Everything's Better With You
19 18 - Neve é o novo preto
Notas iniciais

Porque eu odeio o clima de Minnesota:
1- É mais frio do que calor. Dá só uns 3 meses de calor no ano, e não chega nem perto do que eu passava na Califórnia.
2- Como é sempre frio, significa que sempre neva.
3- Já perdi as contas de quantas vezes já tive crises de rinite. Resultado: vivo praticamente dopada de tanto remédio que preciso tomar.
4- Eu fico ainda mais mal humorada no inverno. Enquanto as pessoas ao meu redor estão todos felizes, como se amassem morar em um lugar congelante (Se vocês gostam tanto assim de frio, por que não vão para o Alasca?).
5- Não dá para ir à praia, que é uma coisa que eu adorava fazer na Califórnia.
6- Devido ao clima, as pessoas aqui gostam de “esportes de inverno”. Mais especificamente Hóquei, que eu não suporto.
***
Era dezembro.
Com certeza, a pior época escolar para mim aqui. Pois combinava duas coisas que eu não gostava: frio e Hóquei.
Sim, a temporada de Hóquei começava neste mês. O que significava que a escola toda estava no clima. Para todo lugar que se olhava, haviam cartazes dando força aos times, balões nas cores vermelho e amarelo, e o mascote – um urso pardo que, por alguma razão desconhecida por mim, se chamava T-Rox – andava pelos corredores pedindo high-five aos alunos.
Como se não bastasse tudo isso, lá estava eu assistindo a um jogo de Hóquei. Feminino, que fique claro. Eu podia odiar tudo isso, mas Maddie era minha amiga e merecia o meu apoio.
Por fora, eu parecia uma torcedora qualquer. Havia feito maria-chiquinha e amarrei com uma fita vermelha e amarela. O rosto estava pitando com tinta guache, nas mesmas cores, duas linhas horizontais nas bochechas. E um dedo de espuma vermelho na mão que dizia “Vai, Ursos!”. Mas por dentro eu estava entediada e querendo que o tempo passasse logo para eu poder ir embora. Enquanto que todos os outros a minha volta, ficavam gritando, tocando buzinas e xingando o time adversário.
— Voltei! — Gabe se sentou na cadeira ao meu lado, trazendo dois pacotes de pipoca e deu um para mim.
— Obrigada. É sempre assim tão agitado? — perguntei, apontando em volta.
— Sim, mas hoje é só o primeiro jogo da temporada. Você não viu nada ainda.
— Se depender de mim, nem quero ver — murmurei.
Ele riu.
— Acho legal você ter vindo mesmo não curtindo muito Hóquei — ele disse baixinho. Porque se alguém soubesse disso, era capaz de eu ser expulsa do ginásio a pontapés pelos torcedores fanáticos.
— O que eu não faço pelos amigos, não é? — suspirei, colocando um pouco de pipoca na boca em seguida. — Hmm... Boa.
— Só fique longe do cachorro-quente. A sua origem é meio duvidosa... — avisou, fazendo uma careta. Algo me diz que ele descobriu isso da pior maneira.
— Pode deixar.
Paramos de conversar e prestamos atenção no jogo. Quer dizer, o Gabe prestou. Eu não estava entendendo absolutamente nada. Eu só via um bando de garotas, usando patins, correndo pelo gelo com um taco na mão em busca de um disco — que os jogadores chamavam de “bolacha”, aprendi essa com a Maddie — com destino a uma trave pequeninha que estava sendo protegida pela goleira que mais parecia uma parede com todo aquele equipamento de defesa. Em um momento, todos levantaram e começaram a pular e gritar, percebi que as jogadoras também estavam comemorando. Opa, fizeram um gol! Ou será que se falava ponto?
Viu? Eu disse que não entendia nada.
Me levantei também e mexi o dedo de espuma, fingindo estar animada. Quando todo mundo sentou, eu sentei também. Estava mais perdida que a galera de “Lost” naquela ilha.
Achei Maddie facilmente, pois ela era mais baixa das jogadoras. Quem olha para Maddie não diz que ela joga Hóquei. Ela é toda fofa, super calma e um pouco pequena — as outras garotas são bem maiores e fortes do que ela —, mas quando entra no ringue, ela mostra que sabe jogar muito bem. É o perfeito exemplo de que “tamanho não é documento”.
