Evil Ways
1 Prólogo.
Notas iniciais
Eu quero agradecer a Silvia, quem fez a capa pra mim, maravilhosaaaaa, e quero indicar a fic dela, Crazy in love, que tá tão maravis que ta me fazendo morder a bochecha de nervosa!
http://fanfiction.com.br/historia/591559/Crazy_in_Love/
Vamos começar?
Pela graça de deus, era sábado.
Haymitch não aguentava mais acordar às 5 horas da manhã todos os dias e suportar aqueles garotos e seu cheiro de CC, desodorante e seus cabaços óbvios e transparentes – daquele tipo de adolescente que fala demais de sexo para ter, algum dia, praticado-o – pairando sobre sua cabeça. Era sábado, e ele poderia simplesmente afundar seu traseiro no sofá, beber o que quiser, vomitar onde quiser, coçar o saco enquanto assiste qualquer filme com explosões e perseguição policial na TV.
Mas infelizmente, para seu azar, Haymitch era pobre. Muito pobre. Ele poderia sim, usufruir suas horas a mais de sono naquele sábado, mas ele se recusou a continuar trabalhando naquele açougue.
Os pais de Haymitch são donos de um açougue em Dallas, no Texas, estado onde eles moravam. A carne era de primeira qualidade, e o açougue, claro, rendia muito lucro, mas com 18 anos de idade e 12 horas diárias com cheiro de sangue e cadáver animal, Haymitch decidiu que voltaria a estudar para tentar sair daquela merda. Prestou um supletivo e terminou o terceiro ano escolar – abandonado depois de inúmeros problemas de comportamento – e se mudou para Nova York aos 19 anos, afim de cursar a faculdade de história e sociologia. Mas hoje, aos 42 anos, talvez tenha sido melhor continuar naquele açougue e herda-lo quando o pulmão de seu pai decidir que é a hora de desistir.
Mas já era tarde. Tudo que lhe restava era acordar aos sábados, corrigir atividades, preparar aulas e beber. Às vezes, no entanto, as bebidas ingeridas em seus fins de semana não eram suficiente para fazer com que ele suportasse a semana, fazendo com que em algumas ocasiões – raras, garante ele – sua bebida seja ingerida durante a semana. Mas não em período de aula. Quer dizer, quem sabe, Haymitch deu aulas um tanto bêbado uma ou duas vezes. Não que ele não gostasse de seu trabalho: Ainda era apaixonado por história e sociologia, e lutava por causas que ele realmente achava que deveria defender. Mas os alunos não ouviam – sim, claro, tinham sempre dois ou três com quem era prazeroso dividir aula – mas o resto era uma merda. Então com o tempo, com a ignorância social e com as pessoas cegas ao redor, suas causas e sua motivação vão pra merda mesmo. Todo seu ideal e todo o conhecimento que Haymitch queria passar para seus alunos foram tornando-se desmotivado pelos longos anos de trabalho, sendo guardado dentro de si.
Mas esse não é o caso aqui. O caso da bebida dele é: Haymitch é pobre. Seu flat em New York com aluguel atrasado é pequeno, pobremente decorado, sem comida, fedido e fodido. Ele poderia tacar o “foda-se” e simplesmente afundar seu traseiro no sofá, beber o que quiser, vomitar onde quiser, coçar o saco enquanto assiste qualquer filme com explosões e perseguição policial na TV. Mas ele jogou uma garrafa de cerveja na televisão durante a partida de futebol no ultimo domingo. E ele ainda não tinha recebido seu pagamento.
Situações essas que ele era especialista em se meter.
Com um fresco e renovado sentimento de fracasso, Haymitch finalmente sentou-se na única cadeira posta frente à solitária mesa redonda de madeira da cozinha e pegou sua pilha de provas de doze salas de 40 alunos do ensino médio da Escola Preparatória Capitol. Corrigia papéis, coçava seus olhos, fazia pausa para um café – um café amargo e aguado, feito pelo próprio Haymitch – e, de vez em quanto, ralhava nomes de alguns de seus alunos em voz baixa. Uma hora ou outra desistia, e pensava que talvez não fosse uma ideia tão ruim assim largar seu “emprego estressante e montar uma loja de ferramentas com seu irmão”, como seu pai havia lhe aconselhado há quase uma década anterior. Poderia morar com seu irmão Ceasar, como ele mesmo havia sugerido. Morar com Ceasar, sua esposa de voz nasalada e suas três crianças melequentas numa casa nos Subúrbios de New Jersey.
Volte a corrigir as provas sobre Revolução Industrial, Abernathy. Depois abra sua nova garrafa de aguardente, recolha suas contas, pague as que conseguir com seu salário dando aulas matinais e vespertinas e simplesmente se acostume com sua vida.
Enquanto você ainda possui o luxo de sustentar uma.
Fale com o autor