Evil From Hell - WEBSERIE
1 Capítulo 1 - Não saia de casa
Cada músculo do meu corpo vibrava de medo e eu realmente não estava preparado para aquele dia. Serei o mais breve possível porque estou pronto para sair de casa e não posso perder a coragem nesse momento.
Aconteceu tudo rápido demais, nem tive tempo de pensar. Como toda manha acordo as sete horas, lavo o rosto e tomo café da manhã. Ligo a televisão e me atualizo para então sair de casa devidamente informado, já que meu trabalho de colunista numa revista exigia isso. Assim que liguei a TV, nenhum programa estava no ar e sim aquela dezena de plantões com os jornalistas tremendo e falando rápido demais, tudo improvisado o que me fez parar para pensar que ninguém estava preparado para dar a noticia. A noticia que veio como tiros na minha cabeça: ‘’NÃO SAIAM DE CASA’’ ‘’SE PROTEJAM E NÃO FAÇAM BARULHO’’ ‘’ELES PARECEM SE ALIMENTAR DE CARNE HUMANA’’ ‘’ELES CORREM’’ ‘’NÃO SÃO MUITO INTELIGENTE, PORÉM A MORDIDA TOTALMENTE CONTAGIOSA’’ ‘’SÃO 87 PAISES INFECTADOS’’ ‘’O GOVERNO AUTORIZOU O USO DE ARMAS DE FOGO NAS RUAS’’ ‘’É O APOCALIPSE’’.
Todos os canais, aquela mesma noticia, aquela mesma euforia para falar. Eu estava assustado. Eu olhei pela janela e pude ver o caos na rua. Como eu não tinha percebido antes? Marcos, o vizinho, estava correndo em volta da casa e uma mulher loira, com apenas metade do couro cabeludo preso na cabeça corria atrás dele, gemendo e babando sangue. Nesse exato momento eu comecei a chorar, sentei no chão, tremendo e chorando. Eu não conseguia pensar, não conseguia reagir, meus músculos pulavam involuntariamente e eu realmente estava com medo.
Peguei o celular, mal conseguia digitar um número, muito menos procurar alguém na lista de contatos. Concentrei-me e liguei para um dos contatos que demorou um pouco para atender.
- A-alô? – Falou a pessoa do outro lado da linha. Estava chorando também.
- Maytê? Maytê... Onde você está? – Perguntei tentando ficar calmo.
- Eu estou em casa, trancada no banheiro... Eu to sozinha... Eles vão entrar Lucas, a qualquer momento. Estão batendo na porta com muita força.
Maytê é uma das minhas melhores amigas e morava a alguns minutos da minha casa.
- Calma. Cadê seus pais?
- Eu não sei, não consigo falar com eles... Eles vão entrar... Vão entrar. Eles estão aqui, eles vão entrar – Ela falava entre cada soluço.
- Maytê, Maytê... MAY, Calma. Eu to indo aí. Se prepare para fugir e pegue qualquer coisa para se defender. Hey, não morra!
Desliguei. Peguei um machado na área de lavação e me preparei. Eu segurava o cabo ainda tremendo e mal conseguia andar. Mas pela primeira vez me senti vivo, que precisava lutar por alguma coisa sem me preocupar com contas a pagar ou futuro. O futuro estava acabado. E talvez aquilo me deu força para continuar. Abri a porta e sai correndo em silencio. O mais rápido possível.
O caos estava tomando conta das ruas. Era difícil distinguir quem era canibal e quem era pessoa. Havia muito sangue e muitos corpos pela rua. Eu desci o morro da minha casa correndo, e alguns canibais vieram na minha direção. Não consegui golpeá-los por conta do medo, mas eu estava correndo tão rápido que desviava de todos como um ninja. Eu não percebi, mas eu também estava gritando. Vi marcos correndo atrás de uma pessoa. Ele era um deles. Marcos havia se tornado um canibal, em menos de 10 minutos e eu fiquei ainda mais apavorado. Comecei a subir o morro para a casa da Maytê e encontrei mais gente correndo por lá. Eu podia sentir o cheiro de sangue e ouvir os rosnados e gritos de pavor e morte.
Vi um canibal vir na minhá direção, e não vi uma opção a não ser acertar ele com o machado. Não foi forte o suficiente e ele só ficou meio tonto. Era terrível. Ele mancava rapidamente e metade da boca já não existia. Eu pude ver alguns dentes rolando de um lado para o outro na língua enquanto ele rosnava e tentava me atacar. Ergui o machado novamente e desci contra sua cabeça que partiu em duas e o cérebro veio à tona. Imediatamente o corpo já desfalecido caiu no chão e eu estava gemendo de medo. Eu precisava continuar. Subi o ultimo morro correndo e desviando dos canibais que tentavam me atacar. De vez enquanto eu esbarrava com alguma pessoa sã e percebi que uma estava se protegendo atrás da outra, até empurrando para os canibais.
Finalmente consegui chegar à casa da Maytê. Pulei o muro e entrei na casa. Pude ver do lado de fora mais canibais tentando pular o muro e logo conseguiriam.
Entrei na casa e vi corpos ensanguentados por toda a parte. Dilacerados. Procurei entre eles com esperança de que nenhum fosse da minha amiga, e por sorte, ali, ela não estava.
- Maytê? – Berrei.
No momento seguinte ouvi um barulho muito alto de ronco que foi ficando cada vez mais alto, e na fração de segundos vi a menina morena correndo na minha direção, gritando e segurando um motosserra ligado. Eu dei um berro.
- AAAAAAAAAH. SOU EU, SOU EU.
Ela parou. Estava com aquele olhar confiante, mas coberto de raiva.
- Vamos matar esses desgraçados? – Disse ela com o motosserra sujo de sangue.
- Agente precisa sair daqui, e rápido – Avisei.
- Mas como? Não tem como sair pelos fund...
Um estrondo enorme invadiu a sala e quando me dei conta havia um ônibus entre a sala e a garagem, alguns canibais foram atropelados e o ônibus finalmente parou. Eu e Maytê demos um pulo e um berro quase sincronizado.
Havia um ônibus, ali na nossa frente.
Um garoto loiro saiu de dentro do ônibus segurando um calibre 45.
- Vamos sair daqui?
- Gilberto? – Olhei assustado.
Gilberto era meu melhor amigo a três anos e também morava ali por perto.
- Você roubou um ônibus? – Perguntei ainda chocado.
- Não Lucas, eu comprei. Ta baratinho. Quer um?
Senti o tom de ironia bater na minha testa.
- Vamos sair logo daqui? – Concluiu
- Eu posso levar isso? – Perguntou Maytê segurando o motosserra com força. Se olhar era expressivo e foi até engraçado.
- POR FAVOR – Falei entrando no ônibus.
Todos estavam dentro do ônibus para que então o Giba pudesse dar a ré e sair daquela horda de canibais. Saímos em direção a cidade naquele enorme veiculo que passava por cima de vários canibais na estrada. Agora eu estava mais calmo e confiante.
- Precisamos fazer umas paradas antes. Pegar mais gente.
Giba concordou com a cabeça.
Giba dirigia um tanto quanto rápido. Estávamos perto do centro do bairro quando vimos tudo um pouco mais de perto.
Só então pude ver o caos
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