Depois de alguns minutos, o intervalo finalmente chegou.
— Elas estão indo muito bem! — Gabe disse entusiasmado. Algumas pessoas estavam saindo da arquibancada para ir ao banheiro ou comprar alguma coisa para comer. Nós permanecemos lá. — Acho que desta vez elas chegam a final.
— Elas nunca foram? — perguntei.
— Não. A escola não tem prêmio de hóquei feminino. O máximo que conseguiram foi chegar a semifinal, mas perderam um jogo e foram eliminadas.
— Para alguém que se diz “inapto para jogar esportes” até que você entende bastante — comentei.
— Bem, vamos dizer que eu já estive no time, só que nunca joguei.
— Você era reserva?
— Não, eu era o mascote.
Dei uma risada. Esperei que ele fosse fazer o mesmo, mas isso não ocorreu. Gabe só ficou me olhando sério.
— Espera... Você está falando sério?
— Sim.
Uau! Por esse eu não esperava.
Lembro muito bem como o mascote da minha antiga escola, “Brutus, o tubarão” era zoado pelos outros alunos. Sem falar das vezes que o time da escola rival sequestrava ele um dia antes do jogo. Eu tinha pena do garoto que vestia aquela roupa... Ele sofria.
— É algo importante — Gabe continuou. — Pelo menos, para mim.
— Como assim?
— Você sabe como eu e a Maddie nos tornamos amigos? — ele perguntou. Não entendi o que isso tinha a ver com o assunto de ser mascote.
— Não... — respondi.
— Quando eu vim para Minnesota, não conhecia ninguém. Era difícil ser o garoto novo, ninguém queria falar comigo e eu também não tinha coragem de falar com os outros alunos por ser tímido. Então, um dia eu descobri que eles estavam procurando um aluno para ser o mascote, pois o último tinha quebrado o braço e saiu. Achei que seria um jeito legal de conversar com as pessoas, já que ninguém estaria realmente vendo o meu rosto. E deu certo! — ele sorriu. — As pessoas realmente começaram a falar comigo, eu passeava de ônibus com os times, todos me conheciam. Só que... Como o T-Rox. Quando eu tirava a roupa de urso voltava a ser apenas Gabriel McAdams, o garoto novo que ninguém conversava.
Eu ainda não estava conseguindo entender o que isso tinha de tão importante e como Maddie entrava na história.
— Só que as coisas mudaram na metade da temporada — ele prosseguiu. — Eu acompanhei o time feminino em um jogo no qual elas haviam ganhado. As meninas estavam todas felizes, gritando e cantando no ônibus quando estávamos voltando. Enquanto que eu estava sentado lá atrás, sozinho, como sempre ficava. Estava com a cabeça de urso, pois era um dia bem frio e a roupa ajudava a esquentar. Até que ela apareceu.
— Maddie?
— Sim. Ela se sentou ao meu lado e começou a conversar comigo. Normalmente as pessoas só me cumprimentavam ou perguntavam algo sobre os jogos, mas ela realmente falou comigo. Perguntou meu nome, de onde eu era, o que eu gostava de fazer, etc. Eu respondi tudo tranquilamente, afinal, ela não podia ver o meu rosto. Então ela pediu para eu tirar a cabeça, pois falou que era estranho conversar com um urso. Fiquei com medo de não conseguir mais falar com ela e enrolei, mas Maddie insistiu e eu acabei tirando. Lembro como ela sorriu e disse “Você fica bem melhor assim”. Eu sei que ela não estava me cantando, só sendo gentil, mas eu tenho certeza que corei na hora. Continuamos conversando pelo resto da viagem. E a partir daquele dia, começamos a conversar sempre. Antes e depois da aula, almoçávamos junto e ela até me convidou para entrar no jornal da escola após descobrir que era bom com computadores. Então, sim, ser mascote foi importante para mim, pois me fez conhecer a Maddie — ele terminou sorrindo.
— E quando que você começou a gostar dela? — perguntei.
— Eu não sei dizer bem. Acho que foi algo que aconteceu aos poucos, sabe? Porque antes daquele dia, eu nunca tinha reparado nela.
— Como assim? — eu ri. — É meio difícil não reparar em uma garota de cabelo cor-de-fogo.
