Evidências de um relacionamento proibido

3 Capítulo 3 - Equipe em ação


Notas iniciais
Catherine entrando em ação... O que será que vem por aí? Boa leitura!

Apesar do desespero de de Sara, o trânsito até seu apartamento estava livre. Pegou todos os semáforos abertos, entraram em ruas preferenciais e atravessaram os quarteirões sem dificuldade. Num tempo bem menor que o normal, estavam estacionando na porta do condomínio.

Ela e Greg se encontraram com os demais na portaria. Catherine cumprimentou o jovem senhor que os acompanhava da recepção.

—Bom dia, senhor Carter. -Catherine sorriu, já o conhecia. -Vamos no apartamento do Grissom.

Carter sorriu para eles com simpatia e olhou confuso para Sara.

—Ele chegou há umas duas horas… Ah, senhorita Sidle…

Ele se abaixou para pegar uma encomenda, que estendeu à morena. Os demais observaram curiosos e confusos.

— Chegou para o senhor Grissom agora mesmo. Poderia entregar à ele? Assine aqui, senhorita…

A morena concordou com a cabeça e assinou o papel que ele estendeu. Em seguida, se despediu e entrou com os amigos no elevador, torcendo para que ninguém tocasse no assunto. Obviamente, não foi o que aconteceu.

—Como conhece o Carter? -Catherine indagou assim que as portas se fecharam.

Ela abriu a boca para responder, mas Nick disparou:

—Ele parecia bem íntimo quando te entregou a encomenda do Grissom. Isso foi muito estranho!

Sara engoliu em seco e respondeu objetivamente:

—Semana passada eu vim pegar uns livros com o Grissom e conheci o Carter. Simpático.

—Livros com o Grissom? -Warrick indagou.

Sara assentiu com a cabeça e observou o leitor digital do elevador, que subia mais devagar que nunca.

—Um livro de entomologia para aquele caso da mulher no deserto… Na semana passada…

Para sua sorte, Greg a socorreu sem saber:

—Ah, lembro desse caso… Grissom deve ter uma biblioteca aí dentro de casa…

Os amigos aceitaram a desculpa e concordaram com a cabeça. O elevador parou no sétimo andar e eles desceram.

Catherine liderava o bando, então foi quem tocou a campainha e aguardou o supervisor. A porta logo foi aberta e Grissom os recepcionou com surpresa e o cenho franzido.

—O que estão fazendo aqui?

—Estamos juntos nesse caso, Gil. Se você não pode ir até o laboratório, nós traremos o laboratório para cá.

Grissom esboçou um sorriso contente e abriu espaço para que eles pudessem entrar. Sara, que vinha por último com uma caixa nas mãos, entregou o pacote e disse baixo:

—Seu porteiro pediu que lhe entregasse. Acho que se lembrou de quando vim buscar aquele livro na semana passada…

Ela deu uma piscadela discreta que foi retribuída pelo namorado. Com isso, seu coração se acalmou. Sara se virou para seguir até a sala quando Hank veio como um foguete e pulou em seu colo, ignorando os demais por completo.

—Hei, meninão! -Ela se abaixou e abraçou o cachorro.

—Você conhece o cachorro do Grissom? -Greg perguntou abismado.

—Hank… não é? -Fingiu confirmar com o namorado, que assentiu com a cabeça.

—Parece que os Hanks gostam de você, Sara! -Nick debochou e não percebeu o semblante fechado de Gil. -Esse carinha é muito legal, não?

Sara deu um sorriso amarelo, mas concordou e se levantou limitando-se a afagar a cabeça do cão. Colocou seus pertences sobre a mesa de Grissom, junto com os dos colegas, e se acomodou no sofá com Hank sob seus pés.

Grissom foi até a cozinha providenciar água e café.

—Me contem o que estão planejando.

—Tivemos uma longa reunião com o FBI e o agente especial Andrew. Conhece ele? -Catherine perguntou e o amigo negou. -Cara sisudo e seco, mas bem bonito…

Os meninos reviraram os olhos para a loira.

—Enfim, ele basicamente pegou toda a nossa investigação e depois nos dispensou. Disse para irmos descansar e Ecklie enviou um recado que estamos de folga amanhã. Ele quer nos afastar a todo custo.

—Quais informações vocês passaram? -Grissom indagou colocando sobre a mesa algumas coisas para eles comerem.

—Apenas o básico. -Warrick respondeu. -Catherine foi a porta voz e Greg anotou tudo que foi dito, assim você terá acesso ao que conversamos.

Grissom arqueou uma sobrancelha em surpresa e agradeceu pela consideração. Se serviu com água e se sentou na mesa para analisar os materiais trazidos por eles.

—Sabia que minha habilidade em digitação seria bem aproveitada um dia. -Greg disse faceiro. -Grissom, acho que mereço uma cerveja como recompensa…

O entomologista riu de lado e indicou a geladeira. O CSI foi até lá e abriu.

—Sara, é sua cerveja preferida. Quer uma? -Greg ofereceu e a morena aceitou sem jeito. -Nossa, Grissom, quanta verdura!

Rindo, ele fechou a porta e entregou uma garrafinha para a amiga. Eles abriram, brindaram e observaram Catherine se levantar.

—Gil, posso usar seu banheiro?

O entomologista assentiu sem prestar atenção. A loira foi, mas logo voltou.

—Gil, sua torneira do banheiro está espanada... Gira e não abre. Posso usar o outro? -Indagou se referindo à suíte.

