— Me contem por favor, como foi que começou o cortejo de vocês dois. – Ofélia quis saber, no outro dia pela manhã. – Você bem sabe que ela não era sua maior fã né Darcy?

Elisa ficou nervosa, porque eles não tinham discutido exatamente o que Darcy tinha pensado e ela sabia que a mãe dava muita importância pras histórias de origem de um casal. Ela sabia que Elisabeta não gostava de Darcy porque ela tinha passado dias falando mal do rapaz, mas não sabia como Darcy iria contornar a história.

— Eu sei dona Ofélia. – ele disse, olhando pra Elisa, que estava sentada ao seu lado. Ela estava fazendo careta pro assunto. – Elisa já deixou isso bem claro.

— Mas foi uma implicância boba, porque ele pegou a calça que eu queria usar no baile de Ema. – Elisa adicionou. – Já passou.

— Assim espero. – disse Ofélia. – Você sabe que só falta Elisa pra casar né Darcy? E ela foi a primeira a nascer…

— Sim, dona Ofélia. Vai ser em breve, eu prometo. – ele sorriu pra sogra e Elisa sentiu um aperto no coração. Não queria que a mãe ficasse pressionando Darcy sobre um casamento que não aconteceria e não queria que ela se iludisse com a possibilidade.

— Mas vamos falar de um casamento mais próximo, que tal? – Elisa tentou mudar o assunto.

— Mas vocês ainda não contaram como foi que se resolveram. – Lídia argumentou. – Eu não posso passar vontades, Elisa. O Randolfinho quer saber também. Como vocês descobriram que se amam? – a irmã passou a mão pela barriga, com olhos pidões.

— Bom, você sabe… – Elisa começou. – A gente já se conhecia… E ai eu fui ajudar Jane na mansão de dona Julieta em São Paulo e ele estava lá… foi natural.

— Natural? – Lídia se arrumou no sofá. – Mas Elisa, você tinha vontade de matar Darcy!

— Eu acho que não precisamos falar sobre isso. – ela se levantou.

— Bom, tudo bem. Elisabeta não quer dar detalhes, – ele sorriu pra Lídia. – mas eu vou falar, pelo Randolfinho. – Darcy puxou Elisabeta para que ela se sentasse de novo e quando ela sentou, ele passou o braço por trás dela. – Eu implicava com ela todos os dias e ela tinha vontade de me matar… – ele continuou. – Até que um dia ela ficou o dia inteiro sem falar comigo e eu fui tirar satisfações, porque eu gostava muito de implicar com Elisa. – Darcy pausou. – Eu diria até que já estava apaixonado. E ai ela me disse que não queria saber de conversar comigo, porque eu tinha feito alguns comentários maldosos sobre as habilidades de casamenteira de dona Ofélia. – ele olhou para a mulher mais velha, que parecia não ligar que alguém tinha falado mal de seus feitos. – Me desculpe, Dona Ofélia. – ela assentiu pro genro. – E ai Elisabeta estava defendendo a senhora… – ele já não tinha mais coragem de olhar pra Elisabeta. – … dizendo que suas habilidades não me interessavam e eu disse que interessavam sim. E ela quis saber porque. E ai nós nos beijamos e não nos separamos desde então, não é meu amor?

Elisa estava branca como uma folha de papel. Darcy tinha que inventar uma história, é claro, mas ele tinha acabado de contar, linha por linha o que tinha acontecido entre os dois há mais de um ano, quando Jane adoeceu na Fazenda Bittencourt. A única mudança na história foi a data. Tudo bem não ter criatividade pra inventar uma história nova, mas Elisa tinha a impressão de que ele não estava inventando nada.

— É. – ela respondeu quase sem abrir a boca, mas limpou a garganta em seguida. Ela não tinha tempo pra pensar no que estava acontecendo com sua cabeça naquele momento ou com seu coração, que parecia ter acabado de passar por uma maratona. – Mas Mariana… – ela disse se virando pra irmã, mas não sem antes olhar pra Darcy, pensativo na poltrona, enquanto a olhava de volta. – … me conte mais sobre o pedido de casamento no balão.

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Elisabeta não conseguiu se concentrar em mais nada no resto do dia e também não conseguiu ficar a sós com Darcy novamente. Ele se despediu dela com um selinho e foi embora pra fazenda de dona Julieta, onde ia passar a noite. Jane foi com ele, pegando carona de novo.

Escutou seu pai chamando do escritório.

— Sim, papai. – Elisa fechou a porta atrás dela.

— Elisabeta, fico muito feliz de saber que você está bem. – Felisberto hesitou.

— Pode falar papai.

— Darcy…

— Sim, eu sei que é um pouco estranho.

— Mas você está feliz?

— Sim, papai.

— Eu me lembro que na última vez que você veio aqui, você disse pra Jane que ele… – Elisa interrompeu o pai.

— Eu sei o que eu disse e eu sinto vergonha. Nós dois somos muito parecidos papai. Acho que o meu bloqueio com Darcy era ver muitas semelhanças nele de coisas que eu não estou muito satisfeita comigo mesma – ela falou, num fôlego só. – Mas ele é uma pessoa amável, faz tudo por sua família e ele me trata muito bem. – Ela não conseguiria mentir pro pai, mas suas palavras a deixaram surpresa. Ela estava feliz com Darcy. Tinha passado a admirar seu jeito de resolver as coisas, de cuidar dos amigos e da família, a maneira como ela se sentia segura com ele…

Felisberto estava um pouco boquiaberto, mas depois de alguns segundos abriu um sorriso pra filha.

— Você realmente o ama. – E a realização atingiu Elisa como um raio. Ela o amava. Ela amava Darcy Williamson como nunca pensou que fosse possível amar alguém antes. O sentimento a aterrorizava e ao mesmo tempo, era um medo que ela sabia que era capaz de enfrentar.

— Sim papai. – ela disse, um pouco engasgada com as próprias palavras. – Eu o amo. – e Elisa decidiu que era hora de Darcy saber sobre sua descoberta também.