Notas iniciais
Espero que gostem *-* e comentem, please, isso me ajuda muito

13.07.2025,NY-Estados Unidos, 12h10min para o fim Expurgo.
Selena's POV
—Que merda, Ariana, não vamos conseguir!-Vociferei jogada no chão, com receio de que as janelas não aguentassem. As outras garotas fizeram o mesmo.
Ela solta um grunhido enquanto joga o volante pra todos os lados, tentando desviar de tudo e todos com a intenção de nos machucar.
—Vamos abortar missão, não vai ter jeito!-Ela diz enquanto, pelo que parece, um dos pneus é furado, estamos perdidas.
—Jenn vai nos matar se...-E então, com um solavanco, a van para e os gritos triunfantes dos assassinos começam a se aproximar, misturado ao choro baixo das outras garotas.
—Que se dane, Jennifer. Já riscamos um nome da lista, é impossível riscar os outros sem passar por este bairro e...-Ariana começou, frustrada-E nosso transporte já era. Pegue uma granada embaixo do banco, Selena.
—O quê? Armas dessa classe não...
—Você acha que alguém vai checar se vamos usar armas dessa classe ou não?-Ariana me interrompe enquanto coloca as facas na cintura.
Eu assinto, e pego a mochila com as granadas cor-de-rosa, ouço o barulho de uma das portas se fechando e Ariana correndo pra abrir a porta maior.
Entrego as pistolas a Miley que vai passando de uma pra uma até que todas tenham uma arma em mãos.
Então, ouço o som de Ariana atirando pra direita, e o baque surdo de um corpo no asfalto. Instantes depois eles chegaram, atirando na parte traseira da van enquanto o outro grupo atirava pela frente.
As garotas começaram a correr enquanto eu e Ariana atirávamos pra trás. Com motocicletas, alguém aparece tentando me acertar, aponto a arma pras rodas e com um solavanco, a pessoa é atirada metros a frente.
Mais motocicletas chegam, Ariana olha pra mim com o desespero nos olhos, ela atira pra trás mas não acerta ninguém. Eles continuam a atirar, então, ouço um grito ao meu lado e vejo uma das nossas no chão, com a cabeça aberta por uma bala. Era Leigh-Anne, e as outras, em choque, param para levantar a companheira mesmo sabendo ser em vão e de repente, isso passa ser a pior coisa que eu esteja testemunhando na minha vida: As quatro amigas tentando levantar uma única. De repente são três, de repente são duas. Um massacre que eu não poderia deixar que mais homens se safassem de coisas como essa.
Corro na dieção contrária, a direção pra onde atiravam, Ariana grita meu nome mas eu ignoro atiro pra moto que, quase zombando de nós, diminiu a velociadade enquanto atira nas garotas que sobraram, atiro na cabeça do motociclista e a moto segue sozinha, até bater em alguma coisa e se despedaçar.
—VAMOS EMBORA!-Grito pra Jade e Miley, as sobreviventes. Elas correm atrás de mim enquanto tentamos alcançar Ariana.
Instantes depois, estamos pulando a cerca de madeira de uma casa de subúrbio. Fico me perguntando: Se nossa intenção fosse atacar a casa, como os moradores se protegeriam só com uma cerca de madeira enquanto nos condomínios eles têm barricadas de metal?
Nós passamos pelo quintal e esbarramos com uma árvore, pulamos outra cerca e passamos pra outra casa, até que Ariana parou na lateral de uma, ao lado de uma mangueira de jardim, e ficou de joelhos, procurando o walkie-talkie na mochila.
—É o seguinte...-Ela começa, ofegante.-Vou comunicar ao grupo A que iremos nos juntar a eles, não conseguiremos sozinhas...Outra coisa, elas têm metralhadoras.-Ariana sorri, apesar da situação terrível que nos encontramos.
—Como?-Eu pergunto, ouvindo o barulho dos tiros e as motos se aproximando pelas outras ruas.
—Isso eu ainda não faço ideia...-Ela diz. Suspiro.
—Não tínhamos trazido granadas?-Miley relembra, se apoiando nos joelhos.
—Isso!-Então, uma flâmula se acendeu dentro de mim.-Ari, diga pras outras virem nos buscar e quando vierem, nós jogamos a granada hello kitty neles!
