Notas iniciais
OIEEEE!

Finalmente chegou meu dia de aparecer por aqui, dando as caras com uma historinha feliz e fluffy sobre nosso casal canon mais amado da Golden Era. Usei algumas informações que a gente tem sobre a vida deles pós-batalha de Hogwarts, alguns headcanons meus, e muito amorzinho para dar um momento de felicidade ao Menino-Que-Sobreviveu.

Espero que gostem!

Excelso

ex ▪ cel ▪ so (adj.)

do latim, excelsus

que se destaca por sua magnificência; sublime; excessivamente elevado; de teor superior, transcendente;

Sinônimos: estupendo, magnífico, excelente.

Harry Potter se sentia excelente.

Dos pés a cabeça. O tipo de felicidade exata que ele achou que fosse demorar para voltar a sentir, um sentimento muito parecido com ganhar a taça de quadribol e beijar Ginny pela primeira vez.

Quadribol e Ginny. Aquelas eram duas de palavras que facilmente arrancavam um sorriso do rosto de Harry, principalmente porque combinavam maravilhosamente bem juntas. Quadribol tinha um ar de robustez e vivacidade, e na cabeça de Harry a palavra tinha um inexplicável tom amarronzado — talvez pela cor do couro da goles.

Ginny, por outro lado, era a palavra mais doce e intensa do mundo, que ele acreditava ter um tom de vermelho vivo — provavelmente influência do cabelo ruivo — e adorava quando tinha a oportunidade de deixá-la sair pelos lábios, fosse chamando a namorada, fosse a exaltando para alguém. Porque se tinha algo de que Harry Potter era fã, era de sua namorada.

— Eu achava que nunca veria você mais engomado do que naquele Baile de Inverno, Harry. — debochou Ron vindo em sua direção com uma taça de hidromel.

O cabelo anormalmente despenteado de Harry beirava estar arrumado, fruto de um visível esforço, e o terno que o rapaz usava era claramente novo.

— Eu não queria parecer idiota ao lado dela. — comentou Harry observando o salão cheio de gente. — Não mais do que o normal, pelo menos.

Ron riu, dando tapinhas no ombro de Harry. Mais do que melhores amigos de longa data, Harry e Ron eram também os aurores mais novos já admitidos no departamento, e estarem muito bem empregados e assalariados aos dezoito anos era um feito e tanto.

Isso, é claro, desconsiderando o fato de serem reconhecidos e condecorados como heróis de guerra, por serem os responsáveis pela derrocada do Lorde das Trevas, juntamente com outra dúzia de pessoas que tinham estado nos eventos da Batalha de Hogwarts pouco mais de um ano atrás.

— Acho que precisamos admitir que sempre vamos parecer idiotas ao lado delas. Quer dizer, como não parecer idiota quando você namora com Hermione Granger? — ele continuou, fazendo Harry rir enquanto bebia seu hidromel. — Será que demora muito para começar?

Antes que Harry pudesse palpitar, alguém adiantou-se e começou um discurso de boas vindas e outra série de comentários referentes ao evento. Era a primeira gala de quadribol da temporada, um evento festivo voltado aos jogadores e seus convidados, como uma oportunidade de confraternização entre os times, contato informal com a imprensa e promoção da liga britânica e irlandesa de quadribol.

E era a primeira gala de Ginny Weasley como artilheira recém-contratada do Holyhead Harpies.

Desde que as aulas em Hogwarts tinham acabado, cerca de duas semanas atrás, e Ginny havia sido aprovada no teste para a posição de nova artilheira do time, ela havia ficado no centro de treinamento das Harpies em tempo integral. Ginny ainda era apenas artilheira reserva, mas Gwenog Jones, a capitã do time, havia garantido à garota ao menos um jogo na temporada.

Os times foram convidados a se apresentarem e um a um os capitães fizeram breves discursos, ora agradecendo pelo evento, ora incentivando seus torcedores a se manterem firmes no apoio ao time durante a temporada. E então os novos atletas foram chamados para se apresentarem ao público, já que a maioria era desconhecida e havia sido contratada recentemente.

