Evil From Hell - WEBSERIE

2 Capítulo 2 - Na estrada da morte


As ruas estavam lotadas. Carros buzinando e gente gritando e correndo pelo meio dos automóveis. Ao horizonte dava pra ver coisas explodindo e pegando fogo e a fumaça negra estava cobrindo quase todo o céu em cima da cidade. Giba estava dirigindo com atenção, mas na verdade não saiamos do lugar, e o mais incrível é que não havia nenhum canibal na estrada. As pessoas estavam fugindo, porém nenhuma daquelas criaturas horríveis estava ali.

- Será que eles não chegaram aqui ainda? – Perguntei olhando em todas as direções.

- Não sei, não sei como tudo isso começou. Só sei que acordei e todo mundo estava se comendo – Explicou Giba.

- Agente vai passar na casa de quem? – Perguntou Maytê.

- Vamos ver se a Jéssica está em casa, pegamos ela a família dela e vamos ver pra onde podemos ir depois.

Giba pegou uma rua de livre acesso e acelerou o ônibus no máximo que pode, e naquele momento o meu medo era que todos morrêssemos dentro daquele ônibus. A casa de Jéssica ficava a uns dez minutos da onde estávamos. Jéssica era a garota mais desconcertada do mundo, de um coração extremamente grande e imperativa a ponto de te fazer rir até naquela situação assustadora. Talvez ela fosse a salvação que não nos deixaria esquecer-se de como é a humanidade. Era a minha melhor amiga.

Não demorou muito e chegamos a casa dela, estava tudo quieto demais, como sempre estava quando eu ia lá. Giba estacionou o ônibus na frente da casa e descemos todos armados. Giba fechou a porta do ônibus e nos avisou para sermos rápidos antes que alguém roubasse o veiculo. Entramos no terreno e fomos em direção à porta e batemos. Ninguém atendeu. Bati na porta novamente e o silêncio continuou.

- Será que ela já fugiu? – Perguntou Maytê.

- Pode ser... – Respondi – Vamos arrombar?

- Vamos, acho que uma porta arregaçada não vai fazer muita diferença num mundo onde prédios estão pegando fogo – Giba riu.

Dei um chute na porta e foi um fracasso total. Giba tentou também e a porta foi e voltou, mas continuou fechada.

- Deixa comigo – Maytê tentou ligar a motosserra e foi interrompida no mesmo momento.

- Você ta maluca? Não queremos atrair a atenção deles... Parece que a epidemia ainda não chegou aqui...

- Qual a sua ideia então espertão? – Perguntou ela.

- Eu vou usar o machado – Ergui o instrumento preparado pra descarrega-lo na grande porta de madeira. Antes de fazer o movimento a porta abriu com força e uma voz manhosa deu um berro.

- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA – Jéssica estava parada na nossa frente, gritando e encarando o machado.

- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA – Gritei segurando o machado no alto. Maytê e Giba deram uns três passos pra trás tomados pelo susto do momento e eu não sabia se enfiava o machado na testa da minha amiga ou se saia gritando.

- O que vocês estão fazendo aqui? E por que você ia destruir a minha porta best? – Perguntou Jéssica olhando pra mim ainda assustada e respirando com força.

Olhei pra ela sério e abaixei o machado devagar – Como assim? Viemos te salvar.

- Me salvar de que?

- Dos zumbis? – Disse Maytê se recuperando do susto.

- Que zumbis? E por que você está com essa serra elétrica? – Perguntou ela com cara de sono.

- Você só pode estar brincando né? – Disse giba com um sorriso de canto. Giba era muito atraente, loiro, alto e olhos claros.

- Gente, vocês estão me assustando – Jéssica estava séria. Dificilmente ela ficava séria daquele jeito e era até assustador.

- O que você estava fazendo? – Perguntei indignado.

- Eu tava dormindo, e estaria ainda se vocês não estivessem prestes a arrebentar minha porta – Respondeu.

- Liga a TV – Pediu Maytê.

Jéssica foi até a sala e ligou a TV, e as noticias e imagens estavam piores do que quando eu havia ligado a minha tv em casa. 30% dos telejornais já estavam fora do ar e havia um canal onde deixaram a câmera ligada e a transmissão ao vivo rodando e o palco estava cheio daqueles zumbis procurando carne.

Jéssica abriu um sorriso de orelha a orelha e começou a dar pulinho e bater palmas – Isso é incrível – Concluiu.

- Não é incrível best, é real. Não é como nos filmes... Não sei se teremos chances – Avisei-a tentando acabar com a alegria de momento.