— Ah, naquela época o cabelo dela era natural. Castanho e crespo, bem cheio — explicou. Eu não conseguia imaginar ela assim, para mim, parecia que Maddie sempre foi ruiva.
— Depois dessa história estou ainda mais certa que vocês foram feitos um para o outro — sorri. — Você precisa tomar coragem e falar com ela logo. O baile está próximo!
— Então, sobre isso... — ele coçou a nuca. — Eu quero desistir dessa “operação cupido”.
— Por quê? Olha, eu sei que os meus planos não deram certo, mas se você for direto com ela eu tenho certeza qu...
— Stef, não é isso! — Gabe me interrompeu. Ele suspirou, com se estivesse cansado. —Eu só não quero mais, ok? Eu sei que não tenho chances com ela e estou conformado em ser apenas o “melhor amigo”.
— Gabe, você não pode falar isso! Está desistindo antes mesmo de tentar!
— Eu já tentei. Muito. Eu sou amigo dela há 6 anos! Se ela não se interessou por mim antes, por que vai fazer isso agora? Além disso, eu sei que a vida não é igual os filmes. Nem sempre melhores amigos foram feitos um para o outro — disse. — E vamos supor que começássemos a namorar... Quem garante que ficaríamos junto para sempre? Eu prefiro ter só a amizade dela, do que um relacionamento que pode ser passageiro. Desde que ela esteja feliz, eu também vou estar, mesmo que não seja comigo.
Gabe podia até ser tímido e não gostar de expor seus sentimentos, mas quando ele fazia isso, era tão sincero que chegava a me deixar comovida.
— Você... Você tem razão — foi tudo que eu disse.
— Eu aprecio muito a sua ajuda, Stef. Sério. Você é uma garota muito legal e fico feliz em ser minha amiga.
— Você não vai se apaixonar por mim agora, não é? — brinquei.
Ele deu uma gargalhada.
— Fiquei tranquilo. Loiras não fazem o meu tipo — ele piscou, sorrindo. — Além disso, você tinha razão quando disse que eu só tinha olhos para Maddie.
— De que você está falando?
— Acho que você tinha razão quando disse aquilo da Hazel no Hockeyween... — explicou. — Ela... Me convidou para o baile.
— Sério? — fiquei boquiaberta. — E você aceitou?
— Eu disse para ela que iria pensar. Mas acho que vou aceitar.
— Quando foi isso?
— Ontem, quando eu estava indo embora. Eu não contei para a Maddie ainda, então, não toque nesse assunto perto dela, ok? Pelo menos por enquanto.
— Claro — assenti.
Uma voz no alto-falante disse que o jogo iria retornar e os alunos começam a voltar para os seus lugares. Paramos de conversar e eu fiquei prestando atenção nas garotas do time, que estavam se preparando para voltar a partida. Maddie estava conversando com algumas garotas e ficava mexendo seu taco de um lado para o outro como se fosse uma espada. Avistei Hazel sentada no banco, ajustando a bandana na cabeça e colocando o capacete em seguida.
Acho que a minha missão como cupido podia se dar por encerrada. Eu não tinha conseguido juntar o casal que eu pretendia, mas percebi que eles já estavam unidos. Eles eram amigos e não havia união melhor.
E eu não podia interferir no destino. Se ele quisesse que os dois não ficassem juntos, então assim seria.
Mas... O que o destino reservava para mim? Será que eu conseguiria encontrar o cara ideal ou continuaria sofrendo por causa de idiotas?
***
No domingo, acordei por volta das 10 da manhã e quando abri a cortina quase levei um susto. Estava tudo congelado lá fora. Para alguém que morou a vida toda na Califórnia, era difícil se acostumar com neve por todos os lados. A estrada estava toda branca, havia neve cobrindo os gramados das casas e até mesmo os galhos das árvores.
Só faltava o vestido azul e sair correndo por aí cantando “Let it Go” para me tornar a princesa Elsa de Frozen, porque o cenário congelante eu já tinha.
No meio daquela imensidão de branco, havia um pontinho colorido no meu gramado: Um cara que estava tirando a neve. Meu pai havia comentado que costumava contratar alguém para tirar a neve, pois ele não dava conta e às vezes estava com pressa para ir ao trabalho.
