Evolução
2 Fuga
Como posso explicar? A tecnologia nesses anos teve uma evolução pavorosa. Os celulares que vocês conhecem, hoje não valem nada. Os celulares agora simplesmente captam adores, são “dobráveis” podendo virar um bracelete, se abastecem a luz solar, nanotecnologia. As armas também evoluíram, mas não tanto quando os celulares. Foram construídas maquinas de guerra, boa parte ainda esta em fase de testes, mas o ser humano não consegue controlar nem uma maquina. É como se as maquinas tivessem vida própria. Se ela, a maquina, não for com sua cara... é melhor correr. Também tem os zumbis, não são mortos que voltaram a vida, os mortos estão em seus caixões, eu acho. São pessoas vivas, mas em um estado descontrolado. Eu os chamo de possuídos. Se ficarem meses sem comida eles morrem como qualquer ser humano, logo, não podem estar mortos. Mas o que mais me da medo em tudo isso são duas coisas: Criaturas obscuras e mutantes.
— Heey! Dante! – Fernanda gritava me chamando. Fernanda tinha uns 19 anos. Seus cabelos eram negros, mas as pontas estavam pintadas de verde. Seus cabelos quase sempre estavam presos em forma de maria-chiquinha. Não era magra nem gorda, tinha onde pegar. – Dante sedução!! – E um pouco... diferente do que estamos acostumados.
— Vai trabalhar é? – eu brincava olhando seu minúsculo top roxo e sua saia tutu menor ainda. As botas negras que iam ate o seu joelho escondiam uma faca. – Que foi? Elas chegaram?
— Sim, sim! Estão a caminho. Pegue! – ela me jogou uma pequena metralhadora. – vamos fazer a limpa na garagem.
— Só se for agora. Juliana! Juliano!
— Dante? – Os dois falaram em coro, eles eram gêmeos, apesar de serem falsos por um ser homem e a outra mulher, eles se pareciam muito. Tinham a mesma altura baixa, afinal tinham apenas 15 anos. Cabelos loiros e lisos, um rosto redondo e feminino. Os dois sofriam de heterocromia, o olho direito de Juliano era verde e seu esquerdo azul, já Juliana o contrario, seu olho direito era azul, e seu esquerdo verde.
— Alice e os outros estão chegando. Já sabem o que fazer.
— WAAAA! Será que ela trouxe doces? – Os olhos de Juliana brilhavam
— AHHH! Eu quero doces! – Juliano era a mesma coisa
Os dois se deram as mãos e saíram correndo. Eles tinham apenas quinze anos, como podiam matar pessoas e não sentir nem um remorso?
Estávamos dentro de um abrigo. Era um gigantesco galpão que ficava no cais da cidade. Já estávamos lá há sete dias, e havia dois dias que Alice havia saído em busca de sobreviventes. Nosso antigo abrigo havia sido invadido por criaturas obscuras. Como eu os odeio. Ninguém sabe de onde eles surgiram, só sabemos que eles atacam em lugares onde não existe luz. Eles são espertos, destruíram o poste que levava energia no nosso abrigo, sem energia, sem luz. Sem luz, nada para machucá-los. Esse abrigo agora era útil. Tinha um gerador. E agora nos temos lanternas. Ah! Ai vem Alice.
Corremos ate o grande portão do galpão e o abrimos. Logo à frente haviam grades com arames farpados. Caminhamos reto saindo do galpão ate a grade. Os zumbis estavam longe e vinham em nossa direção. Aquilo para mim e Fernanda já era rotina. Matar um, matar outro, não fazia diferença. Na verdade eu tentava demonstrar isso, mas toda vez que matava um, o peso vinha a minha cabeça. E se isso fosse temporário? Se eles voltassem a ser como eram antes?
Os gêmeos estavam no andar de cima do galpão. Eram o nosso apoio. Crianças armadas ate os dentes. Finalmente o caminhão lá na frente apareceu. Já podíamos ouvir a buzina provocada ao puxar a corda. Nas laterais da carga haviam buracos, buracos tampados com serras-elétricas. O caminhão atropelada os zumbis, e as serras-elétricas cortavam os outros ao meio. Olhei Fernanda com um olhar de “Porque trouxemos as armas?” e ela me respondeu com um olhar: “Tipo cara, sei lá.”
