mãos, admirando a beleza da joia.
— É lindo, papai. — Disse ela, seus olhos brilhando de emoção.
Ela abriu o medalhão e encontrou uma pequena foto nossa, tirada quando ela era bem pequena. Seus olhos se encheram de lágrimas de alegria enquanto me abraçava novamente.
— É lindo. — Repetiu. — Mas falta uma foto.
Sorri, sentindo meu coração aquecer com seu entusiasmo.
— Você pode colocar uma foto sua com a sua mãe, Anabelle.
Ela olhou para mim, um pouco tímida.
— Mas eu não tenho fotos com a mamãe.
Passei a mão em seu cabelo carinhosamente.
— Você poderá tirar uma foto com ela quando a encontrar.
Os olhos de Sara se arregalaram, cheios de surpresa e esperança.
— Eu vou ver a mamãe?
Assenti, sentindo a emoção dela refletir em mim.
— Sim, meu anjo. Lembra que o papai prometeu a você que assim que resgatasse o vovô Billy iria procurar sua mãe?
Sara assenti — Você a encontrou?
— Nessie a encontrou — Respondi tocando uma mexa de seu cabelo, apesar de não estar tranquilo com aquele encontro, Nessie me garantiu que Anna não representava uma ameaça.
— Eu vou ver a mamãe— Ela repetiu com os olhos cheios de lagrimas, sua felicidade dela era palpável, e eu sabia que aquele momento significava muito para nós dois. Ver a alegria nos olhos de Sara me dava forças para continuar lutando por nossa segurança e felicidade.
Eu sabia que ainda havia muitos desafios pela frente. A ameaça dos Volturi nunca estava totalmente afastada, e eu permanecia vigilante. Mas naquele momento, enquanto observava Sara segurando o medalhão, com um sorriso de pura alegria no rosto, senti uma paz renovada. Eu estava determinado a garantir que nosso futuro fosse seguro e feliz, não importando o que precisasse enfrentar.
Sara, ainda segurando o medalhão, me olhou com um brilho nos olhos— Obrigada, papai. Este é o melhor presente de todos.
Beijei sua testa, sentindo-me incrivelmente grato por tê-la em minha vida— Você merece tudo isso e muito mais, minha pequena.
Esperei do lado de fora do quarto de Sara, dando a ela a privacidade necessária para se arrumar. Ela estava completando onze anos, e a ficha só caiu naquele momento: minha menininha estava crescendo. Em breve, ela seria uma mulher, e eu não sabia se estava pronto para isso. Para mim, ela sempre seria minha pequena grande gênia, a menina que adorava livros e tinha uma mente brilhante.
Enquanto esperava, observei o corredor do abrigo. As paredes de pedra bruta davam um ar de austeridade, mas era nosso lar seguro. As portas dos dormitórios alinhadas uma ao lado da outra eram todas iguais, exceto pelas pequenas decorações pessoais que cada família adicionava para dar um toque de lar.
Finalmente, a porta do quarto de Sara se abriu, e lá estava ela, vestida de maneira simples, mas encantadora. Ela usava uma camiseta branca com um pequeno coração bordado no peito e uma saia azul que balançava suavemente enquanto ela andava. Nos pés, um par de sandálias confortáveis. O medalhão brilhava em seu pescoço, e uma pequena tiara adornava seus cabelos castanhos, que caíam em suaves ondas.
— Uau, Filha. Você está linda. — Falei, genuinamente impressionado.
Ela sorriu timidamente, tocando o medalhão com orgulho.
— Obrigada, papai. Queria estar bonita para ver a mamãe.
— Você sempre está bonita, meu anjo. Mas hoje você está especialmente radiante. — Respondi, sentindo uma mistura de orgulho e saudade. Ela estava começando a se parecer tanto com Anabelle, e isso me deixava muito feliz, Anna havia sido uma pessoa especial em minha vida e nossa filha era um fruto disso.
Sara segurou minha mão, e juntos começamos a caminhar pelos corredores do abrigo, indo em direção ao refeitório. O ambiente era movimentado, com o som de conversas e risadas enchendo o ar. A luz suave das lâmpadas improvisadas criava um ambiente acolhedor, apesar da rusticidade do lugar.
