Exstinction - Extinction
3 1. Era só mais um dia - Parte 2
Notas iniciais
— Vamos rapaz, saia daí. — Disse Leonardo, o líder daquele bando.
Kaique novamente engoliu a seco, mas conseguiu corresponder, ele se levanta com dificuldade, com restos de fezes ainda grudadas por toda parte de seu corpo.
Leonardo coçou o nariz de leve, evidentemente incomodado com o mal cheio.
O excesso conglutinado caí conforme Kaique se movimenta.
— Muito bem, bom garoto. — Disse Leo.
Podendo ver um eater tão de perto era ainda mais assustador. Leonardo é pelo menos meio metro mais alto que Kaique, seus músculos muito mais definidos e quando sorri, é possível ver seus dentes, serrilhados como os de um tubarão. Seu cabelo é curto e crespo e um pouco grisalho, suas íris são amarelas e suas escleroticas negras, assim como todos os eaters lá, com diferença de sua pele morena, sendo aparentemente saudável. Ele carrega constantemente um tom de alegria em suas palavras.
— Venha, vamos nos juntar aos outros, já estamos de partida. — Diz ele.
Leonardo olha todas as presas que conseguira, em seguida pra cima e fecha os olhos sorrindo.
"Ah minha rainha, estou ansioso pra ver como vai me mostrar sua gratidão." — Pensou Leo regado em obscenidades.
Kaique foi posto junto as outras vítimas, e enfileirados eles entram em uma gigantesca gaiola de ferro com rodas. E assim, escoltados em destino para algum lugar, distante daquela vila.
Agora Kaique podia ver com mais clareza o resultado dos ataques, não só a sua vila mais também a outras vilas vizinhas. E as pessoas presas juntas de si, choram, rezam, e outras apenas reclamam de seu fedor.
Mesmo sendo muito fortes, é necessário pelo menos 2 eaters para puxar as grandes gaiolas de ferro, há outras 3 além da que está o Kaique cada uma contendo no máximo 15 humanos, somando um total de cerca de 60 pessoas para o banquete especial à rainha, sendo levadas por 40 devoradores no total.
2 dias antes...
— Sr. Presidente. — Disse o secretário. — Lamento se te interrompe-lo, o senhor Breno e o General de Brigada Dom Hippo estão aqui.
Noberto fez um sinal com mão para manda-los entrar.
Um homem de meia idade, cabelo castanho liso, cheio porém curto, seus olhos possuem a cor incomum do azul imperial, que combina com seu belo e caro terno do dia.
Alguns segundos depois, Breno entrou no gabinete presidencial junto com o general.
— Temos um problema. — Disse o oficial general. Um homem jovem, mais gordo do que musculoso, porém tão forte quanto. Mede pelo menos 3,13 de altura, sua barba é cheia, assim como suas sobrancelhas, e seus olhos são pretos, assim como seu pouco cabelo, liso raspado.
— Bom dia pra você também Dom Hippo. — Ironizou o presidente.
— Não estou pra brincadeiras Noberto. Você não pode mandar oficiais superiores se arriscarem além de gastarem munição com um pequeno tumulto desse.
Breno mantém-se quieto com as mãos juntas a frente do corpo, porém não conseguiu manter seu olhar no vazio, encarando o general de soslaio com desprezo. Um rapaz jovem e bonito, seu cabelo castanho claro combina com seu par de olhos de mel e seu cavanhaque ralo.
Tem 2,16 de altura, e possui porte físico descarnado, o oposto de Dom Hippo.
Noberto suspira e larga a caneta olhando para seu general.
— Pequeno tumulto? — Questiona ele.
— Dom, já chequei todas as hipóteses com o próprio Breno, se eu não fizer nada, terei sérios problemas para minha próxima candidatura.
— Com todo respeito Sr. Presidente. — Disse o general se aproximando. -... Eu tô pouco me fodendo pra sua carreira política. O que importa é preservar o pouco do poderio bélico que temos para defender nossa nação!
Noberto escuta e depois de alguns segundos sem reação suspende as sobrancelhas.
— Se me permitem, vamos chegar num meio termo aqui. — Disse Breno chamando o olhar de ambos. — Podemos enviar uma tropa reduzida com apenas um ou dois oficiais, e nem precisam ser superiores, podem ser subalternos.
Dom Hippo gargalha.
— Acho isso é ainda pior, assim os riscos de perdas são eminentes. — Disse ele.
— Uma pressão popular está se formando, e as pessoas têm razão.
