Execute-o

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Espero que gostem.

O cheiro doce era tentador, atraindo a sombra da noite, atraindo o mal. O ser de cabelos negros e sedosos corria rápido pelos telhados, seus passos um sussurro ao vento, seus olhos vermelhos brilhantes apenas duas esferas na noite. Sua mente estava perdida em ilusões, estava faminto a dias, os animais já não o satisfaziam mais, ele precisava se alimentar daquilo que os tornava demônios, da razão de seu sofrimento e dor. E aquele cheiro era tão doce, inebriante, ilusório, um veneno em forma de rosa carmesim.

Quando viu sua presa sentiu sua boca encher de água, um morador de rua, envolto em grossas mantas velhas para escapar do frio da noite sem estrelas e do gramado do parque onde dormia. Ele se aproximou em silencio, a respiração pesada, os olhos vermelhos cada vez mais vivos e o cheiro doce o levando a loucura. Ele ouvia o coração da vitima bater fraco, condizente com o sono pesado, as veias pulsarem com o sangue. Ele se aproximou devagar, seria tudo muito rápido. O morador de rua se mexeu um pouco deixando o pescoço amostra, “grande erro” pensou o moreno.

Foi rápido. As presas grandes, pontiagudas e brancas como a lua morderam o pescoço alheio; e um grito de dor cortou a noite. Mas o dono do grito não era da vitima e sim do ser noturno que se afastou da presa com a garganta em chamas e os músculos adormecidos. O ser sempre considerado um demônio tinha uma expressão de pânico, o cheiro doce agora transparecia terror e medo. Um cheiro angustiante que o fazia querer correr para longe dali, mas seu corpo não se movia. A expressão de terror se tornou ainda mais viva quando olhou de volta para o pescoço da vitima, os ferimentos causados pelas suas presas pegaram fogo e desapareceram, curando a vitima em questão de segundos. Nem mesmo uma cicatriz havia ficado.

A vítima se levantou, as mantas grossas caíram no chão exibindo um corpo jovem. Devia ter no máximo uns dezessete anos, os cabelos negros chamavam a atenção pelas finas mechas vermelho-bordô e os olhos pelo tom alaranjado que tinham uma expressão especialmente sonolenta e calma agora. E as mantas pareciam especialmente desnecessárias agora, ele não vestia nada além de uma espécie de short marrom com três cintos de contas amarradas a cintura e largas tornozeleiras e braceletes dourados com um rubi grande cravejado em cada bracelete.

–O que é você? – Indagou o aterrorizado dono dos olhos vermelhos, ou melhor, o popular Vampiro.

–Pobre ser. Nunca te disseram para nunca beber o sangue de um Executor? – Respondeu. A expressão no vampiro foi de incredulidade, ele sabia o que aquele nome significava: Morte, morte pra ele e para tudo que habita a noite. Dor e sofrimento para aquilo que não segue as regras. Era o fim, o fim dele.

–Você não tem provas contra mim. – Tentou gritar o vampiro, mas sua voz saiu quase que em sussurro.

–Você me mordeu. – Retrucou com calma.

–A lei diz... –Tentou argumentar, mas a falta de ar foi repentina, sua garganta ainda queimava.

–A lei diz que vampiros podem se alimentar sim de humanos, no entanto, a alimentação deve ocorrer de maneira que a vitima não sofra nenhum tipo de seqüela. – Um pequeno brilho passou pelo rubi do bracelete direito do Executor, e uma esfera de luz do tamanho de um grão de feijão surgiu na sua mão, afinando-se em uma longa linha reta, alargando-se para os lados e solidificando-se em uma adaga dourada. –E você meu amigo matou um humano há poucas semanas, tentou nos despistar alimentando-se de animais silvestres e hoje me atacou com suas presas. E você sabe muito bem deve se alimentar através de um corte pequeno, nunca usando as presas.

O Executor não esperou pela resposta, e nem mesmo se deu o trabalho de se aproximar do assassino que agora era vitima. Apenas lançou a adaga que com força perfurou o peito da criatura que se desfez em cinzas douradas como a arma que o matou. Sem demonstrar receio ele recolheu as surradas mantas e as levou consigo até encontrar outro e verdadeiro morador de rua dormindo, ao qual cobriu com calma. Suspirou entediado e passou percorrer o caminho de volta pelas ruas desertas da cidade do Rio de Janeiro.

Notas finais
Não deixem de comentar.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!