Expressão

1 Expressão


\"\"

Expressão

Pisoteie descompassado, num rítmo acelerado tua dor.
Esta que alma bandida dilacera sem piedade sua infinita alegria
Coma e empurre goela adentro o sabor forte desse desgosto
Como num pássaro preso viaje pelos confins dos teus medos
Grite! Ainda não é o bastante!
Que grite! Pouco a mim ou a eles importa
Tu não passas agora de mosca morta
Morta a praguejar sobre o cadáver de tua alma
Pisoteie descompassado num pé de rendado toda a fantasia
Fantasia ridícula esta a tua vida que se definha em cada verso ou linha
Seja tu criança ou menina, definha
Que mastigue a carne ensangüentada apodrecida de todos os teus dias!
Mastiga e sugue esse pudor que lhe falta, lambida e ensandecida essa fragilidade crua e nua.
Este é o meu sangue e meu mel, teu sabor veneno e fel
Tua lágrima é vida, desgraça e harmonia
Palavra que se perde além das rotas da tirania
Ternurinha que se agita numa mão menina
Acenando o adeus que se esvai pelos poros da mocidade perdida
Ah... Ah que mil sonhos dava eu por mais um dia
Que teu canto pássaro de tamanho torto ostentava poesia
Poesia esta que se perdia nas tardes tão tardias dessa minha vida?
Não!
Não grite que não sou surda...
Só uma mulher...
Uma louca envaidecida pela própria dramaturgia
Que se é a vida senão...
Adrenalina?
Ou seria...
Rebeldia?
Pisoteie descompassado o teu amor que se cai nessa poça de lama cinza
Que nos naufrágios se percam todas suas vilanias
Vilania, crueldade, amor, pureza
Vai-te embora pândega
Numa outrora descansa
Vai-te embora... Minha vida desalinhada, descompassada do rítmo urbano.
Coração que se despedaça, arrebata o pranto
Que medo que nada! Coragem em quebranto!
Numa rede se enleia os teus sonhos mais amenos...
Nos teus corpos os néctares da vida e da morte; Brindemos!
Não me olhe assim tão torto que eu não gosto
Sou só artista na rua, desalinhando os pensamentos das matriarcais do estado.
Que como posso vinde a mim todo esse troço
Que na maioridade da mocidade se pede todo o ato.
No meu desejo, escândalo de pudor e medo do invólucro da noite.
Ah que beleza que se esvai...
Na vida, na Morte somos puros
Como no rítmo da dor de um açoite...
Ah que já nos perdemos nessa quietude...
Venha... Cá fique ao lado meu
Pois nesse momento seremos Julieta e Prometeu
Pois que senão esta cá agora frente a ti nesse espelho sou eu
Muito prazer... Eu me chamo Luciene

Luciene – Luna
2005 — Atualidades

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!