Fechei a cortina e desci para tomar café. Avery estava terminando de comer quando cheguei, mas ficou sentada na mesa para me fazer companhia.
— Cadê os adultos dessa casa? — perguntei, raspando o restinho de cereal que ficou na tigela.
— Minha mãe está trancada no quarto corrigindo as provas dos seus alunos e o Gregg está dentro da garagem. Disse que ia aproveitar o dia de folga para fazer uma arrumação.
— É, realmente está precisando — concordei. Aquela garagem era uma bagunça. Era bem grande, tanto que cabia dois carros, só que tinha muita caixas guardadas por todos os lados. Até no chão. Era complicado de entrar lá dentro quando o carro estava, sobrava muito pouco espaço para passar pelos lados.
Coloquei a louça suja na pia e lavei. Depois, eu e Avery fomos para a sala e sentamos no sofá.
— Então, viu quem está lá fora? — Avery perguntou, trocando de canal a procura de algo bom para assistir.
— Sim. Um cara tirando a neve — dei de ombros.
Ela riu.
— Mas você viu quem era esse cara? — questionou.
— Não dava para ver lá de cima, ele estava de costas e com o capuz do casaco na cabeça.
— Hm... Se eu fosse você daria uma olhadinha mais de perto. Aposto que vai adorar — ela cantarolou a última parte e parou em um canal. — “Meninas Malvadas”! Adoro esse filme.
Revirei os olhos e fui até a janela da sala. Abri a cortina e espiei. O cara se virou bem na hora e mesmo com aquele monte de roupa e o capuz na cabeça eu reconheci quem era.
— Fala sério! — resmunguei, fechando a cortina com raiva. — Eu já volto.
— Tchauzinho! — Avery acenou para mim, sem tirar os olhos da TV.
Andei a passos duros até a entrada e me preparei para sair. Casaco, luva, touca, cachecol, bota. Mal conseguia andar de tanta roupa que eu havia colocado, mas era preciso, pois não queria congelar no lado de fora.
Assim que botei o pé para fora, senti aquela lufada de ar congelante que parecia querer cortar o meu rosto. Fechei os olhos e xinguei mentalmente esse clima congelante e por ter ido lá fora falar com aquele garoto idiota.
— Kendall! — exclamei com raiva.
Ele parou de tirar a neve e olhou na minha direção.
— Bom dia, Howard — falou tirando o capuz da cabeça, mas ainda estava com uma touca por baixo. Ele tinha um sorrisinho irritante no rosto.
— O que você está fazendo aqui? — perguntei, parada no topo da escada.
— Não é óbvio? — ele perguntou, apontando para a pá na sua mão.
Revirei os olhos, mas não respondi nada.
Por que o meu pai tinha que contratar justo ele para tirar a nossa neve? Parecia um carma, até mesmo no domingo eu era obrigada a vê-lo.
— Eu te vi no jogo das meninas — comentou. — Pensei que você não gostasse de Hóquei.
— E eu não gosto. Fui por causa da Maddie.
— Elas jogaram muito bem, não é à toa que venceram — respondeu, voltando a tirar a neve.
O jogo havia ficava 3 a 1. Maddie marcou o último.
— Então, você vai ao nosso jogo também? — perguntou.
Dei uma gargalhada.
— Nem pensar! — desci a escada com cuidado e fiquei encostada no corrimão cheio de neve, para analisar o trabalho dele.
— Que pena. Estava até pensando em fazer um ponto para você.
— Dispenso — respondi. — Ah, não se esqueça de tirar a neve dali — apontei para um montinho de neve no lado direito.
— Vou fazer isso porque quero e não porque você está mandando
— Faz bem direitinho, hein? Caso contrário não recebe o pagamento — eu estava adorando incomodar ele. Ah! Doce vingança!
— Ah, é? E o que seria esse pagamento? — ele parou no meio do caminho e ergueu uma das sobrancelhas para mim em desafio. Não sei se era por causa da explosão de branco a minha volta, mas seus olhos pareciam mais verdes do que o normal hoje.
— Dinheiro. Oras!
— Eu gosto de dinheiro, mas preferia ganhar outra coisa — ele deu um sorrisinho pervertido.
Revirei os olhos.