Abrimos o portão que havia entre as grades sem a menor pressa. Logo após o caminhão entrar dentro do galpão fechamos o portão. Pegamos as armas e começamos a atirar. Eles não andavam devagar como nos filmes, eles corriam. Continuamos atirando nos que estavam fora e andávamos para trás ate entramos dentro do galpão. Fechamos os portões do galpão e todos gritaram como se ganhássemos uma batalha.
— ALICE! – Fernanda correu ate a porta do caminhão e o abriu. Puxou sua amiga com toda a força que tinha e lhe abraçou. – que bom que você esta bem.
— Calma nanda. – Alice era alta e magra, seios fartos, sua cara era feminina e transmitia uma sensação da paz e tranqüilidade, ainda mais quando sorria. Parecia um ajo calmo. Pareceria mais com seu cabelo louro natural, mas ela o pinta de castanho. Como falei, parece um anjo. Mas é tudo ilusão. Seu temperamento é do cão. Fernanda conta que Erick, irmão da Alice que morreu em HeavenTown, dizia que ela foi expulsa do exercito por aleijar e quase matar a general. – Não gosto que você vá abrir o portão, é muito perigoso.
— Ah! Se for pra você, eu sempre abrirei.
— Lesbicas...
— O que você disse Dante? – Alice apontou uma arma pra mim.
— Quem? Eu? Nada. Ah. Você trouxe o que eu pedi?
— Claro. – ela voltou pra cabine do motorista. – Aqui. – me jogou um pacotinho em uma sacola escrito ‘Walmart.’
— Ah brigado, finalmente vou pintar meu cabelo de azul.
— Criança feliz. – Alice comentou
— Eu gosto dele, ele é fofo. E também...
— Tem o mesmo nome do seu irmão que morreu. Ah, Fernanda. Eu também perdi o meu irmão no mesmo lugar, Não fique triste.
Não queria ouvir aquilo, eu já estava cansado de ouvir as duas falarem sobre HeavenTown. Segurei mais firme ainda a caixinha de tintura capilar e fui em direção a pia. Sentei encima dela, abri a caixinha, e sozinho comecei a pintar meu cabelo. Abriram a porta da carga do caminhão. Mulheres, homens e crianças começaram a descer. Os outros sobreviventes que já estavam conosco no galpão os ajudava a descer e pegavam os mantimentos que Alice coletou.
Yume acordou com o barulho e desceu as escadas. Yume tinha 8 anos quando tudo aconteceu em HeavenTown, sobreviveu com Alice e Fernanda, agora ela esta com 10 anos. Sua franja tem um corte reto e seus cabelos também estão tingidos, num tom roxo. Segundo Fernanda isso foi uma forma de se esconder. Quem causou os problemas em HeavenTown queriam as sobreviventes mortas, então, Fernanda q era morena, pintou seus cabelos de verdes, Alice que era loira virou castanho, e Yume, roxo. Agora era a minha vez, iria pintar de azul.
A jovem menina, que só tinha idade, sua maturidade e tamanho eram bem desenvolvidos, correu ate Alice e a abraçou. Um abraço de uma criança que da em sua avó.
Pintar cabelo, ainda mais sozinho, não é algo fácil e rápido, as meninas sabem disso, não sei por que não vieram me ajudar. Olhei para os sobreviventes que haviam chegado e um rapaz em especial me chamou a atenção. Seu cabelo era longo, um pouco maior que de muitas mulheres que estavam ali, liso e de um tom roxo. Seus olhos eram negros, negros como a noite. Sua boca era desenhada, possuía uma cor rosada que provocava quem quer que a olhasse. Mordi meus lábios bem devagar e não retirei meus olhos dele.
— Esta parecendo um vampiro sedento por sangue Dante. – Alice estava a minha frente.
— Ah?! Quem? Eu? Nada haver. Só estava olhando os sobreviventes.
— Os, nossa que taradinho, eu jurava que era só aquele ali de olhos escuros. Mas não, é os sobreviventes. – ela deu uma risadinha
— Você me entendeu. – fechei a cara um pouco emburrado, o que fazia minhas bochechas ficarem levemente inchadas.
— Bobo. – ela ria e sorria. – Vou te ajudar, antes que você pinte errado essa palha sua.
— Palha! Meu cabelo é liso, palha é seu...
— Estamos em horário nobre. Não pode falar isso.
Ficamos conversando sobre a viajem de Alice, ela só encontrou zumbis no caminho, não teve nem uma dificuldade. Era pra ter mais sobreviventes, mas segundo ela, boa parte morreu. A contaminação é rápida. Ela estava no hotel, um zumbi derrubou uma mulher no chão e vomitou sangue em sua cara. Cientificamente podemos dizer; preservação da espécie. A contaminação se deu rápida. Em segundos ela estava contaminada. Os dois começaram a se alimentar, e Alice teve q sair correndo com poucos sobreviventes.