— A nova artilheira do Holyhead Harpies, Ginevra Molly Weasley, que assina como Ginny e esperamos logo ver voar pelo uniforme número sete!

Harry não achava que precisava ver Ginny em um vestido vermelho até vê-la em um vestido vermelho, porque ela havia ficado simplesmente fabulosa. O jeito como o sorriso dela brilhava ao acenar para as pessoas, ou como os olhos faiscavam de orgulho ao ser aplaudida em público, fazia Harry perder um compasso cardíaco.

Fazia com que ele se sentisse excelente.

— Continue secando ela com os olhos e eu serei obrigado a azarar você, Harry. — sussurrou Ron.

O tom dele mesclava ironia e brincadeira, fazendo Harry dar um risinho constrangido e desviar o olhar dos locais em que o vestido marcava suavemente o corpo de Ginny.

A garota era bonita sem esforços, e Harry acreditava que não se acostumaria jamais com a sensação boa que eram as mãos pequenas — e quase sempre geladas — dela estarem enroscadas nas dele, ou no jeito como o cabelo ruivo dela sempre acabava cobrindo o olho de Harry quando se deitavam juntos.

Já estavam juntos há pouco mais de um ano e, no entanto, Harry tinha tido tão pouco tempo com Ginny que às vezes parecia uma espécie de punição ou tortura quando conseguiam roubar um ou dois dias juntos durante os recessos que ela tinha da escola e as folgas dele do ministério.

Mas naquela noite não importava muito, porque Harry tinha aquela sensação deliciosa de que tudo estava excelente e maravilhoso.

— A nova artilheira estaria sozinha? — perguntou Harry em um tom brincalhão e galanteador, fazendo Ginny revirar os olhos com um sorriso.

— No caso, não. Estou procurando meu acompanhante maravilhoso. — ela respondeu, enroscando os braços ao redor do pescoço de Harry.

— Jura? Será que eu teria alguma chance contra esse sortudo?

— Acho difícil… ele é auror, sabe? E eu não dispensaria Harry Potter por qualquer um... — Ginny piscou de uma maneira que fez o monstro adormecido no peito de Harry grunhir em satisfação.

Ginny provocava sensações excelentes em Harry com simples sorrisos, e tudo nela parecia ser exatamente o ele sempre adorara. O jeito com que era forte, intensa e assertiva, o humor particularmente ácido e irônico — o qual ele compartilhava — e a maneira com que o mundo parecia pequeno perto das ambições de Ginny, o faziam ser mais do que apenas apaixonado por ela.

Harry admirava Ginny, era fã de tudo que ela fazia, era orgulhoso da mulher que a vira se tornar, da bruxa excepcionalmente talentosa e determinada que ela era. Ginny até mesmo o intimidava, às vezes, e ele achava que essa era a razão pela qual ela parecia tão incrível a seus olhos.

Ela era doce e amável, e Harry podia facilmente imaginar Ginny assando tortas como a senhora Weasley. As memórias, porém, da garota executando a melhor azaração para rebater bicho papão que ele já vira, ou gritando furiosa com Ron, ou mesmo fugindo com Tonks — saudosa Tonks — da sala precisa e indo enfrentar comensais da morte, eram provas de que ela não era frágil, nem ficaria quieta se fosse provocada ou ameaçada.

Ginny era a personificação da grifinória para Harry: uma leoa sutil e feroz na mesma medida, corajosa, nobre, e talvez até orgulhosa. Seria estupidez não temer uma mulher como ela.

— Ultimamente eu tenho me sentido tão bem. — comentou ele depois de plantar um beijo na testa da garota, enquanto dançavam uma balada de ritmo médio, balançando-se juntos preguiçosamente.

— Isso é ótimo, não é?

— Claro! Só… não sei, é esquisita essa sensação de as coisas estão bem, e calmas, e… felizes, entende? — Ginny inclinou a cabeça para o lado, olhando Harry com uma expressão engraçada de confusão, fazendo-o rir. — Deixa para lá… é ótimo, de qualquer forma.

