Notas iniciais
Já quero agradecer por quem está acompanhando. Uma história sem leitores é apenas um aglomerado de palavras sem sentido... Bom, no capítulo 2 as coisas começam a ficar mais tensas... Boa leitura!

Após a refeição regada de café no Franks, Grissom e a equipe voltaram ao laboratório com as energias renovadas para retomarem o trabalho no caso. O entomologista foi direto à sua sala para pegar uns papéis e se assustou quando viu Ecklie o esperando.

—Boa noite, Ecklie.

Seu tom azedo fez o visitante arquear uma sobrancelha.

—Onde você e sua equipe estavam? Em campo, espero.

Grissom bufou e respondeu:

—Paramos para comer, Ecklie. Estamos no terceiro turno seguido.

—Não estamos em um caso com possibilidade para paradas pro café, Grissom. -Ele já estava em pé e nervoso. -Estava em uma reunião com o agente Andrew do FBI e fomos interrompidos por David Hodges preocupado com seu surto na sala de evidências. O que tem a dizer sobre isso?

Grissom arqueou a sobrancelha e disparou:

—Que Hodges é um puxa saco e fofoqueiro que tem que parar de bisbilhotar o trabalho alheio e cuidar do próprio nariz.

Conrad cerrou os dentes para Grissom e disse nervoso:

—Você jogou um copo na sala, poderia ter acertado alguém! Depois saíram pra um café? Isso é ridiculo, Grissom. Estamos atrás de um serial killer de crianças!

—Acha que eu não sei, Conrad?? -Seu tom de voz se elevou. -Estou com meus CSIs atrás disso há dias andando em círculos e…

—Estou colocando o FBI no caso, Grissom. -Ecklie interrompeu com prazer na voz.

—Parabéns, Conrad. -Seu tom era irônico. -Vamos resolver mais rápido com estardalhaço e imprensa.

—Você vai ter que mudar sua postura, Gil.

—Mas eu não vou. -Grissom disparou irado. -Não precisamos do FBI, precisamos de tempo para pensar!

—Não temos mais tempo. Estamos sendo pressionados e o FBI vai entrar em ação para trabalhar com vocês e isso não é uma negociação.

Grissom revirou os olhos e Ecklie se enfureceu ainda mais.

—Quer saber? Estou te afastando do caso a partir de agora.

—Como é que é ? -Grissom disparou nervoso.

—Isso mesmo, estou te afastando do caso. Vai trabalhar nos outros casos em aberto e sua equipe fica com o agente Andrew no caso das crianças desaparecidas.

O entomologista olhava incrédulo para o homem a sua frente. A raiva exalava de seus poros de um jeito que ele nunca se lembrava de ter sentido.

—Acabei de ter a minha equipe de volta depois de toda aquela palhaçada que você aprontou no ano passado e agora quer me separar deles de novo? Qual é o seu problema, Conrad? Qual seu prazer nisso tudo?

Os dois se olhavam tão nervosos que não perceberam a equipe do noturno espreitando assustada do corredor.

—Quer saber, Grissom? Você precisa tirar uns dias de folga. Está afastado do laboratório por duas semanas a partir de agora. Aproveite o tempo para pensar na sua postura aqui dentro… A tolerância para comportamentos desse tipo está chegando ao fim.

Dito isso, Ecklie saiu pisando duro, deixando Grissom e sua equipe embasbacados para trás. Os peritos mal esperaram Conrad virar o corredor para adentrarem na sala do supervisor. Grissom os encarava furioso e atordoado.

—Bem, vocês o ouviram… -Começou à guisa de cumprimentos. -Boa sorte com o caso e com o FBI. Catherine cuida da papelada e de vocês quando isso tudo terminar.

—Não é possível, Grissom… Ecklie está louco, você não pode sair! -Warrick disse agitado.

—Vocês o ouviram, pessoal. Estou fora. -Ele se virou para sair, mas voltou antes de seguir. -Boa sorte. Confio em vocês.

E com um aceno de cabeça, saiu com sua maleta a tiracolo.

—Nós precisamos fazer alguma coisa! -Greg foi o primeiro a falar. -Catherine, e se você falar com o Ecklie?

—Parece que ele está aberto para conversa? -A loira retrucou.