A historia da viagem inteira levou o tempo da tintura. Enxagüei meu cabelo e sequei ele com uma toalha. Retirei meu bracelete negro e o abri. Era meu celular. Algo meio ficção cientifica, era uma planilha reta. Retirei uma foto do meu cabelo e analisei. Eu amei a cor azul que havia ficado ali. Sempre quis pintar meu cabelo assim, mas mamãe não deixava. Dobrei meu celular e o coloquei de volta ao pulso.
...
— Ah! Ouvi certos boatos, boatos impossíveis de serem realidade, mas quem sabe. – Alice começou enquanto todos jantavam no chão. Eram umas cento e poucas pessoas.
— Qual boato?
— Existe uma terra onde não há zumbis, maquinas e coisas semelhantes.
- Obvio. Atlântida e Acre. Lugares que não existem.
— Háhá! Morri de rir, idiota. É uma cidade subterrânea, é como se existisse um outro planeta embaixo desse sabe? Tem sol, tem água, tem lua, tem estrelas, tem tudo.
— Isso não seria impossível?
— E deste quando, zumbis, maquinas e criaturas obscuras que nem Deus sabe de onde veio, são possíveis?
O resto do jantar foi silencioso. Quando todos terminaram levaram seus pratos a pia e os lavaram. Todos já se preparavam para dormir, as luzes estavam acessas, não podíamos apagá-las. As Obscuras poderiam aparecer. Olhava aquele rapaz de olhos escuros novamente, ele era bem alto e parecia ser mais velho também. Num movimento de “possessão” em que eu fiquei fora de mim, me levantei e fui em direção a ele.
— Posso sentar aqui com você? – perguntei
— Claro. – sua voz era grossa, linda e incrivelmente sedutora, em uma forma rouca. – Sente-se.
— Brigado. – me sentei ao lado dele.
— Gostei do cabelo. Gosto de azul. Algüs, prazer.
— Brigado. – fiquei um pouco sem graça, mas minhas bochechas não se coraram. – Algüs, diferente. Prazer, sou Dante.
— Dante, nome de...
— Eu sei. Todo mundo fala que tenho nome de prostituto.
— Er... – ele ficou sem graça e riu. – Ia falar Dante, igual aquele livro. O inferno de Dante. Sabe? Dante Alighieri. Mas nome de prostituto foi boa.
— Ah. Já li. – eu sei mentir bem né? – Gosta de livros? EU também gosto. – Meu Deus. Sou um ótimo mentiroso.
— Na verdade não curto muito. – ele deu uma risadinha sem graça.
— Mas os livros não fazem falta na minha vida. Viveria muito bem sem eles. Também não curto ler. Leio pra passar o tempo. – Como vocês diriam; MENTIRA: FAIL – Mas então, namora? – Sim, eu sou direto.
— Não, não. Queria. Mas vou procurar alguém que me ame de verdade. E também, tudo isso sabe? Tenho medo de perder quem eu ame.
— Hmm, te entendo. – na verdade eu queria entender por que não nos beijávamos. Meu Deus, que boca era aquela, a cada palavra que ele falava seus lábios se mexiam. – Quantos anos?
— 21 e você?
— 17.
— Você acha que vamos sair vivos?
Aquela pergunta destruiu minhas tentações que eu tinha por ele. Acho que aquelas minhas reações de ser um “oferecido” eram pra esconder meu medo de morrer. Quando ele perguntou aquilo, me veio à tona, eu poderia morrer. Eu tenho dois medos nessa vida. Morrer, não aceito isso, e nunca achar alguém que me ame de verdade e que eu ame. Acho que ele reparou que fiquei calado por alguns segundos.
— Mudando de assunto, e você? Namorando muito? – ele riu sem graça
— Ah... não. – não adiantava, eu já estava triste. – acho que nunca vou achar.
— Ah, tem muitas mulheres aqui.
— É... mulheres... muitas... mesmo.
As luzes se apagaram rapidamente e voltaram a se acender. Todos no galpão se assustaram. Onde estávamos era uma área livre de robôs e de mutantes. Os zumbis não poderiam derrubar a cerca e abrir o portão do galpão. E os seres Obscuros... eles podiam quebrar os fios de eletricidade, mas haviam geradores.Ouvimos o barulho de algo pesado batendo no portão do galpão. Olhamos para a pequena abertura embaixo da porta. Estava escuro. As lâmpadas lá fora estavam apagadas. Eram as criaturas Obscuras.