—Certo, mas isso vai ter que ser incrívelmente rápido.-Ela diz, se levantando.
Nós andamos até a parte de trás da casa e esperamos que Ariana se comunicasse com as outras. Ela aperta os botões e fala, quase que imediatamente, a voz de Vanessa é ouvida entre ruídos.
—Vocês estão em qual dos nomes?-Ariana pergunta.
—Acabamos de sair do terceiro desgraçado, por que? Vocês estão com algum problema?
—Muitos. Acabaram com a nossa van, mataram umas das nossas e estão nos perseguindo...Podem nos salvar?
—Merda, onde vocês estão?
—Alguma parte ferrada do Brooklyn, eu não sei!
—Vão pra Coney Island, pegaremos vocês lá, no parque de diversões, ok?
—Tudo bem.
—Ariana! Só mais uma coisa...
—Seja rápida, eles estão vindo.
—Não morram.
Ariana jogou o walkie-talkie na mochila e deu a volta ao redor da casa onde estamos nos escondendo, minutos depois, ela está de volta.
—Como vamos chegar lá sem sermos vistas?-Pergunto.
—Nós vamos ser vistas.-Ela responde.-E vamos correr, e muito, mas alguém vai ficar alguns metros pra trás e explodir as bolas deles!
—Posso fazer isso?-Miley disse, se voluntariando.
Eu e Ariana nos entreolhamos com um meio sorriso.
—Claro.-Respondi.
—Vamos nessa!-Ariana disse e começou a correr.
Corremos ao redor da casa, pulamos outra cerca e, de repente, estávamos expostas à noite mortífera novamente, corremos pra primeira esquina a direita e não demorou muito pra algum dos motoqueiros perceberem a movimentação e começarem a vir em nossa direção. Passamos por uma rua estreita, quase um beco, com algumas instalações comerciais e quando percebi, estávamos de um dos lados das duas avenidas para chegar ao parque de Coney Island. Deviamos estar correndo mas a visão do caos paralizou até mesmo Ariana.
Há pessoas estiradas no chão, mortas, ônibus em chamas e anarquistas dentro do parque, vandalizando tudo com bastões de metal e tacos de baseball e gente se matando no meio da rua.
—E agora?-Ouço Ariana sussurrar.
—Agora...Nós lutamos.-Respondi. Peguei minha arma na cintura e entreguei a mochila com as granadas pra Miley.
—Certo.-Ariana disse, sem tirar os olhos do caos.-No três nós corremos, tudo bem?
—Certo.-Eu e Miley respondemos em uníssono.
—Um...-Ariana começou a contar.-Dois...
—ESPERA!-Jade disse, pronta pra explodir em lágrimas.-Eu não vou conseguir, me deixem aqui pra morrer e encontrar Perrie, Leigh-Anne e Jesy, por favor!
—O quê?! Sem chances, Jade!-Ariana vociferou.-Você vem conosco!
—Eu não sou como vocês eu não vou conseguir!
—É claro que você é como nós!-Eu disse, frustrada porque começamos a ficar cercadas novamente.-Você já sobreviveu, Jade...Já sobreviveu a um homem e a pouco tempo atrás sobreviveu novamente. Você é uma de nós.
Estendi a mão pra Jade que já se desmanchava em lágrimas, trêmula ela assentiu com a cabeça e entrelaçamos nossos dedos fortemente.
—Três!-Ariana gritou e começou a correr.
No mesmo momento, eu e Jade corremos sem olhar pros lados, Ariana já estava contornando a calçada do parque e atirando em quem precisasse atirar, ouvi Miley dizer qualquer coisa mas não pude entender, olhei pra trás e os motoqueiros estavam vindo pelo outro lado com armas em mãos, entreguei uma das armas a Jade e a empurrei pra frente, para que continuasse correndo, atirei em um deles e não vejo se acertei ou não, corri pra calçada do parque desviando dos corpos no chão e dobrei outra esquina. Para minha felicidade, vi a van com uma hello kitty pixada na porta, no meio da rua esperando por nós, vi Ariana entrando, logo depois Jade e quando me dei conta, estava me acomodando no chão enquanto Vanessa, Ashley e as outras sorriam, aliviadas em nos ver. Mas obviamente, faltava Miley, que carregava o pequeno grande exército de motoqueiros desajeitadamente e trágicamente engraçada com a mochila nas mãos.