- Como você consegue ficar tão animada com isso? Tem gente morrendo, eu nem sei onde está a minha família – Maytê estava falando rápido.

- Gente, esperávamos isso há muito tempo, e começou. Olha o caos. Agente nunca foi normal. Sempre fomos os esquecidos da sociedade, da escola... De tudo. Agora temos uma chance de mostrarmos no que somos bons – Jéssica olhou o sangue nas nossas roupas – Vocês já os encontraram não é? Como são?

- Não são como nos filmes, são bem piores, mais rápidos, mais ferozes, mais fome... Eles não mordem apenas, se te alcançam, rasgam sua pele – Avisou Giba.

- Ninguém disse que seria fácil – Disse sorridente.

- Você não pode estar tão animada, fala sério? – Perguntei com o cenho franzido.

Jéssica saiu pela garagem procurando alguma coisa.

- Cadê sua família? – Perguntou Giba.

- Eu vou entrar em contato com eles mais tarde. Eu tenho um plano. – Jéssica pegou um tridente de jardim e foi até agente.

- OMG. Vocês tem um ônibus? – Disse dando mais pulinhos.

- Pois é, e temos que sair daqui logo – Maytê deu o aviso.

- Tudo bem, vocês esperam eu me arrumar? Vai ser rapidin...

Um garoto muito alto entrou correndo pelo lado do terreno e pulou em cima de Jéssica. Metade da mandíbula estava exposta e ele rosnava como um cachorro. O sangue misturado com saliva escorria pelo seu corpo. Ele derrubou Jéssica com força no chão, tentando morde-la. Enquanto Maytê tentava ligar a motosserra reparei que havia mais movimento por fora da casa, nas ruas. Estavam vindo. Eram muitos e corriam feito maratonistas profissionais. Giba estava parado e concentrado com o 45 erguido e atirando nos zumbis que se aproximavam, um tiro atrás do outro e os corpos iam caindo.

Acertei o zumbi que estava atacando a Jéssica de baixo para cima e consegui tirar ele de cima dela. Virei para trás e me deparei com outro zumbi na minha cola, descontei o machado com força em seu crânio. Era o segundo zumbi que eu havia matado e foi muito melhor que a primeira vez, a sensação dessa vez era de prazer. Jéssica pegou o tridente e de lado mesmo enfiou na garganta do menino alto que estava em cima dela. O zumbi guinchou um grito de morte e agonizou no chão enquanto ela se preparava para o que estava vindo.

Quando me dei conta estávamos correndo em direção ao ônibus. O sol estava muito forte, e de longe podia ver os zumbis correndo de um lado para outro, todos sento atraídos por vitimas vivas e logo veio à minha cabeça o caos que estava na frente da minha casa logo cedo. Os zumbis que estavam vindo à frente estavam sendo cuidado pela Maytê que estava desviando golpes mortais. Era incrível, pois a motosserra era pesada e ela estava dando conta numa boa, como se a maquina fosse parte de si própria.

- VAI, VAI, VAI – Ela estava berrando enquanto passava a serra na garganta de um morto vivo – Cuidem da reta guarda.

Para nossa sorte, já não eram mais tantos zumbis no terreno e conseguíamos dar conta enquanto tivesse vindo um de cada vez. Um zumbi pulou nas minhas costas e eu me joguei no chão. Giba deu um chute nele o fazendo cair no chão, pisou no peito dele e desferiu uma bala na testa fazendo com que ele ficasse imóvel, apenas sangrando. Estávamos perto do ônibus, um defendendo ao outro.

Abri a porta do ônibus e gritei para que entrassem. Um menino de uns 14 anos apareceu do meu lado gritando com a boca toda suja de sangue e sem pensar duas vezes o decapitei com o machado. Aquilo foi rude, mas necessário.

- ENTREM – Gritei – E um por um foi entrando no ônibus.

- Põem esse troço pra andar logo Giba – Falei fechando a porta.

O ônibus estava sendo cercado pelas feras famintas e se ficássemos mais um minuto lá fora não teríamos dado conta.

Maytê sentou num banco descansando o motosserra no banco do lado e Jéssica estava em pé segurando um dos ferros amarelos da estrutura. Giba ligou o ônibus, passou por cima de alguns zumbis e logo continuamos caminho. Deu a volta no quarteirão e continuou pelas ruas menos movimentas. O ambiente estava diferente dessa vez. As ruas estavam lotadas daquelas coisas e enquanto passávamos eles nos encaravam através do vidro e por um segundo até parecia que um deles sorriu pra mim.