Excuses
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Eu quero te ligar
Já estou na frente da sua casa
Te levar para ver os fogos de artifício
E, então, te ensinar a tocar violão
Apenas desculpas, desculpas,
Apenas desculpas
Me desculpe
Encontrar uma desculpa para segurar sua mão
Excuses – NEX7/NEXT
Queria dizer que depois daquilo simplesmente desistiu, ou que finalmente tomou vergonha para dizer o que sentia, mas a verdade é que não conseguira nenhuma das duas coisas.
No dia seguinte tinha mandado mensagem para Moonbin logo pela manhã, evitando o assunto do encontro e perguntando se eles poderiam ver o filme para comemorar o início das férias.
Ele tinha visto na noite anterior com o amigo que tinha os apresentado, mas não se importava de assistir de novo.
Passaram o dia juntos, andando no shopping e olhando as vitrines enquanto esperavam o horário para irem ao cinema. E depois foram a um restaurante e se divertiram pedindo opções diferentes para experimentar.
— Eu posso te pedir uma coisa? – os dois já haviam chegado à casa de Eunwoo e Moonbin estava esperando que a chuva, que começara a cair pouco antes, passasse para poder ir embora.
— Você sabe que pode me pedir qualquer coisa.
— É que eu peguei uma matéria interdisciplinar com o curso do MJ hyung, e eu acabei em um projeto. – ele disse aquilo com uma expressão de desalento. Eunwoo teve que se segurar para não brigar com ele, principalmente por não ter lhe dito nada. – Eu não ia falar nada, porque era só pra ter crédito a mais, você sabe como isso ajuda quando a gente termina o curso. Mas eu não achei que fosse tão complicado.
— Por que não pede ajuda pro hyung? – não que estivesse se negando, mas não conseguia entender onde ele poderia ajudar em uma matéria que nem era do seu curso.
— Porque ele é bravo quando ensina. – Moonbin reclamou. – E eu sei que você toca violão melhor do que ele. – Eunwoo se segurou para não sorrir largamente com o elogio.
— Você vai tocar violão? É uma banda? Um show?
— Não exatamente. Como a matéria tem gente de muito curso, eles fazem um tipo de Sarau onde cada um se apresenta com algo de um curso diferente do seu. Uma menina da aula de música vai dançar, e eu tenho que tocar e cantar qualquer música, mas não tenho ideia de como fazer isso. Eu até consigo cantar sem estragar tudo, mas tocar já é mais difícil. E é pra daqui duas semanas. – aquilo não era muito tempo, mas acreditou que poderiam tentar algo simples.
— Bom, não posso prometer que será a sua melhor apresentação. Mas é claro que eu posso te dar aulas, Binnie. – o sorriso cativante surgiu no rosto alheio, e Moonbin não se conteve em abraçá-lo também. – Mas com uma condição.
O abraço foi desfeito aos poucos, e ele o olhou com dúvida.
— Vai me levar para ver os fogos de artifício no Ano Novo Lunar. – recebeu uma expressão de alívio como resposta e riu com gosto.
Além de poder tocá-lo para ensinar violão, ainda poderia ver os fogos em um dos momentos que achava mais perfeitos do ano.
Eunwoo nem conseguia se lembrar que Moonbin tivera um encontro com outra pessoa no dia anterior.
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As aulas de violão começaram no dia seguinte e ocupavam boa parte da tarde e da noite dos dois. Moonbin era um aluno aplicado e aprendia rápido, mas Eunwoo não negava que demorava mais em determinadas partes da música que escolheram, afim de poder tocá-lo de forma irrestrita com a desculpa de estar posicionando suas mãos e dedos de maneira correta no violão.
Era uma tortura viciante para Eunwoo que, por mais de uma vez, se perguntou se não possuía algum traço masoquista em sua personalidade, para sentir prazer em ter tão pouco.
Infelizmente não eram todas as aulas que podia aproveitar. Os colegas de quarto de Moonbin sempre estavam por perto, querendo ver o quanto ele estava avançando naqueles poucos dias de ensaio, então precisava se controlar para não deixá-lo constrangido, mesmo que em algumas ocasiões fosse ele a pedir que lhe ajudasse com sua postura ou com algum acorde, ignorando o fato de que tinham plateia.
Também não era como se o que fizesse quando estavam sozinhos fosse mais do que encostar de mãos e um leve deslizar de peles, mas para Eunwoo aqueles momentos eram íntimos o suficiente para que quisesse guardar apenas para ele.
No fim daquelas duas semanas, ele não sabia como tinha se controlado para não dizer o que sentia. Cada dia, cada toque, cada sorriso, tudo o fazia pensar se não seria o mais certo. Mas acabava voltando ao ciclo de depender apenas dos pretextos que poderia arrumar para ter um pouco de Moonbin.
— Como foi a apresentação? – atendeu ao celular, animado. Moonbin tinha se apresentado um dia antes, mas nenhum dos amigos tinha podido assistir, já que havia sido algo apenas para a turma interdisciplinar.
