Evil Always Wins Or So I Thought
1 Prólogo: Querida Dor…
…
Tá…
Imagina a seguinte situação.
Você é um cara mau. Não um simples vilão, mas alguém realmente deplorável.
Ruim mesmo.
Um completo babaca.
Alguém criado em berço de ouro, com tudo do bom e do melhor. Tinha tudo para ser alguém bom e justo…
Mas, por escolha própria, decidiu se tornar a pessoa mais odiável de todas.
E por quê?
Por medo?
Por poder?
Nem mesmo eu sei direito…
Coisas horríveis como planejar a morte do próprio pai e dos irmãos, trair a própria nação, escravizar inocentes… e muitas coisas desumanas que alguém pode fazer.
Pronto.
Esse cara.
Essa pessoa horrível que fez essas coisas que estamos falando…
Sou eu.
Ou ao menos… era.
Eu não me orgulho nada, a propósito. Infelizmente, demorei demais pra perceber o tipo de pessoa que me tornei.
A sensação de ter poder, e de me perder nos vícios de uma vida corrupta, sempre me fizeram achar que eu sempre poderia sair por cima.
Admito que era bem fácil.
Mas, meio que tudo muda quando você leva uma facada… cinquenta, para ser exato.
Soube que depois minha cabeça foi pendurada como um troféu numa praça.
Isso pelas próprias pessoas em quem eu “confiava”.
Sentir esse ódio… daquele jeito…
Isso te muda de uma maneira tão especial.
Te faz pensar.
Faz olhar pra trás.
Me fez ver meu passado e tudo que eu fiz.
Nada disso valeu a pena…
Eu praticamente morri agora, mas parece que eu morri há tanto tempo…
E, pela primeira vez… sinto que estou vendo a verdade em meio à escuridão.
Eu me arrependo.
De todo mal que fiz, e de todas as pessoas que tiveram suas vidas tomadas.
Tenho certeza de que, se minha mãe me visse agora, ela estaria decepcionada.
…
Eu sempre achei que a veria no pós-vida, de braços abertos e orgulhosa do homem poderoso que fui.
Mas não…
Ela não está aqui, porque… eu não sou o homem de quem ela se orgulharia. Sou um covarde, a causa disso tudo e da morte de tanta gente.
Eu mereço o vazio.
O nada.
Só eu… e meus próprios pensamentos.
Fadado a repensar eternamente uma vida manchada de pecados.
Uma pena que, após a morte, sou apenas um reflexo do que eu nunca consegui ser. Era para eu sofrer no inferno e queimar eternamente nas chamas carregadas da dor que eu causei.
Mas eu vou apenas ficar aqui… sendo eu nesse vazio.
Isso não é justo!
Eu deveria sofrer.
Sofrer…
Acho que já dói o suficiente continuar sendo eu.
Engraçado, acho que entendi por que continuo aqui.
…
Será que… se eu tivesse sido alguém melhor…
Será que eu teria encontrado minha mãe aqui?
Em vez dessa droga de purgatório?
É… eu já imaginava. Que merda…
A única coisa estranha nisso tudo é por que eu tenho esse privilégio de ter sua companhia nesse lugar…
É ótimo ter alguém para conversar depois de tanto tempo sozinho.
Não me entenda mal, eu não quero sua pena.
Só te contei isso porque é a única coisa em que eu penso por aqui.
Vou apenas aceitar que sou um merda e abaixar a cabeça diante da minha punição.
.
.
.
Você ainda tá aí?
Se não for incômodo… posso te fazer uma pergunta?
Se pudesse…
Você daria outra chance pra alguém que só se arrependeu no final?
Sei que o perdão em si é complicado.
Você nunca sabe se a pessoa vai errar de novo. Porque isso exige confiar em alguém que nunca foi confiável. Obviamente, só um tolo faria algo assim…
E, para melhorar, a gente aqui não tá falando de qualquer um, né? É do pior tipo de pessoa possível.
Onde a confiança nunca foi parte da vida dela.
Mas e se… você tivesse certeza de que essa pessoa poderia mudar? Se tornar alguém decente.
Você daria essa chance?
E, mesmo que ela realmente mude, ela merece a oportunidade de poder ou querer mudar, mesmo depois de tudo que fez?
…
Olha…
Eu não tenho mais nada. Por mim, eu deveria apenas sumir e fingir que minha vida foi só um sonho bobo.
Mas mesmo assim… eu daria qualquer coisa para tentar desfazer tudo e recomeçar.
Eu faria diferente, seria melhor. Não machucaria ninguém e pagaria qualquer preço pra consertar isso.
Porque nesse final de agora…
Só sobrou o gosto amargo do que eu fui.
E a certeza de que… eu poderia ter sido.
…
Hã?
Espera. O quê?
Você… me daria essa chance?
Sério?
Mas por quê?
Eu não mereço isso… Eu sei o que disse, mas mesmo assim.
E se eu fizer tudo de novo?
Mesmo que tudo dê certo, meio que isso não me faz sair impune?
…
É.
Pensando bem…
Se nada disso acontecer… então eu deixo de ser culpado?
Faz sentido. Mas… hm…
Tá bom.
Então, eu prometo que essa chance irá mudar tudo.
Vou mudar esse final.
Vou ser alguém melhor, alguém digno. E, da próxima vez que a gente se encontrar…
Vou ser alguém que possa olhar pra própria história sem vergonha.
E… talvez… alguém que possa ver a mãe de novo.
Ah…
E antes que eu esqueça… obrigado. De verdade.
Não vou te desapontar.
…
Uma nova chance, né?
Mal posso esperar.
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