Evidências de um relacionamento proibido
9 Capítulo 9 - Esclarecendo as evidências
Notas iniciais
Duas horas antes do turno da noite começar, a equipe estava reunida à espera de Sara e Grissom. Além dos CSIs, um Jim Brass bastante impaciente também se encontrava na mesa a espera de respostas para a convocação inesperada.
—O que raios o Grissom quer com a gente? -Brass esbravejou. -Hoje era a minha folga, sabiam?
Nick riu baixo e respondeu:
—Calma, Capitão! Eles estão chegando e você já vai descobrir!
Sara e Gil entraram lado a lado na lanchonete e cumprimentaram a garçonete que estava na entrada. Mesmo com o lugar relativamente vazio pelo horário, o casal entrou sem demonstrar nenhuma intimidade. Grissom viu quando seus subordinados olharam ansiosos para eles e revirou os olhos.
—Chamaram o Brass? -Foi a primeira coisa que ele perguntou quando se sentou.
—Espere aí! -O detetive olhou confuso. -Grissom não me chamou pra uma reunião de emergência sobre o caso que investigamos?
Grissom rolou os olhos mais uma vez e Catherine respondeu:
—Acredite, Jim, vai gostar de saber o que o Grissom tem a dizer.
—Você está parecendo a Lindsay, Catherine. -O entomologista a censurou. -Já fizeram os pedidos?
—Sim, incluindo suas frutas com cereais e o lanche vegano da Sara. -Greg disse olhando no relógio. -Vocês estão cinco minutos atrasados e temos menos de duas horas para o interrogatório formal.
Sara e Gil se entreolharam e soltaram um suspiro.
—O que vocês querem saber, afinal?
—O que é isso tudo, para começar. -Jim disse irritado. -Hoje é a minha folga!
—O que está acontecendo é que eles descobriram algo sobre a minha vida pessoal e agora se acham no direito de fazer um interrogatório formal a respeito. -Gil retrucou olhando os amigos.
—Se fosse só a sua vida tudo bem, Gil, nós manteríamos distância. Mas…. -Catherine disparou.
Todos encararam Sara pela primeira vez ao mesmo tempo e a morena ruborizou. Depois que o detetive abriu a boca para protestar mais uma vez por ter sido retirado de sua folga, ela resolveu abrir o jogo:
—Eles descobriram que Gil e eu temos um relacionamento, Jim.
—Ah, é sobre isso? — O capitão riu. -Eu já sabia há muito tempo!
Os CSIs se entreolharam confusos e Greg indagou:
—Como?
—Eu sou um detetive, garoto. É o meu trabalho, sabe? -Ele deu uma pausa para receber a comida que chegava.
Quando a garçonete se afastou da mesa novamente, Brass continuou:
—Eu sabia que o Grissom tinha se encantado com alguém quando foi pra São Francisco dar aulas e depois do que aconteceu com a Holly Gribs eu achei muito estranho ele trazer alguém de Frisco e pedir para ficar. Disse que confiava nela, mas ele sempre diz que não confia em ninguém.
Os peritos ouviam atentamente o capitão e mal percebiam que Grissom estava confortavelmente acomodado sem ter que falar sobre o assunto. Sara, por outro lado, estava ligeiramente constrangida.
—Sempre estive de olho nele, afinal algumas mulheres por aí sempre ficaram rondando nosso amigo…
—Nem me fale. -Sara deixou escapar com um sorriso amarelo.
—E como teve certeza? — Nick perguntou.
—Depois do caso daquela enfermeira que era a cara da Sara ele se abriu um pouco no interrogatório e eu estava lá, mas acho que ele nem se lembra. Saiu transtornado.
Grissom se mexeu inquieto no seu lugar.
—Até que um dia a Sofia estava bastante chateada por ter tido um convite para jantar recusado… Então eu fui sondá-lo porquê recusar e ele confessou. Jantei com os dois algumas vezes depois disso.
—Como vocês são cínicos. -Catherine se limitou a dizer para os três.
—Então quer dizer que vocês estão juntos há todos esses anos? -Nick perguntou.
—Não. -Sara respondeu. -Em São Francisco sim, mas quando vim para Vegas não mais. Era complicado.
—Continua complicado… -Grissom emendou. — Por isso não contamos para mais ninguém. É a desculpa perfeita para o Ecklie acabar com as nossas carreiras.
