No café da manhã, Darcy se surpreendeu quando Elisabeta lhe deu um selinho de bom dia, já que os dois não tinham nenhuma plateia pra impressionar aquela hora da manhã e foi tão reflexivo, que ela nem pareceu notar. Darcy se permitiu aproveitar a naturalidade do gesto, como se os dois fossem mesmo um casal. Tinha passado a apreciar imensamente a companhia de Elisa e estava feliz com a abertura que a moça tinha dado pra ele nos últimos dias. Sim, era parte de um plano dela, mas ele podia aproveitar enquanto havia tempo. Ele abriu um sorriso que deixou Elisa desconfiada. Ela ainda não tinha percebido o ato falho.

— E ai? O que você tem que fazer hoje? – ela perguntou.

— Ahn… – Darcy ainda estava pensando na casualidade do seu bom dia. – Eu vou mandar uma carta pra Charlotte. Depois eu tenho uma reunião com dona Margareth.

— Você precisa de mim?

— Não… Você não tem que trabalhar hoje? – ele perguntou.

— Venâncio me deu alguns dias pra trabalhar em casa, pra que eu possa adiantar duas colunas que vou deixar prontas pra serem usadas nas minhas semanas no Vale. No jornal eu me distraio com outras pautas e acabo me atrasando. E ele quer que eu escreva enquanto estiver lá, então tenho que preparar pras entrevistas. – ela respondeu.

— Então eu não vou te ocupar mais.

— Mas você não está me ocupando… eu perguntei se você queria que eu o acompanhasse. – ela replicou. – Ei, talvez eu até possa conseguir uma entrevista com dona Margareth.

— Bom, se você quer tanto assim me fazer companhia, eu não vou te impedir Elisa. – ele disse sorrindo enquanto ela revirava os olhos.

— Não fique se achando. É pro meu trabalho! E também porque eu sou sua noiva, lembra?

— Como eu poderia esquecer? – ele a ajudou a se levantar da mesa e os dois saíram em direção ao carro.

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A casa de dona Margareth era imensa e Elisa ficou um pouco intimidada ao adentrar o recinto. Sim, ela vivia em uma mansão, mas sabia que dona Julieta tinha trabalhado muito pra conseguir chegar onde chegou. Não conseguia imaginar como era nascer e já ser uma pessoa rica, mas um dia ia conversar com Darcy sobre isso. Os dois foram encaminhados até o sofá, numa antessala e se levantaram prontamente quando dona Margareth adentrou a sala. Elisabeta pensou que ela se parecia com uma versão mais enfeitada e um pouquinho mais jovem que sua própria mãe.

— Darcy, meu querido. – ela estendeu a mão para que Darcy a cumprimentasse. – E você deve ser Elisabeta, a noiva de Darcy!

— Prazer senhora Margareth. – Elisa fez uma pequena reverência, mas só quando se sentou novamente ela registrou que tinha sido chamada pelo nome e pela alcunha: noiva de Darcy.

— Você já deve saber que eu queria muito que Darcy se casasse com a minha Briana, mas o jeitinho que ele falou de você… deu pra perceber que vocês estão muito apaixonados – a dona da casa se acomodou na poltrona central, com uma xícara de chá.

Elisabeta não sabia o que responder, ainda tentando entender como essa senhora sabia que ela era supostamente noiva de Darcy, mas antes que a situação pudesse ficar estranha, Darcy colocou a mão no seu joelho e disse:

— Estamos sim, não é, meu amor? – ele olhou pra ela sorrindo e Elisabeta não conseguiu manter a cara fechada. Ela tinha que ajudar Darcy aqui também.

— Muito. – ela murmurou.

— Fico feliz, mesmo que esteja um pouco triste. – Dona Margareth disse. – Mas o que te traz aqui, Darcy? Eu te disse que o prefeito está viajando e eu só poderei conversar com ele quando voltar.

— Ah sim, eu sei. – ele respondeu. – Minha Elisa aqui é jornalista e ela queria conversar com a senhora sobre negócios, para a coluna do jornal.

