Extinção
80 Jacob - A clareira
Acorrentado no calabouço escuro, o veneno das correntes de oridecom corriam em minhas veias como um fogo gelado. A notícia dada por Aro ainda ecoava em minha mente, como se as palavras tivessem garras afiadas que rasgavam sua alma: Nessie tinha sido rastreada por Demetri.
Fechei meus olhos por um momento, tentando afastar o pensamento do perigo iminente que pairava sobre a mulher que eu amava. Nessie, minha Nessie, estava em perigo por minha culpa. O peso da culpa se misturava com a dor das correntes, cada hora que passava parecia uma eternidade de tormento.
No primeiro momento, minha mente estava em guerra, tentando encontrar uma saída, um plano de fuga. Mas conforme as horas se arrastavam, meu foco se desviava para Nessie. A imaginava-a, indefesa diante dos Volturi, tentando manter seu controle sobre os poderes mentais que podiam ser devastadores se não fossem controlados.
“Me desculpe, Nessie", murmurei para o vazio da cela. Minha voz saiu rouca, quase um sussurro abafado pelo som das correntes. Imaginava os olhos dela, os mesmos olhos dourados que refletiam a bondade e a força que eu tanto admirava.
A cada hora que passava, meu corpo sentia os efeitos do veneno das correntes. A dor pulsante, como agulhas de gelo, era um lembrete constante de minha vulnerabilidade ali na escuridão. Mas eu me recusava a fraquejar. Ele era um lobo, um protetor, e não podia desistir.
O tempo parecia uma ilusão distorcida na escuridão, perdi a noção do dia e da noite, minha mente oscilando entre a preocupação por Nessie e a determinação de resistir. Cada respiração era um desafio, cada pensamento uma batalha contra o desespero.
O silêncio no calabouço era como um grito ensurdecedor em meus ouvidos, uma solidão que se agarrava a cada parte do meu ser. Cada segundo se arrastava como uma eternidade de dor e incerteza, enquanto eu lutava contra as correntes que me prendiam e contra os pensamentos que ameaçavam me consumir.
Então, como se um sinal tivesse sido dado para o fim do meu tormento, a porta do calabouço se abriu com um rangido pesado. Um membro da guarda entrou, sua capa negra balançando atrás dele como as asas de um corvo sombrio. Ele lançou a capa sobre meus ombros e me puxou para fora da cela, sem uma palavra, apenas gestos firmes que indicavam que eu deveria segui-lo.
Fui levado diante de uma assembleia sombria e intimidadora. Aro estava lá, seus olhos vermelhos brilhando com uma curiosidade calculada. Ao seu lado, Caius e suas esposas, Sulpicia e Athenodora, observavam-me com expressões impassíveis. Jane e Alec, os gêmeos Volturi com seus dons temíveis, também estavam presentes, suas presenças como sombras silenciosas no fundo da sala.
— Aro- Murmurei, minha voz rouca após horas de tortura silenciosa. Meus olhos procuraram desesperadamente por qualquer sinal de Renesmee, qualquer indicação de que ela estava bem.
Aro sorriu, um sorriso que não alcançava seus olhos. — Jacob Black, o lobo leal- Disse ele, sua voz suave como seda envenenada. — Eu tenho notícias para você. Renesmee está a caminho.
Meu coração deu um salto, uma mistura de alívio e pavor inundando meu ser. — Ela está bem?- Perguntei, mal conseguindo conter a ansiedade em minha voz.
Aro inclinou a cabeça, estudando-me como se eu fosse uma peça em seu tabuleiro. — Ela está viva, se isso é o que você quer saber- Disse ele. — Mas como será seu reencontro... bem, isso depende de muitos fatores, não é?
Minhas mãos cerraram-se em punhos, o desespero crescendo dentro de mim. — Por favor, Aro- Implorei, as palavras saindo em um suspiro angustiado. — Troque a minha vida pela dela. Mate-me, mas deixe-a livre.
Os olhos de Aro brilharam com interesse. — Uma oferta tentadora, de fato- Disse ele, como se estivesse considerando a proposta. "Mas eu temo que não podemos nos dar ao luxo de desperdiçar uma peça tão valiosa como você, Jacob.
