Extinção

10 Se for o fim?


Notas iniciais
Olá, desculpem-me pela demora.

Se for o fim?

Todos esquecem, fecham os olhos e ignoram qualquer sinal...

Já não era possível esquecer, ignorar ou fechar os olhos,

Era preciso suportar tudo até o final,

sem lembrar dos sonhos.

A menina já tinha mais força,

encontrara tanta força nos olhos negros sem expressão,

olhos que passavam por toda parte daquele lugar, toda a extensão,

olhos que mostravam o quanto ainda podia ser forte, e cultivar força.

As luzes o fazem fechar os olhos,

não aguentaria aqueles raios tão fortes,

mas não imploraria mesmo vendo os cortes,

sentindo o sangue e ignorando as exigências de seu corpo.

Não haviam mais promessas ou acordos .

Quando não existem promessas, quando tudo foi apagado,

não há legado...

Apenas as marcas de sangue no solo seco,

as lavas nos corpos frios, o ar quente que os pulmões seca,

o grito surdo do que sobrou entre o nada e o que já foi.

O futuro nunca foi tão distante,

nos tornamos passado a cada instante.

Refazendo, repondo, melhorando de alguma forma

nossa forma antiquada.

Nossas asas já partiram,

nossos planos já se foram.

A esperança do protótipo permaneceu dando a nova máquina defeitos antigos.

O corvo luta contra a luz, a força que rasga seu couro teso,

mas nunca teve a pretensão de sair ileso.

Desde o inicio, desde o primeiro dia... Sempre foi propenso

a perder, a cair, a não voar, a depender dos cuidados...

Das mãos macias ao chão seco.

A menina tenta erguer-se, tenta andar

e ir contra a força que a empurra para baixo.

Tem a sorte de não saber voar,

não sofrer a frustração ao cair, ao ser empurrada para baixo.

As lágrimas umedecem o rosto da menina,

tinha forças para manter-se consciente,

mas qual seria a vantagem?

Quase não conseguia mover-se,

a única coisa que conseguia fazer era observar o caos a sua volta,

ciente de sua incompetência e que aquela situação não tinha volta,

sentindo o peso da parcela de culpa...

Não há tempo para lamentações,

“Se for o fim, meu ultimo pensamento não será uma lamuria”,

pensou escolhendo uma possível movimentação,

evitou pensar no significado de tudo que acontecia, no ataque e na injuria.

A movimentação de seu corpo era seu foco,

procurar com os olhos o corvo lhe traria mais dor.