— Jornalista? – Dona Margareth parecia assustada. – A senhorita trabalha?

— Felizmente sim. – Elisa estava mais confortável. Falar sobre o trabalho a deixava muito feliz.

— Mas como vai ser quando vocês se casarem?

Elisa tossiu duas vezes com o assunto inesperado, mas Darcy passou a mão em suas costas e respondeu por ela.

— Ela vai continuar trabalhando. Elisa é muito boa no que faz, não seria justo largar pra cuidar de assuntos domésticos quando ela não tem interesse nesse assunto e quando teremos empregados, não é, meu amor? – ele disse, calmamente.

— Sim. – Elisabeta tentou manter o rosto sereno, mas queria muito sair daquele ambiente. – A senhora aceita? – ela virou sua atenção para Dona Margareth, que parecia estar se divertindo com o jovem casal.

— Claro, claro… Você quer começar agora? – E Elisabeta agradeceu por ser prevenida e andar sempre com lápis e caderno na bolsa. Nunca se sabe quando a inspiração vai atingir.

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Elisabeta estava feliz com a entrevista, mas ficou impassiva pelo que tinha ouvido dentro da mansão. Os dois saíram da mansão e andaram em silêncio até o carro e ficaram em silêncio até entrarem na mansão. Os dois pareciam mesmo um casal em sincronia, pois Darcy sabia que tinha que seguir Elisabeta até a biblioteca para que ela gritasse com ele sobre o que quer que seja que ele tinha falado de errado que causou a carranca profunda no seu rosto. Ela ficava muito linda assim, ele se pegou pensando.

Quando ele se sentou na poltrona e ela fechou a porta, Elisabeta notou que Darcy estava com um semblante pacífico, como se não tivesse feito nada de errado.

— Pode falar. – ele quebrou o silêncio.

— Como ela sabia meu nome e o nosso “status” de relacionamento? – ela falou quase ao mesmo tempo que ele.

— Calma Elisa. Senta. – quando ela se sentou ele continuou. – Eu falei com ela ué.

— Como você falou com ela que eu era sua noiva, sendo que eu só concordei em ser sua “noiva” – ela fez o sinal de aspas no ar – depois que você foi lá.

— Elisa, eu conversei com ela e inventei uma noiva e eu falei que era você, mas podia ser qualquer pessoa. No final das contas, foi bom que você concordou ai não tive que inventar mais uma mentira, mas eu uni o útil ao agradável. – ele deu de ombros.

— Você ia me pedir antes de saber da história da minha mãe?

— Talvez? Não sei. Eu não queria ter encontros com Briana, pois dona Margareth ia pressionar o casamento e como eu já te expliquei...

— Você não vai se casar sem amor. – ela completou.

Ela ponderou por alguns segundos e pareceu aceitar a explicação, o que deixou Darcy impressionado e feliz. Em outros tempos, eles teriam discutido por horas sem chegar a conclusão nenhuma.

— Então quer dizer que você acha que eu sou muito boa no que eu faço? – ela o tirou de seus pensamentos.

— Ah, então é por isso que você não quer discutir mais o fato de eu ter “inventado” você pra Dona Margareth? – ele sorriu. – Não é bonito ficar dando indiretas pra ser elogiada.

Elisa fez menção que ia começar a falar, mas Darcy levantou a mão.

— E antes que você diga que não era isso que estava fazendo, eu sei que era, mas você está certa e tem direito de fazer isso, pois é realmente muito boa no que faz.

Ela ficou surpresa com a honestidade de Darcy.

— Eu não sabia que você lia minhas colunas.

— A gente conversa sobre o jornal todo dia, imagino que você tenha pelo menos desconfiado que eu leia suas colunas. Mas sim, eu leio. Minha favorita foi a entrevista com a Mariko.

— Mas foi a primeira coluna. Isso tem meses. A gente nem conversava direito. Inclusive, se me lembro bem, eu te detestava avidamente. – ela quis argumentar ao invés de aceitar o elogio, um reflexo impensado, mas Darcy não deu atenção.

— Ei! Um avanço! Você parou de falar que me odiava!