— Sem medo, voltem a dormir, eles não podem entrar aqui. – Alice os alertava.
— Alice.
— Sim, o que foi Yume?
— Eu sinto algo ruim. Não estou gostando disso. Algo vai dar errado. – Yume era cega, mas mesmo assim ela enxergava o que víamos, e o que não podíamos ver.
— Yume... vai tudo ficar bem.
— Não Alice. Não vai ficar bem. Vai tudo piorar. Ah! – ela arregalou seus olhos – Eles estão caminhando nas sombras aqui dentro.
— RAPIDO! PEGUEM AS LENTERNAS! NÃO DEIXEM NEM UMA AREA ESCURA!
Algüs se levantou e me puxou. Pegamos todas as lanternas e as ligamos. Cada um cuidava de iluminar uma parte. As partes que as luzes das lâmpadas não iluminavam. Novamente as luzes acabaram e em segundos voltaram a funcionar.
— Peguem suas armas. Eles... – Yume colocou as mãos na cabeça e se ajoelhou – eles estão aqui! Eles estão aqui! Eles estão aqui!
Eu sabia que se Yume falava era lei. Fui ate a mesa e peguei minha arma. Foi só tempo deu fazer tal ato para a energia acabar de vez. A luz da minha lanterna iluminava muito pouco, era só a minha luz naquela escuridão. Vultos de bestas que se assemelhavam a humanos corriam, fazendo sombra onde eu podia ver. Uma luz forte de farol iluminou quase tudo.
— RAPIDO! ENTREM NO CAMINHÃO – Gritava Alice já no banco do motorista.
Yume correu na escuridão, ela se esquivava das bestas mesmo no escuro. Abriu a porta da carga do caminhão e retirou um tubo de luz verde do bolso.
— Hey! Você não pode morrer ainda. – Algüs me pegou em seus braços e correu comigo ate o caminhão.
Yume tinha muitos tubinhos que ao serem dobrados imitiam luz, e ela jogava todos dentro da carga do caminhão. Em poucos segundos o caminhão estava cheio. Alice saiu arrebentando os portões e atropelando os zumbis que estavam ali fora. Todos estavam em pânico, aconteceu tudo extremamente rápido.
— Ela... – Yume apontou a uma garota que segurava o braço.
— Essa garota, Yume? Me da medo. – Algüs falava para mim, eu ainda estava em seus braços.
— Ela é meio... paranormal. Er... eu poderia?
— Ah! Claro, desculpa. – ele me colocou de volta no chão.
A garota retirou sua mão do braço, ela escondia um machucado, um corte feito por garras. Todos a olharam, ninguém sabia o que fazer, afinal, fora uma besta obscura o que lhe atacou, não um zumbi. Mas quem dera se fosse assim. O corpo da garota caiu no chão. Sua pele começou a ser corroída deixando somente sua carne e seus músculos expostos. Tudo começou a adquirir uma coloração marrom. Seus cabelos caíram, sua perna começou a inchar, assim como todo seu corpo. Em segundos ela se tornou uma criatura obesa, algo abominável que se assemelhava a um humano. Um de seus braços era maior que o outro. Sua cabeça era minúscula.
— Ela se tornou uma criatura obscura – Yume as vezes me dava medo, como uma criança de dez anos, cega, poderia ver isso?
— Fico gorda, careca... virou a Britney? – Nem vi quem fez essa piadinha.
Alice diminuiu a velocidade do caminhão, Juliana e Juliano abriram a porta do vagão e todos que estavam lá dentro ajudaram a jogar aquele corpo fora. Tínhamos que fazer isso, ela voltaria à vida, ela agora era uma criatura obscura. Todos sentaram e ficaram calados. Ao fazer a contagem, percebi que havia apenas vinte pessoas ali. Não acredito que todos tenham morrido naqueles segundos sem luz no galpão. Não é possível, foi muito rápido. Eu nem sei explicar direito e detalhadamente o que aconteceu.
Aos poucos fui adormecendo junto com as outras pessoas, será que nunca conseguiríamos encontrar um abrigo?
Notas finais
Sorry pelo cap ruim ._. PS: pra quem nao saco o celular http://www.youtube.com/watch?v=IX-gTobCJHs
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