Se passaram duas semanas desde o dia em que ele apareceu na porta dela, exigindo explicações — sobre algo que, no fim, ele mesmo havia tornado ainda pior. Ele a deixou sem sequer dizer o que estava pensando, sem qualquer aviso.

Ela o odeia.

Odeia ainda mais agora que ele não fala com ela. Mesmo assim, todas as manhãs ele continua trazendo café e, de vez em quando, deixa sanduíches na mesa dela sem dizer uma palavra. Olivia o odeia por respeitar o espaço que ela pediu e, ainda assim, continuar cuidando dela. Ela precisa de mais espaço e, ao mesmo tempo, de nenhum.

Quando deixaram de conversar, tudo se tornou silencioso, frio, distante. Eles nunca passaram vinte e quatro horas por dia falando um com o outro, mas viviam na órbita um do outro, presentes na rotina, nos pequenos detalhes. Só agora ela percebe o quanto havia se acostumado com a presença dele e como estava mal-acostumada a ser cuidada por Elliot. Mas eles são amigos. Ele deixou isso bem claro há alguns dias.

Você é minha amiga, minha melhor amiga. Não é uma possibilidade me afastar de você.

Essas palavras deixam Olivia completamente louca. Algo dentro dela se parte ao meio toda vez que pensa nisso. Ela quer mais do que tudo a amizade dele — mas também o ama. E quer ser amada por ele. Só que isso nunca vai acontecer. Porque ela sabe que prefere ter Elliot como amigo do que correr o risco de um dia ele simplesmente acordar e decidir que não a quer mais.

Alguns meses atrás, ele disse que se casaria com ela. Ela riu, levou como uma brincadeira qualquer, uma frase jogada no meio de uma conversa. Mas naquela noite não conseguiu dormir. Ficou deitada, imaginando um universo em que tinha tudo o que sempre quis: filhos, estabilidade… e ele.

A vida ensinou que ela nunca vai ter tudo o que quer e ela aceitou.


Naquela manhã, Olivia chegou cedo à delegacia. Assim que olhou para a própria mesa, viu o copo de café ainda fumegante, ao lado de uma barra de cereal. Como em todos os dias das últimas duas semanas. Instintivamente, levantou os olhos à procura dele. E, como sempre, Elliot estava no mesmo lugar — sentado à própria mesa, que agora ficava do outro lado da delegacia, concentrado na papelada, como se nada daquilo tivesse qualquer importância. Como se aquele silêncio entre eles não fosse a coisa mais pesada dentro daquela sala.


"Bom dia." Silêncio. Ele não levanta o olhar para ela e muito menos responde.

Capitão entra na delegacia com os braços envoltos de papelada

“Onde estão Fin e Munch?”


Elliot responde “Fin vai passar a manhã no tribunal."


Ela não fazia a mínima ideia de onde estava Munch.

“Munch está chegando” ela saberia onde Elliot está, oh Deus ela precisa parar com isso.


“Liguem para Munch e peçam para que encontrem vocês no Queens. Temos uma criança desaparecida."


Eles agem no modo automático, pegam seus casacos e seguem para o elevador. Antes, eles conversariam o caminho todo montando estratégias e dividindo suas tarefas para chegarem ao local sabendo exatamente o que cada um faria. Agora, permanece o silêncio, e ela começa a acreditar que acabar com a parceria deles profissionalmente pode ser a melhor decisão.


Quando eles chegam, encontram Munch, que já havia conversado com a mãe da vítima desaparecida.

"Jacob, 14 anos, saiu de casa por volta das 7:00 para ir à primeira vez de trem sozinho para a escola, mas nunca chegou." Munch vira a página de seu bloco de notas. "A mãe comunicou à escola que ele iria sozinho e eles informaram que ele ainda não havia chegado às 8:30. A mãe esperou e ligou para a polícia às 9:00."

Elliot olha para o próprio relógio, que indicava 10:00.