—CORRAM!-Miley grita-CORRAM!
—Ela vai jogar a granada, Ash, pisa no acelerador!-Ariana disse pra Ashley.
—O quê? Mas e ela?!
—Só faça isso! AGORA!-Ariana vociferou.
Ashley saiu a toda velocidade com a van, eu, Vanessa e Ariana nos exprememos entre as outras do grupo A e, no fim, todas acabaram conseguindo abrir a porta do porta malas da van a tempo de ver Miley a poucos metros de nós.
Ashley desacelerou e Miley pôde chegar mais perto, ela arrancou uma granada cor-de-rosa da mochila e jogou o resto na nossa direção, uma das garotas conseguiu alcançar o objeto com mais granadas.
Voltei a prestar atenção em Miley, os motoqueiros prontos para dar um tiro certeiro nela...Um não, vários, forcei meus olhos a olharem.
Miley puxou o pino. Todas prendemos a respiração.
—PAZ, FILHOS DA PUTA!-Ela gritou com um sorriso triunfante no rosto, segundos depois, ouvimos o som estrondoso da explosão.
E não sobrara motoqueiro algum ou coisa alguma naquele lado do parque para contar história.
Segundos depois, Miley pulou pra dentro da van, ofegante, nós a aplaudimos e rimos da situação.
Depois de termos nos acomodado novamente, pergunto:
—Certo, agora que somos um grupo só, vamos acabar com os nomes das duas listas ou o só com os dois que restam na sua?
Vanessa se virou no banco do passageiro e olhou pra trás com um sorriso.
—Acha que vamos ter tempo?
—Eu acho.
—Achei que não gostasse dessa coisa de Expurgo, Selena.-Ash disse do banco do motorista.
—Eu não gosto. É que muita mulheres já morreram por hoje.
—E muitas ainda irão morrer.-Ouvi tal frase de uma voz que eu não reconhecia.
Ouço um baque surdo, minha cabeça doi e de repente, tudo fica escuro.
Talvez este seja meu último pensamento antes de morrer. Já que é assim...Sabe a última coisa que penso antes de morrer?
Penso na minha melhor amiga, Demi. Ela irá sobreviver.

13.07.2025,NY-Estados Unidos, 09h57min para o fim Expurgo.
Camilla's POV
—AH CAMILLA, QUAL É A SUA, HEIM?-Jennifer vocifera pra mim.-SÓ FICA DE CARA FEIA DESDE A PRIMEIRA HORA E AINDA ATRAPALHA, POR FAVOR, QUER DAR O FORA DA MINHA FRENTE ANTES QUE EU TE MATE?!
—Jenn!-Demi se aproxima, sempre dando aquela de salvadora da pátria que eu até que admiro.-Não precisa fazer isso, cada um tem seu tempo, Camilla só ainda não achou o dela, recomponha-se!
Eu me encolho dentro da van, ao lado de Lauren que mantém uma conversa aleatória com as outras garotas...Quer dizer, mantinha, porque agora todos os olhos estão em mim e em Jennifer.
—Jenn, fique calma, ele está morto, é isso que importa!-Amanda diz.
—Eu poderia ter acertado perfeitamente o tiro se essa novata não tivesse caído em cima de mim!
—E daí, Jennifer?-Demi continuou.-Eu não fui lá e acabei com ele? Acabei! Agora vamos pro quarto nome, pelo amor de Deus!
Jenn suspirou, abriu a porta da van bruscamente e sentou-se no banco do passageiro, Amanda sentou-se no do motorista e Demi se acomodou no banco a minha frente, logo depois, bateu a porta.
—Vocês não vão comunicar aos outros grupos que estamos indo pro penúltimo nome?-Eu pergunto, tentando amenizar o clima tenso que Jennifer criou.
—Isso não é da sua...-Jennifer começou.- Não,Camilla, elas já comunicaram que tiveram que buscar as do grupo B e estão indo pro terceiro nome.
Dei de ombros.
A van começou a anda pro lado contrário do beco do qual acabamos de sair de mãos cheias. Além de matar um pedófilo procurado, nós achamos uma lista com fotos, nomes e endereços de crianças que provavelmente ele iria capturar, é mais do que a polícia de Nova York achou em meses.
