Extinção
91 Renesmee- Chinatown
Enquanto observávamos o clã Volturi partir, abraçada com Jacob, senti um misto de alívio e exaustão. Os Volturi se afastavam lentamente, uma visão sinistra contra o horizonte escuro. Aro lançou um último olhar na nossa direção antes de desaparecer nas sombras com sua guarda, suas intenções futuras permanecendo um mistério inquietante.
Segurei Jacob com mais força, sentindo seu corpo quente e firme contra o meu. A proximidade dele era um conforto indescritível. Inclinei-me para frente e selei seus lábios com um beijo suave e carinhoso, um gesto de gratidão e amor.
— Está livre- Sussurrei contra seus lábios. — Conseguimos.
Ele sorriu, um brilho de alívio e felicidade em seus olhos escuros. – Você conseguiu pequena. Confesso que estou surpreso,
— Tenho muitas surpresas para revelar – Falei dando um tímido sorriso.
Jake olhou em meus olhos e colou a testa na minha – Eu tenho certeza disso.
Os lobos começaram a nos rodear, formando um círculo de proteção e companheirismo. Cada um deles, em suas formas majestosas e poderosas, expressava um sentimento de vitória. Eles haviam lutado e arriscado tudo para libertar Jacob, e agora podiam finalmente relaxar.
Sem palavras, todos nos movemos em direção à floresta, um símbolo de segurança e refúgio. As árvores nos envolveram com seu abraço verdejante, e lentamente, os lobos começaram a se transformar de volta em suas formas humanas. As expressões em seus rostos eram de alegria e alívio, um contraste marcante com a tensão de momentos atrás.
Sam, ainda líder e protetor, aproximou-se de Jacob, dando-lhe um abraço forte. — Estamos felizes por ter você de volta, irmão- Disse ele, sua voz carregada de emoção.
Jacob assentiu, seu olhar passando por cada um dos membros da matilha. — Obrigado a todos. Mesmo tendo feito o oposto do que eu pedi.
Enquanto Jacob conversava com Sam, meus pais se aproximaram. Jacob olhou para eles, e um sorriso brincalhão surgiu em seu rosto.
— Edward, Bella,- Cumprimentou ele, com uma nota de provocação em sua voz. — Vinte anos, hein? Bella, ainda se metendo em encrencas?
Mamãe revirou os olhos, mas um sorriso suave apareceu em seus lábios. — E você, Jacob, ainda não aprendeu a ficar longe de problemas?
Dei um sorriso sendo abraçada por minha mãe enquanto ele a provocava, e isso trouxe um pouco de normalidade à situação tensa. Mas, de repente, Jacob cambaleou, seu rosto perdendo a cor. Antes que alguém pudesse reagir, ele desmaiou sendo segurado por Sam.
— Jake — Gritei, me aproximando dele enquanto Sam o segurava.
Carlisle se aproximou rapidamente, sua expressão grave enquanto examinava Jacob. — Ele precisa do antídoto- Disse ele, sua voz firme e preocupada.
— Não temos mais o antidoto – Disse Leah – A última dose usamos com a Renesmee.
— Eu tenho o antídoto necessário para neutralizar o veneno das correntes. – Disse meu avô.
Olhei para Sam, que assentiu imediatamente. — Vamos, não há tempo a perder.
Voltei-me para os aliados ao nosso redor, sentindo uma onda de gratidão. — Obrigado a todos. Não poderíamos ter feito isso sem vocês.
Eles assentiram, seus rostos cheios de solidariedade e apoio. — Cuidem do lobo- disse um deles, a preocupação evidente em sua voz.
Nos despedimos na clareira, com a promessa de nos encontrarmos novamente. A urgência da situação era palpável – Precisamos nos apressar – Disse meu avô enquanto partirmos.
. Chinatown, Portland, EUA, 45.515054770053766, -122.67156723762368
Dois dias haviam se passado desde o confronto com os Volturi e a libertação de Jacob. Estávamos em Chinatown, Portland, um lugar que antes era vibrante e cheio de vida, mas que agora estava deserto. A revelação da existência dos vampiros havia espalhado o medo entre os humanos, que fugiram em massa, deixando a cidade abandonada e silenciosa. Minha família buscou abrigo aqui após nos despedirmos na ilha de Esme. Irônico como o destino funcionava: a outrora movimentada Chinatown agora servia como nosso esconderijo.
As ruas de Chinatown, que antes estavam sempre cheias de pessoas, agora eram um cenário de desolação. As lojas estavam fechadas, as lanternas vermelhas balançavam ao vento, criando uma atmosfera quase fantasmagórica. Dentro de um chalé em um jardim murado, minha família havia feito seu novo lar.
Jacob estava desacordado há dois dias, mas o antídoto que Carlisle havia administrado salvou sua vida. Era apenas uma questão de tempo até que ele despertasse. Cada hora que passava parecia uma eternidade, uma tortura silenciosa enquanto esperávamos. Eu passava a maior parte do tempo ao lado dele, segurando sua mão quente e esperando que seus olhos se abrissem.
