Explosions
1 Capítulo Único
John olhava a lápide naquele final de tarde. Nela, apenas um nome: Sherlock Holmes, nada mais.
Para ele era um insulto que após tudo, só tivesse o nome, nada mais.
E as lembranças? E todos os casos que ele tinha resolvido? E todas suas aspirações? Sua inteligência? Seu gosto por tocar violino e sua falta de paciência para conhecer coisas irrelevantes como o sistema solar?
A verdade é que Sherlock Holmes começava a desaparecer e ninguém parecia notar. Isso era o que mais o desesperava.
Além de vídeos de aparições públicas, e algumas pouquíssimas fotos em jornais, ele começava a se esquecer dos detalhes.
Bem, fazia três anos. Mas o sofrimento era ainda o mesmo.
Ao fechar seus olhos por um segundo ele se lembrou dos olhos muito azuis e da pele branca. Aquilo o fazia lembrar, mas o machucava demais também.
Deixou um buquê de flores como de costume e voltou para casa.
Muitas coisas haviam mudado. Não tinha mais contato com Molly ou Mycroft.
Às vezes tomava café com Lestrade e a Sra. Hudson mudou para a casa de alguns familiares em uma pequena cidade aos arredores, depois que ele se mudara do apartamento 221B na Rua Baker.
Agora John morava em um pequeno loft no centro. Era o que precisava e o que podia pagar. Fazia alguns trabalhos ainda para Lestrade, dando suporte como médico, mas nunca resolvendo casos. Não conseguia mais.
Depois de enfrentar o frio gelado da noite, ao chegar em seu apartamento, foi até a cozinha e ligou o fogo para esquentar a água para o chá.
Sua perna doía e mesmo ainda passando por sua psiquiatra e sabendo que esta dor era de origem psicológica, era cada vez mais difícil distinguir o que era real e o que não era.
Sentindo se exausto, ele se deitou no sofá e acabou cochilando. Não tinha mais sonhos, apenas confusas cenas misturadas, além dos pesadelos.
Agora ele estava em uma rua cinzenta. Fria. Ouviu uma voz dizer:
“...esse telefonema é a minha carta. As pessoas fazem isso, não fazem? Deixam cartas...adeus, John”.
Despertou em um sobressalto, com o apito da chaleira.
Normalmente ele era forte, mas percebeu que havia lágrimas em seus olhos e um soluço preso em sua garganta.
Tudo lembrava Sherlock Holmes. Absolutamente tudo.
O mundo inteiro agora era uma prova de que um dia ele realmente havia existido, e John o havia perdido para sempre*.
Ele nem tivera a chance de poder reconhecer, poder aceitar, poder dizer para si próprio o quanto estava apaixonado.
Bem, fazia três anos. Mas o sofrimento era ainda o mesmo.
Suspirou antes de se levantar e ir até a cozinha preparar um lanche. Neste momento sua campainha tocou.
Mesmo estranhando, já que era tarde e nunca recebia ninguém ali, caminhou e abriu a porta acreditando ser algum vizinho ou algo parecido.
Mas não era. Ao olhar para sua frente, seu coração parou por alguns instantes. Seus mais profundos desejos haviam o enlouquecido, pois Sherlock Holmes estava ali, encarando-o muito sério.
Ainda estaria sonhando? Provavelmente sim, tal cena acontecia com muita frequência.
– John...- Sherlock disse abraçando muito forte, comprovando que tudo inclusive ele era sim, muito real.
– Oh, meu Deus. Meu Deus. Sherlock...Sherlock – respondeu correspondendo o abraço, segurando seu rosto, observando seu rosto corado pelo vento frio – V-você...você está vivo! Meu Deus...vivo, como?
Sherlock começou a chorar silenciosamente e John não conseguiu aguentar suas lágrimas também.
Sua mente o bombardeava com pensamentos, questionamentos, dúvidas, receios.
– É uma longa história, John. – Sherlock sorriu entre lágrimas.
– É...ela durou três anos. Mas você voltou...voltou para mim. Eu sempre acreditei em você, meu coração sempre soube que você voltaria de alguma maneira.
Sherlock sorriu daquela maneira que só fazia quando estava com John.
O médico então passou os dedos por seu rosto, enxugando a lágrima que escorria, passando a mão por aqueles cabelos que pareciam não ter mudado nada.
– Você é um fantasma? Você veio me levar com você, certo? – brincou fazendo o ex detetive rir.
– Um fantasma, John? Sua imaginação ganhou dimensões absurdas enquanto estive fora, uh?
Os dois então se olharam e John teve a certeza que não podia mais evitar. Se fosse sonho, loucura, ainda sim...ele precisava daquilo, fosse qual fosse a consequência.
Ele segurou firme no pescoço de Sherlock e colou seus lábios de maneira necessitada. Para sua surpresa, o moreno permitiu, abraçando-o ainda mais, inclinando levemente sua cabeça para que sua língua o tomasse.
Aqueles lábios. Exatamente do jeito que ele havia sonhado, imaginado: macios, doces, quentes.
Puxando Sherlock para dentro do apartamento e fechando a porta com tudo com um pontapé, John o empurrou contra a mesa, beijando seu pescoço enquanto ambos ainda tentavam acreditar em tudo o que estava acontecendo.
– John...- Sherlock disse após se separarem para tomar fôlego.
– Eu sou louco por você.
John viu naqueles olhos que o encaravam um misto de tristeza, de dúvidas, de anseio e de medo. Ele continuou:
– Eu senti tanto a sua falta. Quando você...quando você...eu morri junto, Sherlock. Eu não acredito que você está aqui perto de mim...
– Eu nunca estive longe. Acredite. Em todo esse tempo eu estive com você...lembra do seu aniversário do ano passado, quando te entregaram um bolo que você acreditou ter sido engano?
– Foi você? – John perguntou, enquanto se lembrava do ocorrido.
– Sim, fui eu. Mesmo ainda não dando importância para aniversários, eu percebi o quanto você precisava de mim ao seu lado...da mesma forma que eu precisava de você. John, eu sinto muito...por tudo. Pelo o que eu fiz você, vocês todos passarem. Era preciso...eu tinha que fazer isso. Na verdade eu não poderia voltar, para todos os efeitos, Sherlock Holmes morreu. Mas eu não podia ficar mais longe de você. Eu não conseguiria mais um dia.
Eles se encararam por mais um tempo. Sim, tinham muito o que conversar. Muito.
Mas neste momento só conseguiam pensar na necessidade que tinham um do outro. A distancia e o tempo fizeram com que eles reconhecessem isso.
– Agora dará tudo certo. Temos um ao outro, exatamente como antes... –John disse puxando Sherlock e beijando-o novamente de maneira carinhosa.
– Sim. Eu voltei e nunca mais vou embora. – Sherlock sorriu.
– Eu vou fazer chá. Você aceita, certo? – John perguntou indo em direção da cozinha enquanto o moreno sentava-se no sofá.
– Sim. Você ainda se lembra?
– Claro, com duas pedras de açúcar e o mais quente possível.
– Exatamente.
– Como você quiser, do jeito que você quiser.
Os dois sorriram um para o outro e Sherlock então respondeu:
– Oh, certo. Me lembrarei disso, John. Quando for realmente necessário.
Notas finais
Espero que tenham gostado!
Um beijinho!*_*
Fale com o autor