"Precisamos saber se ele saiu do trem."

Munch responde. "A equipe de segurança do metrô está separando as imagens. A mãe disse que o caminho do metrô até a escola ele faria andando, o que daria cerca de 9 minutos."



Dessa vez olivia quem fala. "Vou falar com a mãe para saber de familiares ou amigos dele que podem morar nesse trajeto do trem até a escola."

Elliot toca no braço de Munch "Munch, vamos refazer os passos dele."

Depois de 3 horas, eles não conseguem nada. Amy, a mãe, havia ligado para os pais dos 3 amigos de Jacob que poderiam saber de algo, mas eles não o viram. A família é de Delaware e ela mora sozinha com Jacob há 3 anos, após a morte do marido. Eles voltam para a delegacia para se reagrupar.

"Não consigo encontrar Jacob nas imagens, tem pelo menos cinco crianças usando moletom com capuz azul marinho e mochila preta." Munch suspira.


Cragen que olhava para o quadro de evidência diz “Chame a mãe, ela pode ajudar” Munch assente e sai.


“Elliot e as câmeras do trajeto?”


“Munch está verificando”


“Onde está Olivia?”


“Com Amy mãe de Jacob”


“Elliot, ligue para ela e verifique se a mãe tem fotos do filho usando alguma dessas roupas para facilitar na identificação.” O capitão volta para seu escritório.

Fin entra na delegacia, confuso com a movimentação de tantos policiais.

“O que aconteceu? Eu só saio uma manhã e esse lugar vira um caos?”


Elliot, que está com o telefone na mão esperando Olivia atender, responde: “Criança desaparecida, isso foi sua boca grande ontem dizendo que seria uma semana tranquila.”

“Me atualize,” diz Fin, se direcionando para o quadro com o mapa do trajeto da casa de Jacob até a escola.

“Jacob Miller, 14 anos, a mãe deixou ele ir sozinho para a escola pela primeira vez e ele desapareceu. Ainda não identificamos ele nas câmeras do metrô e estamos aguardando as câmeras dos estabelecimentos no caminho de casa até o metrô e do metrô à escola.” Elliot entrega a Fin o arquivo com o depoimento da mãe. “A mãe diz que ele não tem histórico de fugas ou mau comportamento, o que a escola também confirma.”

“Certo, não sumiu dinheiro de casa ou algo assim?” disse Fin, folheando as páginas.

Olivia chega interrompendo eles.

“Vocês encontraram alguma coisa nas câmeras?” Elliot volta com o telefone para o gancho.

“Não, eles não conseguem identificar o rosto dele dos outros garotos com roupas parecidas. Precisamos de fotos dele usando alguma dessas roupas.”

“Ela não tem, são roupas novas que ela comprou há poucas semanas.” Olivia bufa, se afasta dele e fica parada em frente ao mapa, ao lado de Fin.


“Vou tentar agilizar as câmeras das ruas com o Munch”, Fin diz, pegando o casaco que estava na sua cadeira e se afastando.

“Fin, deveríamos ir à escola conversar com os colegas de classe dele”, Elliot diz em um tom mais baixo.

“Olha, eu sei que você vai ser profissional aqui, Elliot, você deveria levar a Olivia, vocês são bons nisso.” Fin sai em caminhada rumo ao elevador, sem esperar que Elliot discorde.

Elliot enche o pulmão de ar e solta devagar, indo na direção dela. Ele consegue perceber, pela postura dela, que algo a incomoda. Olivia sempre conseguiu notar detalhes no comportamento das pessoas que costumam passar despercebidos.


“Você tem um pressentimento?”

“Ah, você está falando comigo agora?” Elliot revira os olhos e passa as mãos no rosto, tentando equilibrar a paciência.

Olivia o encara, suspira e responde: “Ela disse que eles tomaram café juntos antes dele sair, mas não haviam louças sujas ou algum vestígio no balcão.”