— Menos falação e mais trabalho. Aquele montinho continua lá te esperando.
Ele semicerrou os olhos para mim. Provavelmente me xingou mentalmente, mas eu não me importava. Então me deu as costas e foi limpar o que eu tinha dito.
Cruzei os braços por causa do frio e fiquei olhando a rua. Não tinha uma alma viva passando, nem mesmo de carro. Acho que estavam todos dentro de casa, aproveitando o aquecedor.
De repente, sou atingida no casaco.
— Você está muito mandona hoje, sabia? — Kendall estava com uma bola de neve na mão direita, jogando para cima e pegando.
— E você está muito chato. Como sempre — me abaixei e fiz uma bola grande e meio deformada e joguei na direção dele, que desviou.
— Péssima mira, Howard — ele riu de mim e jogou a outra tão rápido que eu nem tive tempo de pensar. Essa acertou bem na minha cabeça. — Viu? É assim que se faz.
— Argh!
Quando me dei conta, já estávamos em uma guerra de bola de neve. Ele era bom, tinha que admitir. Foi muito difícil acertar a primeira nele, mas quando consegui comecei a zoar da sua cara e ele respondeu me acertando de novo. Aos poucos eu comecei a aprender a desviar e ele não conseguia acertar tantas como no começo.
Ele arremessou uma que iria pegar bem na minha cabeça, então me abaixei e ela passou por cima. Em vez de ouvir o barulho da bola se chocando com a parede, ouvi um grito no lugar.
Olhei para trás e vi Avery, no topo da escada, com uma bola de neve no casaco.
— Foi mal, Avery! — Kendall se desculpou. — Não era para você.
— Tudo bem — ela fechou os olhos e suspirou, passando a mão no casaco. — Você tem sorte que eu não sou igual a Regina George.
— Quem? — Kendall perguntou confuso. — Essa garota estuda na nossa escola? Eu não a conheço!
— Vou fingir que não escutei isso, ok? — Avery estava indignada. — Stef, pague esse mané, por favor.
Ela me deu o dinheiro e voltou para dentro de casa. Kendall ainda estava com aquela cara de perdido. Fui obrigada a rir do jeito ele.
— Ok, agora me fala quem é.
— Sério? Você nunca viu “Meninas Malvadas?” — perguntei.
— Eu não! — ele fez uma careta. — É filme de garota.
Balancei a cabeça.
— Eu vou te pagar agora, mas é para terminar o serviço. Entendeu? — ergui as duas notas dobradas para ele.
— Pode deixar, srta. Howard — ele pegou o dinheiro e deu uma piscadinha. — Faço tudo que você quiser.
— Ah, é? — perguntei. Ele fez que sim. — Que tal você dar uma voltinha e nunca mais voltar?
— Desculpa, isso não posso fazer. Você iria sentir muito a minha falta.
— Aham, claro — ironizei. — Só nos seus sonhos, Kendall.
— Já é um começo, não acha? — perguntou, não respondi.
Comecei a subir as escadas sem dizer nada.
— Tchau, Howard! Te vejo amanhã! — ele gritou.
— Tchau, tchau — acenei sem me dar o trabalho de virar para trás e bati a porta com força ao entrar.
Só foi eu entrar em casa para ficar com calor. Tive que tirar aquele monte de roupa. Depois fui para a sala para terminar de ver o filme com Avery. Estava na cena do baile.
— E aí, quem vai ter a honra de ir ao baile com Avery Lancaster? — perguntei.
— Eu não vou convidar ninguém — ela abaixou a cabeça. — Não estou preparada para sair com um garoto de novo.
— Avery, você tem que seguir em frente! Nem todos os garotos são idiotas como o Hunter.
— Nem como o Will — rebateu. — Você deveria seguir os seus próprios conselhos.
Ok, eu me senti bem em contar a verdade para Avery, foi bom desabafar. E eu sei que ela iria guardar segredo. Mas será que ela sempre iria jogar isso na minha cara quando estivéssemos conversando?
Cruzei os braços e desviei o olhar, mas não respondi, pois não sabia o que dizer. Ela desistiu do assunto e voltou sua atenção para o filme.
Mas e se Avery tivesse razão? Será que tinha chegado a hora de dar uma nova chance para o meu coração?
Fale com o autor