Não tinha ido vê-lo no dia anterior por ter passado o dia com a família, bem longe da faculdade. Já naquela manhã e tarde, estava focado em achar a melhor roupa para poder sair com Moonbin aquela noite.
— O professor ficou bem feliz. Acho que vou conseguir uma boa nota. – respondeu animado. – Você vem que horas? Não é bom a gente sair tarde ou vamos ver os fogos de dentro do ônibus. – brincou, e Eunwoo sorriu antes de responder.
— Na verdade eu tô aqui embaixo. Ia tocar o interfone quando ligou. – estava um pouco envergonhado por se sentir tão ansioso para algo que nem era um encontro de verdade, mas ninguém poderia julgá-lo.
Ou melhor, até poderiam, mas ele não dava a mínima.
— Já tô descendo, então. – ele se despediu e não demorou muito para que saísse pela porta da frente do prédio.
Os dois estavam vestidos de forma parecida, e era como se tivessem combinado, o que os fez rir. Seus hanbok de corte moderno tinham cores diferentes, mas eram quase que exatamente os mesmos, e Moonbin até comentou que qualquer pessoa poderia pensar que estavam vestidos como um casal.
Eunwoo jogou esse comentário para o fundo de sua mente, não querendo se apegar à nada que pudesse arruinar sua noite, nem que fosse um fio de falsa esperança de ser correspondido.
O lugar que havia escolhido para verem os fogos era uma feira bonita e bem localizada. O lugar já estava bem cheio quando chegaram, o que fez Moonbin segurar sua mão o tempo todo para que não acabassem se perdendo em meio à multidão. Eunwoo sentiu o coração aquecer com aquilo, mesmo que parecesse algo bem óbvio naquela situação.
Se apressaram em comprar algo para comer antes de se distanciar para um lugar onde pudessem ver o céu sem estarem rodeados de tantas pessoas. Conseguiram um cantinho perto de algumas árvores, onde compartilharam uma pipoca doce enquanto esperavam.
O clima entre eles era calmo e confortável. Não precisavam de palavras ou de nada mais do que o leve encostar dos dedos no chão gramado. Eles olhavam ora para o céu, em expectativa, ora um para o outro, com sorrisos afáveis nos rostos, e quase não perceberam quando seus olhares se cruzaram de maneira mais demorada e quando não parecia haver mais interesse no que aconteceria no céu.
Nenhum deles saberia dizer de quem foi a iniciativa, mas em um momento estavam apenas se olhando, e no outro o espaço entre eles sumiu e um beijo tímido teve início. Bem de leve, sem pressa, como se estivessem com medo de que aquilo fosse um sonho.
Eunwoo não queria acordar se fosse aquele o caso.
— Eu pensei que isso nunca fosse acontecer... – Moonbin sussurrou, ainda com os lábios próximos aos de Eunwoo, fazendo com que estes roçassem suavemente enquanto falava. – Pensei que... Não gostasse de mim desse jeito. – Eunwoo sentiu o rosto ser acariciado e só então percebeu que ainda mantinha os olhos fechados.
Se afastou o suficiente para poder olhar Moonbin nos olhos com atenção.
— Eu sempre arrumei qualquer desculpa pra estar com você, só não tinha coragem de dar o próximo passo. Pensei que não fosse o suficiente e que você preferia o Minhyuk.
Moonbin riu.
— Rocky que me deu a ideia de te pedir aulas de violão. – ele ficou levemente vermelho
— Pensei que tinham saído pra um encontro.
— Eu tentei te dizer que não, mas você saiu sem me ouvir. – Moonbin fez uma careta. – Eu só fui ver o Rocky se apresentar naquela noite... Aí ele me viu chateado e me deu a ideia de ficar mais perto de algum jeito, porque talvez você sentisse um pouco de ciúmes e isso pudesse significar alguma coisa. – seu rosto ficou vermelho, denunciando que estava sem graça pelas palavras que se seguiram. — Aquelas aulas interdisciplinares nunca existiram... Era só um pretexto pra ficar perto de você mais tempo e te tocar sem parecer estranho e sem eu precisar dizer o que eu sentia.
Eunwoo suspirou, feliz, sem se importar se tinha sido enganado. Só de saber que era dele que Moonbin gostava, nada mais parecia ter importância.
— Eu queria poder dizer que era besteira, mas tudo isso aqui também era uma desculpa boba pra ficar perto de você. – confidenciou. — Eu não ligo tanto assim pros fogos.
Eles estavam muito mais leves depois de finalmente falar como se sentiam.
— Não precisamos mais de desculpas, então. – Moonbin decretou, sorrindo abertamente antes de voltar a se aproximar e capturar os lábios de Eunwoo em um beijo mais intenso do que o primeiro.
Eles não viram o céu se enchendo de fogos coloridos, pois estavam concentrados se beijando. Mas não ligaram nem um pouco.
Afinal, aquela tinha sido apenas a melhor desculpa para estarem juntos.
FIM
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