Ele franze a testa. “Ela não poderia ter lavado?”

“Sim,” Olivia respondeu, pensativa. “Mas parece estranho.” Elliot inclina o rosto de lado, buscando o olhar dela, incentivando-a a continuar. “Ela não tem fotos dele em nenhum porta-retratos. Nenhuma.” Olivia olha para a foto de Jacob no quadro. “Você não consegue encontrar nenhuma recordação da infância dele pela casa.”

“Você acha que ele pode ter fugido de casa?” Infelizmente, é bem comum adolescentes fugirem de casa para tentar viver longe de uma família abusiva.

“O quarto dele estava bagunçado, não parecia que ele tinha um plano ou intenção. Deveríamos ir à escola.” Elliot concorda com a cabeça, pegando o casaco.



Eles chegam à escola pouco antes do término das aulas. O sinal final ainda não havia tocado, e os corredores estavam silenciosos demais para um lugar cheio de adolescentes. Eles estavam correndo contra o tempo nas primeiras horas de um desaparecimento; cada minuto contava e eles ainda não tinham nenhuma pista.

A secretária levanta os olhos quando eles entram na recepção.

“Olá, eu sou a detetive Benson, e esse é meu parceiro…” Ela imediatamente se interrompe. “Esse é o detetive Elliot Stabler. Precisamos falar com o diretor.”

“Detetives, o diretor disse que ficará à disposição de vocês.”

Ela os conduz por um corredor longo. Olivia observa os armários azuis alinhados nas paredes. Alguns têm adesivos, outros marcas de tinta, pequenos sinais de vidas adolescentes.

O diretor, um homem de meia-idade com gravata torta, levanta quando eles entram.


“Detetives, estávamos aguardando por vocês, nenhuma notícia?”


“No momento, nenhuma. O detetive Munch falou por telefone com você mais cedo sobre Jacob.”

“Sim, Jacob não tem histórico de negligência. Amy sempre foi presente na vida escolar dele e sempre justificou as faltas.”

“Certo, precisamos falar com os amigos dele.”


“Claro, segundo os professores, ele frequentemente é visto com três alunos. Vou pedir para que levem eles para a sala de orientação.”



Na sala, há três adolescentes sentados lado a lado. Dois garotos e uma garota. Todos parecem desconfortáveis demais para aquela pequena mesa redonda.


Olivia senta na frente deles, suavizando o tom de voz.

“Oi, eu sou a detetive Benson e esse é o detetive Stabler. Só precisamos fazer mais algumas perguntas sobre Jacob.”


Os três assentem.


“Me confirmem seus nomes. Vocês são amigos dele há muito tempo, certo?” pergunta Elliot.


Um garoto magro com óculos responde primeiro.


“Sim… eu sou o Ryan.”


“Eu sou a Mia, estudamos na mesma turma há três anos,” diz a garota, mexendo nervosamente no zíper da mochila.


“Sim, sou o Lucca,” murmura o terceiro.


Olivia observa os três com atenção. Nervosismo em adolescentes é comum diante da polícia. “Quando foi a última vez que vocês viram Jacob?”


Ryan responde: “Ontem.”


“Ele estava normal?” Elliot pergunta.


Lucas dá de ombros. “Meio animado.”


Olivia inclina a cabeça. “Animado com o quê?”


Mia hesita antes de falar. “Nós fazemos disputas de Mario Kart no Nintendo.”


Elliot cruza os braços. “Então, isso era importante para ele.”


Ryan assente. “O perdedor faria a lição de álgebra de todos.”

“Com todos, você quer dizer vocês três?” Olivia pergunta.


Lucca responde: “Nós três e a Jullie.”


“Essa Jullie é amiga de você?”

Mia responde: “Não somos exatamente amigos, só brincamos juntos às vezes.”

“Jacob estava animado em vir para a escola sozinho?”

Ryan responde: “Sozinho?” As crianças se olham confusas.