Meu coração afundou, a esperança escapando como areia por entre meus dedos. Eu estava preso em uma teia de escolhas impossíveis, entre minha própria vida e a segurança da mulher que amava. E no centro disso tudo, os Volturi observavam como juízes implacáveis, prontos para determinar o destino de todos nós.
— Agora é hora, Jacob- Disse Aro, sua voz suave e implacável ao mesmo tempo. Ele parecia fascinado com a situação, como se estivesse assistindo a um jogo de xadrez onde cada movimento era crucial. — Devemos partir para o encontro.
Demetri, o rastreador habilidoso, confirmou com um aceno de cabeça. — Renesmee e seus acompanhantes estão a caminho da clareira- informou ele, sua expressão profissional e imparcial.
Eu ouvi as palavras de Demetri e meu coração deu um salto. Quem estaria com Nessie? Minha mente trabalhou freneticamente, tentando deduzir quem poderia estar ao lado dela. A única resposta que fazia sentido era a matilha. Eles seriam os únicos capazes de protegê-la como eu faria, de manter seu segredo e sua segurança a salvo.
Enquanto seguia os Volturi para fora do castelo, minha mente ainda estava fixada na imagem de Nessie, em algum lugar daquela floresta gelada, cercada por montanhas cobertas de neve. Cada passo que eu dava era uma luta contra a dor das correntes e a ansiedade que me consumia por dentro.
A floresta se abriu diante de nós, uma paisagem desolada e majestosa ao mesmo tempo. Árvores escuras se erguiam como sentinelas silenciosas, o chão coberto por um manto de neve que refletia a luz pálida da lua. As montanhas ao longe pareciam intransponíveis, uma barreira de gelo e rocha que contrastava com a urgência de nosso propósito.
Caminhamos em silêncio, o som abafado de nossos passos na neve quebrando a quietude da noite. Eu sentia o olhar de Aro sobre mim, como se ele estivesse avaliando minha reação a cada momento. Mas tudo o que eu podia pensar era em Nessie, em seu sorriso e em sua coragem diante do perigo.
Finalmente, chegamos à clareira, um espaço aberto cercado por árvores altas. O ar estava impregnado de tensão e expectativa. Demetri indicou com um gesto que Renesmee e seus protetores chegariam em breve.
Meu coração batia descompassado enquanto eu esperava, cada segundo uma eternidade de agonia. E então, entre as sombras da floresta, ela apareceu. Renesmee, minha Nessie, com sua graça e sua beleza que eram como um raio de sol na escuridão.
Minha respiração ficou presa em minha garganta ao vê-la. Renesmee estava cercada não apenas pela matilha, mas também pelos Cullens e alguns de aliados mais leais. Carlisle, Esme, Edward, Bella, Alice, Jasper, Emmett e Rosalie estavam lá, suas presenças fortes e protetoras ao redor de Nessie. Ao lado deles alguns vampiros desconhecidos.
Um misto de alívio e gratidão encheu meu peito enquanto eu observava a cena se desenrolar diante de mim. O peso da ansiedade que eu carregava parecia aliviar-se um pouco ao vê-los ali, todos unidos pela segurança de Renesmee.
Aro, parado ao meu lado, parecia satisfeito com sua observação, como se estivesse assistindo a um espetáculo cuidadosamente coreografado. Seus olhos brilhavam com um interesse quase predatório, avaliando cada um dos presentes com uma intensidade desconcertante.
— Ah, os Cullens e seus valorosos aliados- Murmurou Aro, sua voz soando como um eco na clareira silenciosa. — Que reunião fascinante.
Os olhos de Edward encontraram os meus por um breve momento, e em seu olhar vi a mesma determinação feroz que eu sentia. Bella estava ao seu lado, segurando a mão de Nessie com uma expressão de puro amor e proteção. A matilha, com Sam na liderança ao lado da minha, estava alerta, pronta para agir a qualquer sinal de perigo.
Meu coração batia descompassado enquanto eu esperava o desenrolar dos eventos. A tensão na clareira era palpável, cada um de nós consciente da importância deste encontro. Aro deu um passo à frente, seus movimentos graciosos e controlados.
— Renesmee- Chamou ele, sua voz suave, mas carregada de autoridade. — É um prazer finalmente conhecê-la pessoalmente.
Nessie ergueu o queixo, mostrando uma coragem que me encheu de orgulho. — O prazer é todo seu- Respondeu ela, sua voz firme e clara.
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