Enquanto andávamos, olhei para minha filha e não pude deixar de pensar no quanto ela estava crescendo. Cada dia que passava, ela se tornava mais independente, mais confiante. E com isso, surgia a famosa vaidade feminina. Era evidente no cuidado que ela tinha ao se vestir e na maneira como arrumava os cabelos.
— Papai, você acha que a mamãe vai gostar de mim? — Ela perguntou, sua voz cheia de insegurança.
Parei e me abaixei para ficar à altura dela, segurando suas pequenas mãos nas minhas.
— Sara, a mamãe já ama você, mesmo antes de te conhecer pessoalmente. Ela vai te adorar, assim como eu adoro.
Ela sorriu, os olhos brilhando com uma mistura de excitação e nervosismo— E você, papai? Está feliz?
Sorri para ela, sentindo meu coração aquecer.
— Mais do que feliz, meu anjo. Estou orgulhoso de você e grato por cada dia que passamos juntos.
Continuamos nosso caminho até o refeitório, prontos para celebrar o aniversário de Sara e ansiosos para o reencontro com Anabelle. O futuro ainda era incerto e cheio de desafios, mas naquele momento, enquanto segurava a mão da minha filha, eu sabia que juntos poderíamos enfrentar qualquer coisa.
Ao entrarmos no refeitório, a sala explodiu em um coro de "Parabéns para você", pegando Sara completamente de surpresa. O espaço, geralmente iluminado de maneira suave e funcional, estava decorado com fitas coloridas e balões, um esforço conjunto da comunidade para tornar o dia especial. As mesas, normalmente alinhadas de forma pragmática, estavam cheias de presentes e alimentos, tudo para celebrar o aniversário de minha pequena.
Seth foi o primeiro a se aproximar de Sara. Ele a abraçou apertado, seu sorriso largo refletindo a alegria do momento.
— Feliz aniversário, Sarinha! — Ele disse, entregando-lhe um pequeno pacote.
Sara desembrulhou o presente com entusiasmo, revelando uma pulseira com pequenos lobos esculpidos em madeira.
— Oh, Seth! É linda! Obrigada! — Ela disse, abraçando-o novamente. — Eu te amo. Você é o meu melhor amigo e irmãozão.
— Eu também te amo, Sarinha. — Seth respondeu, com os olhos brilhando de carinho e proteção.
Nessie, com seu brilho característico, se aproximou de mim. Abracei-a, selando nossos lábios num beijo rápido e carinhoso.
— Como você está? — Perguntei, minha mão pousando gentilmente em seu ventre, eu sabia que ela estava na reta final de sua gravidez por isso estava sempre alerta para qualquer sintoma que ela pudesse ter.
Ela sorriu, radiante.
— Estamos bem, Jake. Eu e o bebê.
Nessie então se aproximou de Sara e entregou-lhe uma caixa. Sara abriu-a com animação, seus olhos se arregalando ao ver o conteúdo: uma coleção de livros de Percy Jackson.
— Uau! — Ela exclamou, surpresa. — Vou ler todos!
Nessie e eu rimos, contentes ao ver a alegria nos olhos de nossa filha.
Nos afastamos, dando espaço para que Sara recebesse o amor e o carinho de todos os presentes. Enquanto observávamos a cena, Nessie olhou para mim, seu rosto sério, mas sereno.
— Annabelle está em Wichita, Eastborough. — Ela disse, sua voz calma, mas firme. Apesar de saber que isso a esgotava ela continuava a monitorar os movimentos de Anna através de sua mente.
— Ela está na casa do pai. — Respondi, entendendo a urgência.
— Não pretende demorar, então precisamos nos apressar. — Disse Nessie, olhando para mim com determinação.
Assenti, sentindo a gravidade da situação.
— Partirei em uma hora. Você e Sara virão depois. A matilha protegerá vocês duas.
Nessie segurou minha mão, seu toque transmitindo tanto conforto quanto determinação. Olhei para Sara, cercada de amigos e familiares, e senti um misto de preocupação e esperança. Esse novo capítulo em nossa vida traria desafios, mas também a promessa de reencontros e momentos preciosos.
Estávamos prontos para enfrentar o que viesse, juntos, como uma família.
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