—Boa noite.

A voz grave de um homem de meia idade chamou a atenção dos peritos. Ele estava parado na entrada da sala, usava um terno impecavelmente passado, cabelos penteados fio a fio e carregava uma pasta nas mãos.

—Sou o agente especial Andrew, do FBI, e fui direcionado pelo Senhor Ecklie até aqui. -Seu tom era tão sério quanto sua expressão. -Minha equipe está se organizando na sala de análises e faremos uma reunião em dez minutos para que nos coloquem a par do caso. Não temos tempo a perder, não se atrasem!

E saiu com passos rápidos em direção à sala de análises.

—Vamos para essa reunião e depois decidimos o que fazer. -Catherine liderou. -Greg, leve seu laptop e anote cada vírgula que for dita naquela sala. Nick, Warrick e Sara: mantenham silêncio e falem apenas o necessário nessa reunião. Eles não vão acabar com nosso caso!

OoOoOo

A reunião foi feita segundo as ordens de Catherine: ela falou estritamente o necessário, Greg anotou absolutamente tudo que foi dito, enquanto os outros três permaneceram em um longo silêncio. Após mais de duas horas, foram dispensados pelo agente Andrews:

—Vamos assumir daqui em diante. Estão dispensados, mas permaneçam de plantão caso sejam chamados.

Os CSIs se entreolharam e se retiraram em silêncio. Apenas quando estavam no Locker, já sozinhos, Catherine finalmente falou:

—Sei que estamos exaustos, mas não podemos parar por aqui. Vamos para o apartamento de Grissom, colocamos ele a par de tudo e resolveremos esse caso.

Sara derrubou as coisas que carregava pelo susto que levou, mas disfarçou:

—Grissom não gosta de pessoas no apartamento dele…

—Não é hora de pensarmos nisso. Vamos lá e ponto, Sara… Estão dentro ou não?

Os meninos se entreolharam e assentiram com a cabeça.

—Ótimo, vamos para o casulo do Grissom!

Sara se desesperou por um momento, mas tentava manter a calma. Ligar para Grissom no momento era impossível, porque estava com Greg em sua cola, já que lhe daria uma carona. Após pensar por alguns segundos, digitou uma mensagem para o namorado:

“Esconda nossas evidências. A turma toda está indo para casa.”.

E rezando para que ele visse logo a mensagem, seguiu com Greg no banco carona até a casa de seu supervisor… E sua também.

Do outro lado da cidade, Grissom entrou frustrado em sua casa. Jogou os materiais em qualquer canto da sala, colocou comida e água fresca para Hank, largou os sapatos em qualquer canto e foi até a cozinha. Encheu um copo com água gelada e tomou um remédio para dor de cabeça, pois sentia sua enxaqueca dando sinais.

Estava furioso com Ecklie, com o FBI e com aquele psicopata. Se sentia frustrado e inútil. Foi até seu aparador e se serviu de uma dose de whisky, que bebeu em um único gole. Com uma careta se serviu de mais uma dose e seguiu para o sofá, não sem antes ligar uma música clássica alta.

Ficou horas perdido em seus pensamentos. A única preocupação era beber lentamente sua bebida forte e acariciar a barriga de Hank.

—Pois é, amigo. Teremos um bom tempo juntos nos próximos dias. -Murmurou rouco.

Hank ergueu as orelhas e latiu para o homem.

—Não, a mamãe está no trabalho. Mas logo ela estará aqui em casa. -Ele soltou um longo suspiro.

O cachorro se levantou e bem quando Grissom ouviu seu celular vibrar. Quis jogar o aparelho da varanda, mas optou por ler a mensagem. Seus olhos correram pelas palavras de Sara por duas vezes e ele se levantou num pulo.

Correu para a sala e pegou alguns porta retratos, um casaco, as correspondências e outros apetrechos visíveis de Sara pela casa. Jogou tudo dentro de uma gaveta em seu guarda roupa bem a tempo de ouvir a campainha tocar insistentemente. No caminho até a porta, enfiou no bolso um bloquinho de anotações em que escreviam recados um para o outro. Preparou sua melhor cara de surpresa para abrir a porta.

—O que estão fazendo aqui? -Disparou com o cenho franzido.

Notas finais
E aí?