Extinct Killer
2 Grito mudo - Lilly Hall
Mudança, casa nova, é muito à se preocupar, e ainda tenho que me certificar a cada 10 minutos que sophie e sarah estão na frente da televisão concentradas, e não se escondendo pela casa ou me deixando preocupada. Minha vida é basicamente resumida em cuidar da casa ser boa mulher e cuidar de minhas filhas, não estou reclamando, apenas ressaltando o quanto esta sendo confusa essa mudança para mim.
Ja é nosso segundo dia na nova casa e finalmente ja esta acabando o inferno que é colocar isso em um lugar ajeitar aquilo em outro e ter vários homens dentro de casa entrando com móveis e fazendo seu trabalho que poderia ser feito em 15 minutos em 30, apenas porque em algum momento desse caminho eles ficam parado olhando de forma estranha para minhas filhas. Sinceramente, as vezes eu tenho que pensar duas vezes, contar ate 10 pensar em coisas boas pra poder me controlar e não acabar na delegacia por agredir pessoas que não tem o minimo de senso; a doença delas é diferente, eu sei! Mas são crianças de certa forma normais e que eu quero e espero que sejam tratadas com o minimo de respeito, afinal não é fácil pra elas, mas enfim, vivemos em um mundo fudido que julgam pelo que a gente ostenta não pelo que nós somos. E ja no segundo dia aqui ja consegui me estressar duas vezes com isso; ontem foi a senhora Jackson, nossa vizinha, a princípio veio apenas ser gentil, entrou, conversou, e a partir do momento em que viu sophie e sarah mudou totalmente, de um tom doce à um de nojo e medo, que tentava esconder atras de um sorriso falso, fim da noite de ontem? Pedi que se retirasse de casa e procurasse o que fazer em vez de julgar a vida dos outros. Sei do meu gênio, sou gentil até o momento que julgam a minha família, aí viro de boa para grossa, ignorante, rude e sou capaz de se tornar a pior pessoa, as circunstâncias me tornaram assim, eu ja fui calma um dia, mas depois de passar por tudo que passei desde aceitar minha filha até ignorar o que pensam eu não sou a mesma mulher, as vezes tenho medo de que esse meu jeito influencie demais em meu trabalho; ontem mesmo acabei por má sorte pegando um aluno fumando maconha no interior da universidade, não tive alternativa a não ser entragar ele ao diretor, apenas não imaginei que as consequências seriam tão graves e ele seria expulso da universidade, um futuro destruído e não sei ao certo o que era mais certo, apenas chamar sua atenção e dar concelhos, ou fazer o que fiz?...Enfim, ja é nove da noite, Charlie acabou de chegar do trabalho
– Oi amor, como foi no trabalho?
–Um pouco estressante, mas eu acharia estranho se não fosse. Mas, mudando de assunto, tudo certo por aqui, não falta mais nada?
–Não, graças a Deus eu ja consegui terminar com isso
–Olha, eu sei como esse negocio de mudança não é tão facil, mas pense pelo lado positivo, ja esta tudo pronto, a casa esta linda, e vfoi você quem a deixou assim, tem um ótimo bom gosto querida, para tudo haha. Sophie e Sarah como estão?
–Acabei de colocá-las pra dormir. Eu estou bem contente porque elas estão reagindo melhor do que eu esperava com a nova casa, achei que seria difícil pra elas
–Como assim reagindo melhor?
–Sei lá, apenas não tão assustadas como eu pensei que ficariam e ate mesmo brincando. Ja até criaram uma amiguinha imaginária.
–Não deviamos nos preocupar com isso? Quer dizer, de ela estar falando só
–Ela não está falando só, eu ate me preocuparia, mas elas são crianças, eu mesma quando era criança tinha uma
–É, acho que você tem razão. Mas enfim. Quero saber de você, esta melhor?
–Sim, é que essa negocio de mudança estava me deixando louca
–É normal, mas o bom é que esta tudo acontecendo nos planejados
–Verdade... Então é isso, boa noite querido, dorme bem
–Você também!
X------------X
1h59
–CHARLIE! Acorda!!!
Ele acordou assustado mas não tinha outra saída, havia alguém na casa
–Calma, o que ta havendo Lilly?
–Tem alguém na casa? Você não ouviu?
–Ouviu o que? Se acalme?
–Veio da cozinha, primeiro hma panela caindo e depois o barulho de porta abrindo... eu... eu...
–Fique calma por favor
–Meu Deus, Sarah e Sophie, e se ele pegar elas, eu vou ligar pra políci...
–Não faça isso Lilly, fica aqui, tranque a porta, e só abra se eu pedir
–Não Charlie, eles podem estar armados, é perigoso, precisamos ligar pra polícia
–Não Lilly, você saberá a hora se for necessário, agora mantenha a calma e espere aqui, sem mais
–Ok, ok, tome cuidado, por favor
Eu estou apavorada e nem sei muito bem o porque, ouvi barulhos, mais de uma vez pela casa e sei que tem alguem aqui, não pode estar acontecendo de novo, não posso perder mais ninguem em um assalto, esse é aquele momento em que não sabe que rumo tomar, aonde ir, apenas não posso ficar parada aqui, Charlie pediu, mas é a vida da minha família que estar em jogo, aquilo que eu sempre faço o possivel e o impossivel para ver feliz eu vou lá, não posso ficar parada!!!
