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1 Capítulo Único — Irmandade


Não se sentia seguro ao saber que aquela "irmandade" tinha conhecimento dele saber sobre os mesmos, mas não conseguiu ver o maldito daquela forma, esfolado e com a face roxa, feridas e a respiração fraca, quase morrendo diante dele, sumindo da existência.

Ele foi criado de uma forma para odiar não só os rivais da sua família como também desconfiar dos aliados, que ninguém era melhor do que a família de'Pazzi, que serem aliados até mesmo do próprio papado era motivo para serem superiores em toda Veneza. Mas Vieri começou a abrir a própria mente quando se envolveu com o Auditore mais velho, da família que seu pai mais odiava e queria a total destruição, mas ele... Ele queria apenas passar as tardes com provocações e conversar interessantes, mas que ele nunca admitiria.

Nunca admitiria que nutria algo maior do que a raiva que seus familiares plantaram em sua cabeça, que nutria algo fútil e sem ambições por trás... Nutria amor, o mais puro e meloso sentimento, algo que não deveria ser digno de Vieri D'Pazzi.

Ele ágil nas sombras e conseguiu o resgatar, tentou fazer o mesmo com os outros dois, com o mais novo e caçula Auditore, mas os guardas que faziam escolta dos prisioneiros não perguntariam primeiro quem ele era e sim, o atingiriam com uma flecha no ombro para então reconhecer que era um D’Pazzi. Por um erro, poderia ser entregue a sua família, pior, não ajudaria ninguém sendo impulsivo.

Todos entraram em pânico quando viram que faltava um Auditore para a condenação, mas mal sabiam eles que o suposto “rival” de um o tinha salvado.

— Vieri D’Pazzi?

A dona do bordel o encarava, séria e como alguém intimidador, como um homem.

Mas uma mulher, com poder.

Roupas vermelhas e olhar escuro iluminado a luz da vela que ambientava o quarto, se separando da cama da qual abrigava Federico Auditore e deixando com que as outras mulheres cuidavam do ferido, do homem que uma vez jurou odiar em um momento de cegueira e rancor, mas que no momento, estava cego por amor, se arriscando.

— Não se preocupe, seu segredo está seguro aqui — Sussurrou para o mesmo, tentando tocar o ombro do mesmo, mas se afastando do toque.

— Não existe segredo algum... — Rebateu, quase parecia rosnar, uma agonia parecia explodir de dentro para fora, de dentro dele para aquele quarto vermelho e apertado, cheio de pessoas de peles expostas e carne corada do verão veneziano.

— Então por que não fica? — A mesma voltou a perguntar — O irmão dele gostaria de saber o que fez, até mesmo Federi—.

— Ele não pode saber... Não pode saber que fui eu que o trouxe — A interrompeu, engolindo a saliva que não tinha, o nervoso o deixava tremulo por se colocar em risco, colocar o outro ali em risco, mais do que já estava — Não deve contar a ele...

— Mas ele vai querer saber em como sobreviveu quando o pai e o irmão mais novo morreram na forca.

— Ele não deve saber, senão... Serei morto pela irmandade que a família dele segue — E em um sussurro, novamente a mão da mulher o tocou.

Tentava o consolar, trazer conforto de uma palavra não dita para a figura de alguém que não deveria mostrar medo, ele que deveria ter o poder ali.

Mas então... Ela fez uma proposta de paz da qual não haveriam mortes, não colocaria o “segredo” dele para toda Veneza, uma maneira de sempre ver Federico a luz de velas e na proteção daqueles que o deixariam em segurança, o fariam ter a força e a nobreza de lutar pelo que seria certo.

Não aguentaria olhar nos olhos do homem diante do que fez... Por isso, aceitou atuar como aquela “irmandade”, atuar nas sombras para sempre vê-lo, ver que ainda estava respirando.

Aceitar alguém da qual foi treinado e ensinado para odiar.

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