— Não. Eu quero saber, fala mais.

Harry pareceu pensar por um momento antes de falar.

— É como.. sabe quando jogávamos quadribol de duplas no quintal da Toca? No verão? — ela assentiu, sorrindo com a memória. — É como aquilo. Leve, gostoso… aquele calor gostoso enquanto ventava, e a gen-. Você está me achando idiota e sentimental, não é?

Ginny o olhava com uma expressão divertida, quase rindo, e Harry logo fechou a cara, constrangido de expor aquele sentimento tão seu e que parecia até errado, apesar de tão bom.

— Não! Claro que não, Harry! Só estou prestando atenção. — ele parecia incerto se devia continuar a falar. — É incrível que que você se sinta bem assim, não devia ser esquisito você se sentir feliz.

— É… não sei se sou só eu, e parece idiota pensar nisso, mas eu sinto que está sendo um ano tão.. bom? — atrapalhou-se, coçando a nuca, meio desconfortável pela confusão em se explicar.

— Não é idiota. Está sendo um ano maravilhoso, Harry! Você conseguiu um emprego, está reformando o Largo… se isso não é razão para estar exultante, eu não sei o que seria.

Harry sorriu para ela. Ginny era capaz de entendê-lo como ninguém e, principalmente, de simplificar tudo que parecia tão difícil na cabeça dele. Puxou-a para um beijo, deixando as mãos na cintura fina e delineada dela enquanto continuavam naquele balanço monótono.

— É. Tem todas essas coisas… e tem você. — Ginny abriu um enorme sorriso com o jeito que Harry a olhou. — Com essa carreira incrível pela frente-

— Não se esqueça de que eu sou só uma reserva.

— Agora. Mas logo elas vão ver que você é a melhor artilheira das Harpies. — comentou, revirando os olhos divertidamente. — Continuando, tem essa carreira incrível sua, tem esse vestido que deixa você maravilhosa… sexy. — ele acrescentou sussurrando baixo no ouvido dela e a fazendo arrepiar de leve, com um sorriso. — Merlin, eu tenho que ter feito alguma coisa muito certa, não acha?

Ginny riu gostosamente. Harry tinha um senso de humor refinadamente irônico que ela adorava, e agora sem as preocupações de ser O Eleito, Harry era uma pessoa cem por cento mais divertida e leve, fazendo com que a companhia dele fosse a coisa mais agradável existente.

— Algo me diz que você fez alguma coisa certa, Harry. — ela ironizou, recebendo um selinho risonho em resposta.

Eles continuaram a dançar daquela forma meio desajeitada, aproveitando a companhia um do outro e dedicando-se a compensar parte da saudade de estarem há um tempo distante. Ginny emendara o fim da escola com os treinos das Harpies, e Harry estava sempre cheio de compromissos no ministério, de maneira que a última vez que tinham tido algum tempo juntos fora no recesso de páscoa, quando Ginny e Hermione voltaram para casa.

— Mas falando sério… é curioso, sabe? Ver que chegamos aqui, depois de tudo de complicado do ano passado. Acho que só não estou muito acostumado, sabe? Sair com Ron para tomar uma cerveja amanteigada depois do expediente, escolher coisas de obra com sua mãe… é bom. Me sinto bem, de verdade.

Ginny achava uma mistura intensa de sentimentos, já que não era como se todos os medos e traumas tivessem desaparecido completamente — ela sabia que Harry ocasionalmente tinha insônia e pesadelos. Mas ele estava certo, independentemente de quão complicado o ano anterior fora, ali estavam eles, com novas metas e conquistas. E felizes.

Ginny Weasley também sentia-se excelente.

— A gente devia dar um jeito de engarrafar essa felicidade toda para usar quando precisar. Vender por aí que nem Felix Felicis. — Harry riu com a ideia. — Eu também me sinto muito bem, de verdade. Esse emprego era tudo que eu queria, Harry, e parece meio surreal ter conseguido.

