Evidências de um relacionamento proibido

7 Capítulo 7 - Eles são CSIs, afinal!


Sara e Grissom entraram no apartamento com semblantes indecifráveis. Os peritos encaravam curiosos, já de volta em seus lugares na mesa de jantar. Catherine estava com os braços cruzados e um sorriso maroto no rosto.

—E então? -Ela disse. -Vão nos contar o que está acontecendo?

O casal se entreolhou e Grissom respondeu:

—Apenas um mal entendido, Catherine.

—Vocês subestimam nossa inteligência dessa forma… -Warrick protestou. -Nós somos CSIs!

Sara conseguiu perceber que Grissom estava mais nervoso que o normal, mas não sabia bem o que dizer, então ficou em silêncio.

—Estamos trabalhando muito, eu sei disso. -Grissom tentou disfarçar. — Mas assim me deixam preocupado. Vamos voltar ao trabalho?

—Pode parar! -Catherine foi mais ousada. -Sabemos que está acontecendo alguma coisa muito estranha entre vocês dois… E entre o porteiro também, pelo visto.

Grissom revirou os olhos para ela, mas não conseguiu esconder a inquietação. Sara resolveu intervir com uma meia verdade:

—Vocês ficaram zombando no elevador que o Carter está interessado em mim e o síndico veio verificar, pois têm uma política de assédio zero com visitantes.

Os CSIs se entreolharam, mas não conseguiram pensar em um argumento forte o bastante para contra atacar. Grissom suspirou de alívio e colocou um ponto final:

—Isso é bom para vocês dois se concentrarem no trabalho e deixarem a diversão para depois. -Censurou Nick e Greg com o olhar. -Vamos voltar ao que interessa?

O restante da noite foi razoavelmente tranquila, exceto pelos olhares exagerados que Sara e Grissom preferiam ignorar. Pouco antes do amanhecer, a equipe se separou para ir a campo coletar evidências e mais informações sobre o caso com o FBI.

Catherine e Warrick dividiam o carro e conversavam sobre suas observações.

—Eles definitivamente estão juntos, Rick. -Catherine falava entusiasmada. -Eu não estou tão maluca assim! Você viu como estavam estranhos, além de toda aquela confusão com o porteiro…

—Acho que seu palpite está certo. -Warrick concordou enquanto fazia uma curva. -Mas eles não vão admitir nada pra gente, você sabe…

A loira bufou antes de responder com um sorriso malicioso:

—Eu tenho uma ideia…

Do outro lado da cidade, Nick, Greg e Sara seguiam uma pista quente que surgiu na investigação na casa de Gil. Os três estavam descontraídos e cantarolando uma música qualquer que tocava na rádio quando estacionaram em uma casa simples em um bairro no subúrbio de Vegas.

Sara liderou os três até a residência em questão. Notou algumas flores bem cuidadas no jardim e estranhou quando viu as janelas e portas trancadas e seladas com tábuas pelo lado de dentro. Como uma casa abandonada podia ter um quintal bem cuidado?

—Então foi aqui que o tal do Clint cresceu? -Greg disse baixo. -Parece uma casa normal.

—Não existem monstros só nos bairros ruins, Greg… Famílias “normais” não são isentas de problemas. — Nick respondeu.

—Gente, estou com um pressentimento bem ruim… Um clima estranho, vocês…

Mas Sara foi interrompida por estampidos de tiros vindos do interior da casa.

—Se abaixem! -Nick gritou enquanto sacava sua arma. -Os tiros vêm de cima!

—Central, aqui é Sidle do CSI solicitando reforço na quadra 6 do bairro Central Ville, número 30! Suspeito no local e troca de tiros! -Sara disse colada a seu rádio.

—Com certeza o menino está aí dentro. -Nick disse aflito. -Vamos entrar! Se esperarmos o FBI chegar ele não terá a menor chance!

Os outros dois assentiram e seguiram Nick, lhe dando cobertura. Greg arrombou a porta com um chute, impressionando os amigos, e o texano liderou o grupo. Sara fervilhava na adrenalina do momento e segui os companheiros com cautela.

Abaixem! -Ela gritou quando ouviu passos na escada.

O trio se refugiou atrás de uma bancada na cozinha da casa bem a tempo de ouvirem mais tiros. Depois de alguns segundo ouviram o click seco de um gatilho e perceberam que a munição de Clint havia acabado. Nick aproveitou o momento e direcionou sua mira ao suspeito.

—Adolph Clint, somos da polícia de Las Vegas. É o fim da linha pra você! -O homem estava de costas para os três e parou quando ouviu Nick. -Vire-se devagar e com as mãos para cima!

Lentamente o homem se virou, para o alívio dos três. Mas quando Sara se adiantou para algemá-lo, o suspeito atirou com uma arma de baixo calibre escondida na roupa.

Nick agiu rápido e atirou com a mira certeira, derrubando Clint desacordado. Correu na direção dele e checou sua respiração.

—Vivo. Ligue para a emergência, Greg. -Orientou e virou-se para Sara. -Tudo bem?

A morena o olhou aflita, mas assentiu com a cabeça. Levara um baita susto.

—Você foi atingida! -Nick se aproximou.

—Foi de raspão… -Sara esclareceu e lhe mostrou o braço. -Vamos procurar o menino.

O amigo assentiu e eles subiram as escadas, deixando Sanders com o suspeito desacordado e algemado. Um choro infantil vindo do quarto deu a pista para os CSIs, que encontraram o garoto assustado e amordaçado dentro do armário.

—Hei, amigo… Vai ficar tudo bem. -Nick o acalmou assim que o viu. -Somos da polícia e vamos te levar para seus pais.

O menino chorava sem parar e se agarrou à Sara assim que ela o soltou. A morena o abraçou e o pegou no colo. Apesar de ter oito anos, o menino era pequeno para a idade e relativamente leve. Ela o abraçou com ternura e sussurrou no seu ouvido:

—Vai ficar tudo bem!

Logo após descer com o menino resgatado, um festival de viaturas e até um helicóptero chegaram. Sara levou o menino para seus pais e se juntou à Catherine e Warrick que haviam acabado de chegar. Todos assustados pelo relato do tiroteio, mas visivelmente aliviados por verem a vítima sendo resgatada.

—Sara, você precisa de cuidados! -Catherine disse assim que a viu. -Já avisei o Grissom e ele está indo para o laboratório. Não acredito que conseguiram pegá-lo!

Passos duros cortaram a imprensa recém-chegada, era Conrad Ecklie. O homem deu um esclarecimento mínimo para os repórteres e seguiu em direção à equipe do noturno.

—Já vamos começar com a perícia, Ecklie. -Catherine disse em tom sério.

—Vocês não vão trabalhar na perícia. O FBI vai cuidar disso tudo enquanto vocês vão direto para o laboratório, onde a corregedoria estará esperando.

Os CSIs olharam confusos para o chefe, que esclareceu:

—É óbvio que estavam escondendo coisas e fazendo uma investigação paralela. Isso vai ter consequências!

Dito isso, saiu pisando duro.