Visto rapidamente meu roupão, e nesse meio tempo que o vistia, passava em minha mente toda a tortura que um dia eu passei e que por Deus eu espero que não aconteça de novo, ou melhor, que não esteja acontecendo! Nem sei muito bem o que devo fazer, apenas sei que tenho que de alguma forma fazer o possível pra proteger minha família. Não ouço barulhos do lado de fora, então sei que posso sair do quarto, abro a porta bem devagar com um súbito medo de ter alguém atras pronto para me prender, mas por Deus não tem nada, apenas estou em frente ao corredor escuro com uma especie de pavor que não é novidade em minha vida, andando bem devagar a única coisa que penso no momento é em minhas filhas, de forma ligeira consigo chegar a porta do quarto delas, logo sinto o mesmo medo que sentir quando sair do quarto, mas agora meu maior medo é de saber as possibilidades de elas não estarem dormindo, abro a porta por 3 segundos que pareceram horas, parecia tudo bem, elas estavam dormindo, senti um alívio... Logo ouço no andar de baixo um barulho de vidro quebrando, solto um Charlie em forma de grito mudo e passa na minha mente mil coisas que pideriam estar acontecendo, quando me viro pra correr e ir saber o que estava acontecendo, uma mão cobriu minha boca e minha respiração totalmente, estou sendo sufocada e perdendo a visão...
X------------X
2h21
Recuperando a visão acordo assustada e afogada em meus próprios gritos, ainda não sei o que está realmente acontecendo, quando me dou conta dos fatos percebo que estou na sala, fortemente amarrada a uma cadeira, Sophie e Sarah tambem em uma, e na outra Charlie, todos também armados virados em forma de círculo, um de frente pro outro.
Não me contenho mais, estou nervosa, apavorada, com medo, o que vai acontecer com minha família? Minhas filhas as quais tanto lutei pra ter do melhor???
–Charlie!!! O que está acontec...
Não consigo nem terminar, algo gelado em minha nuca me impede de continuar, e eu sei muito bem o que é, sentindo àquele revólver em minha cabeça passou todo tipo de imagem na minha cabeça, desorganizadas, minhas memorias perdidas no meu medo, o que vai acontecer comigo.
Logo aparece o segundo assaltante, atrás do meu marido, completamente vestido, com uma máscara preta na qual só é possível ver os olhos, esses olhos que me encaravam e eram capazes de tirar tudo de mim.
Olhando pra minhas filhas ali, sentadas, sinto um aperto tão grande no peito ao ver Sophie chorando e Sarah olhando pra mim à procura de respostas, o que esta passando na cabeça delas, quero tanto poder conforta-las, mas é algo impossível quando eu também preciso ser confortada. Minha cabeça não aguenta tanto, apenas grito de forma fraca...
–O QUE FAZEM AQUI? LEVEM TUDO, MAS NOS DEIXEM EM PAZ
Aquele que estava me encarando com a arma na cabeça de Charlie não hesitou muito até responder
–Senhorita Lilly, você acha mesmo que será tão facil assim?
Aquela expressão sinica com uma voz tão asquerosa foi capaz de adentrar nos meus piores pesadelos. Em questão de segundos toda aquela imagem se refez na minha mente -- Era eu, com 13 anos, estava escondida no canto da sala debaixo da mesa de jantar na qual por sorte tinha uma toalha impedindo que me vissem, com medo daquele homem de máscara que de alguma forma queria sugar tudo que eu tinha, e ele conseguiu, eu estava com ouvidos tapados mas é impossivel vc não ouvir, sentir quando estar acontecendo algo errado com alguem que vc ama, tudo passou tão devagar, o grito, a força de viver perdida, menos uma alma boa no mundo, era minha mãe, jogada no chão com a mão no peito no qual estava sangrando muito, como filha unica não existe tristeza que possa explicar isso, perder aquela em que fez tudo por você, que foi mãe e pai-- Pensando nisso apenas confirmo o tanto que sou forte, o tanto que passei, quando acho que me acostumei tudo vem de novo e me desmorona como um vulcão em erupção... Quando me dou conta do que esta acontecendo a cena que me deparo é de Sarah, olhando para o lado e falando:
–Bem que você falou Ally, eles não merecem
E de forma lenta e torturante ela abaixa a cabeça sem mostrar muitas expressões. É bom ser criança, é bom ter suas imaginações, mas não era o momento para elas falarem com sua amiga imaginária, não consigo imaginar as inúmeras coisas que eles podem fazer se ver ela abrindo a boca. Apenas olhei para elas e balancei a cabeça em sinal negativo e tentei forçar um sorriso para conforta-las, eu vivo pelo sorriso dos meus frutos, e luto por isso e vou lutar! Aquele sentimento de revolta não cabia em mim...
–O QUE VOCÊS QUEREM DE NÓS?
Eles ficaram em silêncio. Eles são assaltantes pq simplesmente não levam nosso dinheiro e vão embora
–ME RESPONDAM POR FAVOR. O QUE VOCÊS QUEREM???
Ficaram em silêncio, mas dessa vez o que estava com a arma em minha nuca apontou para a mesma para Sarah, enquanto o que estava atrás de Charlie apontou a arma para Sophie...
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