Expressões E Sentimentos
1 Expressões e Sentimentos
Notas iniciais
Belphegor estava cansado, caminhava em direção ao seu quarto com o intuito de dormir até não poder mais, havia acabado de voltar de uma missão que tinha sido fácil até, mas não era a missão a causa de seu cansaço, ter ido à missão com o sapo era o motivo, o príncipe estava cansado de não conseguir uma reação do rapaz de cabelo verde, não importava quantas vezes Bel enfiasse uma, ou varias, faca no kohai, era sempre a mesma cara, com o mesmo tom de voz indiferente que levavam os nervos do loiro a loucura, porque o sapo não podia ser como qualquer pessoa normal e mostrar uma expressão facial? Foi com um suspiro que Bel entrou no banheiro, depois do banho vestiu uma calça larga e confortável e se deitou na cama, ele queria tirar uma reação do sapo, e ele iria, porque o que o príncipe quer, o príncipe tem, nem que apelasse para seus impulsos mais profundos, aqueles que queriam fazer algo com Fran alem de esfaqueá-lo.
No quarto de Fran a situação era diferente, o rapaz de cabelo verde retirava o chapéu de sapo e sentava na cama com o estranho objeto no colo, Fran não entendia porque seu senpai o mandou usar aquele chapéu que só servia de alvo para facas, mas entendia menos ainda o fato de continuar a usá-lo, mesmo que o odiasse, sempre atrapalhava quando ele queria fazer uma pose legal, sua face permanecia inalterada mesmo quando estava só, mas seus sentimentos, ao contrario do que pensam, estavam um turbilhão, o rapaz desconfiava o motivo, ele desconfiava que talvez tivesse um pequeno interesse em seu senpai, algo mínimo, quase inexistente... Certo, talvez não tão pequeno assim, levantou-se e colocou o chapéu na móvel ao lado, depois de um demorado banho o rapaz viu que já era tarde da noite, vestiu um conjunto de moletom confortável e foi, na ponta do pé, ao quarto do parceiro, as dobradiças estavam bem lubrificadas, porque o próprio Fran havia colocado óleo nelas há alguns dias quando Bel fora sozinho a uma missão, sem fazer barulho o rapaz se aproximou da cama, o loiro já estava em um sono profundo e Fran sabia disso, olhou para aquela face, que sempre era carregada de sarcasmo, tranquila, até calma, coisa que o loiro nunca era quando estava acordado, Fran adorava quando Bel estava dormindo, era o único momento que ele podia baixar a guarda perto dele, e também o único que ele podia apreciar o belo rosto do príncipe, mesmo que seu maior interesse, os olhos de Bel, ainda estivesse inacessível a ele, o menor adorava fazer suposições sobre a cor dos olhos do outro, será que eles seriam azuis como o céu? Ou talvez verdes como a grama, poderiam até ser vermelho como o sangue que Bel tanto adorava ver. Olhando para o relógio na cabeceira da cama de Bel percebeu que já era muito tarde, se não fosse dormir logo, o loiro iria acordá-lo a base de facadas, se levantou, e quando estava saindo Fran cometeu um erro mortal, sem perceber ele tropeçou nas roupas que Bel tinha tirado quando ia para o banheiro e jogara de qualquer jeito no chão, ao tropeçar Fran procurou algo para se apoiar e não cair, e o guarda-roupa era a coisa mais perto, não teria problema se o móvel não fosse de madeira, que fez um barulho considerável no silencioso quarto, Fran prendeu a respiração ao ouvir um movimento atrás de si, mais precisamente na cama atrás de si.
– Froggy? O que esta fazendo aqui?
Fran respirou fundo antes de se virar, quando o fez com a intenção de inventar uma desculpa qualquer ele simplesmente não conseguiu falar, Bel segurava uma faca, mas tinha abaixado a mão ao reconhecer o kohai, mas não era isso que havia tirado as palavras de Fran, e sim o fato de que agora ele via que o loiro dormia sem camisa, o peitoral definido estava à mostra e os olhos de Fran já haviam se acostumado ao escuro o suficiente para que ele pudesse apreciar a vista sem ser notado.
– Froggy?
Bel se levantou e andou até o invasor de quartos alheios, meio sonolento e deixando a faca na cabeceira, Fran não pode deixar de relaxar um pouco ao perceber isso.
– Eu... Sinto muito senpai, é melhor eu voltar para o meu quarto.
Apesar de ter falado Fran não se mexeu, Bel já o alcançara, e Fran ficara encurralado, atrás de si estava o guarda-roupa gigante de Bel e na sua frente o próprio Bel, agora um pouco mais desperto.
– Você só vai depois que me disser o que veio fazer no meu quarto, Froggy.
O menor deu um passo para trás ao ver as mãos do loiro subirem, mas essa não foi uma boa idéia, ele acabou encostando-se ao guarda-roupa e ficou completamente encurralado, aquela aproximação era perigosa, Fran sentia isso, e também sentia um desejo absurdo de tocar os lábios a sua frente, e foi então que ele percebeu, a franja que sempre cobria o belo rosto estava bagunçada e fora do lugar e Fran pode ver um orbe, azul, provavelmente azul bem claro, mas que estava escuro pela pouca luz do quarto, sem perceber o menor se aproximou do outro, procurando ver melhor, e em algum momento que nenhum dos dois saberia dizer com exatidão, os lábios se encontraram, as mãos do maior desencostaram do guarda-roupa e foram para a cintura delgada do seu sapo, e o menor passou os braços ao redor do pescoço do outro, e quando se soltaram Bel não pode deixar de sorrir com o que viu.
– Sabe Froggy, é melhor que você não mostre suas expressões, outros iriam acabar se apaixonando por você e daria muito trabalho matar todos eles.
– Como assim, Bel-senpai?
– Porque o meu Froggy é muito fofo.
Fran sentiu suas bochechas ficarem quente e teve certeza que tinha corado quando viu o sorriso de Bel aumentar.
– Se eu soubesse que te beijar era tão bom e ainda faria você corar eu teria feito antes.
O menor escondeu o rosto na curva do pescoço do outro, que deu sua habitual risada chiada.
– Agora, pode me dizer o que veio fazer aqui?
– Eu... Vim ver o senpai dormir.
Bel afrouxou o abraço para olhar Fran que olhava o chão como se fosse a coisa mais interessante do mundo, ele estava muito corado e Bel não pode evitar corar também.
– Bom... Já que você esta aqui, então vamos dormir.
– Eh?
Fran nem teve tempo para questionar e Bel o puxou para a cama de casal, deitados lado a lado.
– Tem certeza que eu posso dormir aqui, senpai?
– Shishishi, eu sou o príncipe, é claro que tenho certeza. Agora fique quieto, eu estou com sono.
– Mas senpai...
– Se não calar a boca eu irei calá-lo.
– E como você vai...
O rapaz não teve tempo para concluir a frase, o loiro interrompeu roubando-lhe os lábios e a atenção.
– Você é meu Froggy, só meu, o príncipe é extremamente possessivo, entendeu?
– Acho que posso lidar com isso.
Sorrindo um para o outro eles adormeceram, quem se importava com expressões? Eles não precisavam de expressões, só sentir já era o suficiente.
Fale com o autor