—Além do mais, não queremos um clima estranho na equipe. -Sara finalizou.
—Quando decidiram enfrentar o Ecklie, mesmo que na surdina? -Greg perguntou.
—Um pouco antes do sequestro do Nick. -Sara respondeu. -Tive problemas com um caso… -Ela trocou um olhar com Catherine, mas logo desviou. -Gil foi até a minha casa e conversamos sobre algumas questões complicadas e ele ficou ali, permaneceu do meu lado. Era um domingo.
O casal trocou um rápido e discreto sorriso, mas que agora não passou despercebido pelos peritos.
—Foi nessa época que você pediu para eu começar a fazer as avaliações com você… -Catherine percebeu. -Fez isso para se preparar para quando o Ecklie souber?
Grissom assentiu com a cabeça enquanto bebia um gole de café.
—E vocês moram juntos, então? -Greg perguntou. -Por isso o porteiro te tratou tão bem, te entregou a encomenda…
Sara assentiu com a cabeça, assim como o namorado.
—E como não percebemos as suas coisas quando fomos no apartamento no primeiro dia? -Warrick indagou.
—Eu mandei uma mensagem de texto pro Grissom esconder as nossas evidências. -Sara disse simplesmente. -O que foi que nos denunciou?
Catherine e Warrick trocaram um olhar maroto e foi a loira quem respondeu:
—Seu colar estava no banheiro do quarto quando fui lavar as mãos, além do Hank, do porteiro, da cena com o síndico, a sua facilidade em ajudar na organização das coisas…
—As verduras na casa, a sua cerveja preferida e os guardanapos de papel também deram alguma dica. -Greg completou.
A morena corou mais uma vez.
—Catherine veio nos sondar sobre o que achávamos de vocês dois juntos. -Nick contou. -Na hora eu achei loucura, mas depois as peças foram se encaixando…
—Pois é, as evidências não mentem -O entomologista murmurou.
—Nós esquecemos da torneira quebrada do lavabo. Além disso, é muito difícil esconder que não se sente a vontade em sua própria casa. É… automático.
—E Hank a adora. -Grissom complementou. -É sua humana preferida… Eu me tornei o reserva.
O clima leve tomou conta deles. Até Grissom parecia mais solto para contar.
—Eu acho muito legal vocês dois, sabe? -Warrick tomou a palavra. -Sara nunca gostou de outras mulheres na vida do Grissom, mas achei que era algo platônico…
Os peritos deram risada quando a morena fez uma careta para o amigo.
—E nem precisamos dizer que isso não vai se espalhar pelo lab… -Catherine disse.
O casal olhou agradecido.
—Mas acho que também merecemos jantares especiais como os que o Brass ganhou! -Greg acrescentou.
—Com certeza, mas acho importante vocês entenderem que eu não estou com o Grissom por ele ser meu supervisor. -A morena começou. -Na verdade, nossa história começou muito antes disso, antes de Vegas, do laboratório e até mesmo de ele ser supervisor de vocês.
—Nós sabemos disso, Sara. É amor verdadeiro, mesmo. -Greg disse com seriedade. -Afinal, o que mais faria você desviar os olhos de mim, hein?
Grissom estreitou os olhos e se limitou a dizer, arrancando mais gargalhadas:
—A próxima decomposição é sua, Sanders.
—Brincadeiras a parte, nós sabemos disso. -Nick respondeu. -E como o Warrick disse, é bem legal. Se estão felizes, eu estou feliz por vocês.
—Todos nós estamos. -Catherine corrigiu o amigo. -Gil agora não vai para casa acariciar seus insetos todos os dias… Sara também não fica mais ouvindo a rádio da polícia… No fim, vocês dois combinam mesmo.
—Vou tentar levar como um elogio, Catherine. -Sara disse enquanto os meninos seguravam o riso.
O som do pager de Grissom chamou a atenção deles.
—Nosso café está bom, mas vamos entrar mais cedo. Triplo homicídio em Handerson, e estão pedindo a equipe toda… Vamos lá!
Grissom pegou as comandas e fez o pagamento, enquanto isso, observava do caixa os amigos e subordinados fazendo chacotas com a namorada, que sorria docemente. Discretamente ele lhe deu uma piscadela de lado quando seus olhares se encontraram, e ela o respondeu com um biquinho de lado.
Seu coração se aqueceu. Tudo estava bem.
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