Não acha nem um pouco estranho general? — Toma a palavra o presidente acendendo um charuto. — Os eaters nunca atacaram por essas bandas, pois sempre haviam vagantes por seu território que saciavam sua fome. Mas então, de forma repentina, eles decidem atacar grandes vilas, raptam pessoas?
Dom Hippo se pôs a pensar.
— As más notícias correm mais rápido do que viaja o vento, as pessoas da capital sabem dos ataques recentes e estão com medo.
Primeiro foi a Helênica, vila mais humilde, na entrada do território deles, depois o Quasario, e provavelmente vão atacar a Rilheira, estão cada vez mais próximos da capital.
Dom Hippo pestanejou pressionando os lábios.
— Quantos são? — Perguntou ele.
— Fontes confiáveis e testemunhas alegam que estão se movimentando em um bando de 50 eaters. — Respondeu Breno.
— Há algum eater superior?
— Apenas um foi visto, mas não há registros de conflitos que batem com sua descrição física, por isso a possibilidade de ser apenas um eater de classe intermediária.
— Ok. Vou conceder 100 homens, compostos por 80 soldados, 18 cabos e 2 praças de comando, terceiro e segundo sargentos da minha escolha. — Disse o general.
— Não seria muito inteligente não levar um oficial. — Retrucou Noberto, dragando a fumaça e logo em seguida soltando. — Se eles falharem...
— Se eles falharem eu mesmo me comprometo em pessoalmente varrer esses canibais imundos de volta para o território deles, garantindo que nunca mais voltem. — Conclui Dom Hippo se retirando do gabinete.
Dia atual... Na fronteira do território dos eaters.
Contato visual, câmbio. — Informou Fernando, praça terceiro sargento e um dos atiradores de elite.
— Aguarde meu sinal. — Respondeu Luciano, praça de comando e segundo sargento.
Nos rostos de uns soldados a calmaria, de outros o desespero, neste contraste de emoções uns sorriam de emoção pela batalha que está por vir, e outros engolem a seco temendo a morte.
— Olha o tamanho desses caras. — Cochichou o soldado Vinícius impressionado.
— Você é medroso. — Disse Jacques sorrindo, um soldado com sotaque francês.
— Agora! — Ordenou Luciano.
Um tiro foi disparado.
Por conta dos poderes concedidos ao devorar carne humana combinado ao oxigênio dobrado que concede melhor reação, Leonardo foi capaz de evitar que o projétil venenoso atingisse seu coração, sendo alvejado no ombro esquerdo.
— Aarhg! — Gemeu de dor e agachou, rapidamente posicionando-se atrás de um de seus eaters.
Ele viu que o tiro veio da floresta.
— Atenção carniceiros! O almoço hoje é por conta da casa! — Exclamou ele gargalhando feito louco.
Logo todos os outros eaters avançaram numa velocidade surpreendente mesmo em zigue-zague, evitando alguns tiros.
As pessoas enjauladas se abaixam e se amontoam na esperança de não serem alvejadas.
Os devoradores são resistentes e boa parte deles chegam na floresta onde se inicia uma chacina.
Mesmo distante, Kaique podia ver o verde da mata esguichar vermelho pra todos os lados.
Um devorador literalmente atropelou alguns aliados, em resposta, a soldado Andressa apontou e apertou o gatilho, o eater cobriu o tórax com os braços, mas sorriu ao perceber que não sofrera nenhum alvejamento. Ele então parte pra cima da soldado.
— Droga que racionamento de munição. — Disse ela empunhando sua Pilo*.
O devorador tentou alcanca-la mas, Andressa movimentava sua Pilo com maestria e rapidez, como uma hélice de helicóptero. Quando ele tentou ser mais rápido e agarrar a soldado, a arma acabou por decepar seus dois braços, fazendo-o recuar e grunhir de dor, como um javali raivoso. Logo Andressa tentou cortar uma das pernas mas o devorador suspendeu seu alvo e lhe desferiu um chute no peito que a fez cair alguns metros de distância.
Ele correu mirando desferir uma mordida em sua presa. Andressa sem tempo porém meio atordoada, levantou-se tossindo por algumas vezes, segurou firme sua Pilo, e girou, empalando o coração do eater que se jogou em cima dela.
Em outro canto no campo de batalha, Laura, uma cabo experiente, salva o máximo de companheiros que pode, disparando tiros precisos e racionados.
Caio e Edgard, outros dois cabos lutam contra um eater quase um metro maior que eles. Munido apenas de um par de pequenas facas em cada mão, Caio desfere golpes nos ligamentos dos músculos de perna do devorador. Enquanto Edgard que atacava pelo outro flanco, com um porrete de espinhos de aço. Por seus golpes serem mais lentos, Edgard acaba sendo agarrado, ele é suspendido pelo pescoço, gritando de dor e medo.