Olivia troca um olhar rápido com Elliot. “Ele não comentou com vocês sobre vir sozinho para a escola de trem?”

Os três respondem juntos: “Não.”

“Certo, Jacob alguma vez disse se tinha problemas em casa?”

As três crianças ficam em silêncio.

“Precisamos de qualquer informação que possa ajudar a achar Jacob.”

Lucca cutuca Mia.


“Ele sempre diz que a mãe dele não se importa,” Mia diz.

“Como assim?” Elliot cruza o olhar com Olivia e sabe, no mesmo momento, que eles sentem a mesma coisa.

“Minha mãe não me deixa sair de casa sem que ela saiba com quem estou e onde vou, mas Jacob disse que a mãe dele não liga se ele volta para casa,” Lucca diz, olhando para a parede atrás de Olivia, com uma expressão de desgosto.


Ryan, que antes parecia tímido, agora tem um olhar irado. “Mês passado, ele ficou doente e, assim mesmo, veio pra escola com febre e desmaiou no banheiro. Minha mãe nunca me deixaria vir pra escola tão doente.”

O celular de Elliot toca e ele levanta, saindo da sala, enquanto Olivia permanece.



“Stabler,” ele atende.

“Elliot, é o Fin. Esse garoto nunca saiu de casa, não encontramos ele em nenhuma das filmagens, e a mãe não sabe exatamente pra quem apontar toda vez que aparece alguém parecido com o Jacob. Eu estou dando mais uma olhada na casa e vou falar com a vizinhança.”

Olivia encontra com ele no corredor.


“Era o Fin, nada nas filmagens.”

“Vamos falar com a Amy.”




A volta, assim como a ida, foi em completo silêncio. Ela se remexia no banco, inquieta, e cada mínimo movimento ecoava em seus ouvidos, e o som parecia tão alto quanto a buzina dos carros. De soslaio, Olivia observa Elliot, que está concentrado no trânsito, com a expressão pacífica, uma calmaria que a irrita, que a fere. Se ousasse encarar o próprio reflexo agora, ela sabia: não encontraria nada além de raiva.


Ela quer sacudi-lo.

Era fascinante — e cruel — a capacidade dele de ignorá-la, mesmo que ela estivesse ao lado dele. Eles estarão presos nesse carro pelos próximos 30 minutos, e ele não vai poder ignorá-la como na delegacia.

“Obrigada pelo café.”

“O que?” Elliot pergunta, confuso, arrancado de um lugar distante.

“Eu agradeci pelo café.”

“Ah,” ele responde, e o silêncio retorna, mais pesado.

Agora, ela o encara diretamente, os olhos semicerrados, carregados de uma fúria que vai transbordar.

“É isso que você vai dizer?”

“Como assim?”

“É assim que vai ser quando você for transferido? Vai me ignorar?”, a voz dela vacila entre o sarcasmo e a dor. “Fascinante… você é a mesma pessoa que, dias atrás, me disse que nunca se afastaria de mim.”

Ele aperta levemente o volante, os nós dos dedos embranquecendo.

“Me afastar de você?” Há um peso na voz dele agora. “Eu sou a mesma pessoa que deixa café todas as manhãs pra você… e você vem me dizer que estou te ignorando?”

“Você é um idiota,” ela dispara, sem hesitar. “Não fala comigo, nem sequer olha pra mim.”

“Você lembra que pediu espaço?”


A palavra ecoa entre eles como um veredito.

“Eu pedi espaço…” ela responde, a voz mais baixa, mas não menos intensa. “Não pedi pra você fingir que eu não existo.”

O carro desacelera. Elliot para no sinal e fecha os olhos por um breve instante, buscando fôlego em meio à asfixia emocional que o envolve.

“Eu achei que era isso que você queria…” ele diz, finalmente, sem olhar para ela. A voz dele é mais baixa agora, quase quebrada. “Você pediu um novo parceiro. Achei que me queria longe… então dei a única distância que eu poderia te dar no momento.”