Sinto algo sobre minha mão, saio de meus devaneios e olho pra Lauren, que deu dois apertos na minha mão e um sorriso com os olhos nos quais eu fico perdida.
—Tem que se soltar mais, sabia? Tudo isso é por uma boa.-Ela disse, ainda segurando minha mão.
—É, eu sei, no começo da noite já conversamos sobre isso, mas é que...
—Mas é que na verdade...-Lauren abaixou o tom de voz.-Você não entende o nosso lado e nunca entenderá porque você tem grana.
Engulo em seco. Como Lauren pode saber? E se as outras descobrirem eu estarei morta.
—Você devia estar na sua mansão, com seus pais perfeitos, um cachorro de raça e cercada por um sistema de segurança quase impenetrável.-Ela recomeçou.-O que uma garota como você faz no Expurgo, Camilla?
—Bem, eu...Eu sou feminista e eu quero ajudar vocês, isso já não é um bom motivo?
—Isso é um dos motivos, mas se lembre que o Expurgo é apoiado por gente como você pra eliminar gente como nós.-Ela desvencilhou a mão da minha e um frio se instalou na minha barriga.
Eu estou exposta, morta deve ser a palavra certa. Onde eu estava com a cabeça? Eu nunca vou ser como elas, eu nunca senti na pele pra estar aqui matando esses homens malvados mas eu sou mulher e devo me juntar a elas de qualquer jeito, certo? Eu as apoio e isso deve ser o suficiente.
Demi chuta meu pé de leve, olho pra ela que coloca o dedo indicador sobre a boca e faz um "shh". Então, eu entendo tudo. Ela ouvira a conversa e não contaria para Jennifer mas creio que pra isso eu tenha que me esforçar. Estou sobrevivendo ao Expurgo, fugindo da ira de Jennifer, indiretamente, mas estou sobrevivendo.
Esboço um sorriso pra ela. Demi não sorri de volta.
Minutos depois, estávamos em Chinatown, a China em Nova York. Paramos a van longe de qualquer ponto iluminado onde possa haver gente expurgando e saímos.
—Meninas...-Amanda começou.-Esse otário é ainda mais perigoso do que o anterior, ele sequestra meninas e trafica pro exterior, pra prostituição infantil e outros fins. Vai ser mais difícil acabar com a raça dele mas nós temos um plano: Já que nós já estamos vestidas desse jeito, uma de nós vai entrar, dizendo que quer ir pros outros países e vai passar pelos seguranças até chegar no chefe deles, Long Yin, e antes que ele coloque a mão nela, nós entraremos pelos fundos e causaremos um alvoroço, entenderam?
—Posso ser a que vai entrar primeiro?-Lauren pergunta, com uma animação assustadora.
—Não,Lau, quem vai é a Demi.-Amanda completou.
—Que?-Demi disse franzindo o cenho.
—Exatamente, tampinha.-Jennifer começou.-Você é menor do que todas nós, está com essa roupa toda fofinha e pigtails! Parece que você tem doze anos, é perfeita, e outra coisa, o cabelo rosa...Japoneses adoram isso.
—Eles são chineses!-Demi vociferou.-Camilla é do meu mesmo tamanho e Ally é menor ainda!
Amanda e Jennifer pareceram pensar por um segundo.
—Certo, é a vez das cinco.-Amanda recomeçou.-Camilla par e Ally ímpar, façam agora.
Aquilo só podia ser brincadeira. Me virei para Ally e nós duas sacudimos as mãos com punhos fechados ao mesmo tempo, levantei o indicador e Ally o indicador e o médio. Ímpar, ela ganhou, o que quer dizer que eu teria que ir.
Mas que ótima notícia.
Lauren começou a rir imediatamente, fechei a cara pra ela enquanto Amanda me entregava uma das facas da hello kitty pra colocar no sutiã, caso acontecesse alguma coisa de errado.
Enquanto Demi me explicava novamente o que eu deveria fazer e Jennifer me desejava boa sorte, nós chegamos a um dos becos que davam para o fundo de um prédio com um desenho de dragão chinês, provavelmente um restaurante, só havia uma janela aberta e com as luzes acesas.