— Não! — Exclamou Caio desesperado. — Solta ele!
O eater caiu de joelhos, Caio conseguiu fazer com que os ligamentos cruzados de suas pernas não o sustentasse mais, no entanto, não foi o suficiente para parar o devorador que abocanhou o pescoço de Edgard, sua voz sumiu e sua cabeça caiu.
Caio encara o decorador, respira fundo e arremessa uma das facas, acertando bem no coração do eater, este que arregala os olhos sentindo a morte eminente. Em seguida o cabo se aproxima correndo e aplica um chute aéreo na faca enterrando-a ainda mais no coração do inimigo.
Rodrigo, um dos atiradores de elite, acertou o coração daquele devorador que Leonardo estava guarnecido.
Fabíola não esperou a ordem dos praças de comando e foi tentar libertar os raptados, mas logo foi pega por Leonardo. E não houve tempo para reagir, o líder dos eaters a segurou por um de seus braços e chutou seu tronco com tamanha força, que o membro foi arrancado com facilidade.
Fabíola cai alguns metros de distância desmaiada, e acaba por morrer pelo tanto de sangue que perdera. Enquanto Leo, suspende o braço arrancado e se embebeda do sangue que caía em seu rosto inteiro.
Em seguida ele morde o braço, mas não o suficiente para arrancar a carne, mantendo-o em sua boca, e avança correndo em direção aos atiradores de elite.
— Esse cara é um demônio! — Exclamou Rodrigo.
Fernando desfere um tiro certeiro na testa que o faz parar, mas não o derruba. Leo deixa o braço cair de sua boca, estala o pescoço e volta a correr em sua direção.
— Puta que pariu. — Sussurrou seu pensamento o terceiro sargento preocupado.
Quando Leonardo já estava bem próximo dos atiradores, ele é arrebatado pra longe por um golpe no flanco. O devorador rapidamente se levanta e fita o praça de comando principal daquela tropa, o segundo sargento Luciano. Munido de um par de luvas transparentes com pequenos raios saindo por elas.
— Olha, que brinquedinho interessante. — Disse Leo sorrindo. — Se importa se arrancar ele junto com suas mãos?! — Perguntou rindo e correndo na direção do segundo sargento.
Leo se aproxima e desfere um forte soco que para num pequeno escudo energizado pelo antebraço de Luciano. Leo recua evidenciando dor.
— Eu quero ver você tentar. — Desafiou Luciano.
Leonardo pela primeira vez expressa raiva e encurta a distância evitando que os atiradores de elite o agissem, mas não evitando o par de luvas elétricas do sargento.
Enquanto lutavam, ele ouve no rádio alguém indo por sua ajuda.
— Não! — Exclamou Luciano. — A prioridade são os cidadãos, libertem-os e recuem!
Novamente esbanjando confiança, Leo sorri enquanto troca golpes pesados em curta distância contra sua presa, num duelo mortal onde a agilidade pode pesar mais que a força.
— Vocês não têm chances. — Diz ele. — Ao decorrer da batalha, nós comemos sua carne e ficamos cada vez mais fortes!
O sargento não responde, focado nos golpes ele consegue achar uma brecha e acerta a costela do inimigo com toda sua força, fazendo-o ajoelhar em sua frente.
— Eu não disse pra vocês libertarem os reféns e recuar? — Diz Luciano ainda ignorando o inimigo, regulando a potência de sua luva para um soco final, fazendo sua luva esquerda aumentar seu tamanho pelo dobro e exaltar raios bem maiores que os de outrora. — Você acha mesmo que um bando de canibais em menor número é capaz de enfrentar um exército altamente treinado? — Por fim, dirigindo a palavra ao líder dos eaters.
Leonardo troca a expressão de dor por espanto ao ver seus aliados mortos e uma plateia de militares e suas presas libertadas assistindo a luta.
O eater volta a evidenciar raiva e antes que pudesse agir, sofre um poderoso soco eletrificado de canhota que arranca sua mandíbula e o faz desmaiar.
Ao acordar, Leo se sente meio desorientado, e quando tenta se levantar percebe que seus braços e pernas foram arrancados e se vê rodiado pelo seus aliados mortos por toda parte.
O grito de desamparo e humilhação de Leonardo sobe até aos céus, e de cima, possível ver que usando os cadáveres dos inimigos foi deixada a seguinte mensagem, na porta de entrada do território dos eaters: Faremos uma visita em breve.
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