“Você deveria parar de deixar café na minha mesa.”

“Por quê?” ele lança um olhar rápido, e o sinal abre.

“Eu posso comprar o meu próprio café, não preciso que você faça isso.”

Precisa. E isso a irrita ainda mais.


“Quando eu for transferido…” ele começa, a voz dura, medida, “isso não vai mais ser um problema pra você.”

Aquilo atinge como um golpe direto.


Ela vira o rosto lentamente para encará-lo. “Ah, então é isso?” A voz dela vem baixa, mas carregada. “Você realmente vai fazer isso?”

“É a mesma determinação que a sua em não ser mais meu parceiro.” Mentira.


“Era temporário!” ela dispara. “Mas você… você simplesmente decidiu por nós dois!”

Ele freia levemente ao se aproximar de outro sinal, o corpo inteiro rígido. “Não existe ‘nós dois’, Olivia. Você deixou isso bem claro quando pediu um novo parceiro.”

“Ah, pelo amor de Deus, Elliot, você é um hipócrita!” Ela ri, amarga.

E então, mais uma vez, a presença sombria do silêncio se instala — apenas o som grave do motor preenchendo o espaço entre eles.



Eles esbarram em Munch no corredor do elevador.


“Finalmente, vocês voltaram. Parece que o vizinho ouviu uma briga vindo da casa de Jacob por volta das 21h da noite de ontem.” Ele faz uma pausa e coça as sobrancelhas. “E terra mexida no quintal. O mandado acabou de chegar, nós vamos com a perícia verificar.”

Olivia aperta os lábios, começando a sentir aquele frio na barriga, sabendo onde esse caso vai levar. “Os amigos dele contaram que Amy pode estar negligenciando Jacob.”

Fin vem caminhando na direção deles. “Capitão levou Amy para a sala de interrogatório e está esperando por vocês. Munch, você espera no carro.”

Munch fala enquanto coloca o casaco. “Questione ela sobre a briga e os vizinhos. Parece que ela não era bem vista na vizinhança.”



Sentada, mãos entrelaçadas, olhar perdido, estava Amy.

Olivia entra primeiro, suave, controlada. Elliot vem logo atrás com passos pesados do jeito que sempre fizeram.

“Oi, Amy.” Olivia começa, sentando-se à frente dela. “Precisamos passar por algumas coisas de novo.”

“Eu já contei tudo…” Amy responde, a voz fraca.

Elliot permanece em pé, encostado na parede, observando.

“Você disse que tomaram café juntos antes dele sair.”

Amy assente rapidamente. “Sim.”

“Então por que não tinha nenhuma louça suja?” Olivia pergunta, calma, mas precisa.

Silêncio.

Amy desvia o olhar.

“Eu… eu lavei”.


Elliot se move pela primeira vez, aproximando-se lentamente da mesa. “Tudo? Antes das sete da manhã?”a voz dele é baixa.


“O que é isso? Vocês estão desconfiando de mim?”


Olivia continua: “Seus vizinhos ouviram uma discussão ontem à noite.”


Amy fecha os olhos por um segundo. “Ele é um adolescente, claro que discutimos.”

“Pra que os vizinhos a cinco casas da sua ouça?” Elliot corta, mais duro agora. “Alto o suficiente pra chamar a atenção?”


Amy começa a respirar mais rápido. “Ele… ele estava difícil ultimamente…”

Uma batida na porta chama a atenção deles, e Elliot sai pra verificar.

“Sabe, Amy, te entendo, adolescentes são praticamente impossíveis de criar.” Olivia vai tentar deixá-la mais confortável para falar sobre a briga. “Eles não conseguem seguir uma única regra.”

Amy suspira, concordando. “Sim, quando meu marido estava vivo era mais fácil.”