—Não se esqueça, garotinha rica, é hora de provar o seu valor.-Demi sussurrou no meu ouvido antes de eu ir pra porta principal.
—Como eu esqueceria se você me lembra a cada dois segundos?
—É só porque eu não quero que você morra. Agora vá!
Saí andando pra grande porta vermelha enquanto o resto do grupo esperava na porta dos fundos, no beco.
Parei antes de bater e respirei fundo. Como eu tinha ido parar logo ali?
Ajeitei os cabelos com as mãos e preparei minha melhor interpretação, bati duas vezes na porta e, não tardou muito, um homem gigantesco de olhos puxados, katana em mãos e roupa inteiramente preta apareceu.
Ele pareceu surpreso em ver uma garota como eu no meio de Chinatown, a noite, no expurgo.
Ele abaixou a katana e eu mordi o lábio, pronta pra me fingir de assustada.
—Ah! Senhor, que bom que apareceu, você fala minha língua certo?
Ele não respondeu,não tirava os olhos de mim.
—Eu preciso falar com o senhor Yin! Por favor, estou com medo de ficar aqui fora e...E eu fiquei sabendo de umas coisas sobre ele e me interessei...Eu posso entrar?
Num movimento rápido, o homem me puxou pelo braço e me colocou dentro do lugar, todo iluminado por luzes vermelhas. Ao longe, eu podia ouvir risadas altas e palavras incompreendíveis em chinês.
O que uma garota de vestido iria fazer no meio de criminosos às 22:00h da noite? Boa pergunta essa que eu fiz pra mim mesma, só pra ficar mais amedrontada.
Segui o homem por um lance de escadas que parecia não ter fim, ele parou em meio a uma única porta no corredor também iluminado de vermelho e abriu, fazendo continência para um outro que estava lá dentro, sentado numa cadeira de costas.
Ele pronunciou algo que não pude entender e o outro fez um sinal com as mãos, o homem me empurrou pra dentro da sala e fechou a porta.
O mais estranho, é que ele nem quis me revistar. Bem...É o expurgo, eu poderia vir com a intenção de matá-lo e...Sim eu vim com essa intenção, mas isso só pode querer dizer que a qualquer movimento que eu faça o grandalhão pode derrubar essa porta e cortar minha cabeça com aquela katana como se corta uma maçã.
O tal Long Yin se virou na cadeira, é um homem magro e alto, olhos cintilantes combinando com as jóias no pescoço e um blazer sobre o corpo que deixava transparecer as inúmeras tatuagens.
—Olá, docinho. No que eu posso te ajudar?
Espera, nessa parte elas nunca me disseram que chegaria.
—Bom, eu...Eu disse pra minha mãe que eu iria expurgar mas na verdade, eu queria era falar com o senhor, fiquei sabendo que você manda as garotas pro exterior e elas ficam bem famosas!-Soltei um sorriso de orelha a orelha e entrelacei as mãos.-Eu ficaria muito feliz se fizesse isso por mim!
Ele parou por um minuto, pensativo.
—Seria uma honra te juntar com minhas outras garotas na Turquia, Amsterdã, Dubai...Mas, pena que eu já pude ver essa faca entre seus seios.
Olhei rapidamente pra baixo, pra faca da Hello kitty que deve ter mudado de posição enquanto eu andava.
—Merda.-Disse pra ninguém em especial.
Long tirou uma arma brilhante e dourada da gaveta, andei pra trás, tentando abrir a porta mas foi em vão. O gigante havia trancado e eu não tenho como me proteger. Corri pela sala minúscula, patéticamente, tentando achar uma saída mas tudo que havia eram sofás e pacotes espalhados.
Voltei ao ponto inicial e Long já apontava arma pra mim, quando a porta ao meu lado desabou e através dela, pude ver Lauren e Demi com sub-metralhadoras cor-de-rosa nas mãos.
Long soltou um grunhido e aitrou, pulei a porta e corri pra fora onde havia outro alvoroço. Jennifer e as outras três lutando contra o gigante e o resto dos homens enquanto Amanda passou a ajudar alguém no chão. Me virei rapidamente para ver quem era e meu coração se apertou ao ver Lauren apertando a coxa com uma das mãos, o sangue se espalhando.
Corri até ela que riu ao me ver.
