Extinção
10 Se for o fim?
Notas iniciais
Olá,
desculpem-me pela demora.
Não haviam mais promessas ou acordos . Quando não existem promessas, quando tudo foi apagado, não há legado... Apenas as marcas de sangue no solo seco, as lavas nos corpos frios, o ar quente que os pulmões seca, o grito surdo do que sobrou entre o nada e o que já foi. O futuro nunca foi tão distante, nos tornamos passado a cada instante. Refazendo, repondo, melhorando de alguma forma nossa forma antiquada. Nossas asas já partiram, nossos planos já se foram. A esperança do protótipo permaneceu dando a nova máquina defeitos antigos. O corvo luta contra a luz, a força que rasga seu couro teso, mas nunca teve a pretensão de sair ileso. Desde o inicio, desde o primeiro dia... Sempre foi propenso a perder, a cair, a não voar, a depender dos cuidados... Das mãos macias ao chão seco. A menina tenta erguer-se, tenta andar e ir contra a força que a empurra para baixo. Tem a sorte de não saber voar, não sofrer a frustração ao cair, ao ser empurrada para baixo. As lágrimas umedecem o rosto da menina, tinha forças para manter-se consciente, mas qual seria a vantagem? Quase não conseguia mover-se, a única coisa que conseguia fazer era observar o caos a sua volta, ciente de sua incompetência e que aquela situação não tinha volta, sentindo o peso da parcela de culpa... Não há tempo para lamentações, “Se for o fim, meu ultimo pensamento não será uma lamuria”, pensou escolhendo uma possível movimentação, evitou pensar no significado de tudo que acontecia, no ataque e na injuria. A movimentação de seu corpo era seu foco, procurar com os olhos o corvo lhe traria mais dor.
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