Evil From Hell - WEBSERIE
3 Capítulo 3 - Apenas mais um plano ruim
O aspecto no céu estava assustador. Giba estava totalmente concentrado no volante, mantendo um bom ritmo para que não pudessem tombar o ônibus, que se acontecesse àquela altura, seria um problema.
- Madrugada dos mortos... – Falei em voz alta.
- O que? – Perguntou Maytê sem entender.
- Madrugada dos mortos. Meu filme preferido.
- Você quer um DVD? Ta difícil Lucas – Gilberto disse sem tirar o olhar da estrada.
- Não gente, eu tive uma ideia. Vamos pro shopping.
- Você que ir mesmo pro shopping? Aquele lugar deve estar pegando fogo – Indagou Jéssica limpando o sangue dos braços – E isso está fora dos meus planos.
- E quais seus planos? – Perguntou Giba.
- Com sorte podemos nos trancar lá. As pessoas estão com medo, elas não vão se arriscar ir pra rua – Conclui interrompendo a conversa.
- A não ser que sejam loucos como agente – Disse Maytê rindo num tom irônico.
- Shopping, então? – Perguntou Giba por fim. Todos concordaram como se não tivessem mais opção.
Gilberto era um bom motorista, conseguiu chegar ao shopping em menos de 30 minutos. Pelo caminho fomos bombeando o ônibus pelas janelas com as armas, matando os zumbis que tentavam se agarrar na lataria. Nosso veículo estava todo sujo de sangue e fluídos corporais, mas esse não era um problema relevante.
Demos a volta pelo shopping e a área estava repleta de zumbis. Tínhamos que dar um jeito de entrar sem sermos notados.
- Ok, e qual o plano agora? – Perguntou Maytê.
- Vamos ter que chegar até a porta principal, entrar e nos trancarmos lá – Avisei. O plano era terrível, mas não tinha nada melhor.
- Eu não vou abandonar o ônibus, quer dizer, onde vamos conseguir outro carro? – Giba se alterou tentando defender seu argumento.
- Não podemos entrar com o ônibus Gilberto – Indagou Jéssica.
Giba se levantou e ficou de frente com a Jéssica – E depois se precisarmos sair? Vai querer correr pela rua?
- Você não se garante na corrida? – Falou Jéssica chegando ainda mais perto de Giba encarando os olhos azuis dele.
- Você é incrível mesmo. Não, eu não vou abandonar o ônibus – Giba sentou-se novamente no banco do motorista.
- Então eu não sei – Falei cansado.
- Não sei se é um bom plano esse, de entrar no shopping – Maytê falou por sua vez – Pelo menos no ônibus temos chance de fugir... No shopping seremos reduzidos a paredes e se eles entrarem não vamos fugir por muito tempo.
Maytê tinha razão, mas eu precisava entrar naquele shopping de qualquer jeito.
- Mantimentos – Falei com calma e voz baixa.
- Ele tem razão — Disse Jéssica – Precisamos nos preparar, pois não sabemos quando vamos encontrar comida ou água.
- Ok então, só por isso. Vamos descer e matar até chegar lá? – Perguntou Giba.
- Vamos sim, chegando lá pegamos as coisas nas lojas e saímos, voltamos pra fora e continuamos viagem – Tentei explicar em poucas palavras.
Maytê preparou a motosserra.
- Esse plano é terrível. Vamos logo.
Giba abriu a porta do ônibus e eu e Maytê pulamos para fora do ônibus, olhamos em volta e a área estava boa para irmos correndo até a entrada principal sem matar muitos zumbis. Dois deles nos viram e levaram três segundos para perceberem e começar a correr em nossa direção e nesse exato momento, todos os zumbis estavam vindo à nossa direção, como se tivéssemos uma sinaleira e um holofote apontado para nós.
- Fudeu Lucas – Disse Maytê tentando ligar a motosserra.
O barulho dos rosnados foi interrompido por um barulho de metal retorcendo. Olhei para trás e percebi que era o barulho do portão da garagem do Shopping abrindo.
- Voltem pra dentro – Avisou Giba já ligando o motor novamente.
Entramos e Maytê fechou a porta e quando me dei conta estávamos passando por cima de alguns arbustos e entrando na garagem. Uns 40 zumbis entraram junto enquanto o portão estava se fechando.
- Vamos sair e matar todos antes que entrem no Shopping – Gritou Jéssica dando um chute na porta e pulando para fora.
O pior erro cometido nas últimas 4 horas.
Estávamos todos fora do ônibus, porém estava escuro e mal dava de ver as feras. Estavam correndo rosnando rapidamente e quando me dei conta estavam em cima de nós. Pude perceber o olhar de desespero de todos ao ver e sentir os grunhidos quase nas nossas caras. Começamos um massacre interminável e cansativo, onde a única coisa que sentíamos era medo e sangue espirrando em nossos rostos. O barulho foi abafado pelo som do motosserra e jatos de sangue eram lançados no chão junto com entranhas e órgão. Mas ainda assim era muitos e continuavam vindo de todas as direções.
Na mão de Gilberto pude ver faíscas sendo disparadas, uma atrás da outra coberta pelo forte estampido do calibre. Ele mirava e atirava, mas a agonia era tanto que as balas estavam sendo direcionadas para lugar nenhum. Uma fera pulou de cima do ônibus derrubando-o no chão e fazendo força para tentar alcançar algum pedaço de carne dele, mas com muita habilidade ele desferiu a coronha com força no crânio que fez um estampido de rocha sólida sendo quebrada.
Jéssica estava esticando o braço para dar mais alcance ao tridente afastando assim os zumbis para que não se aproximassem dela sem serem feridos. Começou a recuar ao perceber que havia três deles a sua frente e de costas mesmo entrou de volta no ônibus e fechou a porta. Os zumbis ficaram batendo na lataria da porta e os vidros começaram a trincar e rachar. Ela foi até a primeira janela do mesmo lado da porta e esticou o tridente no pescoço de um deles, tirou rapidamente e logo enfiou em outro. Voltou por dentro do ônibus, deu um chute na porta derrubando o terceiro zumbi não e enfiou o tridente em seus olhos, fazendo uma poça de sangue.
Maytê estava exausta ao suportar o peso de sua arma, mas nem um minuto sequer parou de mutilar o que vinha a sua frente. Dois zumbis as surpreenderam, cada um agarrando um braço, fazendo com que o motosserra caísse no chão ligado e girando desgovernadamente. Estava lutando no chão para não ser mordida por aquelas duas criaturas horrendas. Envolveu o braço no pescoço de um deles e o quebrou como se fosse apenas cartilagem seca, jogou ele de lado e pulou em cima do outro despejando socos em sua cabeça que logo o deixou meio atordoado. Esticou o braço no lado, esperou três segundos exatos até o motosserra virar com o pegador para seu lado e levantou se em cima do zumbi. Desceu a serra na cavidade nasal no zumbi e estilhaços de carne voaram para todo lado.
Havia mais uns 15 zumbis ali dentro conosco.
Enfiei o machado no crânio de um e o instrumento ficou preso, ergui com força e desprendi pressionando o zumbi com a perna o fazendo cair no chão. Virei o machado ao contrário para que a ponta afiada ficasse manuseável. Desferi a ponta afiada contra o olho de uma mulher morena que mostrou os dentes antes de cair no chão. Pude ver pedaços de carne preso entre cada molar.
Estávamos exaustos, quase desistindo. Esperando por um milagre.
E ele aconteceu.
A luz do estacionamento ligou e no alto apareceu uma menina. O nosso milagre.
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