—Olha...Você nem morreu, deve estar pegando o jeito, ai!-Ela voltou a atenção pro próprio ferimento.
—Que merda, Lauren! Olha só pra você!-Vociferei,pegando a sub-metralhadora do chão e indo ajudar Demi.
Talvez eu esteja entendendo, só porque ele machucou alguém quase importante pra mim. Isso é um motivo.
Voltei pra sala de Long e empurrei Demi pro lado, antes que o tiro dourado dele a acertasse, me abaixei.
Atirar em Lauren foi um motivo, quem ele pensa que é?
Me joguei pra perto da cadeira giratória.
É um motivo.
—NÃO, CAMILLA, NÃO!-Ouvi Demi gritar do outro lado da sala.
Eu atirei em Long e ele atirou em mim, imediatamente vi o rosto dele perfurado, mas logo depois, me vi caída no chão e então, entendo tudo.
Instantes depois, vejo Demi com certo desespero nos olhos me arrastando pro sofá, ela grita o nome das outras mas eu não consigo ouvir.
Logo, todas elas chegam, com sangue respingado nas mãos e nos rostos lindos, olho pro lado e vejo Lauren com lágrimas nas bochechas. Os olhos verde musgo se pareciam com o oceano, ouso dizer que até mais brilhantes.
Jennifer segura minha mão e então minha audição volta. O que estava acontecendo? Eu sinto tanto sono.
—Você conseguiu, sua inútil! Você matou ele! Agora, não morra!-Ela dizia. Tentei esboçar um sorriso.-Já se foram Ally e Dinah, não vá também, por favor! Me perdoe por ter gritado e...E...-Jennifer começava a chorar no ombro de Demi, Amanda fazia o mesmo. Nunca achei que as líderes chorariam na nossa frente.
—E-eu sou...-Eu tento dizer.-Sou uma de vocês agora, não é...?
—Você...-Demi tentava segurar as lágrimas mas era em vão.- Sempre foi e sempre será!
Eu sorri.
E até que não é tão bom ter os olhos de Lauren como última visão. Não, não é bom, é maravilhoso.


13.07.2025,NY-Estados Unidos, 09h00min para o fim Expurgo.
Amanda's POV
Eu acho que depois do que acabou de acontecer em Chinatown,nós mudamos, todas nós. Perder Dinah e Ally foi uma coisa tão cruel do destino e Camilla...Bem, talvez toda essa tristeza que nos nasce por dentro seja de remorso, por termos exigido tanto dela.
Na verdade, nós devemos ser unidas independente de nossos motivos pra estar ali ou independente de onde nós viemos. No final do dia, somos todas iguais. Todas mulheres lutando por uma mesma causa.
Depois de eu ter pixado uma Hello Kitty na parede do predio chinês de onde saímos, só para deixar uma marca, nós juntamos os corpos das três e colocamos uma ao lado da outra, embaixo do desenho da Kitty. As pessoas vão saber, o quanto nós guerreamos por este movimento.
Ouço um barulho vindo do walkie-talkie, pego-o na mochila, dentro da van e aperto um dos botões.
—Digam.-Eu falo, com pouco entusiasmo.
—AMANDA!-Ouço a voz de Ariana, faço uma careta pelo grito que ela deu.-AMANDA, NÓS PRECISAMOS DE AJUDA, PELO AMOR DE...—O ruído do walkie-talkie.-POR FAVOR!
—O QUE?! ESPERA ARIANA, EXPLICA DIREITO, O QUE HOUVE?-Eu digo, já olhando pra Jenn, Demi, Lauren e Normani.
AS GAROTAS DO GRUPO A ENLOUQUECERAM!—Pude ouvir tiros do outro lado.-SE REVOLTARAM CONTRA NÓS, EU NÃO SEI! ESTÃO TENTANDO ACABAR CONOSCO, EU, WANESSA, JADE, ASHLEY,SELENA E MILEY ESTAMOS ATRÁS DE UM CARRO, NÃO SEI POR QUANTO...-Os tiros de novo.-PERTO DE CONEY ISLAND, VENHAM, POR FA...—E então a ligação foi cortada.
Olhei pra Jenn e então, com uma guinada, nós fomos na direção oposta, salvar o resto das amigas que ainda tínhamos chance.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.