A família estava espalhada pela grande casa, todos mantendo-se ocupados de alguma forma. Meu pai, Edward, mantinha-se atento a qualquer sinal de perigo, seus ouvidos sempre atentos a qualquer pensamento suspeito nas redondezas. Minha mãe, Bella, estava ao meu lado, oferecendo consolo e apoio silencioso.
O silêncio no quarto onde Jacob descansava era quebrado apenas pelo som suave de sua respiração e pelo vento que passava pelas ruas desertas lá fora. Cada suspiro dele era um lembrete de que ele estava vivo, lutando para voltar para mim. Eu acariciava suavemente sua mão, desenhando pequenos círculos com meus dedos.
— Vai ficar tudo bem, Jake- Murmurei, minha voz cheia de esperança. — Estou aqui, esperando por você.
Eu sabia que ele podia me ouvir, de alguma forma, onde quer que sua mente estivesse naquele momento. Nossa ligação era profunda, uma conexão que transcendia as barreiras do físico. Ele voltaria para mim, eu tinha certeza disso.
Enquanto esperava, meus pensamentos se voltavam para os últimos dias. O confronto com os Volturi, a traição de Jane, e a força que tive que encontrar dentro de mim para enfrentar tudo aquilo. Era um teste, não apenas da minha habilidade, mas do nosso amor e da nossa determinação em proteger aqueles que amamos.
No entanto, havia algo mais, minha gravidez inesperada. Descobrir que estava grávida em meio a essa tempestade de eventos era avassalador. A notícia foi um choque, mas também um farol de esperança em meio à escuridão. Agora também havia uma nova vida crescendo dentro de mim, uma parte de nós dois.
Será que estaríamos seguros o suficiente para criar nosso filho? A responsabilidade pesava em meus ombros, mas também me dava uma força.
Em momentos de calma, eu olhava pela janela, observando a cidade abandonada. Chinatown era um lugar de contrastes, com sua mistura de tradição e modernidade, e agora também era um símbolo de nosso refúgio. A cidade deserta refletia a solidão e o isolamento que eu sentia, mas ao mesmo tempo, me lembrava de que mesmo nos lugares mais inesperados, a vida podia florescer.
A vida dentro de mim era uma prova disso. Mesmo em meio ao caos, havia algo puro e lindo crescendo. Eu sabia que enfrentaria qualquer desafio, qualquer perigo, para proteger meu filho e Jacob também faria isso, ele seria um pai maravilhoso como era para Sara.
Olhei para Jacob, deitado na cama, sua respiração estável e calma. Toquei minha barriga levemente, sentindo uma conexão profunda com a nova vida que carregava. “Vamos proteger você,” pensei, meu coração se enchendo de felicidade. “Nada vai nos separar, minha pequena família. ”
Enquanto aguardava o despertar de Jacob, minha mente oscilava entre os desafios que enfrentamos e a esperança de um novo começo. A cidade abandonada lá fora era um lembrete da luta constante pela sobrevivência, mas dentro daquele quarto, com minha família ao meu redor e uma nova vida se formando, havia uma luz que nunca se apagaria.
De repente, senti um leve movimento na mão de Jacob. Meu coração deu um salto e me inclinei mais perto, esperando por qualquer sinal de que ele estava acordando. Seus olhos se abriram lentamente, e por um momento, ele pareceu desorientado.
—Jake? Chamei suavemente, meu coração batendo acelerado.
Ele piscou algumas vezes, seus olhos finalmente focando em mim. Um sorriso fraco apareceu em seu rosto. – Nessie- Ele sussurrou, sua voz rouca mas cheia de amor.
Lágrimas de alívio encheram meus olhos enquanto eu apertava sua mão com mais força. "Você está de volta," disse, minha voz tremendo.
Ele assentiu levemente, ainda fraco, mas presente. -Nunca deixaria vocês- respondeu, sua voz ganhando força a cada palavra.
Ao ouvir essas palavras, um sorriso se formou em meus lábios. Eu o conhecia tão bem que nem precisei ler seus pensamentos antes mesmo que ele os expressasse em palavras. Quando ele disse "vocês", eu soube instantaneamente que estava se referindo ao nosso bebê.
Jacob levantou-se da cama, ignorando sua fraqueza temporária. Ele me puxou para seus braços com cuidado, beijando suavemente minha testa como um gesto de carinho e alívio. Então, ele se inclinou e beijou minha barriga, seus lábios quentes transmitindo uma sensação reconfortante.
— É hora de irmos para casa ver Sara- Disse ele com um sorriso amoroso. -Agora que estou de volta, vou proteger nossa família: você, Sara e nosso filho.
Essas palavras encheram meu coração de calor e esperança. Eu sabia que, com Jacob ao meu lado, éramos capazes de enfrentar qualquer coisa. Ele era minha rocha, meu porto seguro.
Eu o abracei com ternura, sentindo uma mistura de gratidão e amor.
— Vamos para casa- Respondi me aconchegando em seus braços.
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