Grissom já ia assentir quando Sara se levantou num pulo chamando a atenção deles.

—Posso ir na frente, Cath? Estou muito apertada!!

E sem esperar resposta, seguiu para a suíte do casal.

—Sara está precisando descansar. -Catherine murmurou para os amigos.

Lá no banheiro da suíte, a morena se adiantou para guardar seus itens pessoais: escovas de dente, cabelos, desodorante, pente… Qualquer vestígio que pudesse incriminá-la de namorar seu chefe foi escondido dentro do guarda roupa. Aproveitou para guardar seu livro de cabeceira na gaveta, juntamente com o carregador de seu celular. Após passar seu olhar breve pelo local, saiu como se nada tivesse acontecido.

—Obrigada, Cath! -Se limitou a dizer quando voltou.

A loira deu de ombros e seguiu para o lugar de onde Sara saiu. Passou seu olhar atento no cômodo amplo e aconchegante do amigo. Reparou dois pares de travesseiros na cama, chinelos masculinos sobre o tapete e um porta retrato sobre a cômoda com a foto da equipe que todos tinham. Sorriu ao recordar daquele dia e entrou no banheiro.

Enquanto lavava suas mãos, Catherine observou os produtos de higiene de Grissom, a banheira acolhedora, um roupão pendurado e o armário de toalhas. Olhou para ver se ninguém estava por perto e abriu o armário do gabinete. Viu alguns remédios para dores de cabeça, um kit de primeiros socorros, uma loção de barbear lacrada e outra pela metade. Analisou uma navalha visivelmente cara e ergueu as sobrancelhas em espanto.

Audaciosa, continuou sua investigação e abriu a porta escondida pelo espelho. Seus olhos se arregalaram e a boca entreabriu quando viu uma caixinha de preservativos aberta e com várias unidades faltando, pelas suas contas.

—Gilbert Grissom… -Sussurrou com uma risada baixa. -Escondendo o jogo…

Ficou nas pontas dos pés e olhou mais atentamente os itens dentro do armário. Pente de cabelo, perfume, um vidro fechado de xampu, outro potinho com aspirinas… E um pacote fechado de absorventes.

—Mas o que…?

Ela mexeu um pouco mais para a direita e viu um colar prateado com um pingente de borboleta bastante familiar. Franziu a testa tentando se lembrar, mas não conseguiu. Contente com suas descobertas, fechou as portas que havia aberto, lavou novamente as mãos e retornou à sala.

—Sete minutos para lavar as mãos, Cath? -Warrick sussurrou quando a amiga voltou. -Estava investigando a vida do Grissom?

Ela sorriu confirmando e disse no mesmo tom:

—E descobri que ele tem uma namorada!

Apesar da voz baixa para que não fossem ouvidos, ela estava eufórica e o moreno não pode deixar de revirar os olhos para ela.

—Vocês foram bem sucintos… -Grissom disse após finalizar a leitura no laptop de Greg. -Vou pegar um painel no escritório e vamos trabalhar nisso, ok?

Os CSIs assentiram e Nick foi com Grissom até o escritório para ajudá-lo com um grande painel de cortiça. Arrastaram até a sala e posicionaram no meio do local. Os peritos passaram horas organizando as evidências e montando um verdadeiro posto de análises na sala do apartamento de Grissom. Já passava das dez da manhã quando se jogaram estafados no sofá.

—Vamos descansar e voltamos a nos reunir aqui às seis, ok? -Grissom disse cansado. -Estamos precisando de energia, ou vamos continuar andando em círculos.

Os demais concordaram e resolveram se organizar para irem embora. Nick e Warrick, que estavam com seus carros, iriam sozinhos. Greg, o único que estava sem seu veículo, perguntou:

—Cath, pode me dar uma carona? Sua casa é mais perto da minha que o apartamento da Sara…

—Claro, Greg. Vamos lá! -A loira concordou. -Até mais tarde, Gil! Pessoal…

Eles saíram juntos, inclusive Sara. Se despediram na portaria, onde Carter ainda olhava Sara com certa curiosidade e confusão, e seguiram para seus carros. Sara observou os amigos saírem fingindo que colocava uma música qualquer no rádio, mas direcionou seu SUV para dentro do condomínio quando eles saíram de suas vistas.

Se dirigiu até o apartamento pelo elevador que tinha acesso da garagem. Logo entrava novamente em casa, agora tranquila. Encontrou Grissom colocando os copos usados na lava louças e o abraçou.

—Por pouco não consegui guardar tudo. -Ele murmurou com os lábios próximos dos dela.

—Nem me fale, quase tive um pequeno infarto. -Disse no mesmo tom. -Precisamos conversar com Carter também. Quase que ele nos revelou…

Grissom suspirou e a envolveu em seus braços.

—Está exausto, querido. Precisa de banho e cama.

Ele assentiu com a cabeça, mas não desfez o contato. Precisava dela como nunca, como se ela fosse capaz de repor todas as suas energias com seu sopro de vitalidade.

—Estou muito frustrado.

Ela se afastou o suficiente para envolver o rosto cansado dele em suas mãos.

—Vamos resolver isso. Estamos juntos, Gil.

Grissom sorriu de lado para ela e lhe beijou os lábios com suavidade. Em seguida, guiou-a pela mão até o quarto, onde tomaram um relaxante banho na banheira e depois dormiram logo que seus corpos tocaram o colchão macio.