— Você merece, Gin. Se alguém merecia se tornar artilheira profissional, era você.

— Eu lembro que queria ser como a Jones, quando era criança. Depois eu queria ser mais como vocês três, — inclinou a cabeça para Ron e Hermione conversando à mesa com Molly e Arthur. — e depois veio a AD, e eu fui aprendendo aqueles feitiços todos. Acho que estou numa fase de querer ser mais como eu, me sinto bem com isso. Me sinto ótima, na verdade.

Harry a olhava admirado, perguntando-se se haveria alguém no mundo que se sentisse tão bem, confortável e feliz quanto ele naquele momento. Achava que não poderia amar Ginny mais do que o fazia naquele momento, querendo endeusá-la por ser a bruxa fantástica que era, dizer a ela que jamais precisaria ser como ele, ou Ron, ou Hermione, porque o jeito único dela era o que lhe acelerava o coração só em pensar.

Só em pensar nos cabelos ruivos dela flamejando enquanto Ginny acelerava numa vassoura de corrida, em pensar no olhar compenetrado dela enquanto segurava a goles, rumando aos aros do time opositor, em pensar em como Ginny era uma mistura de fortaleza e delicadeza.

Sentia-se exatamente como dissera a Ron, que não queria parecer bobo ao lado dela. Porque Ginny era completa e incrivelmente boa demais para seu próprio bem, e Harry sentia que estava disposto a adorá-la por toda uma vida se necessário fosse.

— Eu acho que você ser mais como você é uma escolha fantástica. — murmurou, beijando-a em seguida. — Fica maravilhosa de si mesma, e eu amo.

O jeito como Harry a fazia sentir-se especial, única e desejada, tudo ao mesmo tempo, era algo que fazia o estômago de Ginny se revirar de satisfação, mesmo depois de juntos. Passava longe aquele sentimento bobo e infantil de amor platônico, mas o que havia era, em verdade, um amor intenso e genuíno. Havia um desejo de aventurar-se com ele, e aproveitar cada segundo juntos, já que tinham sido poupados de muito tempo.

Harry a fazia sentir que tudo estava no lugar certo, no tempo certo, e, Merlin, era tão bom sentir-se realizada e exultante daquela forma. Era tão bom sentir aquela felicidade inocente — às vezes nem tão inocente assim — e real, depois de tanto esforço em reaprender a viver bem. Harry a lembrava de que nada valia tão a pena quanto aqueles momentos de gargalhadas espalhafatosas, riso solto e beijos carinhosos.

Nada era tão bom quanto sentir-se bem.

— Então, concluímos que estamos felizes, hoje?

— Felizes, ótimos, radiantes… hoje, amanhã… o que mais?

— Exultantes e excelentes, dos pés à cabeça. — Ginny comentou com uma expressão zombeteira, esticando-se para plantar um selinho na boca de Harry, ao que ele assentiu com a cabeça. — A gente pode dançar de verdade agora, Potter?

E mesmo que Harry não tivesse a menor ideia de como dançar o que quer que fosse o ritmo que estivesse tocando, ele deixou que Ginny o guiasse por boa parte da noite até pegar o jeito. O jantar foi ótimo, as conversas na mesa dos Weasley não poderiam ter sido mais animadas, e todos exprimiam o orgulho óbvio pela conquista da caçula da família.

A sensação exultante de felicidade e orgulho que Harry sentia — por ele mesmo, por Ginny, pelo que tinham passado até ali — parecia preencher o ar, e enquanto rodopiava e ria com a garota em seus braços, ele só conseguia pensar que se sentia excelente.

Que sua nova vida, seus amigos e sua família o faziam sentir excelente. Que Ginny — e a expectativa de tudo que viveria com ela — o fazia sentir excelente. Apenas isso.

Harry Potter sentia-se excelente.

Notas finais
Todo mundo merece um momento de felizes para sempre, não é? Vejo vocês nos comentários! ❤❤❤
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!