“Seu marido…” Olivia repete, agora com a voz mais baixa, quase cuidadosa. “Quanto tempo faz?”

Amy demora a responder. Ela aperta o dedo mindinho.


“Três anos.”

Elliot entra com uma pasta nas mãos e senta ao lado de Olivia. Ela não precisava que ele confirmasse.


“E desde então… ficou mais difícil com ele?” Olivia continua.


Amy dá um meio sorriso, cansado. “Ele mudou… eu não consegui acompanhar.”


“Adolescentes mudam mesmo,” Elliot diz, inclinando levemente a cabeça. “Mas desaparecer assim… você esperava algo assim dele?”

Amy engole seco.


“Olha, eu não fiz nada, vocês precisam parar de perder tempo comigo e encontrar meu filho.”


“Ninguém disse que você fez, Amy. Mas a gente precisa entender o que aconteceu naquela noite,” diz Olivia.

“Foi… foi uma coisa idiota,” ela começa, a voz baixa. “Ele queria assistir a um filme,” Amy continua. “Na sala… era… era o meu horário. Eu sempre vejo TV naquele horário. Sempre.”


Olivia inclina levemente a cabeça. “E você disse não.”

“Sim,” Amy responde rápido demais. “Eu disse que ele podia ver no quarto, no tablet, qualquer coisa… mas não na sala. Ele começou a reclamar. Disse que era injusto. Que eu controlava tudo.” Os dedos dela se entrelaçam com força. “Ele pegou o controle da minha mão.”

“E o que você fez?”


Amy hesita.

“Eu... Ele gritou tanto. Eu… eu… eu estava tão cansada. Eu só… só queria que ele parasse.” Amy fixa o olhar para o espelho e abaixa a cabeça. “Eu o empurrei,” ela diz finalmente, a voz tão baixa que quase ninguém escuta. “Só… um empurrão… pra ele sair da minha frente. Mas… ele foi pra trás, foi muito rápido. Ele bateu com a cabeça na mesa. Eu… eu não percebi… ele caiu. E não se mexia. Eu… eu tentei…” Ela chora agora, as palavras saindo descontroladas. “Eu não queria! Eu não queria! Eu só… não sabia o que fazer.”


Olivia fica imóvel por um momento, o peso da confissão caindo sobre a sala.

“E você tentou ajudá-lo?” Olivia pergunta, a suavidade em sua voz misturada com uma ponta de dor.


Amy balança a cabeça, seus ombros tremendo com o choro que ela tenta controlar. “Eu… eu não sabia o que fazer. Não sabia como fazer. Eu tentei ligar pra emergência, mas ele já não respondia… Eu tentei… tentei acordá-lo, mas… ele não acordava…”

Ela não consegue terminar. O silêncio é o único som.



-*-*-*-*-*



“Capitão?” Olivia espera na soleira da porta.

Cragen estava rodeado por papelada. “Entre.”

Olivia se aproxima e, ao passar pelo canto da mesa, vê a ficha com o nome de Elliot claramente visível à direita. “Amy...” Ela não precisava ver a palavra transferência para saber do que se tratava.“Ela admitiu, porém ainda é necessário descobrir em que local deixou o equipamento para abrir a cova.” Ela precisa saber quanto tempo ainda tem.

“Vamos deixar para a promotoria aprofundar a investigação.” Ele volta o olhar para a papelada à sua frente, claramente fechando o assunto.

“Essa é a transferência do Elliot?”

Cragen ergue os olhos lentamente, o rosto cansado, os óculos de leitura na ponta do nariz. “Sim, ele está decidido, Olivia.”

Não há mais dúvidas. Elliot vai embora. A raiva começa a se acumular em Olivia, mas ela tenta se controlar, pois essa raiva quem vai receber é Elliot. “Eu sei, só queria saber quando devo me despedir.”

“Ele ainda estará aqui por 5 dias.”

Porra!!

Cinco dias.

Ela vai matá-lo!